Para quem leu a minha crónica no encontro de Tel Aviv, peço-vos: releiam-na e percebam como me sinto depois do jogo de ontem. Na minha opinião, voltámos a assistir ontem a uma das páginas mais negras da história do Benfica na Europa, tal como em Israel. Não pelo resultado, porque não é assim tão vergonhoso perder com uma equipa com tradição na Alemanha, mas sim pela falta de entusiasmo, de vontade, de atitude... em suma, de profissionalismo, da parte dos nossos jogadores. E em relação a esta pasta poderia estar aqui a repetir o que já disse nesse post, mas quem o leu e quem me lê normalmente sabe o que eu disse e o que penso sobre isto, portanto não vou dizer tudo de novo. Só acho inconcebível que uma equipa como a que nós temos (que não dá, obviamente, para ganhar uma Liga dos Campeões, mas que podia perfeitamente chegar aos quartos-de-final) se veja obrigada a esperar pelo apito final de um Lyon-Hapoel Tel Aviv para ver se não vai de vela das competições europeias logo em Dezembro. Isto indigna-me, porque já houve tempos em que uma equipa do Benfica composta por remendos como Jorge Soares, Marinho, Bermúdez, Tahar, Luiz Gustavo, Jamir, Paulão, Pedro Henriques, Mauro Airez e Hadrioui conseguiu chegar aos quartos-de-final de uma prova europeia, onde só cairía perante a Fiorentina (e ganhou 1-0 em Itália, depois de perder 0-2 na Luz). Se até uma equipa com tamanha falta de qualidade chegou tão longe, é inconcebível que a equipa actual (45 mil vezes melhor) não mostre metade da atitude desse conjunto de bons rapazes que por cá andou. Tivemos resultados horríveis nesse período, mas ao menos sabíamos que não se lhes podia exigir mais do que aquilo que davam. Agora não. Agora temos grandes jogadores que se aburguesaram (tal como o treinador), que estão a jogar na Liga dos Campeões como se estivessem a jogar o Torneio do Guadiana. Continuarmos nas competições europeias é um milagre, mas, como já referi anteriormente, a jogar com esta displicência mais valia nem irmos lá ou sermos logo eliminados. Não quero ver novo desastre como o de Vigo.
Do jogo em si, mais do mesmo. Jesus voltou a inventar, colocando um homem em campo que de jogador já tem muito pouco. O César Peixoto não teve uma acção bem sucedida, uma única, em 45 minutos. Para fazer aquilo que ele fez, até eu era jogador do Benfica. Aquelas jogadas em que lhe passam a bola, ele recebe-a e se atira para o chão em busca de falta porque a velocidade com que joga aos 30 anos já é a mesma do Valderrama quando acabou a carreira, aos 40 e tal, não são de jogador de futebol: são de ex-jogador. O Peixoto não tem a mínima qualidade para jogar na Liga dos Campeões. No campeonato, apesar de mau, ainda disfarça, mas nesta competição fica facilmente à vista o desastre que é este rapaz. De resto, a ineficácia habitual e o golpe de mestre dado pelo adversário quando menos se espera. Curiosamente, Raúl e Huntelaar nada fizeram durante todo o jogo. Exceptuando o pequeno pormenor do espanhol servir de bandeja o seu compatriota Jurado (talvez o melhor do Schalke ontem) para o golo. Apenas um pormenor.
Na segunda parte, a mesma coisa. O Benfica atacou mais (pouco, é certo, mas mais) e o Schalke voltou a revelar o seu sentido de oportunidade: na única ocasião que teve, aproveitou a lentidão da defesa do Benfica para aumentar a vantagem, pelo central Howedes. E o Benfica a ver a caravana a passar e as bolas a entrar.
De repente, a equipa pareceu acordar e lá marcou um golinho, que nem foi festejado, tal o conformismo de todos. Curiosamente, o capitão Luisão, o autor do golo, foi um dos que menos entusiasta se mostrou mesmo depois de ter marcado. É caso para perguntar: o que raio se passa naquele balneário...
Termino dizendo o seguinte: leio sempre, depois de cada derrota, em muitos blogues benfiquistas as coisas habituais: uns são mais vieiristas, apoiando cegamente tudo o que o presidente faça e tudo o que acontece no clube; outros mais pessimistas, que preferem criticar o que vai mal para que as coisas melhorem. Normalmente, estes últimos são mal vistos porque, como em tudo na vida, criticam. Mesmo que seja construtivamente, criticam, e quem está no poder e quem gosta de apoiar quem está no poder não admite críticas. Pois eu digo-o claramente para quem quiser ouvir (ler, no caso): sou totalmente dos que criticam quando sentem que têm que criticar. Nunca pensei pelos outros, nunca fui pela conversa do "tens de apoiar porque são os nossos". Se os nossos forem uma porcaria e se fartarem de fazer porcaria, não lhes vou aplaudir. Essa história de que enquanto estão a representar o Benfica são os melhores do mundo para mim não pega. O Benfica sim, é o melhor do mundo. Quem o representa vem e vai. Não me venham com tretas que não se pode criticar os nossos, nem o presidente, nem o treinador, nem os jogadores. Se eu vejo que as coisas estão mal, não tenho medo de me insurgir. Tenho liberdade para o fazer e ninguém é mais benfiquista que eu. Não sou sócio, pois não, mas sou tão benfiquista como qualquer sócio. Ou mais.
E agora que a equipa trate de tentar melhorar a horrenda imagem que deixou na Europa e que elimine o Braga da Taça. É o mínimo que "os nossos" podem fazer.
O resumo do jogo aqui:
SABOROSO, MAS...
Há 18 minutos

















































