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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Benfica 1 - 2 Schalke 04 - Fase de Grupos Liga dos Campeões 2010/11

Para quem leu a minha crónica no encontro de Tel Aviv, peço-vos: releiam-na e percebam como me sinto depois do jogo de ontem. Na minha opinião, voltámos a assistir ontem a uma das páginas mais negras da história do Benfica na Europa, tal como em Israel. Não pelo resultado, porque não é assim tão vergonhoso perder com uma equipa com tradição na Alemanha, mas sim pela falta de entusiasmo, de vontade, de atitude... em suma, de profissionalismo, da parte dos nossos jogadores. E em relação a esta pasta poderia estar aqui a repetir o que já disse nesse post, mas quem o leu e quem me lê normalmente sabe o que eu disse e o que penso sobre isto, portanto não vou dizer tudo de novo. Só acho inconcebível que uma equipa como a que nós temos (que não dá, obviamente, para ganhar uma Liga dos Campeões, mas que podia perfeitamente chegar aos quartos-de-final) se veja obrigada a esperar pelo apito final de um Lyon-Hapoel Tel Aviv para ver se não vai de vela das competições europeias logo em Dezembro. Isto indigna-me, porque já houve tempos em que uma equipa do Benfica composta por remendos como Jorge Soares, Marinho, Bermúdez, Tahar, Luiz Gustavo, Jamir, Paulão, Pedro Henriques, Mauro Airez e Hadrioui conseguiu chegar aos quartos-de-final de uma prova europeia, onde só cairía perante a Fiorentina (e ganhou 1-0 em Itália, depois de perder 0-2 na Luz). Se até uma equipa com tamanha falta de qualidade chegou tão longe, é inconcebível que a equipa actual (45 mil vezes melhor) não mostre metade da atitude desse conjunto de bons rapazes que por cá andou. Tivemos resultados horríveis nesse período, mas ao menos sabíamos que não se lhes podia exigir mais do que aquilo que davam. Agora não. Agora temos grandes jogadores que se aburguesaram (tal como o treinador), que estão a jogar na Liga dos Campeões como se estivessem a jogar o Torneio do Guadiana. Continuarmos nas competições europeias é um milagre, mas, como já referi anteriormente, a jogar com esta displicência mais valia nem irmos lá ou sermos logo eliminados. Não quero ver novo desastre como o de Vigo.


Do jogo em si, mais do mesmo. Jesus voltou a inventar, colocando um homem em campo que de jogador já tem muito pouco. O César Peixoto não teve uma acção bem sucedida, uma única, em 45 minutos. Para fazer aquilo que ele fez, até eu era jogador do Benfica. Aquelas jogadas em que lhe passam a bola, ele recebe-a e se atira para o chão em busca de falta porque a velocidade com que joga aos 30 anos já é a mesma do Valderrama quando acabou a carreira, aos 40 e tal, não são de jogador de futebol: são de ex-jogador. O Peixoto não tem a mínima qualidade para jogar na Liga dos Campeões. No campeonato, apesar de mau, ainda disfarça, mas nesta competição fica facilmente à vista o desastre que é este rapaz. De resto, a ineficácia habitual e o golpe de mestre dado pelo adversário quando menos se espera. Curiosamente, Raúl e Huntelaar nada fizeram durante todo o jogo. Exceptuando o pequeno pormenor do espanhol servir de bandeja o seu compatriota Jurado (talvez o melhor do Schalke ontem) para o golo. Apenas um pormenor.


Na segunda parte, a mesma coisa. O Benfica atacou mais (pouco, é certo, mas mais) e o Schalke voltou a revelar o seu sentido de oportunidade: na única ocasião que teve, aproveitou a lentidão da defesa do Benfica para aumentar a vantagem, pelo central Howedes. E o Benfica a ver a caravana a passar e as bolas a entrar.


De repente, a equipa pareceu acordar e lá marcou um golinho, que nem foi festejado, tal o conformismo de todos. Curiosamente, o capitão Luisão, o autor do golo, foi um dos que menos entusiasta se mostrou mesmo depois de ter marcado. É caso para perguntar: o que raio se passa naquele balneário...

Termino dizendo o seguinte: leio sempre, depois de cada derrota, em muitos blogues benfiquistas as coisas habituais: uns são mais vieiristas, apoiando cegamente tudo o que o presidente faça e tudo o que acontece no clube; outros mais pessimistas, que preferem criticar o que vai mal para que as coisas melhorem. Normalmente, estes últimos são mal vistos porque, como em tudo na vida, criticam. Mesmo que seja construtivamente, criticam, e quem está no poder e quem gosta de apoiar quem está no poder não admite críticas. Pois eu digo-o claramente para quem quiser ouvir (ler, no caso): sou totalmente dos que criticam quando sentem que têm que criticar. Nunca pensei pelos outros, nunca fui pela conversa do "tens de apoiar porque são os nossos". Se os nossos forem uma porcaria e se fartarem de fazer porcaria, não lhes vou aplaudir. Essa história de que enquanto estão a representar o Benfica são os melhores do mundo para mim não pega. O Benfica sim, é o melhor do mundo. Quem o representa vem e vai. Não me venham com tretas que não se pode criticar os nossos, nem o presidente, nem o treinador, nem os jogadores. Se eu vejo que as coisas estão mal, não tenho medo de me insurgir. Tenho liberdade para o fazer e ninguém é mais benfiquista que eu. Não sou sócio, pois não, mas sou tão benfiquista como qualquer sócio. Ou mais.
E agora que a equipa trate de tentar melhorar a horrenda imagem que deixou na Europa e que elimine o Braga da Taça. É o mínimo que "os nossos" podem fazer.

O resumo do jogo aqui:

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Hapoel Tel Aviv 3 - 0 Benfica - Fase de Grupos Liga dos Campeões 2010/11

Só hoje escrevo sobre este jogo porque, na verdade, não queria escrever a quente depois do que aconteceu na quarta-feira. No entanto, dou por mim a pensar que a minha opinião se mantém a mesma desse dia. Assistiu-se, em Israel, a uma das páginas mais negras da história do Benfica. O que se viu naquele campo foi miserável. E não me estou a referir apenas ao resultado (embora achasse de todo inconcebível, antes do jogo, que o Benfica fosse perder a Israel e por uma margem tão acentuada). Estou a referir-me à exibição e à falta de vontade gritante de alguns jogadores em estar ali e trabalhar pelo Benfica. A partir de agora nunca mais vou engolir as tretas de entrevistas ao jornal O Benfica a dizerem que o Benfica é uma religião, que adoram o clube acima de tudo, que é aqui que querem estar. É tudo mentira. Quem adora o Benfica somos nós, os adeptos e sócios. Já lá foi o tempo dos jogadores, treinadores e dirigentes representarem o clube por amor. Agora só se pensa no dinheiro. Por isso é que já não me apanham a idolatrar jogadores de futebol. Já lá foi esse tempo. Como se pôde novamente comprovar há 2 dias. Sim, estou a falar de David Luiz em particular, mas podia alargar a crítica para quase toda a equipa. A exibição que vimos a maioria dos jogadores fazer foi perto do horrível, sem garra, sem alma. Se estão na Liga dos Campeões a fazer um frete imagino o que pensem das outras competições. Vão-se embora, porque de jogadores assim não precisamos. Nenhuma equipa precisa. O Maxi este ano está morto, a dupla de centrais roça o ridículo, o Javi está a anos-luz do ano passado (falta-lhe o Ramires, eu sei), o Salvio é uma lástima, o Gaitán não tem poder de explosão, o Saviola foi posto de parte pelo Jesus e o Kardec é um azelha de todo o tamanho. Tudo isto é verdade, mas tudo isto não explica levar 3-0 de um conjunto que muitas vezes pareceu constituído por amadores. Só que esse amadorismo nunca foi aproveitado por nós e pior, foi transferido para nós. Sofremos mais 2 golos de bola parada (algo inconcebível, dado que a defesa é a mesma do ano passado), o David Luiz voltou a ter culpas pelo menos nesses 2 (o que já é um hábito que vem de há 2 épocas, mas os benfiquistas entenderam que haviam de idolatrar o menino, que se há-de fazer...) e o Jorge Jesus voltou a mostrar falhas em ler o jogo em momentos críticos. Sinceramente, este ano o mister está a revelar-se uma desilusão para mim. Há vários anos que o considero um dos melhores treinadores portugueses e o ano passado, com aquele futebol que nos proporcionou, confesso que me encheu totalmente as medidas. Mas falhou num momento decisivo (em Liverpool) e este ano então tem sido de bradar aos céus. Começou logo na planificação da temporada, mas disso já falei aqui. Depois veio a Supertaça, que condicionou toda a época (como eu já esperava e também avisei aqui). A partir daí têm sido fracassos atrás de fracassos. Agora vamos para a Liga Europa (em princípio...) e aí quero ver o que esta equipa vai fazer. Se encararem essa competição como encararam a principal, mais vale sermos eliminados logo na primeira ronda para não fazermos figuras tristes e manchar ainda mais uma história tão gloriosa mas que tem sido tão maltratada nos últimos anos. Ah, e que pelo menos haja a decência e o bom senso de tentar vencer as 2 taças nacionais ainda em jogo e de assegurar o 2º lugar para sonhar em participar na Liga dos Campeões da próxima época (se é que vale a pena irmos para lá). E acho melhor ficar-me por aqui no que respeita ao extra-jogo porque sinceramente creio que quem me lê habitualmente sabe a minha posição face ao nosso presidente e a toda a estrutura directiva que gere o Benfica. Eu digo-o com todas as letras: amo o Benfica, é o clube do meu coração e dava tudo para o servir de borla se preciso fosse. Mas esses abutres que de há largos anos para cá minam o clube (não estou a falar só desta direcção, mas de todas desde o Jorge de Brito) deviam levar dias fechados nos seus gabinetes a ver jogos e documentários de antigamente para ver se levavam um banho de humildade e de benfiquismo. Isto que está agora instaurado, esta era das SAD's e de todas as porcarias adjacentes, jogadas de bastidores, empresários a intrometerem-se nos onzes dos treinadores, contratações e escalações técnicas com o único objectivo do lucro (porque é que acham que o Weldon e o Nuno Gomes não contam ao pé de Kardec e Jara? É porque são piores? Não, não é: é porque já não poderão dar dividendos no futuro), esta porcaria já não é o futebol que me apaixonava em criança, isto já nem é competição saudável. É uma indústria totalmente subvertida a favor dos grandes interesses económicos, como aos poucos vai acontecendo com tudo na vida. E isso dói-me muito, porque acima de tudo sou um apaixonado do desporto, da competição saudável. E este circo mediático de saudável já nada tem. Isto está tudo viciado, e o problema é quando minam o clube de dentro. Espero sinceramente que daqui a uns tempos apareça algum benfiquista a sério, que ame o clube, a pegar nele e a devolver-lhe aquilo que em tempos se chamava a mística benfiquista. Perguntem aos antigos o que era.


Sobre o jogo, nem vale a pena dizer grande coisa. O Benfica teve mais de 20 cantos e em nenhum criou perigo. Teve várias ocasiões de golo, algumas flagrantes (o Kardec falhou duas que com o "desastre e ex-jogador" que é o Nuno Gomes estariam lá dentro), mas não teve arte nem engenho para marcar. O Hapoel fez 4 ou 5 remates e marcou 3 golos, todos quase oferecidos pela defesa encarnada. Só posso dar os parabéns ao Zahavi, que com o bis se tornou no homem do jogo, e ao Douglas, que marcou um golo dificílimo (depois do David Luiz se fazer à bola de calcanhar em plena pequena área, só um deficiente motor não marcava).


De resto, já disse tudo. E se calhar até disse de mais.

Os golos do jogo aqui:

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Benfica 4 - 3 Lyon - Fase de Grupos Liga dos Campeões 2010/11

Um sonho que se poderia ter tornado um pesadelo. Este ano parece que estamos destinados a isto: sofrer sempre até ao fim e nunca ter uma vitória por garantida. Os últimos 15 minutos do jogo com o Lyon foram inacreditáveis, mas ainda assim uma coisa temos de ressalvar: o Benfica venceu o jogo, cumprindo o único objectivo que se pedia para esta partida. É certo que fica um amargo de boca enorme, pois podíamos ter goleado o Lyon e, acima de tudo, ficado em vantagem sobre os franceses no confronto directo, algo que poderia ser importante para as contas finais do grupo. No entanto, o empate do Schalke em Israel acabou por servir-nos também na perfeição. Na próxima jornada iremos nós a Israel e o Schalke recebe o Lyon, o que já permite fazer várias conjecturas: se o Schalke vencer esse jogo e nós o nosso, estaremos obrigados a ganhar na Luz aos alemães; se esse jogo ficar empatado e nós vencermos o nosso, bastar-nos-á um empate na última jornada para passar, cenário idêntico ao que acontecerá se o Lyon ganhar. Ou seja, o Benfica pode dar um passo de gigante para o apuramento se conseguir a vitória em Israel, sítio onde o Schalke escorregou. E aí veremos se as palavras do nosso treinador no início da prova, onde avisou que quem perdesse pontos com o Schalke ficava de fora, se concretizarão. Agora já só dependemos de nós para seguir em frente na competição.


Desta feita, vimos um Benfica seguríssimo de si e à procura do triunfo desde o início, mas sempre com as necessárias cautelas defensivas - ainda que o Lyon tenha mostrado ser uma equipa quase banal sem Lisandro. Para piorar o cenário inicial, Aimar sentiu-se indisposto e Jorge Jesus apostou na surpresa: Salvio no 11 inicial. E o argentino respondeu de forma muito positiva, mostrando que com tempo para se adaptar e com muito trabalho, poderá vir a ser um elemento importante na equipa. No entanto, o destaque óbvio deste jogo tem de ir para 2 jogadores: Carlos Martins e Fábio Coentrão. O primeiro, porque se redimiu por completo do erro que deu o 1-0 ao Lyon em França. Fez de 10 melhor ainda do que o Aimar costuma fazer e coroou a exibição magistral com 4!!! assistências para golo, duas na sequência de bolas paradas e duas em passes absolutamente magistrais para Coentrão. Já o lateral/médio esquerdo, que caminha a passos largos para vir a discutir nos próximos anos o título de melhor lateral/médio esquerdo do mundo com o galês Bale, do Tottenham, voltou a fazer um jogo do outro mundo, conseguindo fazer o que normalmente não consegue: golos. Até neste aspecto se tem registado uma evolução tremenda em Coentrão desde que começou a ser trabalhado por Jesus, à semelhança do que aconteceu o ano passado com... Di María. Temo sinceramente que esta seja a última época do caxineiro na Luz, pelo que sugiro que todos a apreciem com especial interesse e atenção. Ele merece.


A primeira explosão de alegria aconteceu aos 20 minutos, quando Kardec, de cabeça, desviou da melhor forma um livre superiormente executado por Carlos Martins.
Aos 32, a dupla sensação entrou pela primeira vez em acção, com Coentrão a fazer um grande golo. Lloris ainda tentou defender, mas aquela bola levava selo...


Quando aos 42 Javi García aumenta para 3-0 (num lance com muitas, muitas culpas para LLoris...), a alegria deu lugar ao espanto nas bancadas da Luz. Onde tinha estado este Benfica durante toda a época? Estaríamos perante o Benfica demolidor da temporada passada? Esta equipa era a mesma que havia sido cilindrada em Lyon? Estas eram algumas das perguntas que assolavam a mente dos adeptos, que mais estupefactos ficaram quando Coentrão aumentou para 4-0 aos 67 minutos, num golo de antologia (a forma como coloca o pé à bola para a fazer entrar só está ao alcance dos melhores).


Depois de tudo isto, quem diria que o Lyon seria capaz de criar o quase-cataclismo que se veio a verificar a partir dos 75 minutos? Ninguém, nem mesmo os franceses. Neste aspecto, as culpas recaem todas sobre Jorge Jesus, que noutros jogos da época tem sempre optado por substituições conservadoras e neste jogo resolveu brincar com o fogo, colocando quase ao mesmo tempo Weldon, Jara e Felipe Menezes. O Lyon chegou ao 4-1, por Gourcuff, e começou a acreditar que era possível voltar a ficar em vantagem no confronto directo (por essa altura já só tinha de marcar mais um) e quem sabe tentar algo mais.


O primeiro objectivo veio com o golo de Gomis (cuja entrada revolucionou o futebol do Lyon, que passou finalmente a ter uma referência na área), dez minutos depois. Nesse momento, os franceses, apesar da derrota, garantiam a superioridade sobre o Benfica em caso de empate final nas contas do grupo.


Em cima do apito final, surgiu o impensável 3º golo, naquele que foi o regresso do Roberto dos primeiros jogos. Um frango monumental do espanhol que por pouco não deu em males maiores para os encarnados.

Apesar dos desastrosos 15 minutos finais, a verdade é que o Benfica cumpriu o objectivo principal e voltou a depender apenas de si próprio para assegurar a passagem aos oitavos-de-final. Agora o importante é pensar no campeonato e na deslocação ao Dragão, naquele que será um dos jogos mais importantes do campeonato. Se perdermos, hipotecamos todas as esperanças de revalidar o título (desenganem-se os que acreditam na matemática: o Benfica nunca irá recuperar 10 pontos ao Porto este ano). Se empatarmos, é um bom resultado, na medida em que mantemos a distância pontual, não permitindo que o Porto fuja (e contribuindo para que eles percam 2 pontos, o que aumenta um pouco o interesse do campeonato). Se vencermos, ganhamos novo fôlego para o resto da temporada, além de marcarmos uma posição: afinal de contas, os campeões nacionais ainda somos nós. Porque é possível trazer um resultado positivo do dragão, de modo a manter vivas as esperanças do 33º, vamos lá, Benfica!

Os golos do jogo aqui:



PS: O Benfica conseguiu esta importantíssima vitória no dia em que se comemorava o 125º aniversário do nascimento do grande Cosme Damião, o homem que deu início a este projecto que havia de se tornar tão grande. Um grande bem-haja para ele!


PS2: Ontem fez anos o grande Aimar, um dos maiores talentos que já passou pelo nosso campeonato, e felizmente pelo Benfica. Muitos parabéns também a El Mago!


PS3: No Domingo conquistámos a Supertaça de basquetebol frente ao Porto. Mais uma conquista histórica numa modalidade onde somos reis e senhores há 3 anos. Que a mão quente se continue a manifestar também no campeonato, onde procuraremos o tri. Força, Benfica!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Lyon 2 - 0 Benfica - Fase de Grupos Liga dos Campeões 2010/11

Mais um jogo, mais uma derrota e as contas complicaram-se a sério. Aparte as incidências da partida, das quais falarei em baixo, a maior problemática prende-se agora com a passagem aos oitavos-de-final, que ficou agora mais difícil. Neste momento, teremos de vencer obrigatoriamente 2 dos 3 jogos que nos faltam, embora o ideal fosse mesmo ganhar os 3. E mesmo assim podíamos não nos apurar, porque ainda há a hipótese, ainda que remota, de ficarem 3 equipas com 12 pontos, e aí tudo se teria de decidir pelos golos. No entanto, não me parece que o cenário vá ser esse. Acredito que o embate entre o Lyon e o Schalke termine empatado, o que me leva a crer (sem os confrontos que ainda faltam com o Benfica) que o Lyon fará 13 pontos e o Schalke 10. Ora, isso significa que o Benfica terá obrigatoriamente de ganhar em Israel e na Luz ao Schalke, fazendo assim 10 pontos. O que quer dizer que, no mínimo, temos de empatar com o Lyon em casa, daqui a duas semanas. Quando perdemos com o Schalke eu disse aqui que, se perdêssemos também em Lyon, estaríamos arrumados. Fazendo as contas, percebo que ainda há uma esperança. Mas a atitude terá de ser totalmente diferente da que mostrámos ontem.


O início do jogo mostrou o que os mais atentos já sabiam: a posição que o Lyon ocupa na tabela em França é totalmente enganadora, pois estamos perante uma equipa fortíssima, que ainda no ano passado chegou às meias-finais da Liga dos Campeões. O guarda-redes é de classe mundial e o meio-campo e o ataque não lhe ficam atrás. A defesa é o sector mais permeável e era por aí que o Benfica poderia impor o seu jogo: pressionar os laterais e confiar na qualidade de Saviola e Kardec em relação aos centrais Cris e Diakhaté. O problema (ou um dos) é que o meio-campo encarnado nunca foi capaz de aguentar o meio-campo ofensivo do Lyon. Gonalons apagou por completo Aimar, o Briand (para mim o melhor em campo) não perdeu uma única iniciativa atacante, o Michel Bastos idem e o Gourcuff jogou com a classe que se lhe conhece. Do Lisandro nem vale a pena falar, já todos sabemos bem quem ele é e o que vale. A somar a tudo isto, tivemos mais uma vez um erro individual a trair o colectivo: o Carlos Martins, qual David Luiz, entendeu que havia de brincar perto da baliza e deu origem ao primeiro golo do Lyon, marcado pelo Briand. Começava o descalabro.


E depois subiu ao papel de protagonista, dentro deste enredo trágico, a questão da inexperiência da nossa equipa. O Maxi Pereira, o David Luiz, o Javi García, o Gaitán, o próprio Carlos Martins e o Kardec não têm a mínima experiência destas andanças (o Coentrão também não, mas a sua qualidade nem nos faz lembrar disso). E isto paga-se caro numa competição deste género. Ontem vi o Javi fazer a pior exibição desde que está no Benfica, o Martins idem e o Maxi está uma sombra do que nós conhecemos. Para piorar tudo, apenas um nome: Gaitán. O resto vocês viram por vós próprios. O erro de principiante do argentino precipitou o desastre que veio a seguir, com o Benfica a sofrer até aos 55 minutos um verdadeiro vendaval de ataques do Lyon, uns atrás dos outros. Por sorte (e por um espanhol chamado Roberto) só sofremos mais um golo, mas podíamos ter saído de Lyon vergados a uma goleada absolutamente histórica. Sem surpresas, Lisandro aumentou a vantagem, na recarga de um remate já de si muito bom, detido por uma defesa fantástica de Roberto (que minutos depois faria outra ainda mais sensacional).

Por esta altura, o Jesus finalmente acordou e percebeu que tinha de fazer alguma coisa para reforçar o meio-campo. Embora eu não goste dele, tal como a maioria dos benfiquistas, tenho de admitir que a entrada de César Peixoto, naquele contexto, foi o melhor a fazer. A questão é que aquela substituição devia ter acontecido no intervalo, pois a avalanche que se deu nos primeiros dez minutos da segunda parte já se estava a prever. Parece que só o nosso treinador não o percebeu. Assim, Como já disse acima, esta derrota deixa tudo mais negro. Mas pronto, o cenário para a Champions já foi traçado no primeiro parágrafo. Agora temos de pensar na deslocação a Portimão e desengane-se quem acha que vai ser fácil: não vai. O Portimonense tem um ataque jovem e irreverente, que pode complicar a vida à nossa defesa. No entanto, a defesa é o seu calcanhar de Aquiles. Se os nossos atacantes (e médios) estiverem concentrados, atentos e empenhados, pode ser essa a chave do triunfo. Tendo em conta que o Porto já tem os 3 pontos certos (com o União de Leiria em casa, menos de 3 é derrota para aquela equipa), o Benfica só pode vencer para manter a distância pontual em "apenas" 7 pontos. Porque o 33º ainda é possível, vamos lá, Benfica!

Os golos do jogo aqui:

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Schalke 04 2 - 0 Benfica - Fase de Grupos Liga dos Campeões 2010/11

Depois de um bom começo, demos-lhe uma sequência horrível. A derrota na Alemanha, para além de ser perfeitamente evitável (porque o Benfica demonstrou, particularmente durante a primeira parte, ser completamente capaz de vencer o jogo), deixou-nos em muito maus lençóis no que toca ao apuramento, pois agora estamos totalmente obrigados a pelo menos empatar em Lyon para ainda podermos sonhar com o apuramento (isto porque é quase certo que o Schalke vai vencer o duplo confronto com o Hapoel e assim chgar aos 9 pontos ao fim da 4ª jornada). O Benfica terá agora de pelo menos empatar em Lyon e depois bater os franceses em casa para voltar a ficar em posição de se apurar. Caso o resultado em Lyon seja a derrota, resta-nos fazer as malas para a Liga Europa.


O Benfica não entrou nada mal no jogo. Controlou, criou oportunidades e podia ter marcado (a exemplo do que aconteceu na Madeira, frente ao Marítimo). Não o fez e aos poucos o Schalke começou a subir no terreno e a acreditar que podia mesmo ganhar o encontro. A bola ao poste de Raúl em cima do intervalo foi apenas o primeiro aviso (destaque para a grande defesa de Roberto na sequência desse lance, após remate de Rakitic). O pior chegou já a meio da segunda parte. Num lance em que mostrou toda a sua inaptidão defensiva, César Peixoto conseguiu por 2 vezes estar na posição certa e acabar por sair dela, falhando a intercepção e permitindo a Farfán (o melhor em campo dos alemães) abrir o marcador. Já aqui o disse algumas vezes e houve algumas vozes que não concordaram comigo, mas a verdade é esta: César Peixoto não tem a qualidade suficiente para jogar no Benfica. O problema não é dele, claro, mas esta é a verdade. E amadorismos destes pagam-se caro numa competição como a Liga dos Campeões.


Logo depois, a lesão de Cardozo permitiu ao Schalke controlar totalmente o jogo (o Benfica desapareceu ofensivamente, muito por culpa também da má decisão de Jesus em tirar Saviola para colocar Aimar) e foi sem grande surpresa que o 2-0 surgiu, dos pés do "desejado" Huntelaar. Realce para a perda de bola infantil de David Luiz. Mais um dos meninos queridos dos adeptos, mas que curiosamente consegue ter falhas imperdoáveis em muitos dos jogos mais importantes (vide o jogo com o Liverpool na época passada e outros em anos anteriores). Na minha opinião, nós, os adeptos do Benfica, criámos um monstro: monstro no sentido de que fizemos dele um jogador que não é. É um bom central, sim senhor, pode vir a ser um grande central, talvez dos melhores do mundo, acredito, mas ainda não o é, nem de perto nem de longe, ao contrário do que muitos benfiquistas julgam. E pronto, em mais um disparate seu (a partir dos quais nasceram muitos dos golos sofridos pelo Benfica o ano passado) nasceu um golo do adversário. É assim.

Como já disse acima, esta derrota deixa tudo mais negro. Teremos agora de vencer obrigatoriamente os jogos em casa contra Lyon e Schalke e conseguir empatar em Lyon e pelo menos o empate em Israel (a vitória, sim, era o ideal). Para já, a deslocação a Lyon é como se fosse uma final. Vai ter de ser encarada como tal. A curto prazo, as atenções têm de estar viradas para a recepção ao Braga, no que pode vir a ser um jogo decisivo para o decorrer do campeonato. A vitória é imprescindível para ultrapassarmos os minhotos e não deixar o Porto fugir (acreditando mesmo que eles podem escorregar em Guimarães). Não vencermos o Braga no momento que ambas as equipas atravessam era mais um rude golpe nas nossas aspirações. Porque eu ainda acredito no 33º, força Benfica!

Os golos do jogo aqui:

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Benfica 2 - 0 Hapoel Tel Aviv - Fase de Grupos Liga dos Campeões 2010/11

Começámos ontem a participação na Liga dos Campeões, e começámo-la da melhor maneira: a vencer. Estes 3 pontos eram importantíssimos não só para que pudéssemos entrar na competição da melhor forma possível, vencendo o 1º jogo em casa, mas também devido à fase que a equipa atravessa - ainda para mais na véspera de um Benfica-Sporting. A exibição ainda não foi brilhante, mas chegou para vencer, e neste caso era isso o que mais importava. Com a vitória caseira do Lyon sobre o Schalke 04 (1-0), que iremos defrontar na próxima jornada (e na Alemanha), estamos neste momento em primeiro do grupo, o que, não querendo dizer nada, obviamente, pode funcionar como alento extra para a equipa. Pelas minhas contas, 10 pontos serão mais que suficientes para passar à fase seguinte, pelo que já só precisamos de mais 7: duas vitórias e um empate. Ora, se conseguirmos pelo menos empatar na Alemanha, ficaremos à distância de 2 triunfos em 4 jogos. Não me parece difícil. Francamente, penso que estamos bem lançados para superar a fase de grupos sem problemas de maior. Mas um passo de cada vez.


A entrada no encontro não foi má. Este Benfica não é o mesmo do ano passado (isso já todos sabemos), mas notou-se a vontade da equipa em deitar para trás o mau momento e entrar a ganhar na Champions. Ainda assim, e apesar das tentativas de Aimar, Carlos Martins e Fábio Coentrão, a verdade é que o Hapoel poderia ter marcado primeiro. O árbitro fez vista grossa, mas Luisão comete efectivamente falta sobre o avançado Shechter (um mergulhador nato, diga-se, como se viu no resto do encontro). Um lance em que ficou bem patente a dificuldade do brasileiro em acompanhar avançados rápidos e muito móveis. Luisão haveria de se redimir desse erro infantil pouco depois, conseguindo um golo espectacular e provando ser o homem dos golos decisivos: já assim havia sido com o Sporting em 04/05, com o Liverpool no ano seguinte e com o Braga na época passada, num jogo também ele decisivo para o título.


A partir daqui, o jogo aparentou ficar controlado, mas os israelitas não baixaram os braços e mostraram que estavam mesmo na Luz para pontuar. Felizmente, Roberto estava num dia inspirado e conseguiu sempre travar as investidas adversárias, nomeadamente o fantástico remate de trivela do lateral-direito Bondarv (para mim o melhor em campo dos israelitas). Não sei se foi só impressão minha, mas o espanhol pareceu-me bem mais tranquilo neste jogo. Pode ser que o problema na baliza esteja perto de ser resolvido. Era muito bom para nós.


Na segunda parte, o Benfica entrou outra vez mais forte e pressionante, destacando-se a grande exibição de Aimar, aqui bem secundado por Saviola, que finalmente apareceu. No entanto, o encerrar do jogo viria com a entrada de Maxi Pereira (parece que o banco lhe fez bem, assim como a titularidade a Ruben Amorim, ele que vinha a jogar muito mal). O entendimento entre os 2, que viria a culminar no segundo golo do Benfica, foi belíssimo. O golo foi à ponta-de-lança, como a grande maioria dos que Cardozo marca. Sobre o gesto do paraguaio, sinceramente acho isso um fait-diver. E até compreendo perfeitamente a atitude, diga-se. Ninguém gosta que no nosso local de trabalho nos estejam a assobiar e a criticar de cada vez que fazemos algo mal, e estava a tornar-se ridículo assobiarem-no (apesar de estar a ser o pior em campo, de longe) de cada vez que tocava na bola. O gesto foi irreflectido mas expressou o que o jogador estava a sentir naquele momento, o sentimento de "Tomem lá" por o terem "tratado tão mal", ele que é o mesmo jogador que o ano passado apontou 38 golos. Pois bem, Cardozo marcou, fez o gesto (o mesmo que Quim fez o ano passado, e teve igualmente a sua razão, pois os adeptos incompreensivelmente só viam o Moreira à frente, mesmo com ele a demonstrar que era o melhor - e acabou por ser totalista no campeonato...), pediu desculpa e isso é que importa. A hora é de união entre todos os benfiquistas e não de estar a criticar jogadores indiscutíveis no 11. Que se assobie o César Peixoto, é para o lado que durmo melhor. Agora o Cardozo, isso é incompreensível.

E assim levámos a melhor no primeiro jogo na Champions. Não foi fácil, mas também não foi preciso forçar assim tanto. A deslocação à Alemanha não vai ser pêra nada doce, não só pela qualidade do Schalke (apesar de ter 5 derrotas em 5 jogos este ano) como também pela nossa tradição em solo germânico, onde nunca vencemos uma partida. Ainda assim, eu acredito que as estatísticas são para ser quebradas e que é completamente possível trazer um bom resultado. Se não der para ganhar, pelo menos o empate. Um ponto já será muito positivo, pois ficarão a faltar apenas mais 6, ou seja, 2 vitórias. E isso está perfeitamente ao nosso alcance. Rumo a um sonho que se verá se é possível ou não de concretizar!

O resumo do jogo aqui:

sábado, 28 de agosto de 2010

Sorteio da Liga dos Campeões


Para o regresso do Benfica à Liga dos Campeões, podemos dizer que o sorteio não nos foi desfavorável. Do pote 1, calhou-nos a equipa mais fraca. No entanto, isso não quer dizer que irá ser fácil bater o Lyon. Nada disso. É uma equipa que, como todos sabem, há bem pouco tempo foi 8 vezes seguidas campeão de França, está muito habituada a jogar na Liga dos Campeões (ainda na época passada chegou às meias-finais pela primeira vez na sua história) e continua a ter um plantel muito forte: Lloris é o actual titular da baliza da selecção francesa, Cris, Réveillère e Cissokho são muito bons jogadores (embora me pareça que a defesa é o sector mais fraco desta equipa) e a partir daqui é um luxo: Kallstrom, Pjanic, Michel Bastos, Toulalan e a mais recente contratação, Gourcuff, fazem deste um meio-campo de sonho. E depois há Lisandro, Gomis, Briand e César Delgado para o ataque. Repito: era a equipa mais fraca do Pote 1, mas isso não significa facilidades para nós. No entanto, devemos ter em mente o nosso historial com equipas francesas (muito bom) e acreditar que será possível voltar a bater mais uma.

Em relação ao Pote 3, aqui o caso já muda de figura. O Schalke 04 era das equipas mais fortes que nos podiam ter calhado. Apesar de não ser um habitué da prova, esta equipa é fortíssima (acabou de ficar em 2º na Bundesliga) e este ano ainda se reforçou melhor (e há um par de anos eliminou o Porto nos oitavos-de-final da competição). Na baliza está Neuer, o titular da selecção alemã; a defesa talvez seja, à semelhança do que acontece com o Lyon, o sector mais fraco da equipa: o nome mais sonante é Metzelder, ex-jogador do Real Madrid; no meio-campo há Rakitic, Jermaine Jones e Baumjohann (estes dois não são muito conhecidos, mas são excelentes jogadores); e o ataque perdeu Kuraniy, mas ganhou Raúl para o seu lugar (e não se pode esquecer Farfán). Ainda assim, um Benfica ao nível daquilo que vimos o ano passado tem potencial para vencer esta equipa (e é de pensar que, apesar de nunca termos ganho um jogo na Alemanha, costumamos passar frente às equipas alemãs).

Do Pote 4 sairia sempre a equipa mais fraca do grupo. Acabou por nos calhar o Hapoel Tel Aviv, de Israel. Não é uma equipa sonante, obviamente, e as suas principais estrelas são o guarda-redes Enyeama, titular da Nigéria, e o avançado Ben Sahar, ex-jogador do Chelsea. Ainda assim, uma equipa perfeitamente ao nosso alcance.

Por tudo isto, acredito sinceramente que consigamos o apuramento. O grupo não é fácil, longe disso, mas um Benfica a sério, à Jesus, conseguirá a passagem aos oitavos-de-final. Um Benfica como o que temos visto esta época... lutará pelo 3º lugar para ir para a Liga Europa. Esperemos que se verifique o primeiro cenário.

sábado, 26 de junho de 2010

Portugal 0 - 0 Brasil - 3ª Jornada Mundial 2010

E venha a Espanha! Como era o meu desejo secreto (ou não, visto que até já o tinha escrito aqui, no post do jogo com o Brasil), vamos defrontar os espanhóis nos oitavos-de-final. Os resultados de hoje assim o ditaram. Apesar de saber que vai ser um encontro extremamente difícil, acredito sinceramente que a nossa selecção pode bater a Roja. Basta acreditar (e basta também que Cristiano Ronaldo se lembre de que não joga sozinho). A Espanha não é nenhum bicho de 7 cabeças: a defesa não é a mais forte do Mundial (Puyol e Capdevila são bastante permeáveis, Sérgio Ramos é fácil de ser amarelado com um Cristiano Ronaldo ou mesmo um Simão em forma) e o ataque, apesar de um David Villa temível, pode ser bem anulado pelos nossos centrais (e defesa-esquerdo, já agora - que grande jogo fez o Fábio Coentrão hoje! Secou Maicon e Daniel Alves por completo e ainda os ultrapassou variadíssimas vezes). O ponto mais forte dos espanhóis é o meio-campo, mas acredito que Pedro Mendes, Raul Meireles e Tiago, se estiverem concentrados e ao seu nível, serão capazes de aguentar a tarefa. Depois é esperar que os atacantes marquem golos. Acredito sinceramente que podemos ultrapassar este obstáculo.


O jogo de hoje não foi propriamente o mais entusiasmante a que já assistimos neste Mundial. Apesar de algum querer por parte das duas equipas (mais Brasil na primeira parte, mais Portugal na segunda), ficou sempre a sensação de que ambas as equipas se contentariam com o empate, que convinha aos dois conjuntos (o Brasil passaria em primeiro, e Portugal também se apuraria). Portanto, não foi de estranhar o jogo a que assistimos. Ainda assim, sinal mais para algumas grandes exibições no nosso lado. Acima de todos, Fábio Coentrão. O melhor em campo, sem sombra de dúvidas, pelas razões já explicitadas em cima. Depois, também estiveram em bom plano os médios Raul Meireles, Tiago e depois o Pedro Mendes. A entrada de Simão para o lugar do deslocadíssimo Duda deu mais acutilância ofensiva à equipa. Os centrais estiveram irrepreensíveis. E depois, a exibição de Eduardo na baliza da nossa equipa foi, mais uma vez, portentosa. Sem dar muito nas vistas, como é seu apanágio, Eduardo vai batendo recordes atrás de recordes e é, actualmente, o melhor guarda-redes português, sem sombra de dúvidas. Palavras negativas apenas para Ricardo Costa (como é possível este jogador estar presente em 2 Mundiais, e muito menos a jogar a lateral-direito?) e Pepe, que mostrou claramente não estar ainda em condições de jogar a este nível. Espero que Pedro Mendes retome a titularidade contra a Espanha, se não o nosso meio-campo vai ter muitas dificuldades perante os médios espanhóis (e é se Pepe não acabar expulso antes do intervalo).


No Brasil, não houve um elemento que se destacasse mais que os outros. Maicon tentou umas arrancadas na primeira parte, mas foi literalmente engolido por Fábio Coentrão; Nilmar acabou por ser o elemento mais irrequieto, mas nem por isso criou grande perigo. O melhor brasileiro em campo talvez tenha sido o capitão Lúcio, o esteio da defesa do escrete. Acabou por impedir uns 2 golos de Portugal, se bem que nos descontos fez mão que podia muito bem ter dado penalty para nós. Teve sorte porque o árbitro não viu.

E assim avançámos mais uma vez para os oitavos-de-final de um Mundial (a terceira vez em 5 participações). Na minha opinião, estão atingidos os mínimos exigíveis a esta selecção. Apesar de termos chegado às meias-finais na última edição, é absolutamente irrealista estarmos a pedir que agora seja alcançado o mesmo patamar. Estar nos oitavos já é bom, mas acredito que podemos passar a Espanha (seria escrever uma página histórica para a nossa selecção). Se isso acontecer, creio que defrontaremos, nos quartos, o vencedor do Paraguai-Japão. E aí sim poderemos pensar em chegar às meias-finais. Para já, venha a Espanha. Se tivermos garra e vontade de vencer, quartos-de-final, aí vamos nós! Acreditem como eu acredito.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Portugal 7 - 0 Coreia do Norte - 2ª Jornada Mundial 2010

Sem qualquer tipo de pretensiosismos... até parecia o Benfica a jogar! Portugal fez uma segunda parte do melhor que já vi, destroçando por completo o ferrolho norte-coreano (que estava montado desde que marcámos o 1º golo; antes disso, a Coreia do Norte jogou bom futebol). Como havia dito aqui aquando do jogo com a Costa do Marfim, acreditava que ainda tínhamos o apuramento à mão. Bastava vencer à Coreia do Norte por números simpáticos e esperar que o Brasil também fizesse o seu trabalho sobre os marfinenses. Foi o que aconteceu, e agora Portugal só precisa de um empate para se apurar para os oitavos-de-final. E mesmo se perder, seria preciso levar uma grande goleada e a Costa do Marfim vencer também os coreanos por uma grande margem para que não passássemos. Já em relação a quem pretendo apanhar nos oitavos, confesso que não sei. Aliás, até sei. Ficar em 2º e apanhar o Chile ou a Suíça é realmente apelativo. No entanto, tenho um desejo secreto de vencer o Brasil e medir forças com a Espanha logo a seguir. Chamem-me louco. Não me importa. Acho que esta selecção, se jogasse sempre como o fez hoje (e, já agora, se tivesse um bom seleccionador), tinha potencial para chegar muito longe neste Mundial. E pode ser que assim aconteça.


A primeira parte não foi famosa. Apesar de termos começado por cima, desperdiçando duas oportunidades por Ricardo Carvalho (uma delas ao poste), acabámos por deixar que os coreanos perdessem o medo e subissem no terreno, causando-nos alguns dissabores. Nessa fase, Eduardo foi enorme. Está cada vez melhor guarda-redes. Até que, aos 29 minutos, Tiago fez um passe soberbo para a desmarcação também ela formidável de Raul Meireles. O médio do Porto finalizou muito bem (como é, de resto, seu apanágio) e abriu o marcador, mudando por completo o rumo do jogo.


Até ao fim da primeira parte foi tudo muito morno. Mas o melhor estava mesmo guardado para os segundos 45 minutos. O início do quebrar do ferrolho deu-se por Simão, superiormente desmarcado pelo mesmo Raul Meireles. Um golo que deu a tranquilidade que a selecção necessitava (e festejado de forma terrivelmente divertida por Simão - se não repararam na altura, vejam aqui o vídeo e reparem na parte em que ele faz mesmo a dança do BigMacMacLocoBigMac, aquele anúncio que vai passando na televisão. Delicioso!).



Depois... bem, depois veio um festival de golos e de futebol de ataque. Em mais uma arrancada de Coentrão pelo flanco esquerdo, Hugo Almeida finalizou de forma irrepreensível para o terceiro da selecção portuguesa.


O quarto (e o sétimo, já agora) surgiu pelo melhor em campo: o antigo benfiquista Tiago, que hoje fez o seu melhor jogo de sempre ao serviço da selecção. Simplesmente arrasador. Com este Tiago, nunca mais quero ver Deco ali. O luso-brasileiro já não tem pedalada para estas andanças.


Ainda houve tempo para Liedson, o Levezinho que tantas vezes nos dá vontade de tudo menos de sorrir (a nós, benfiquistas), e que hoje foi surpreendentemente suplente, fuzilar o guarda-redes momentos depois de entrar (e aproveitando a azelhice do central norte-coreano).


Só faltava mesmo o golo de Cristiano Ronaldo, que insistia em não aparecer. Mas lá apareceu. Da maneira mais esquisita, mas apareceu. Penso que a forma como ele dominou a bola à primeira foi intencional e que só a perdeu de vista uns segundos, quando ela lhe fica na nuca. No entanto, nunca abandonou a postura e lá fez o gosto ao pé, finalmente, antes de Tiago dar o golpe final aos pobres coreanos.


Na Coreia do Norte, não houve propriamente um melhor em campo, pelo que destacarei o seu melhor jogador e uma das figuras deste Mundial: o pitoresco Jong Tae-se, sem dúvida um excelente avançado e que está a mais naquela selecção (assim como o número 10, Hong Yong-jo, que actua na Rússia). É claramente o elo mais forte da equipa, mas sozinho não pode fazer tudo.


Não se comece já a pensar que vamos chegar à final. Os portugueses são pródigos em ir do 8 ao 80 com uma facilidade impressionante, mas a verdade é que ninguém ainda ganhou nada. Nem nos apurámos sequer. É preciso fazer um bom jogo com o Brasil para deixar uma imagem positiva para todas as outras selecções, e principalmente para aos brasileiros, que ainda nos gozam pela goleada de Brasília. Vamos mostrar que afinal também somos muito bons. Força, Portugal!

Os golos do jogo aqui:

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Portugal 0 - 0 Costa do Marfim - 1ª Jornada Mundial 2010

Pela primeira vez vou falar aqui sobre o Mundial, no dia em que Portugal se estreou na prova. Sobre a nossa selecção e o jogo que efectuou, bem, não há nada de mais para dizer. Mostrou apenas aquilo que já todos sabíamos ou suspeitávamos que iria mostrar. Ainda assim, confesso que acreditava que conseguíssemos vencer o jogo, independentemente do (pouco) brilhantismo da exibição. Com o empate, não sei até que ponto não comprometemos as nossas aspirações a seguir em frente na prova. Agora teremos de vencer a Coreia do Norte, obrigatoriamente, e esperar que o Brasil também derrote a Costa do Marfim. Com esses resultados, bastar-nos-á o empate na última jornada. Se perdermos com o Brasil, então já haverá muito mais contas para fazer. O que vingará nesse caso é o número de golos que marcarmos tanto à Coreia como ao Brasil e a mesma coisa para a Costa do Marfim. Mas a verdade é que, apesar de mais pessimista, ainda acredito que passaremos à segunda fase, em segundo lugar do grupo. Apesar de tudo, penso que somos mais fortes que os marfinenses.


No entanto, hoje não o mostrámos. Mais uma vez, a selecção fez uma exibição completamente desgarrada, sem quaisquer ideias ofensivas nem ponta de criatividade. Por muito que Queiroz insista em manter o mesmo discurso de sempre, já toda a gente percebeu que esta selecção, orientada desta maneira, não dá muito mais que isto, o que é manifestamente pouco. Não vou estar a bater mais no ceguinho, mas é impossível não referir mais uma má exibição dos protegidos Paulo Ferreira e Deco (já estão a mais nesta selecção desde que terminou o Mundial 2006 - ou até antes), de Pedro Mendes (que considero o melhor médio centro português mas de que hoje não gostei), de Liedson (um peixe fora de água, completamente, nesta táctica de 4-3-3), de Danny (com a lesão de Nani perdemos o nosso extremo em melhor forma; exceptuando Cristiano Ronaldo, nem Simão nem Danny dão garantias para essa posição - onde andas tu, Quaresma?...) e de Cristiano Ronaldo, que continua a não conseguir "explodir" na selecção. Tem, forçosamente, de superar este trauma e assumir-se finalmente como o grande jogador que é. Para bem da selecção. Depois, as alterações de Queiroz também não surtiram qualquer efeito. Como já disse anteriormente, Simão já não me dá garantias de grande qualidade, assim como Tiago jogar na posição de Deco é absolutamente errado (Carlos Martins e/ou Nuno Assis não davam tanto jeito? Quo vadis, Queiroz...). A entrada de Ruben Amorim foi a pièce de resistance do jogo: um jogador que está há 5 ou 6 dias com o grupo, nunca tinha jogado com eles, não tem rotinas de jogo, entra em campo mesmo sem aquecer para um lugar (de Raul Meireles) que podia muito bem ser ocupado por Miguel Veloso, indicado para aquela posição e que constava na lista inicial de Queiroz (ao contrário de Amorim). Ainda assim, a entrada do benfiquista mexeu com o jogo. Não teve foi tempo para fazer mais... O nosso melhor jogador? Adivinharam: foi mesmo Fábio Coentrão. O único (a par de Raul Meireles) a tentar mexer com o jogo (embora não o pudesse ter feito mais devido às amarras defensivas a que Queiroz o vetou) e a defender, irrepreensível.
Confesso que, ao contrário de muita gente, também não me entusiasmo muito com o futebol da Costa do Marfim. Há outras selecções que despertam muito mais a minha atenção. Hoje, fez um jogo pouco melhor que Portugal. Muito preocupada também em não deixar jogar os portugueses, atacou mais vezes que nós mas sempre com muitas cautelas. No entanto, poderia ter marcado nalgumas ocasiões, todas elas criadas pelo seu lado esquerdo, direito de Portugal. Curioso (ou talvez não). E todas criadas por Gervinho, para mim o elemento mais perigoso dos marfinenses.


Mas, como já disse, ainda acredito na qualificação. Mesmo depois deste empate, o apuramento para os oitavos-de-final ainda é perfeitamente possível. O problema é que apanharemos a Espanha, e aí será praticamente impossível sairmos vencedores. Mas o que interessa agora é passar a fase de grupos. Vamos lá, Portugal (embora este futebol desta selecção não seja minimamente entusiasmante... mas amo o meu país e isso não muda nunca, seja quem for o seleccionador ou os seleccionados).

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Euro' 2012 - Fase de Qualificação - Sorteio


Saiu ontem o sorteio para a fase de qualificação para o Euro 2012.

Desta feita, o sorteio foi-nos muito favorável. Seja com Queiroz (o mais provável, a menos que aconteça um enorme descalabro no Mundial) ao leme ou outro treinador qualquer, temos a obrigação de nos apurarmos em primeiro lugar do grupo. Teremos pela frente novamente a Dinamarca, que será o adversário mais complicado, mas em contrapartida a Noruega (a anos-luz do que era nos finais dos anos 90/inícios dos anos 2000), o Chipre e a Islândia são adversários fraquíssimos e que nos garantem desde logo, no mínimo, o segundo lugar do grupo. Mas obviamente que este grupo só pode ser para vencer, sem quaisquer dúvidas. Apuram-se para o Europeu o primeiro classificado de todos os grupos e o melhor segundo. Os outros segundos terão sempre de se sujeitar a um play-off.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Rio Ave 1 - 2 Benfica - 3ª Jornada Taça da Liga 09/10

E tudo voltou a ser como dantes. Ou seja, o Benfica voltou a apresentar um futebol mais consentâneo com o que fez durante a primeira fase da época, embora sem ser o rolo compressor que goleava em todos os campos, e a arbitragem voltou a ser prejudicial, mas a equipa foi superior e venceu, com toda a justiça, um jogo difícil, num campo muito complicado por natureza, e ainda mais este ano, em que o Rio Ave se tem exibido a um plano muito bom, como ainda há poucas semanas pudemos ver quando os defrontámos para o campeonato. Aí, só Saviola fez tremer a rede. Desta vez, Carlos Martins e Di María merecem os louros. Mas talvez não sejam os únicos...



A figura do jogo foi Cardozo. O paraguaio, apesar do golo marcado de penalty ao Marítimo, anda arredado dos golos desde a recepção à Académica, em que conseguiu um hat-trick, mas parece ter ganho mais maturidade e inteligência a nível táctico. Em Vila do Conde, num jogo em que a dupla argentina Aimar-Saviola não existiu, foi o paraguaio o armador de jogo da equipa. Depois de uma primeira parte que nada deu de relevante ao jogo, na segunda o Benfica entrou de rompante, à semelhança do que havia acontecido no jogo para o campeonato, com vontade de arrumar as contas do encontro e do grupo. E marcou logo aos 49 minutos, por intermédio de Carlos Martins, a passe de Cardozo. Foi um grande golo do médio português, mais um. Carlos Martins é um belíssimo jogador, que só peca por ser tão inconstante. Tinha potencial para ser dos melhores médios portugueses, mas psicologicamente tem muitas falhas. É pena.



Depois veio o lance que me pôs fora de mim. Eu sei que não foi falta, David Luiz faz um corte limpíssimo, mas a verdade é que só há uma palavra que possa descrever aquela acção naquele momento: burrice. Sabendo da pressão que existe actualmente em cima dos árbitros para os jogos do Benfica, sabendo da pressão que existe sobre ele próprio e a (pseudo) dureza a mais que utiliza nalguns lances, sabendo que há uma campanha a dizer que o Benfica é beneficiadíssimo na taça da Liga, e, já agora, vendo o lance com olhos de ver, era óbvio que nunca poderia entrar daquela maneira àquela bola, não só porque o lance não era de grande perigo (Bruno Gama encaminhava-se para a linha de fundo) mas porque era mais que óbvio que o árbitro ia marcar penalty. Só um jogador que não pensa é que vai cometer uma infantilidade daquelas. Mas, que se há-de fazer? Bruno Gama lá marcou o golo e o Benfica teve de voltar a fazer pela vida. E fez. Em mais um lance magistral de Cardozo (passe fenomenal), Di María fica isolado na cara de Mora e, desta feita, resolve a jogada com muita classe, ele que tantas vezes falha no momento do remate. Aqui não falhou e fez o resultado final do encontro, não sem que antes de terminar, Kardec não tivesse dado um ar da sua graça, com dois remates ao poste na mesma jogada a mostrar que pode ser melhor alternativa a Cardozo que Keirrison. A ver vamos.



No Rio Ave, o melhor elemento foi, de longe, Bruno Gama. Não me parece que seja jogador para um grande (talvez por isso não tenha singrado no Porto, onde, depois de sucessivos empréstimos, foi dispensado), mas, para uma equipa que lute pela Europa, é um belíssimo extremo. Foi o elemento mais esclarecido dos vila-condenses, apesar de Vítor Gomes também ser um excelente jogador.



E assim, sem espinhas, o Benfica garantiu a passagem à fase seguinte da taça da Liga, competição onde é o detentor do troféu. Foi pena não ter conseguido marcar apenas mais um golo, que faria com que fosse o segundo melhor primeiro classificado dos grupos, em vez do Porto, mas a falta de sorte de Kardec e a arbitragem desastrosa não o permitiram. Além do penalty mal assinalado a David Luiz, Cosme Machado não viu uma mão clamorosa de Gaspar na área do Rio Ave nem um derrube a Maxi Pereira, um em cada parte. Mas, apesar disso, o que importa é que o Benfica venceu e continua a convencer, prometendo uma continuação de época muito boa em todas as frentes. Agora, poderá ter de ir aos terrenos de Sporting ou Porto, tendo ainda a hipótese de receber a Académica. Qualquer dos jogos será para vencer, de modo a repetir a presença na final da competição. Confesso que, apesar de por um lado preferir defrontar a Académica na Luz (tarefa mais facilitada), por outro lado teria um gostinho especial em ir a Alvalade ou ao Norte vencer uma dessas duas equipas e apanhar a outra na final. Até podia não ser esse o desfecho, mas quero acreditar que vai ser. Se puder ser no Dragão, melhor ainda. Para os deixar fora da final mais uma vez. Até lá, esperemos o que o sorteio nos reserva. Venha quem vier, o Benfica terá de vencer. A história gloriosa do clube assim o obriga.

O resumo do jogo aqui:

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Vitória de Guimarães 1 - 1 Benfica - 2ª Jornada Taça da Liga 09/10

Foi o jogo possível face às condições do tempo e do terreno (de acordo com Paulo Sérgio, o treinador do Vitória, foi o Benfica que, ao chegar ao campo, quis que o jogo se realizasse mesmo assim). A ser verdade, confesso que desconheço o porquê dessa tomada de posição dos nossos responsáveis, sabendo que o plantel encarnado é muito mais baseado na técnica do que na força. Mas enfim.



Hoje o destaque não foi para Saviola, porque o avançado argentino nem no banco esteve. Hoje, os destaques vão para dois jogadores: Fábio Coentrão, pelo golo marcado, demonstrando algumas melhorias na finalização (já não era sem tempo); e Júlio César, pela grande exibição que fez, negando golos a Leandro, Custódio, Douglas e mais alguns que me esteja a esquecer, de tantas boas defesas que efectuou. Éder Luís estreou-se mas, sendo um tecnicista por natureza, viu-se enrolado no lamaçal que era o campo do Afonso Henriques e nada mostrou de estrondoso. Terá melhores oportunidades para confirmar o seu potencial.



No Vitória, o elemento em foco foi Douglas, pelo golo que marcou (Maxi Pereira, a propósito, está um desastre, e logo agora que os seus concorrentes, Ruben Amorim e Luís Filipe, estão lesionados), mas também pelo muito trabalho que deu à defesa encarnada. Curiosamente, mantém-se a tradição de jogadores que há muitos jogos não marcam (aliás, a maioria deles estreia-se mesmo a marcar na respectiva época), marcarem sempre contra o Benfica. Não sei se alguém já alguma vez se debruçou a fundo sobre isto, mas é a mais pura das verdades. Se não, vejamos: Alonso estreou-se a marcar pelo Marítimo na Luz. Hélder Barbosa estreou-se a marcar pelo Vitória de Setúbal na Luz. Maykon estreou-se a marcar pelo Paços de Ferreira contra o Benfica. Edgar Costa estreou-se a marcar pelo Nacional na Luz. Agora o Douglas, que ainda não tinha marcado esta época, lá marcou ao Benfica. Só fogem a este registo os jogadores de Braga e Olhanense (Hugo Viana e Paulo César e Carlos Fernandes e Toy) que já tinham marcado no campeonato antes de jogar com o Benfica. O resto, todos se iniciaram connosco e muitos deles nem marcaram (nem chegarão a marcar) mais nenhum golo na época. E isto já vem de há muitos anos, não é de agora. Algo a verificar pelos responsáveis encarnados.



E assim o Benfica deixou fugir uma bela oportunidade de, a exemplo do Sporting, carimbar já hoje o passaporte para as meias-finais desta competição, que não pode ser encarada como menor pelo simples facto de que é oficial e, como tal, tem de ser ganha, porque o Benfica tem de jogar para ganhar em todas as competições que disputa, nomeadamente as oficiais. Além do mais, é detentor do troféu e tem de fazer jus a esse estatuto. Se me perguntarem se estou optimista para a passagem às meias-finais, sinceramente... não. Porque Vila do Conde é um terreno muito, muito complicado e precisamos mesmo de vencer lá. E creio que vamos encontrar muitas, muitas dificuldades, e não só desportivas, nesse jogo. Espero que me engane. Mas é para ganhar o jogo e passar às meias-finais. Até porque o Braga já foi eliminado, o Sporting já passou, o Porto vai de certeza passar e o Sporting é bem capaz de deixar o Trofense fazer uma gracinha na última jornada para haver um cartaz Sporting-Porto-Trofense-Rio Ave nas meias-finais, proporcionando uma final Sporting-Porto. Espero estar enganado. Seja como for, se vencermos (rectamente) em Vila do Conde, que se lixem os arranjinhos dos outros. Força Benfica!

O resumo do jogo aqui:

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Benfica 1 - 0 Nacional - 1ª Jornada Taça da Liga 09/10

O Benfica entrou em 2010 como tinha terminado 2009: a vencer. E foi uma vitória normal, num jogo morno e sem grandes motivos de interesse. Sendo a primeira jornada da fase de grupos da Taça da Liga e, ainda por cima, o único jogo em casa (seguem-se visitas muito difíceis a Guimarães e Vila do Conde), os encarnados tinham obrigação de entrar a vencer numa competição onde são os detentores do troféu. E conseguiram-no, através de mais um golo de Saviola, não escapando, ainda assim, a alguns lances de pura estupidez.



O jogo não foi brilhante. O Nacional foi à Luz para jogar em contra-ataque, tentando não sofrer qualquer golo e marcar algum nalgum lance fortuito. O Benfica tinha de vencer mas, na primeira parte, não fez nada para o conseguir. A destacar o lance à Di María (dos dias maus) de Luisão, que, depois de ser agarrado por um jogador do Nacional, o agrediu a pontapé nas barbas do árbitro, que estranhamente nada viu e depois, com a indicação do auxiliar, mostrou amarelo ao capitão do Benfica, que precisamente por ser capitão devia ter muito mais responsabilidade e não cometer atitudes tão estúpidas como essa. No seguimento do lance, Javi García envolveu-se com Amuneke numa disputa de bola e o nigeriano agrediu a soco o médio do Benfica. Punição? Nenhuma. É o nosso futebol no seu melhor.



Na segunda parte, depois de um lance em que muitos entendidos pediram penalty (mais uma vez) de David Luiz, que a mim me parece um corte absolutamente limpinho (e excelente, por sinal), a salvação, na Luz como em Olhão, voltou a vir do banco. Denominador comum: Nuno Gomes. Depois de ter dado um ponto à equipa no Algarve, o avançado português (10000 vezes melhor, mesmo que com 33 anos, que Keirrison na sua melhor forma aos 21) só precisou de 15 segundos em campo para fazer um passe mortal, com um toque sublime, a isolar Saviola para o único golo da noite. E minutos depois voltou a efectuar um passe que rasgou toda a defesa do Nacional, a que Cardozo não conseguiu, fruto da sua tremenda falta de velocidade, dar o melhor seguimento. De notar que o capitão, nos pouco mais de 10 minutos que esteve em campo, jogou na posição 10 (e fez mais e melhor que Carlos Martins nos outros 70 e tal minutos). A mostrar serviço face à chegada de Kardec e Éder Luís e, já agora, piscando o olho a Queiroz.



No Nacional, o melhor jogador em campo acabou por ser Bracalli. Ruben Micael é reconhecidamente o melhor jogador da equipa madeirense, mas neste jogo foi uma sombra de si mesmo. Aliás, notou-se em cada lance a excessiva raiva e impetuosidade com que continua a actuar contra o Benfica, algo que sinceramente não compreendo porque acontece. Talvez se passem coisas de bastidores que não se conhecem cá fora. Como disse acima, Bracalli foi o melhor elemento do Nacional em campo, negando golos a Javi García e Saviola antes de ser batido pelo Conejito, em lance onde nada podia fazer.

E assim o Benfica entrou com o pé direito na única competição que venceu na época passada. Sendo a competição com menos importância e prestígio do nosso futebol, não deixa de ser um troféu oficial e, como tal, o Benfica tem de o querer vencer, pois no Benfica todos os jogos e todos os troféus oficiais são para ganhar, ainda para mais sendo o campeão em título. Espero que a toada de vitórias se mantenha no resto do ano de 2010, não só nesta competição como nas outras duas em que a equipa está envolvida. E que os reforços Kardec, Airton e Éder Luís mostrem ser alternativas válidas aos titularíssimos Javi, Saviola e Cardozo. Veremos.

Podem ver o golo de Saviola aqui:

domingo, 20 de dezembro de 2009

Benfica 2 - 1 AEK - 6ª Jornada Liga Europa 09/10

Uma vitória normal, num jogo sem história e sem grande importância, onde só interessava rodar os jogadores e dar minutos e moral a alguns que terão a sua prova de fogo hoje, com o Porto. E com os 3 golos a terem um denominador comum: Di María. O argentino continua a alternar os lances de génio com as infantilidades de uma criança de 5 anos. Espero que com o tempo melhore certos aspectos do seu jogo, porque tem capacidades para se tornar um dos melhores do mundo. Basta querer.



O jogo foi quase de sentido único. Sem grandes motivos de interesse, pois ambas as equipas já tinham o destino definido, o Benfica começou a atacar de forma inteligente e, depois de uma grande jogada de Luís Filipe!!!, Nuno Gomes foi empurrado na área, num penalty que Jesus pediu a Felipe Menezes para cobrar, talvez para dar moral ao brasileiro de modo a galvanizá-lo para a titularidade. Só que JJ falhou a aposta, pois Menezes atirou ao poste, iniciando assim uma exibição desastrosa, que culminou com a saída na segunda parte, depois de um festival de passes falhados e jogadas displicentes. A 1ª parte foi jogada sempre numa toada morna, mas, em cima do intervalo, Di María (que estava completamente longe do jogo até aí) rematou de fora da área, de forma algo atabalhoada, num lance onde o guarda-redes do AEK podia ter feito melhor. Mas não fez e o Benfica foi para o intervalo a ganhar.

Na segunda parte, aconteceram 2 lances de génio saídos dos pés do argentino: o primeiro, um chapéu muito parecido ao de Saviola com a Académica, que só pecou por bater na trave em vez de entrar; o segundo, um dos melhores golos jamais vistos, que podia nem ter acontecido se Di María fizesse o mais normal, que era correr pela esquerda e atirar à baliza. Mas não. Preferiu flectir para a direita, ficando sem hipótese de rematar com o pé direito, pois, como o próprio admitiu depois, "a perna direita só serve para andar, não sabe fazer mais nada", e fazer um golo de letra, que assim foi mágico, mas caso não tivesse entrado, seria uma oportunidade flagrante de golo que se perdia por causa de uma burrice. Mas é assim mesmo: a linha que separa a idiotice da genialidade é muito ténue. E este lance comprova-o. Podia ter sido uma grande oportunidade desperdiçada. Mas foi um golo magnífico.



Depois, a equipa baixou os índices competitivos, já a pensar no jogo com o Porto, e o AEK, por intermédio do seu avançado argentino, Blanco, ainda reduziu a desvantagem, numa perda de bola infantil de... Di María, quem mais?



Mas o melhor jogador da equipa grega é o seu capitão e número 1, o médio Kafes. Fez um grande jogo, mas não tem uma equipa à sua altura.



E assim o Benfica garantiu a 5ª vitória em 6 jogos na Liga Europa, conseguindo até a desforra perante o AEK, que foi a única equipa a vencer os encarnados nesta fase de grupos. Fez ainda uma rotação bem sucedida da equipa, com Carlos Martins a justificar a aposta de JJ e que certamente será titular no jogo de hoje. E a maior surpresa: Roderick Miranda. Eu tinha gostado muito dele na pré-época e logo aí lhe augurei um grande futuro, até a curto prazo. No jogo com o Santa Clara esteve muito desconcentrado e displicente e desiludiu-me, fazendo-me ver que ainda não está maduro o suficiente para ganhar um lugar na equipa principal. Mas neste jogo voltou a mostrar ser um senhor a liderar a defesa, juntamente com um esforçado e sempre muito concentrado Miguel Vítor. O Benfica tem 5 centrais de grande qualidade e não precisa de mais nenhum nos próximos anos, isto na minha opinião. No que respeita à Liga Europa, continuo com a esperança de chegarmos a Hamburgo e vencer o caneco!

O resumo do jogo aqui:

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Portugal no Mundial' 2010 - sorteio



Só agora consegui ter tempo para falar sobre o sorteio do Mundial 2010.

O sorteio não nos foi muito favorável. No entanto, não é pelos adversários de grupo que teremos de enfrentar que digo isto. É pelo grupo que emparelha com o nosso. Porque, no nosso grupo, temos a obrigação de ganhar à Costa do Marfim e à Coreia do Norte. Os norte-coreanos são do mais acessível que há no Mundial e os marfinenses, apesar de serem actualmente das melhores selecções africanas, estão num patamar abaixo do nosso. O jogo com o Brasil será o que Deus (ou Queiroz) quiser. Confesso que não é por aí que estou preocupado. A preocupação vem pelo adversário que iremos defrontar nos oitavos-de-final, no caso de passarmos o grupo. E aí é que a coisa se complica. Porque o mais provável é ficarmos em 2º e termos de jogar com o primeiro do grupo H, que será... a Espanha. E se antes eu não tinha medo de jogar com a Espanha, agora tenho. Porque é actualmente uma das melhores selecções do mundo, sem sombra de dúvida, juntamente com Brasil e Inglaterra. Caso conseguíssemos, por qualquer acaso do destino, defrontar Chile ou Suíça, teríamos os quartos-de-final muito perto de nós. Mas para isso, os espanhóis teriam de ficar em 2º do seu grupo, ou... nós em 1º. O que não considero impossível, pois parece-me que o Brasil é uma equipa fortíssima, mas inconstante. E se os apanharmos num dia mau deles, até podemos fazer uma gracinha. Aliás, se tanto nós como os brasileiros tivermos ganho os jogos com Costa do Marfim e Coreia do Norte, como é o mais provável, chegamos ao jogo final com os mesmos pontos e, dependendo do número de golos conseguidos por nós e por eles até esse jogo, até poderíamos precisar apenas de um empate para ficar em 1º do grupo e assim evitar a Espanha.

Portanto, não me parece de todo impossível passar em primeiro do grupo. Haja sorte e arte e engenho por parte dos nossos jogadores. Passar a fase de grupos é, para mim, imperativo. Sem sombra de dúvida.

E, porque sonhar não custa, esta taça está ao alcance de apenas 7 jogos...


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

BATE Borisov 1 - 2 Benfica - 5ª Jornada Liga Europa 09/10

Parece que é a este tipo de vitórias que todos nós, benfiquistas, vamos ter de nos começar a habituar. Ainda que essa ideia não nos agrade, a verdade é que o Benfica do início da época é que era anormalmente massacrante. Só que toda aquela energia não dura para sempre e há que começar a pôr um travão tanto na euforia como no esforço dispendido. Claro que todos gostamos de ver a equipa a golear, mas se ganhar sempre como hoje, se for assim que iremos conquistar os três troféus em que nos encontramos ainda em disputa, eu esqueço já hoje os resultados maravilhosos do início da época. Quero é ver as vitórias materializadas em títulos.



Um nome continua a despontar no universo benfiquista: Saviola. El Conejo mostra grande propensão para marcar nas competições europeias, sendo que o golo de hoje foi o seu sétimo esta época na Liga Europa (já está à frente de Cardozo). O avançado argentino foi o maior quebra-cabeças dos bielorrussos, que hoje se mostraram num nível claramente superior ao demonstrado na Luz, talvez embalados pelo facto de jogarem diante do seu público, e nas temperaturas a que estão mais habituados.

E a verdade é que foi a equipa bielorrussa que mais atacou, que mais procurou o golo. Se é verdade que também era a que mais tinha a perder, já que uma derrota poderia deixá-la fora da competição, não deixa de ser também certo dizer que o Benfica, à semelhança do jogo de Liverpool (e de Alvalade...), entrou na expectativa, deixando o jogo correr para só depois o resolver. E às vezes essa atitude pode dar mau resultado. Hoje não deu porque Saviola estava inspirado. E Fábio Coentrão. E, a espaços, Felipe Menezes.



Como já disse, Saviola fez o primeiro. Numa boa jogada de Menezes na esquerda, o argentino só teve de encostar para a baliza de Vermemko. Melhor foi o segundo golo encarnado, apontado por Fábio Coentrão. Começou numa excelente jogada de César Peixoto na esquerda, a driblar 3 adversários e a colocar a bola em Coentrão. Este combinou com Saviola e, com possibilidade de assistir Cardozo (hoje muito, muito apagado), preferiu tentar a sua sorte e acabar com a malapata de golos falhados. Conseguiu-o, fez um excelente golo e viu a sua grande exibição coroada.



E pouco mais há a acrescentar a este jogo que ainda não tenha sido dito. De realçar a qualidade demonstrada pela equipa do BATE, que não havia sido visível na Luz, numa excelente atitude de nunca desistir e procurar sempre melhorar o resultado, mesmo depois de se ver a perder por 2-0. Conseguiu reduzir (ainda que com um auto-golo do azarado Miguel Vítor, que ainda assim deu boa conta de si, apresentando-se, como sempre, muito certinho). Destacou-se Kryvets, o melhor jogador (de longe) da equipa bielorrussa. Merece vôos mais altos.

Com esta vitória, e com a derrota do AEK em casa com o Everton, a composição do grupo I ficou assim definida. Benfica e Everton estão na fase seguinte, com as águias garantidamente no primeiro lugar do grupo, o que é fantástico, pois o último jogo, com o AEK, é 3 dias antes da recepção ao Porto e JJ poderá assim rodar a equipa, fazendo com que os habituais titulares cheguem totalmente fresquinhos ao jogo com o clube nortenho, que será importantíssimo para definir as contas do título. Quanto a esta competição, continuo a acreditar que é claramente possível, ainda para mais agora que já estamos nos 16 avos-de-final, chegar à final em Hamburgo e vencer. Seria lindo o Benfica inscrever o seu nome como o primeiro a vencer a Liga Europa. Eu acredito.

Vejam os golos aqui: