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quarta-feira, 14 de julho de 2010

O nosso plantel XXXI - Jorge Ribeiro

Chegamos hoje ao fim da análise individual a todos os jogadores que compuseram o plantel do Benfica na época 2009/10, "o nosso plantel". Depois de 30 jogadores já analisados (Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão, Urreta, Aimar, Felipe Menezes, Saviola, Cardozo, Weldon, Keirrison, Nuno Gomes, Mantorras, Airton, Éder Luís e Alan Kardec), o último atleta a merecer honras de análise por parte do Gloriosa Chama Imensa é o lateral-esquerdo Jorge Ribeiro.


Jorge Ribeiro era, de todos os elementos do plantel, o segundo a ter-se estreado há mais anos na equipa principal encarnada, só suplantado pelo capitão Nuno Gomes. Formado nas escolas do clube e irmão mais novo do então também benfiquista Maniche, Jorge Ribeiro deu nas vistas na equipa B do Benfica e foi lançado às feras por Jupp Heynckes em 99/00, ainda com 19 anos, tendo actuado no último jogo do campeonato (vitória por 2-1 frente ao Marítimo) e nos 7-0 ao Amora para a Taça (apesar da concorrência não ser famosa - Bruno Basto e Rojas -, a verdade é que o jogador era ainda bastante jovem para reclamar maior protagonismo na equipa principal).


Por essa razão, acabou por ser emprestado na época seguinte ao Santa Clara, tendo regressado à equipa B encarnada a meio da temporada. Em 01/02, haveria de alternar entre a equipa A e B, realizando 4 jogos pela equipa principal no campeonato (era quase impossível jogar mais, pois para a sua posição o Benfica tinha mais 5!!! jogadores: Pesaresi, Caneira, Quim Berto, Cabral e Diogo Luís) e 1 na Taça.


Depois começou a travessia no deserto para Jorge Ribeiro. O jogador embarcou numa conversa de empresários, que lhe prometeram mundos e fundos, a ele, a Rui Baião e a Pepa (diz-se que iriam para o Varzim para uma época depois darem o salto para a primeira equipa do Porto) e mudou-se mesmo para a Póvoa, iniciando um trajecto vertiginoso que só se modificou em 07/08, época em que brilhou a jogar a médio interior-esquerdo no Boavista e garantiu bilhete para o Euro'2008. As boas prestações fizeram o Benfica voltar a interessar-se nos seus serviços e a contratá-lo para 08/09, onde à partida teria de enfrentar a dura concorrência de Léo. Curiosamente, acabou por ser David Luiz a relegar ambos os laterais-esquerdos de raiz para a prateleira nesse ano (Léo foi dispensado por Quique Flores em Novembro e Jorge Ribeiro pouco jogou na 2ª metade da época). Ainda assim, o internacional português conseguiu actuar em metade dos jogos do campeonato (15, sendo titular em 13), tendo marcado um golo, que por sinal deu a vitória encarnada (à terceira jornada, em Paços de Ferreira, no sofrido triunfo por 4-3). Venceu também a Taça da Liga, pois actuou em 2 dos 5 encontros (e até marcou num deles - vitória sobre o Olhanense por 4-1). Não sendo uma época fantástica (principalmente a segunda metade), acabou por ser aceitável.


O que é certo é que Jorge Ribeiro nunca foi visto pelo seu homónimo Jesus como opção para o Benfica versão 09/10. Tanto assim é que o jogador foi mesmo impedido durante algumas semanas de se treinar com o restante plantel (juntamente com Balboa) e acabou por nem ser inscrito no campeonato. A sua saída esteve iminente, tanto no mercado de Verão como na reabertura do mesmo, em Janeiro, mas a verdade é que o lateral-esquerdo acabou por não sair da Luz, mesmo sabendo que corria o risco de passar uma época inteira em branco em pleno ano de Mundial (não era de todo descabido pensar nesta questão, visto que apenas dois anos antes havia estado no Europeu). Neste cenário, o melhor que Jorge Ribeiro acabou por conseguir foi ser inscrito em cima do fecho do mercado, dado que havia uma vaga livre na equipa. Ainda assim, o jogador nunca contou verdadeiramente para Jorge Jesus (que via em César Peixoto e Shaffer, primeiro, e Fábio Coentrão, depois - e ainda havia David Luiz para fazer o lugar - opções mais capazes), razão pela qual não somou um único minuto em jogos oficiais em toda a época - foi competindo apenas na Liga Intercalar, prova em que era o capitão da equipa e se destacava por jogar quase a avançado (e pelos golos que marcou).


O facto de Jorge Ribeiro não ter jogado um minuto sequer em qualquer competição oficial, e de eu saber perfeitamente que ele não contava minimamente para Jorge Jesus, levou-me a hesitar em colocá-lo nesta lista, razão pela qual acabou por ficar para último, numa espécie de joker. E hesitei porque, à semelhança de Jorge Ribeiro, também Yebda chegou a estar inscrito e até foi convocado para o 1º jogo do campeonato, contra o Marítimo, algo que Ribeiro nunca conseguiu. E outros casos houve, como os de Balboa, Adu, Felipe Bastos e até Patric, que se treinaram algumas semanas com o plantel, fazendo parte dele, teoricamente. No entanto, considerei que o caso de Jorge Ribeiro era diferente de todos os outros por uma única razão: foi inscrito em Janeiro e ficou até ao fim da época, quase como se de um reforço se tratasse. No que respeita à opinião que tenho sobre o jogador em si, já a deixei expressa em vários posts durante a temporada: considero Jorge Ribeiro de igual ou até superior valia em relação a César Peixoto como lateral-esquerdo. Não me parece que seja um mau jogador, muito longe disso, se bem que o considero muito melhor médio interior esquerdo (posição onde fez a melhor época da carreira, no Boavista) do que lateral. Não é um jogador veloz (por vezes parece pesadão e lento), mas tem um remate potente e normalmente certeiro e também não cruza mal. Se aceitava claramente que fosse suplente de Léo, nunca percebi porque é que, depois de ganhar a titularidade ao brasileiro, a perdeu para o adaptado David Luiz no consulado de Quique Flores. Com a chegada de Jorge Jesus e dos reforços Shaffer e depois Peixoto (mais a felicíssima adaptação de Coentrão), percebi claramente que não haveria espaço para Jorge Ribeiro neste plantel, até porque Jesus nunca fez qualquer menção de testar o jogador. Por esta razão, é óbvio que Jorge Ribeiro vai continuar a não fazer parte das opções para a temporada que se avizinha e que a única solução (se quer relançar a carreira) será abandonar o Benfica, sob pena de passar 2 temporadas seguidas em branco se não o fizer.

Qual a opinião dos leitores em relação a Jorge Ribeiro?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O nosso plantel XXX - Alan Kardec

Quando estamos a dar os primeiros passos numa nova época que se quer ainda mais gloriosa que a anterior, o Gloriosa Chama Imensa vai concluindo a análise d'"O nosso plantel" da época que passou, de modo a poder começar a analisar os novos integrantes do nosso Benfica. Assim, e depois de Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão, Urreta, Aimar, Felipe Menezes, Saviola, Cardozo, Weldon, Keirrison, Nuno Gomes, Mantorras, Airton e Éder Luís, temos hoje o outro avançado contratado em Janeiro: Alan Kardec.


Alan Kardec veio ocupar a vaga de Keirrison como suplente de Cardozo. Seria, à partida, o jogador que teria a missão de fazer o papel do Tacuara sempre que Jorge Jesus entendesse ser necessário ou aconselhável. Sendo ainda muito jovem (chegou à Luz com apenas 20 anos), Kardec já havia jogado no Vasco da Gama e no Internacional, tendo dado nas vistas pelos muitos golos marcados no Mundial sub-20 de 2009 (onde foi dos melhores marcadores). Era, por isso, visto como uma grande promessa do futebol brasileiro, mais do que uma certeza. Ainda assim, o Benfica não hesitou em contratá-lo para fazer o lugar do ponta-de-lança titular nos últimos 3 anos.


E foi basicamente o que Kardec fez, com relativo sucesso. Realizou 13 jogos (8 no campeonato, 3 na Taça da Liga e 2 na Liga Europa), 11 dos quais a entrar nos últimos 20 minutos das partidas. Nas 2 ocasiões em que foi titular, os adversários foram de peso (Sporting e Porto, nas meias-finais e final da Taça da Liga, respectivamente). Pode dizer-se que não esteve mal em nenhuma das suas aparições, se bem que também não tenha deslumbrado. A sua melhor exibição terá sido mesmo nesse jogo com o Porto, em que, apesar de não ter marcado, deu muito trabalho à defesa contrária (e foi agredido pelo menos 3 vezes por Bruno Alves). A sua coroa de glória com a camisola encarnada, contudo, conseguiu-a num encontro em que actuou nem 7 minutos. Aos 86 minutos do Marselha-Benfica, com a eliminatória empatada e a poucos minutos do prolongamento, Jorge Jesus lançou Kardec. 4 minutos depois, o brasileiro tornou-se no novo herói encarnado ao apontar o golo que colocou o Benfica nos quartos-de-final da Liga Europa e finalmente silenciou os franceses com a história da mão do Vata. Com esse golo, Kardec praticamente pagou a sua transferência e, mais importante que isso para nós, adeptos, ganhou um lugar no coração da massa adepta do clube. Não marcou mais nenhum golo nos restantes jogos, mas já tinha cumprido a sua parte.


Não conhecia o futebol de Kardec a fundo (assim como não conhecia o de Airton e Éder Luís) e dele só tinha visto alguns resumos dos jogos onde marcou pelo Brasil no Mundial sub-20. Não me pareceu mau jogador aí, aliás, fiquei com muito boa impressão, mas confesso que quando ficou certa a sua transferência para o Benfica falei com várias pessoas no Brasil que me disseram que o Benfica estava a enfiar um grande barrete, ao contrário das contratações de Airton e Éder Luís. Fiquei um pouco desconfiado e preferi esperar para ver por mim as suas qualidades. Do que já mostrou na Luz, Kardec não deslumbrou mas também não me parece que seja jogador para deslumbrar. Acho que se movimenta muito melhor (para um ponta-de-lança) do que Keirrison, por exemplo, e que se aproveitar os ensinamentos de Jesus se pode tornar num grande avançado. Não precisa de ser muito tecnicista ou virtuoso para o ser: basta mostrar um faro de golo bastante apurado e ir sempre melhorando as movimentações na área (neste ponto, o entrosamento com os colegas também ajuda). Se for tendo, aqui e ali, oportunidades e as souber aproveitar (o que espero que aconteça), poderemos ter no plantel o futuro substituto de Cardozo - no limite, que continue a ser um bom suplente para o paraguaio ou para outro ponta-de-lança de classe mundial que chegar ao plantel para titular. Por enquanto, prevejo-lhe um bom futuro.

E os leitores: qual a vossa opinião?

terça-feira, 6 de julho de 2010

O nosso plantel XXIX - Éder Luís

Cada vez mais perto do fim da análise aos jogadores que compuseram "O nosso plantel" em 2009/10, e depois dos já analisados Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão, Urreta, Aimar, Felipe Menezes, Saviola, Cardozo, Weldon, Keirrison, Nuno Gomes, Mantorras e Airton, chegamos hoje ao primeiro dos avançados brasileiros contratados em Janeiro: o "Chico Bento" Éder Luís.


Éder Luís chegou ao Benfica como o reforço que mais rapidamente se imporia na equipa. Devido à idade (24 anos) mas principalmente à experiência que já detinha (já tinha sido campeão pelo São Paulo em 2008, com o qual disputou a Taça dos Libertadores - Liga dos Campeões da América do Sul). Estes factos, a juntar à boa reputação que tinha no Atlético de Mineiro, pareciam ser garante de sucesso do avançado brasileiro no Benfica, onde teria a missão de ser o substituto de Saviola sempre que necessário. Foi, de resto, o primeiro reforço a ser inscrito e também o primeiro a jogar oficialmente com a camisola das águias.


No entanto, o jogador brasileiro nunca conseguiu demonstrar em Portugal as qualidades por que era conhecido no seu país. Estreou-se em Guimarães, para a Taça da Liga, num terreno quase impróprio para a prática do futebol. Não deu nas vistas, mas naquelas condições ninguém lho exigia. Foi tendo depois oportunidades nas segundas partes dos 5 jogos seguintes, até que Jorge Jesus lhe concedeu a titularidade em Alvalade, nas meias-finais da Taça da Liga. Éder Luís não aproveitou a oportunidade, mas continuou a merecer a confiança do técnico, que não hesitou em colocá-lo novamente a titular na visita ao terreno do Leixões, e curiosamente para jogar a 10, posição em que não se sentiria, à partida, muito à vontade. Acabou por ser nesse dia, contudo, que o brasileiro marcou o seu único golo oficial com a camisola encarnada, num remate de longe que bateu num central leixonense antes de entrar na baliza. Mas nem nisso o avançado teve sorte: é que esse revelou-se o dia de glória de... Di María, em que o argentino apontou 4 golos (só 3 é que contaram). Curiosamente, depois desse jogo Éder Luís só voltou a jogar 3 vezes, uma delas a titular e novamente frente ao Sporting, desta feita na Luz (e mais uma vez não deu resultado, tendo saído ao intervalo para dar lugar a Aimar, que acabaria por virar por completo o rumo do encontro). O avançado brasileiro voltou a jogar na última jornada, entrando ao intervalo mas novamente sem deslumbrar. Acabou por cumprir 10 jogos pelos encarnados: 6 (e um golo) no campeonato, 3 na Taça da Liga e uma única aparição (em que jogou apenas 2 minutos, em casa frente ao Marselha) na Liga Europa.


Esta contratação não me encheu nunca as medidas. Desconhecia por completo o jogador (embora tivesse boa reputação no Brasil), pelo que esperei para ver as suas exibições de águia ao peito na esperança de ser surpreendido pela sua qualidade. Não fui. Éder Luís, de todas as vezes que jogou, não mostrou nada de novo (e nada que muitos outros não fossem capazes de fazer, com destaque para muitos portugueses e, porque não, até o nosso Nélson Oliveira). Embarcando um pouco na onda dos muitos adeptos que pedem uma equipa mais portuguesa (e eu até nem sou muito "fanático" dessa teoria), penso que muitas vezes mais vale contratar jogadores em Portugal (muitas vezes há-os nas divisões secundárias com muita qualidade) do que dar milhões por estrangeiros que até podem ter qualidade (Éder Luís tem-na, não tenho dúvidas) mas que nem sempre se adaptam na perfeição a novas realidades. Isto já para não falar na componente mental de cada um, que como Jesus disse na entrevista à Bola, é impossível de conhecer na visualização do jogador a jogar no Brasil. De resto, depois dessas declarações do nosso treinador, fiquei com a clara certeza de que Éder Luís não iria contar nesta nova época, razão pela qual não me espantou minimamente o seu empréstimo ao Vasco da Gama. Aliás, não querendo parecer pessimista ou adivinho, não me parece que o jogador volte a vestir a camisola do Benfica. No entanto, reconheço que pode ter qualidade e espero que, caso um dia volte à Luz, tenha um papel mais activo no plantel, de modo a ficar no coração dos adeptos. Títulos já conquistou (2), coisa que muitos nunca conseguiram no nosso clube.

Qual a opinião dos leitores?

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O nosso plantel XXVIII - Airton

Depois de já terem sido analisados os 27 jogadores que compuseram "O nosso plantel" no início da época (Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão, Urreta, Aimar, Felipe Menezes, Saviola, Cardozo, Weldon, Keirrison, Nuno Gomes e Mantorras), começaremos hoje a análise dos que reforçaram a equipa em Janeiro. O primeiro a merecer esse destaque é o médio brasileiro Airton.


Airton chegou à Luz com o título de campeão brasileiro no bolso, conquistado ao serviço do Flamengo, onde era titular indiscutível (o que não é normal num miúdo de apenas 19 anos). Vinha referenciado como um trinco possante e duro mas com boa técnica e capacidade de passe, no fundo o substituto ideal do titularíssimo Javi García, que no Benfica contava apenas com a (ténue) ameaça de Ruben Amorim, que nunca pareceu contar verdadeiramente para Jorge Jesus nessa posição. E o brasileiro teve mesmo de esperar algum tempo para lograr a sua estreia oficial ao serviço das águias, muito por culpa da extraordinária época do trinco espanhol.


Com efeito, Airton estreou-se oficialmente com a camisola encarnada quase 2 meses depois de ter chegado, e devido a castigo de Javi. Foi em Matosinhos, num terreno tradicionalmente muito complicado para nós, mas Jesus não teve medo de arriscar e em boa hora o fez. Nessa partida, Airton demonstrou todas as qualidades com que vinha rotulado e mais ainda (como uma maturidade acima do normal), o que lhe valeu a manutenção da titularidade na jornada seguinte, na recepção ao Paços de Ferreira (ainda pelo castigo de Javi). Airton acabaria por ceder novamente o lugar a Javi, mas quatro jogos depois apareceu, surpreendentemente, no 11 titular para defrontar o... Porto na final da Taça da Liga, relegando o espanhol para o banco. E o melhor elogio que se pode fazer ao médio brasileiro é que não se deu pela falta de Javi García, dada a tremenda eficácia com que a função foi desempenhada. Percebeu-se aí que o Benfica tinha neste jogador uma aposta ganha e totalmente segura tendo em vista o futuro do clube. Seguiram-se 2 aparições a entrar nos últimos minutos (uma na Liga Europa e outra em casa com o Sporting) e nova titularidade, desta feita no jogo do título, frente ao Rio Ave, novamente por castigo de Javi. Ao todo, Airton realizou 6 jogos pelo Benfica: 4 no campeonato, 1 na Taça da Liga e 1 na Liga Europa. O suficiente para vencer os 2 troféus conquistados pelo Benfica e sagrar-se assim campeão nacional de 2 países diferentes no mesmo ano (Flamengo, no Brasil, e Benfica, em Portugal), proeza também conseguida por Urreta, que se sagrou campeão uruguaio no Peñarol.


Confesso que, à chegada de Airton, desconfiei desta contratação. Não pelo valor do jogador (que desconhecia em absoluto), mas sim por alguns relatos e mesmo vídeos de que tive conhecimento que davam conta da sua extrema dureza na forma como se fazia aos lances. Temi que estivéssemos a contratar um jogador "mau como as cobras", em bom português, um jogador muito agressivo e que iria ver vermelhos em Portugal com muita facilidade. Mas enganei-me. O Airton que se exibiu aqui foi totalmente diferente: mostrou ser um trinco de vastos recursos, com pouca propensão para fazer faltas (e muito menos duras), jogando simples e, o mais importante, de forma extremamente eficiente. Penso que o melhor elogio que lhe poderei fazer é aquele que já fiz acima: nos jogos que disputou, fez-me esquecer por completo o Javi García, que na minha opinião foi o jogador mais importante do Benfica esta temporada. E quando se faz esquecer assim um jogador de tão grande valia, penso que está tudo dito sobre a qualidade deste trinco brasileiro. O problema para Airton é que Javi parece estar (e espero que esteja durante muitos anos) de pedra e cal no Benfica, o que significa que o brasileiro continuará a ser apenas suplente esta época. Um suplente muito bom, é verdade, mas apenas isso. Espero que Jorge Jesus saiba gerir muito bem a situação dos 2 jogadores para que Airton também vá somando minutos e ritmo competitivo nas pernas. A qualidade do seu futebol assim o exige.

Que pensam os leitores sobre o médio brasileiro?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O nosso plantel XXVII - Mantorras

Chegamos hoje ao último dos jogadores que fazia parte d' "O nosso plantel" no início da temporada transacta. Depois dos já analisados Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão, Urreta, Aimar, Felipe Menezes, Saviola, Cardozo, Weldon, Keirrison e Nuno Gomes, hoje é a vez do angolano Mantorras.


Mantorras está no Benfica desde 01/02. No início de uma época em que o plantel sofreu uma enorme revolução, o avançado angolano chegou à Luz como um salvador da pátria, naquela que foi a maior transferência de sempre entre equipas do campeonato português: 5 milhões de euros foi quanto o Benfica pagou ao Alverca por metade do passe do jogador (e com Luís Filipe Vieira a afirmar que valia 90 milhões de euros!!!). O então administrador da SAD encarnada (ou director-geral, já não sei bem) apregoava a "equipa maravilha" encarnada, que no entanto não se viu - o Benfica terminou o campeonato em 4º, fora das provas da UEFA pelo 2º ano consecutivo. Ainda assim, Mantorras foi de facto o melhor jogador encarnado nessa época. Praticamente sem concorrência (João Tomás saiu para o Bétis à 2ª jornada, altura em que Sokota se lesionou com muita gravidade; só em Janeiro, com a chegada de Jankauskas, Mantorras teve concorrente à altura), o angolano marcou 13 golos em 30 jogos. Não foram números redondos, mas foi o melhor que o Benfica conseguiu fazer nessa temporada.


No ano seguinte, começou o calvário de Mantorras. Não pela concorrência no ataque (a um Sokota recuperado juntaram-se as contratações de Nuno Gomes e de Fehér), mas sim pela grave lesão no joelho direito que sofreu logo no início da época e que lhe acabou por destruir a carreira. Ficam para a história os 8 jogos e 3 golos que efectuou ainda nesta temporada.


03/04 não existiu para Mantorras. O avançado esteve lesionado durante toda a época, razão pela qual não fez qualquer jogo nem ganhou a Taça de Portugal.


Depois viria a melhor época (a nível do seu simbolismo perante os adeptos) de Mantorras com a nossa camisola. De fora durante quase toda a primeira volta, Mantorras reapareceu à 16ª jornada em Alvalade. Não evitou a derrota, mas deixou alguns pormenores que aguçaram o apetite dos adeptos para o que poderia ainda vir dali durante o resto da temporada. E a verdade é que não os desiludiu. Mantorras, apesar de ter a concorrência de Nuno Gomes, Karadas, Sokota (até Janeiro) e Delibasic (depois de Janeiro), acabou por ser o abono de família do Benfica, marcando 5 golos em 15 jogos, 3 deles absolutamente imprescindíveis para o título que o Benfica acabaria por ganhar. Estava consumada a ligação eterna de Mantorras ao Benfica, mas a verdade é que esta temporada também deixou bem claro que existia algo de errado com o angolano: é que apesar da importância que teve e dos golos que marcou, Mantorras só foi titular numa única ocasião (na qual marcou um golo, em casa, frente ao Gil Vicente) e Trappatoni chegou a afirmar que o angolano só poderia jogar cerca de 30 minutos por jogo. O que não abonava nada a seu favor.


Nova época, novo treinador, o mesmo cenário. Mantorras fez 17 jogos, mas todos eles a entrar apenas nos últimos minutos. Ainda marcou 3 golos (mais do que Marcel, por exemplo, que chegou ao clube em Janeiro para concorrer com o angolano, com Nuno Gomes e com Miccoli), mas a sua importância diminuiu consideravelmente em relação à época anterior.


Em 06/07, apesar de Miccoli e Nuno Gomes se manterem no plantel e de ter chegado Kikin Fonseca (haveria de ser substituído em Janeiro por Derlei), Mantorras fez o mesmo número de jogos da época anterior (e provavelmente quase os mesmos minutos), marcando menos um golo. A meio da temporada referiu a célebre frase "Não sou coxo" depois de ter marcado frente ao Beira-Mar, queixando-se da pouca utilização de que era alvo por parte de Fernando Santos, o técnico de então. O lamento não serviu para grande coisa. Continuaria a jogar apenas uns minutos e marcaria o segundo golo da temporada apenas no último jogo, em casa frente à Académica.


Na época seguinte ainda jogou menos. As convulsões a nível técnico não tiveram grande manifestação na sua utilização, terminando a temporada com apenas 9 jogos efectuados e 1 golo marcado (num empate a uma bola em Setúbal). No que respeita aos avançados desse plantel, Mantorras só fez mais minutos que o chinês Yu Dabao (na equipa até Janeiro) e que Makukula (chegou em Janeiro). Perdeu para Nuno Gomes, Cardozo e Bergessio.


Em 08/09 já fez muito menos jogos: apenas 5. Ainda assim, conseguiu marcar 2 golos, um deles absolutamente decisivo, onde deu a vitória ao Benfica na recepção ao Rio Ave, marcando segundos depois de entrar (há quem diga que Quique Flores pretendeu mostrar ali aos adeptos que Mantorras já não servia para o futebol, colocando-o em campo num jogo de autêntico dilúvio, com o relvado totalmente empapado e onde era quase impossível Mantorras jogar; se assim foi, saiu-lhe o tiro pela culatra, pois esse golo só serviu para os adeptos ficarem ainda mais do lado do angolano). O segundo golo seria marcado na última jornada, em casa frente ao Belenenses, num encontro onde actuaram os elementos menos utilizados na temporada. Voltou a fazer mais minutos que Makukula, mas perdeu para Cardozo, Nuno Gomes e Suazo.


E eis que, na temporada agora finda, Mantorras actua em... 21 minutos durante toda a época - na Taça de Portugal, frente ao Monsanto. O angolano não teve mais nenhuma oportunidade em toda a temporada, sendo não raras vezes esquecido por Jorge Jesus quando este falava nos avançados que tinha ao seu dispor (e eram muitos: Saviola, Cardozo, Weldon, Nuno Gomes e Keirrison até Janeiro; e ainda Éder Luís e Kardec depois de Janeiro). Ainda assim, o angolano foi alimentando o sonho de ainda conseguir actuar nem que fosse só um minuto no campeonato, para se poder sagrar campeão, e talvez o tivesse sido se o Benfica tivesse chegado à última jornada já com o título matematicamente na mão, o que não aconteceu, razão pela qual Jesus não quis facilitar (como nunca quer) e por isso não convocou o angolano, seguindo-se o que todos sabem (Mantorras ficou triste, disse que a festa de campeão não era dele e foi-se embora do estádio, não se juntando aos colegas nos festejos).


Com tudo isto, Mantorras parece ter chegado ao fim da linha no Benfica. Quem tiver dois dedos de testa percebe que o angolano já não é (nem pode ser) um atleta de alta competição e muito menos um jogador do Benfica. Tem-se mantido no plantel época após época como uma espécie de descargo de consciência por parte dos encarnados devido ao facto de ter sido no Benfica que a carreira de Mantorras teve um fim demasiado precoce (em circunstâncias ainda nunca explicadas convenientemente - há quem diga que a culpa foi do departamento médico que o operou, e quem diga que foi do próprio Mantorras, que não cumpriu as indicações do mesmo departamento médico como devia ser). No entanto, penso que essa atitude benemérita já não te razão de ser. Mantorras não precisa de se estar a humilhar, trabalhando época após época com a esperança de entrar uns míseros minutos nuns míseros jogos. Se já não pode jogar futebol, que fique no Benfica a cumprir outras funções. Curiosamente, sempre que se fala de ser emprestado, Mantorras recusa, mesmo não jogando nunca no Benfica. Por alguma razão há-de ser. A juntar a tudo isto, vieram as mais recentes declarações do jogador, quase que desafiando o Benfica - "se me quiserem dispensar, que paguem os ordenados todos até ao fim do contrato; se não, terão de levar comigo". Digamos que não foi elegante e caiu muito na consideração de todos os benfiquistas, que lhe agradecem do fundo do coração o contributo absolutamente fulcral que teve no título de 04/05. Espero que tudo se resolva pelo melhor, para Mantorras e para o Benfica.

E os leitores, que pensam de Mantorras?

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O nosso plantel XXVI - Nuno Gomes

Estamos quase no fim deste périplo pelos jogadores que compuseram o nosso plantel na época agora finda (já analisámos 25 atletas deste plantel: Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão, Urreta, Aimar, Felipe Menezes, Saviola, Cardozo, Weldon e Keirrison), e hoje chegamos ao capitão da equipa e elemento com mais anos de casa, o avançado Nuno Ribeiro, mais conhecido como Nuno Gomes.


O namoro de Nuno Gomes com o Benfica já começou na época de 97/98. Na altura com apenas 21 anos, o avançado nascido em Amarante era uma das maiores promessas do futebol português, chegando já com o rótulo de goleador à Luz, fruto da sua carreira nas camadas jovens das selecções nacionais e também da época 96/97, onde ao serviço do Boavista marcou 15 golos em 34 jogos (um jogador com 20 anos actuar em todos os jogos do campeonato é obra!). Não se afigurava vida fácil para um miúdo tão novo (e português) se impor no 11 do Benfica, numa equipa onde também constavam João Pinto, Brian Deane, Paulo Nunes, Edgar e Martin Pringle para o ataque. No entanto, Nuno Gomes conseguiu superiorizar-se à concorrência e, fazendo dupla com Deane (com João Pinto atrás dos 2), actuou em 33 jogos (só falhou um), nos quais apontou 18 golos, uma marca extraordinária dadas as circunstâncias.


Na época seguinte, a vida ficou um pouco mais facilitada para o avançado, dadas as saídas de Edgar e Paulo Nunes do plantel. Nuno Gomes continuou a actuar com Deane na frente e João Pinto nas costas dos 2, até ao mercado de Dezembro, altura em que Deane regressou a Inglaterra e para o seu lugar chegaram 2 jogadores: Dean Saunders (um fetiche do técnico Graeme Souness) e Cadete (fetiche do presidente Vale e Azevedo). Entretanto, surgiu ainda Pepa, um miúdo dos juniores que se estreou com um golo na Luz, fazendo assim as delícias dos adeptos. Mesmo com tudo isto, Nuno Gomes continuou a fazer valer a sua qualidade - a única dúvida, de resto, era saber qual desses jogadores faria dupla com o internacional português, visto que a sua posição era inquestionável. Nesta época foi mesmo totalista: actuou nos 34 jogos do campeonato e marcou... 24 golos (só pulverizado por Jardel no Porto).


Nova época (99/00), novo treinador (Jupp Heynckes), novos colegas/concorrentes (a Cadete e Pepa juntaram-se o espanhol Tote e mais tarde João Tomás), mas o mesmo cenário: Nuno Gomes sempre a jogar... e a marcar. Em ano de Euro'2000, Nuno Gomes voltou a ser totalista no campeonato e marcou 18 golos, número abaixo da época anterior mas muito bom, de qualquer forma. No fim desta época, como todos sabemos, Nuno Gomes brilhou no Campeonato da Europa e acabou por assinar pela Fiorentina, rendendo ao Benfica uma verba a rondar os 20 milhões de euros.


Regressou, qual D. Sebastião, na temporada 2002/03, depois de 2 épocas em Itália (onde, apesar de não ter sido muito feliz, deu uma Taça à Fiorentina, com um golo seu na final por 1-0). Muita coisa já havia mudado no clube (como era normal nestas alturas) e a frente de ataque era completamente nova: Nuno Gomes teria de "se haver" com Mantorras, Sokota e o húngaro Fehér pela titularidade na frente de ataque. Numa época em que teve 2 treinadores (Jesualdo Ferreira e Camacho), o ponta-de-lança português fez 27 jogos e apontou 9 golos. Números bastante mais fracos do que aqueles a que tinha habituado os adeptos anos antes, mas desculpáveis pelo estilo de jogo da equipa (que não se adequava às suas características - o Benfica jogava em 4-3-3 com Nuno Gomes a ser o único ponta-de-lança, e ele estava habituado a partilhar a frente de ataque) e também por algumas lesões que teve. Esperava-se mais para a época seguinte.


No entanto, 2003/04 trouxe mais do mesmo. E pior, até. A frente de ataque continuou exactamente a mesma (com a agravante de Mantorras não ter jogado durante toda a época e Fehér ter falecido em Janeiro) e Nuno Gomes, mais uma vez fustigado por lesões, terminou a época com apenas 21 jogos efectuados e míseros 7 golos marcados. Acabou por vencer uma Taça de Portugal, mas parecia mesmo que o avançado já não era o mesmo dos finais da década de 90.


Tendência que se confirmou na época seguinte. Orientado por Trappatoni, o Benfica foi campeão, mas Nuno Gomes não conseguiu retomar a veia goleadora de outros tempos. Fez apenas 23 jogos e marcou os mesmos 7 golos da época anterior. Muito pouco para quem tanto havia mostrado anos antes, e principalmente tendo em conta a concorrência (Karadas e Sokota no início da época; Karadas, o recuperado Mantorras e Delibasic na segunda metade). Ainda assim, crescia a influência de Nuno Gomes no balneário encarnado - era, já nesta altura, um dos capitães de equipa.


Estranhamente, em 2005/06, Nuno Gomes... reencontrou o caminho dos golos. O avançado desatou a marcar logo no início da época (foi dele, de resto, o primeiro golo oficial do Benfica nessa temporada, golo esse que deu a Supertaça aos encarnados, no jogo com o Vitória de Setúbal) e já levava mais de uma dezena de golos no virar da primeira volta. Parecia que finalmente estava de volta o velho Nuno Gomes. No entanto, tal não se veio a confirmar totalmente. Na segunda volta, Nuno Gomes perdeu o fulgor e uma lesão que o afastou dos últimos 5 jogos retirou-lhe a possibilidade de lutar por ser o melhor marcador do campeonato (acabaria por perder esse título nos últimos jogos por apenas um golo para o camaronês Meyong, na altura no Belenenses). Terminou a temporada com 29 jogos e 15 golos, num ano em que o treinador foi mais uma vez diferente (Ronald Koeman) e em que a concorrência nunca lhe conseguiu ser superior (no início da época, só havia Miccoli e Mantorras, ambos a meio gás; em Janeiro chegaram Marcel e Manduca).


Para mais uma época (06/07), chegou mais um novo treinador (Fernando Santos) e mais um concorrente ao internacional português (Kikin Fonseca - saiu em Janeiro, substituído por Derlei, com Miccoli e Mantorras também na equipa), já com 30 anos nesta altura. Uma temporada que mais uma vez não foi famosa em termos colectivos e muito menos individuais para o avançado, que jogou apenas 24 partidas... e só apontou 6 golos. Um pecúlio muito fraco para um jogador da qualidade de Nuno Gomes.


07/08 foi, mais uma vez, mais do mesmo. Uma época em que passaram 3 treinadores pelo Benfica (Santos, Camacho e Chalana), em que os encarnados terminaram num horrível 4º lugar e em que Nuno Gomes marcou 7 golos em 25 jogos. Apesar da concorrência ter sido maior nesta época (além de Mantorras e do chinês Yu Dabao - que fazia parte da equipa B mas chegou a jogar na principal - chegaram Cardozo e Bergessio no início da época e ainda Makukula em Janeiro), a verdade é que Nuno Gomes jogou quase sempre, fazendo dupla maioritariamente com Cardozo. No entanto, nem isso chegou para o Benfica conseguir algum tipo de sucesso numa temporada a todos os níveis decepcionante.


08/09 não foi muito diferente. Apesar de ter ganho a Taça da Liga, o Benfica terminou em 3º, saiu da Taça de Portugal logo nos oitavos-de-final e foi das piores equipas em competição na Taça UEFA. A chegada de Quique Flores para treinar o clube (no que parecia, ao início, ser uma opção refrescante para a equipa) acabou por redundar num completo fracasso, mais uma vez. Mas uma das alterações introduzidas pelo técnico espanhol havia de se comprovar, com mais veemência, também na temporada 09/10: a perda de influência de Nuno Gomes no jogo da equipa. Apesar de ser, desde a saída de Simão, em 07/08, o capitão de equipa, Nuno Gomes já não foi titular em grande parte de 08/09, devido à concorrência (Cardozo, Suazo, Makukula - até Janeiro -, Mantorras e o próprio Aimar, que Quique insistia em utilizar como segundo avançado, precisamente na função que deveria ser de Nuno Gomes) e também à idade (com 32 anos já não era propriamente um jovem, e os seus números nos últimos anos não haviam sido famosos). Ainda assim, participou em 24 jogos e marcou os mesmos 7 golos da época anterior.


Para este ano, ficou visto desde o início que o avançado não iria ter muitas oportunidades na equipa principal. Jorge Jesus desde logo deixou claro que a sua aposta seria na dupla Saviola-Cardozo e, na hierarquia, Nuno Gomes só ganhava a... Mantorras, pois até Weldon e Keirrison pareciam melhor posicionados para o técnico. E assim foi durante algum tempo. Beneficiando da lesão precoce de Weldon, Nuno Gomes foi participando nos minutos finais de alguns jogos, revezando-se com Keirrison, e até marcou golos (um ao BATE Borisov, num jogo em que até começou de início, fazendo dupla com Cardozo, e 2 no campeonato, a Vitória de Setúbal e Nacional quando as goleadas já estavam feitas). A perda de crédito do brasileiro junto de Jorge Jesus permitiu a Nuno Gomes ser o primeiro avançado a sair do banco em várias ocasiões, e duas houve em que o avançado foi preponderante: primeiro em Olhão, onde, já nos descontos, fez o 2-2, evitando a derrota da equipa na véspera da recepção ao Porto (perder esse jogo seria terrível do ponto de vista anímico); e depois no primeiro jogo da Taça da Liga, em que apenas 20 segundos após entrar (aos 80 minutos), assistiu Saviola para o golo que deu a vitória ao Benfica e fez a equipa arrancar para vencer essa competição. No mercado de Janeiro saiu Keirrison mas chegaram Éder Luís e Alan Kardec, razão pela qual Nuno Gomes só registou 7 aparições fugazes em toda a segunda volta, e divididas pelas 3 competições. O capitão encarnado terminou a época com 13 jogos no campeonato (e 3 golos), 2 jogos na Taça de Portugal e na Taça da Liga e 6 jogos e um golo na Liga Europa.


Tenho uma relação agri-doce com Nuno Gomes, confesso. Um pouco na senda de Luisão. Admito que, dada a idade, já não se possa exigir dele muitos golos, mas não me consigo esquecer do avançado que ele era nas 3 primeiras épocas que esteve na Luz e da quantidade de golos que marcava, razão pela qual não consigo perceber, sinceramente, como é que desde 2002 Nuno Gomes marca 7 golos por época (excepção feita a 05/06). É um assunto que quase merecia um case-study. No entanto, nestas épocas em que começámos todos a perceber que Nuno Gomes já não era esse goleador, muitas foram as vozes que se levantaram a proclamar que ele é um tipo de avançado diferente, mais móvel e que está lá para abrir espaços para outros marcarem e que é, acima de tudo, exímio em jogar de costas para a baliza e nas tabelinhas com os colegas. Terei de concordar, pois as evidências demonstraram-me isso ao longo dos anos, mas sempre me pareceu que o verdadeiro Nuno Gomes não é este. O verdadeiro ficou algures em Itália. Neste momento, e tendo em conta tanto o que Nuno Gomes já deu ao Benfica como a sua condição actual, defendo que ele deve continuar mais esta época, a última do seu contrato, jogando como o fez neste ano (uns minutos nalguns jogos, porventura um ou outro a titular), mas principalmente servindo como baluarte e trave mestra do balneário, unindo a equipa em torno dos objectivos comuns a todos. Depois, e dependendo do que acontecer durante o ano, Nuno Gomes poderá terminar a carreira e ficar no Benfica noutras funções ou mesmo aceitar outra aventura no estrangeiro, caso ainda sinta que pode prosseguir a carreira mais uma ou 2 épocas. Este ano foi um elemento importante na caminhada triunfal do Benfica e espero que o volte a ser em 2010/11 e que no final da época estejamos a festejar com ele, com o capitão, a conquista dos 5 títulos (pronto, podem ser só 4) que estarão em disputa.

Que pensam os leitores sobre o capitão encarnado?

terça-feira, 15 de junho de 2010

O nosso plantel XXV - Keirrison

Dando os passos finais na análise ao plantel encarnado da gloriosa época que agora termina, e já depois de vistos Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão, Urreta, Aimar, Felipe Menezes, Saviola, Cardozo e Weldon, temos hoje o único jogador que iniciou a temporada sem fazer parte dos nossos quadros... e que a terminou também bem longe da Luz: o brasileiro Keirrison.


Keirrison foi talvez a contratação mais surpreendente do Benfica. Pela conjuntura em que chegou (por empréstimo do Barcelona, que havia pago 15 milhões de euros ao Palmeiras para o contratar, depois de se ter sagrado melhor marcador do campeonato brasileiro) e também pelas notícias dos dias anteriores de que o Porto estaria a tentar o seu empréstimo junto do Barça. De repente, os catalães acertam com o Benfica o empréstimo do avançado, convencidos de que Lisboa seria o sítio ideal para Keirrison crescer e se ambientar ao futebol europeu, com o intuito de regressar ao plantel blaugrana dois anos depois (ficaria duas épocas emprestado no Benfica). Isto, apesar da concorrência que já se previa apertada (a um plantel que já tinha Nuno Gomes, Cardozo e Mantorras, o Benfica havia já juntado Saviola e Weldon). Keirrison chegou, assim, com um peso enorme nas suas costas, peso esse de que nunca se conseguiu livrar.


O brasileiro estreou-se oficialmente com a camisola encarnada em Guimarães, numa altura em que o Benfica procurava desesperadamente o golo da vitória (já tinha empatado em casa na primeira jornada; voltar a desperdiçar pontos na semana seguinte começava a ser problemático). Não mostrou nada de especial, o que era compreensível dado o pouquíssimo tempo que levava na Luz. No jogo seguinte, na visita ao Vorskla Poltava, já com a eliminatória decidida (tínhamos vencido por 4-0 em casa), Jorge Jesus concedeu-lhe a titularidade. Não se pode dizer que a tenha aproveitado. A exibição foi novamente fraca e o Benfica até perdeu (2-1). Keirrison continuou a ter oportunidades, nomeadamente em momentos em que a equipa mais precisava que ele aparecesse: em Leiria, Jesus resolveu descansar Cardozo e dar a titularidade no campeonato a Keirrison pela primeira vez; em Braga, precisava de empatar quando o colocou em campo; em casa com a Naval, procurava o golo da vitória; também em casa, com o Vitória de Guimarães, para a Taça de Portugal, Cardozo estava castigado pela injusta expulsão em Braga e o treinador resolveu dar a última oportunidade ao brasileiro. Resultado? O Benfica perdeu o jogo, foi eliminado da Taça e a exibição de Keirrison foi, mais uma vez, fraquíssima. Ficou aí traçado o seu destino no Benfica - esse foi, de resto, o seu último jogo com a nossa camisola. Acabaria por sair em Janeiro, tendo sido colocado na Fiorentina (onde, apesar de ter marcado 2 golos, também não rendeu o que os viola e o Barça gostariam). Acabou por marcar apenas dois golos pelo Benfica e em amigáveis: frente ao Celtic, no particular no Canadá, e contra o Santa Clara, no Troféu Pedro Pauleta. Muito pouco para a reputação que trazia. Terminou a sua estadia de águia ao peito com 5 jogos no campeonato, 1 na Taça de Portugal e 1 na Liga Europa.


Keirrison foi, para mim, o flop da época do Benfica. Um jogador que vinha muito bem referenciado, com um passado de apenas 2 anos como profissional mas recheados de golos. Um jogador que tinha custado 15 milhões de euros ao Barcelona, visto, portanto, como uma grande esperança pelos blaugrana, que confiaram em nós para dar rodagem ao avançado e fazê-lo crescer. No Benfica, porém, Keirrison nunca mostrou esse instinto matador que o havia notabilizado no Brasil, nunca mostrou sequer saber movimentar-se como um avançado normal, como um homem de área que é. Todos os jogos oficiais que efectuou ao serviço do Benfica foram fraquíssimos, todas as exibições foram miseráveis e nunca esteve sequer perto de marcar um golo. Acabou por deixar um perfume do que havia mostrado no Brasil apenas no golo que apontou ao Santa Clara, no amigável nos Açores referente ao Troféu Pedro Pauleta. Aí sim marcou um golo à ponta-de-lança. O problema é que esse apontamento não teve continuidade em mais nenhum momento. E talvez o problema não tenha estado apenas no Benfica ou no treinador, visto que Keirrison também não brilhou na Fiorentina, onde esteve por empréstimo na segunda metade da época - os viola, aliás, não quiseram continuar a contar com os seus serviços para a próxima temporada e o Barcelona, contra a sua vontade, já terá mesmo de emprestá-lo a um clube brasileiro para a segunda metade de 2010. Keirrison ainda é novo e certamente virá a mostrar mais do que conseguiu esta época, acredito sinceramente nisso, mas a verdade é que apoiei a 100% a decisão de Jesus em prescindir dos seus serviços: porque não era nosso, porque ganhava mais de 100 mil euros por mês (dos mais bem pagos do plantel), e porque tínhamos de ser campeões, pelo que não nos podíamos dar ao luxo de colocar em causa o campeonato para dar tempo de utilização a um jogador que não era nosso. No entanto, reconheço - pelos seus números no Brasil - que pode ser um bom avançado. No Benfica não o demonstrou, seguramente.

Qual a opinião dos leitores em relação ao brasileiro?

terça-feira, 8 de junho de 2010

O nosso plantel XXIV - Weldon

Estamos quase no fim desta análise ao plantel do Sport Lisboa e Benfica nesta época, mas ainda faltam alguns jogadores. O de hoje, e depois dos já analisados Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão, Urreta, Aimar, Felipe Menezes, Saviola e Cardozo, é o avançado brasileiro Weldon.


Weldon chegou ao Benfica já com a pré-época em andamento, a pedido expresso do treinador Jorge Jesus, que já tinha sido muito feliz com os seus golos em 2007/08, então no Belenenses. Custou apenas 180 mil euros ao clube, num dos negócios mais vantajosos dos últimos anos na Luz. Era visto como um avançado útil, muito veloz e razoavelmente tecnicista. Uma espécie de irmão gémeo de Suazo, mas com menos nome e, acima de tudo, muito mais barato. À partida, não parecia ter muitas hipóteses de singrar, dada a forte concorrência (Saviola, Cardozo, Nuno Gomes, Keirrison e ainda Mantorras). A seu favor tinha o facto de ter sido contratado pela vontade do técnico. A verdade é que cedo deu razão ao pedido de Jesus. Começou logo a marcar na pré-época e prolongou essa fome de golos para os primeiros jogos oficiais da temporada. Na primeira jornada, na recepção ao Marítimo, o Benfica massacrou mas esteve a perder até aos 86 minutos. Aí, surgiu Weldon a empatar, impedindo a derrota e reduzindo a frustração dos adeptos ao mínimo. Dias depois, o mesmo cenário. O brasileiro marcou apenas dois minutos depois de entrar em campo e já se perfilava como um dos melhores marcadores dos encarnados na época. No entanto, o azar bateu-lhe à porta e após esse jogo, só voltou à equipa quase um mês depois. Devido à falta de ritmo decorrente do facto de jogar poucos minutos (dada a fantástica época que Saviola e Cardozo vinham a fazer), Weldon acabou por perder destaque e influência na equipa, passando a fazer apenas aparições residuais na maior parte da época.


Mas tudo mudou na jornada 25. Sem que nada o fizesse prever, Jesus deu a titularidade ao brasileiro na visita à Figueira da Foz, relegando Éder Luís e Nuno Gomes para o banco (e com Saviola lesionado). Aos 12 minutos, o Benfica já perdia por 2-0 e parece que esta aparição de Weldon ia redundar em mais um fracasso. Puro engano. O brasileiro marcou dois golos em 3 minutos, empatando o jogo com apenas 19 minutos jogados, o que deu ainda muita margem de manobra à equipa para conseguir virar o resultado por completo (acabou por vencer por 4-2). Nova lesão tirou o jogador da malfadada visita a Liverpool, mas acabaria por ser aposta novamente na visita à Académica. Em boa hora, pois voltou a fazer 2 golos na primeira parte, contribuindo decisivamente para a vitória do Benfica por 3-2. Com a recuperação de Saviola, Weldon acabou por voltar a perder o lugar nos últimos jogos da época, mas o seu contributo para o triunfo encsrnado no campeonato já estava dado. Terminou a época com 19 jogos efectuados (12 no campeonato, 4 na Liga Europa, 2 na Taça de Portugal e 1 na Taça da Liga) e 6 golos marcados (5 no campeonato e 1 na Liga Europa), cotando-se como um dos melhores marcadores do Benfica na temporada.


Foi, portanto, uma aposta bem ganha de Jorge Jesus. Weldon não teve um rendimento minimamente constante, houve vários jogos da época em que fez exibições absolutamente desastradas (caso da recepção ao Belenenses, em que entrou ao intervalo e fez uma 2ª parte rídicula - na altura vaticinei-lhe o fim da sua estadia no Benfica, admito), mas acabou por ser absolutamente fulcral na conquista deste título. À conta dos seus golos, o Benfica conseguiu directamente... cinco pontos, precisamente a vantagem final dos encarnados sobre o Braga. Portanto, os 180 mil euros gastos na compra de Weldon acabaram por ser o negócio mais rentável da temporada para o Benfica. Ainda assim, e agradecendo tudo o que deu ao Benfica (que foi muito, como já vimos), continuo a considerar que Weldon não tem valor para jogar no Benfica. É um elemento útil, mas pouco mais. No entanto, se o objectivo de ganhar a Liga dos Campeões se tornar mesmo real, e tendo em conta que ainda haverá o campeonato, a Taça de Portugal e a Taça da Liga para ganhar, porventura até seria bom mantê-lo no plantel, pois poderá ser útil para, por exemplo, os jogos da Taça de Portugal e da Liga, além das visitas a campos como o da Figueira da Foz e de Coimbra para o campeonato, onde poderia ser fulcral, tal como foi este ano. Talvez ainda possa ser muito útil por isso. De qualquer forma, a minha opinião inicial mantém-se: acho que Weldon não tem o valor suficiente para actuar nesta equipa (e já não vai para novo). Se aparecesse uma oferta de, por exemplo, 2 ou 2,5 milhões de euros, eu vendia-o na hora. Fazíamos um lucro brutal com este jogador, tanto em termos desportivos como financeiros. Mas se ficar, desejo-lhe tudo de bom, se possível que seja ainda mais decisivo do que o foi este ano.

E os leitores, que pensam do avançado brasileiro?

terça-feira, 1 de junho de 2010

O nosso plantel XXIII - Cardozo

Chegando à recta final da análise aos jogadores que fizeram parte do nosso plantel nesta gloriosa época, e depois dos já analisados Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão, Urreta, Aimar, Felipe Menezes e Saviola, temos hoje o nosso matador: o Tacuara Cardozo.


Cardozo foi contratado no início da época 07/08 para ser a referência atacante do Benfica e nem as posteriores compras de Bergessio e Makukula, aliadas à presença na equipa de Nuno Gomes, Mantorras e até Yu Dabao, nem as constantes mudanças de treinador nos encarnados (Fernando Santos-Camacho-Chalana) retiraram esse estatuto ao paraguaio. Cardozo acabou a época como melhor marcador do Benfica, com um total de 22 golos apontados em todas as competições, ele que havia referido, à chegada, valer mais de 20 golos por época. Apesar de ter alcançado essa fasquia, a verdade é que essa meta deveria (na minha opinião) ter de ser colocada apenas para o campeonato, e nesse particular ficou um pouco aquém das expectativas (ainda assim, e com todas as contrariedades que se abateram sobre o Benfica nessa época, conseguiu ser o melhor marcador da equipa e o segundo melhor do campeonato (com 13 golos em 29 jogos), só atrás do portista Lisandro (24 golos). A prometer mais e melhor para a época seguinte.


08/09 começou melhor. Com 4 golos em 6 jogos, Cardozo parecia estar a correr para a sua melhor época de sempre. O problema foram as ideias do técnico Quique Flores, que entendeu por bem colocar o paraguaio no banco durante a maior parte da temporada, delegando a titularidade no hondurenho David Suazo, emprestado pelo Inter, e colocando Aimar como segundo avançado (e ainda havia Nuno Gomes, Mantorras e Makukula no plantel). Ainda assim, nos intervalos de tempo em que conseguia actuar, nem que fosse uns minutos, Cardozo foi fazendo o gosto ao pé, ganhando o lugar a partir da final da Taça da Liga, onde Suazo se lesionou gravemente. A partir daí, Cardozo assumiu-se como o principal abono de família da equipa, marcando 10 golos nos últimos 8 jogos. Terminou a época com 17 golos apontados (todos no campeonato, onde actuou por 26 vezes) e com a Taça da Liga conquistada, mas mais importante que isso, ganhou o respeito definitivo dos adeptos, que souberam dar o devido valor ao extraordinário final de época do avançado e perceberam que tinha de ser este o ponta-de-lança titular do Benfica.


Jorge Jesus, felizmente para eles, pensava da mesma forma e por isso fez do Tacuara a referência ofensiva da equipa, à volta do qual giravam os quatro fantásticos Ramires, Di María, Aimar e Saviola. Aliás, Jesus nunca deixou de contar com ele e de lhe dar todo o apoio, inclusive na questão dos penaltys (e Cardozo falhou 4 ao longo da época). E o Tacuara agradeceu como melhor sabe: com golos. Foram 38 ao longo de toda a época: 26 no campeonato (em 29 jogos - só falhou um por castigo), 2 em 5 jogos na Taça da Liga (marcou precisamente nos jogos decisivos com Sporting e Porto, em que curiosamente foi apenas suplente utilizado) e 10 na Liga Europa (em 13 jogos - falhou apenas a visita ao Vorskla Poltava pois a eliminatória já estava decidida), competição onde se sagrou o melhor marcador, juntamente com o avançado peruano do Werder Bremen Claudio Pizarro (com 9, pois a UEFA não contabiliza os golos apontados no play off - onde Cardozo marcou um, frente ao Vorskla Poltava). Cardozo acabou por não marcar apenas na competição onde também não chegou a actuar, a Taça de Portugal: em Monsanto, Jesus optou por fazer descansar o Tacuara. Depois, na fatídica recepção ao Vitória de Guimarães, Cardozo cumpria ainda o 2º jogo de um castigo que já o havia feito falhar a recepção à Naval, para o campeonato - um castigo injusto, como todos sabemos, devido à expulsão em Braga, onde Cardozo nada fez. Jorge Jesus tem ainda o mérito de, além de ter acreditado e potenciado as qualidades do jogador, ter também contribuído para a melhoria de Cardozo na vertente táctica e até técnica (não raras vezes se viu o paraguaio a fazer autênticos passes de ruptura a isolar companheiros, como um verdadeiro nº 10). Cardozo conseguiu assim revalidar a conquista da Taça da Liga, sagrar-se campeão nacional e conquistar, além do já referido prémio de melhor marcador da Liga Europa, o título de melhor marcador do campeonato, algo que o Tacuara já perseguia há 2 anos, onde acabou por ficar sempre em 2º lugar (em 08/09 perdeu por 3 golos para o brasileiro Nené, do Nacional). E este é um troféu que um jogador do Benfica não conquistava desde 90/91, por Rui Águas. Uma época que culminou em alta, com a chamada ao Mundial, onde em princípio (e com a lesão do habitual Cabañas) será titular.


Cardozo é daqueles jogadores que divide os adeptos. Adorado por alguns, que se debruçam quase exclusivamente sobre os números (que não deixam dúvidas sobre as suas qualidades de goleador), odiado por outros, que o consideram lentíssimo e absolutamente tosco, confesso que me situo num patamar intermédio. Explicando: Cardozo não me deslumbrou na sua primeira época de Benfica, mas deu para perceber que era um finalizador, acima de tudo. Na segunda época, contribuiu decisivamente para o meu ódio a Quique Flores tomar maiores proporções: exasperava-me a equipa jogar tão mal e criar tão poucas oportunidades por insistir em jogar em contra-ataque para Suazo (e com Aimar a segundo avançado), quando tinha um verdadeiro ponta-de-lança no banco que podia resolver o jogo a qualquer momento (com criativos da qualidade de Reyes, Di María, Aimar e mesmo Carlos Martins e Ruben Amorim, Cardozo só teria mesmo de colocar as suas qualidades de matador em acção para o Benfica ter mais sucesso). Este ano, finalmente consegui formar uma opinião final sobre o Tacuara. Que é a seguinte: a sua lentidão exaspera-me, a sua falta de técnica e o pé direito absolutamente morto também. No entanto, Cardozo faz aquilo que lhe é pedido: golos. E muitos, como os números esta época comprovam. Mas ainda assim, considero que Cardozo falha muito. Muito mais do que marca. Com a produção ofensiva do Benfica nesta época, houve vários jogos em que Cardozo poderia ter marcado mais de 3 golos. Sem sombra de dúvidas. Em muitos deles, o paraguaio teve de falhar uns 4 ou 5 golos para marcar um. E isto, em alta competição, muitas vezes paga-se caro. Como aconteceu, por exemplo, no jogo em casa com o Liverpool. Cardozo bisou (de penalty), mas antes disso já havia falhado 4 golos sozinho em frente à baliza. Ou seja, o Benfica podia ter dado uns 5-1 ao Liverpool, fechando logo aí a eliminatória. Mas não deu, muito por culpa dos falhanços do paraguaio. Isto, no entanto, não mancha a grande época que Cardozo fez e que o projectou na Europa como um grande ponta-de-lança. Um matador. Fala-se agora da vontade de alguns clubes em pagar muitos milhões por ele (e o próprio já disse querer sair para um campeonato superior) e a minha opinião é a de que qualquer oferta acima dos 20 milhões de euros deve ser aceite, pois já será muito boa. Cardozo nunca vai valer mais do que isso e esse dinheiro chega e sobra para contratar outro ponta-de-lança para o seu lugar, e provavelmente melhor do que o paraguaio. Veremos o que acontece. Mas é indesmentível que o avançado paraguaio já ficou para sempre na história do Benfica, e merece um louvor especial por isso.

Que pensam os leitores sobre o Tacuara?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

O nosso plantel XXII - Saviola

Depois dos já comentados Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão, Urreta, Aimar e Felipe Menezes, entramos hoje no domínio dos que marcam golos: os avançados. E o primeiro elemento desse sector a merecer destaque será El Conejo Saviola.


Chegado ao Benfica em moldes parecidos aos de Javi García, Saviola trazia nome, muito por culpa da parceria de sucesso que fez com Aimar no início das carreiras de ambos, no River Plate, e que lhe deram uma fama nunca confirmada por inteiro na Europa, apesar de ter representado Barcelona, Real Madrid, Mónaco (onde chegou à final da Liga dos Campeões) e Sevilha (com quem ganhou a Taça UEFA). No patamar mais alto ficou-lhe sempre a faltar mostrar mais e melhor. E era debaixo dessa desconfiança e de quem lhe apontava estar já na fase descendente da carreira e de vir apenas ganhar balúrdios para a Luz que Saviola chegou ao Benfica. Contratado para fazer dupla com Cardozo, como Jesus deixou bem claro logo desde o primeiro amigável, com o Sion, El Conejo teve de lidar com concorrentes que nunca estiveram à altura (Weldon, Nuno Gomes e até Keirrison, numa primeira instância - Mantorras não existia - e depois Éder Luís e Kardec). O pequeno jogador nunca se atemorizou e desde cedo mostrou ter ainda todas as suas qualidades intactas e ser capaz de fazer uma grande dupla com o Tacuara.


E os números não mentem. Saviola terminou a época com 27 jogos no campeonato (e 11 golos), 2 jogos na Taça de Portugal (e 1 golo), 4 jogos na Taça da Liga (e 1 golo) e 11 jogos na Liga Europa (e 6 golos), sendo, inclusive, o único jogador do plantel a ter marcado em todas as competições em que o Benfica participou. Estreou-se a marcar logo ao segundo jogo oficial com a nossa camisola, na recepção ao Vorskla Poltava, e apesar de não ser um goleador, fez uma dupla temível com Cardozo, que valeu mais de um terço dos golos do Benfica no campeonato. Saviola tem ainda a particularidade de encantar as plateias com alguns dos golos que faz. Sublimes os que marcou à Académica, ao Rio Ave, ao Belenenses. Decisivo o que marcou ao Porto na Luz, e que nos lançou definitivamente para o título. El Conejo mostrou que ainda tem intactas todas as qualidades que lhe fizeram chegar aos melhores clubes de Espanha: velocidade, capacidade técnica fantástica, esperteza e intuição para se colocar no sítio certo para finalizar (nomeadamente dentro da área em lances de bola parada, onde apesar de ser muito baixinho marcou muitos golos) e muita mobilidade, o que haveria de se revelar o complemento ideal para o tipo de ponta-de-lança que é Cardozo. Saviola foi, sem grandes dúvidas, um dos jogadores mais importantes do Benfica nesta temporada.


E ninguém me tira da cabeça que tudo poderia ter sido diferente na eliminatória com o Liverpool se El Conejo tivesse jogado. Como não pôde jogar, por causa da maldita lesão com o Braga, nunca saberemos como poderia ter sido caso estivesse em campo. Mas a sua maior vitória foi mesmo conseguir calar os críticos típicos dos inícios de época, e calá-los como melhor sabe: dentro do campo. Saviola foi dando show atrás de show, não um show tão exuberante como os de Di María, mas também não tão discreto como os de Cardozo. Um show muito próprio, que tinha sempre como espectador principal o amigo de sempre: El Mago Aimar. A chegada do Conejo à Luz até teve o condão de voltar a despertar Aimar para os seus melhores dias de novo, e notava-se claramente que ambos jogavam um com o outro de olhos fechados. Juntando-lhes a explosão de Di María e a eficácia de Cardozo, o Benfica criou um cocktail molotov a que os adversários nunca poderiam fazer frente. Como não fizeram. E Saviola foi um dos maiores artífices das conquistas que o Benfica conseguiu este ano. Espero sinceramente (e tudo leva a crer que venha a ser assim) que o avançado argentino continue no Benfica esta época e, se possível, nas seguintes. E com Aimar atrás. Ao lado... bem, pode ser o Cardozo como pode ser outro avançado ainda de melhor valia. Se assim for, de certeza que Saviola não sentirá a diferença. Desde que uma palavra esteja sempre presente: classe.

Que pensam os leitores sobre El Conejo?