Chegamos hoje ao fim da análise individual a todos os jogadores que compuseram o plantel do Benfica na época 2009/10, "o nosso plantel". Depois de 30 jogadores já analisados (Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão, Urreta, Aimar, Felipe Menezes, Saviola, Cardozo, Weldon, Keirrison, Nuno Gomes, Mantorras, Airton, Éder Luís e Alan Kardec), o último atleta a merecer honras de análise por parte do Gloriosa Chama Imensa é o lateral-esquerdo Jorge Ribeiro.
Jorge Ribeiro era, de todos os elementos do plantel, o segundo a ter-se estreado há mais anos na equipa principal encarnada, só suplantado pelo capitão Nuno Gomes. Formado nas escolas do clube e irmão mais novo do então também benfiquista Maniche, Jorge Ribeiro deu nas vistas na equipa B do Benfica e foi lançado às feras por Jupp Heynckes em 99/00, ainda com 19 anos, tendo actuado no último jogo do campeonato (vitória por 2-1 frente ao Marítimo) e nos 7-0 ao Amora para a Taça (apesar da concorrência não ser famosa - Bruno Basto e Rojas -, a verdade é que o jogador era ainda bastante jovem para reclamar maior protagonismo na equipa principal).
Por essa razão, acabou por ser emprestado na época seguinte ao Santa Clara, tendo regressado à equipa B encarnada a meio da temporada. Em 01/02, haveria de alternar entre a equipa A e B, realizando 4 jogos pela equipa principal no campeonato (era quase impossível jogar mais, pois para a sua posição o Benfica tinha mais 5!!! jogadores: Pesaresi, Caneira, Quim Berto, Cabral e Diogo Luís) e 1 na Taça.
Depois começou a travessia no deserto para Jorge Ribeiro. O jogador embarcou numa conversa de empresários, que lhe prometeram mundos e fundos, a ele, a Rui Baião e a Pepa (diz-se que iriam para o Varzim para uma época depois darem o salto para a primeira equipa do Porto) e mudou-se mesmo para a Póvoa, iniciando um trajecto vertiginoso que só se modificou em 07/08, época em que brilhou a jogar a médio interior-esquerdo no Boavista e garantiu bilhete para o Euro'2008. As boas prestações fizeram o Benfica voltar a interessar-se nos seus serviços e a contratá-lo para 08/09, onde à partida teria de enfrentar a dura concorrência de Léo. Curiosamente, acabou por ser David Luiz a relegar ambos os laterais-esquerdos de raiz para a prateleira nesse ano (Léo foi dispensado por Quique Flores em Novembro e Jorge Ribeiro pouco jogou na 2ª metade da época). Ainda assim, o internacional português conseguiu actuar em metade dos jogos do campeonato (15, sendo titular em 13), tendo marcado um golo, que por sinal deu a vitória encarnada (à terceira jornada, em Paços de Ferreira, no sofrido triunfo por 4-3). Venceu também a Taça da Liga, pois actuou em 2 dos 5 encontros (e até marcou num deles - vitória sobre o Olhanense por 4-1). Não sendo uma época fantástica (principalmente a segunda metade), acabou por ser aceitável.
O que é certo é que Jorge Ribeiro nunca foi visto pelo seu homónimo Jesus como opção para o Benfica versão 09/10. Tanto assim é que o jogador foi mesmo impedido durante algumas semanas de se treinar com o restante plantel (juntamente com Balboa) e acabou por nem ser inscrito no campeonato. A sua saída esteve iminente, tanto no mercado de Verão como na reabertura do mesmo, em Janeiro, mas a verdade é que o lateral-esquerdo acabou por não sair da Luz, mesmo sabendo que corria o risco de passar uma época inteira em branco em pleno ano de Mundial (não era de todo descabido pensar nesta questão, visto que apenas dois anos antes havia estado no Europeu). Neste cenário, o melhor que Jorge Ribeiro acabou por conseguir foi ser inscrito em cima do fecho do mercado, dado que havia uma vaga livre na equipa. Ainda assim, o jogador nunca contou verdadeiramente para Jorge Jesus (que via em César Peixoto e Shaffer, primeiro, e Fábio Coentrão, depois - e ainda havia David Luiz para fazer o lugar - opções mais capazes), razão pela qual não somou um único minuto em jogos oficiais em toda a época - foi competindo apenas na Liga Intercalar, prova em que era o capitão da equipa e se destacava por jogar quase a avançado (e pelos golos que marcou).
O facto de Jorge Ribeiro não ter jogado um minuto sequer em qualquer competição oficial, e de eu saber perfeitamente que ele não contava minimamente para Jorge Jesus, levou-me a hesitar em colocá-lo nesta lista, razão pela qual acabou por ficar para último, numa espécie de joker. E hesitei porque, à semelhança de Jorge Ribeiro, também Yebda chegou a estar inscrito e até foi convocado para o 1º jogo do campeonato, contra o Marítimo, algo que Ribeiro nunca conseguiu. E outros casos houve, como os de Balboa, Adu, Felipe Bastos e até Patric, que se treinaram algumas semanas com o plantel, fazendo parte dele, teoricamente. No entanto, considerei que o caso de Jorge Ribeiro era diferente de todos os outros por uma única razão: foi inscrito em Janeiro e ficou até ao fim da época, quase como se de um reforço se tratasse. No que respeita à opinião que tenho sobre o jogador em si, já a deixei expressa em vários posts durante a temporada: considero Jorge Ribeiro de igual ou até superior valia em relação a César Peixoto como lateral-esquerdo. Não me parece que seja um mau jogador, muito longe disso, se bem que o considero muito melhor médio interior esquerdo (posição onde fez a melhor época da carreira, no Boavista) do que lateral. Não é um jogador veloz (por vezes parece pesadão e lento), mas tem um remate potente e normalmente certeiro e também não cruza mal. Se aceitava claramente que fosse suplente de Léo, nunca percebi porque é que, depois de ganhar a titularidade ao brasileiro, a perdeu para o adaptado David Luiz no consulado de Quique Flores. Com a chegada de Jorge Jesus e dos reforços Shaffer e depois Peixoto (mais a felicíssima adaptação de Coentrão), percebi claramente que não haveria espaço para Jorge Ribeiro neste plantel, até porque Jesus nunca fez qualquer menção de testar o jogador. Por esta razão, é óbvio que Jorge Ribeiro vai continuar a não fazer parte das opções para a temporada que se avizinha e que a única solução (se quer relançar a carreira) será abandonar o Benfica, sob pena de passar 2 temporadas seguidas em branco se não o fizer.
Qual a opinião dos leitores em relação a Jorge Ribeiro?
SABOROSO, MAS...
Há 27 minutos
















































