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sábado, 16 de janeiro de 2010

O nosso plantel VII - David Luiz

Depois dos guarda-redes, dos laterais direitos e do patrão da defesa, vem o homem da raça: David Luiz.



O Xerife, como já é chamado dentro do plantel encarnado, chegou ao Benfica em Janeiro de 2007, recomendado a Fernando Santos pelos olheiros que deambulavam por terras de Vera Cruz em busca de jovens com futuro promissor. Repararam num miúdo que jogava a central mas também correspondia como trinco, de apenas 19 anos, que jogava num clube acabado de descer à 3ª divisão brasileira, o Vitória da Baía. E ele veio para a Luz, com a difícil tarefa de vir substituir Ricardo Rocha, que entretanto havia saído para o Tottenham, e Alcides, transferido para o PSV Eindhoven. Haveria de se estrear num jogo de alto risco, na Europa, frente ao Paris Saint-Germain, devido a lesão de Luisão, e a sua exibição, apesar de alguns erros próprios de um jovem de 19 anos a estrear-se numa equipa como o Benfica e logo na Europa, convenceu os mais cépticos, entre os quais o próprio treinador Fernando Santos, que havia mostrado nos jogos anteriores ter medo de colocar o miúdo em campo (no jogo anterior, fora, com o Aves, por exemplo, recuou Katsouranis para central, deixando David Luiz no banco). Devido à lesão de Luisão e a essa exibição bem conseguida, o miúdo fez os últimos 10 jogos da Liga e ainda 4 na Europa, prometendo mais para a época seguinte.



Época essa que começou mal e acabou ainda pior para David Luiz e para o Benfica. O central começou a temporada lesionado, assim como Luisão e Zoro (nos primeiros jogos, e enquanto o certificado de Edcarlos não chegava, a dupla de centrais chegou a ser Katsouranis-Miguel Vítor). Entretanto, David Luiz recuperou, mas apenas fez 8 jogos nesta época, ficando célebre o nó que levou de Quaresma no golo que deu a vitória do Porto na Luz por 1-0. Uma lesão grave na segunda metade da época afastou-o das cogitações dos treinadores encarnados. Em suma, uma temporada inteira praticamente perdida.



E assim começou a época seguinte, falhando inclusive os Jogos Olímpicos de Pequim'2008, onde tinha lugar marcado ao serviço da selecção brasileira. Voltou aos poucos ao ritmo demonstrado na época de estreia, mas entretanto, Luisão e Sidnei haviam-se tornado imprescindíveis para Quique. A solução que o treinador espanhol arranjou para conceder a titularidade a David Luiz foi adaptá-lo a defesa esquerdo, prescindindo do ídolo dos adeptos, Léo, e do inadaptado Jorge Ribeiro. E se, na óptica do treinador espanhol, a coisa não correu mal, o mesmo não se pode dizer da maioria dos adeptos encarnados, que sempre viram nesta adaptação um desperdício de talento, pois David Luiz nunca foi capaz de encantar nessa posição, destacando-se a derrota em Alvalade, por 3-2, onde foi constantemente "papado" por... Pereirinha. Acabou a época com 19 jogos e 2 golos, ganhando a taça da Liga, mas com muitas dúvidas de todos os simpatizantes encarnados em redor do seu valor, que tardava a confirmar.



Mas tem confirmado este ano, sob as orientações de Jorge Jesus. Passou, depois de 3 experiências nessa posição (recepção ao Marítimo e deslocações a Poltava e Everton) definitivamente a contar apenas como central para o técnico encarnado e é aí que tem revelado estar a atingir grande parte da plenitude das suas potencialidades. A raça, a vontade, o querer que aplica na disputa de cada lance, bem como a qualidade técnica de que dispõe e que lhe permite, não raras vezes, aventurar-se pelo terreno e até procurar o golo, puseram a Europa de olho nele, falando-se inclusive do interesse de Real Madrid e Milan na sua contratação. No entanto, é o elevado benfiquismo que já demonstra ter (na retina ficaram os seus festejos com os adeptos aquando do golo de Javi García à Naval, entre outras manifestações que tanto enchem de alegria a massa afecta ao clube) que faz dele um dos jogadores do plantel mais queridos pelos sócios, pois sentem que David Luiz vibra como eles com o clube. Esta época David Luiz só ainda falhou 2 jogos, em casa com o AEK para descansar para a recepção ao Porto, e em Vila do Conde, castigado. Tem feito uma dupla terrivelmente eficiente com Luisão, tendo apenas 9 golos sofridos no campeonato (2ª melhor defesa). E até já marcou 2 golos (e um auto-golo). Chegou este ano à hierarquia dos capitães, sendo actualmente o terceiro do plantel, atrás de Nuno Gomes e Luisão.



Esta época tenho de fazer um mea culpa: nunca fui com o estilo de David Luiz, nunca foi um jogador que me enchesse as medidas, confesso. Até ao início desta temporada sempre o tinha achado um jogador mediano e claramente sobre-valorizado pelos média, pelos adeptos e pelos treinadores. E talvez até tivesse razão. E ele, certamente para me desmentir (eheheh), resolveu tornar-se um grande defesa central sob os comandos de Jorge Jesus. E, de todos os predicados que já apontei no parágrafo anterior, destaco, obviamente, a mística benfiquista que o miúdo tem vindo a demonstrar esta temporada. Já não via algo assim há muito tempo, e tem contagiado os seus colegas, como já pudemos constatar pelas demonstrações evidentes de benfiquismo, de querer, de mística, de Javi García, de Nuno Gomes, de Luisão, de Saviola, de Carlos Martins, de Fábio Coentrão nos relvados, e outros, naturalmente mais tímidos, como Ramires e Cardozo, em palavras. A mística faz-se disto, de jogadores assim. E David Luiz, apesar de um ou 2 deslizes logo no início da época, tem feito uma temporada - e eu nem gosto desta palavra - brutal! Já merecia (muito, mas muito mais que Hulk) uma chamada à selecção brasileira, mas isso são contas de outro Dunga que não eu. O miúdo fez-se homem e eu só tenho de bater palmas e regozijar-me com cada actuação sua, sempre cheia de benfiquismo.

Que pensam os leitores de David Luiz?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O nosso plantel VI - Luisão

Hoje, depois dos guarda-redes e dos laterais-direitos, temos o primeiro dos defesas centrais da equipa, e logo o patrão da defesa encarnada: Luisão.



Luisão chegou ao Benfica já com a época 2003/04 a decorrer. Curiosamente, marcou um golo logo na estreia, no empate a 3 bolas com o Belenenses. Os seus concorrentes à titularidade eram de peso: os portugueses Hélder (capitão de equipa) e Ricardo Rocha, mais o internacional brasileiro Argel, muito querido pelos adeptos devido à garra com que se empenhava a cada lance. Ainda teve de lutar pelo lugar no 11 e no coração dos adeptos, que o olhavam com desconfiança pela pouca capacidade técnica e alguns erros cometidos, próprios da inexperiência fora do Brasil (e já agora, também da idade com que cá chegou: apenas 22 anos). Acabou a primeira época com 15 jogos e 3 golos na Liga e uma taça de Portugal ganha.



Na época seguinte, Luisão ganhou de vez a titularidade. Com a saída de Hélder e o declinar de Argel, o Girafa ganhou lugar no 11 ao lado de Ricardo Rocha. Os outros concorrentes ao lugar (Alcides e Amoreirinha) eram muito jovens e inexperientes e nunca constituíram verdadeira ameaça na luta pela titularidade, o mesmo se aplicando a André Luiz, reforço de Inverno que fez apenas um jogo. Luisão foi uma das pedras-chave na conquista do campeonato, marcando inclusive o golo designado por muitos como golo do título, na penúltima jornada, a Ricardo, do Sporting. Luisão terminou a época com 29 jogos e 2 golos marcados no campeonato.



Nova época, mesmo patrão da defesa. As saídas de Amoreirinha, Argel e André Luiz foram colmatadas por outro internacional brasileiro, Anderson, mas nem assim Luisão perdeu o lugar, entretanto já cimentado pela boa relação com os adeptos encarnados, que o viam como um elemento essencial na coesão do balneário. A época não foi famosa a nível interno, pois o Benfica, campeão em título, ganhou apenas a supertaça, mas fez boa figura na Liga dos Campeões, chegando aos quartos-de-final, onde foi batido pelo que viria a ser o campeão europeu, o Barcelona, depois de ter eliminado o Liverpool, então campeão europeu, em dois jogos épicos. À vitória por 1-0 na Luz, conseguida com golo de... Luisão, os encarnados juntaram novo triunfo, dessa feita por 2-0, em Liverpool. No final da época, os números de Luisão foram ainda melhores que na época anterior: 31 jogos e 1 golo.



Nova época, novo treinador, defesa... na mesma. Os centrais mantiveram-se para esta época, sempre com Luisão a comandar, até que Ricardo Rocha saiu em Janeiro. A sua venda foi colmatada pela aquisição de David Luiz, que haveria de se estrear a titular precisamente devido a lesão de Luisão, que o colocou de fora dos relvados alguns meses. O internacional brasileiro acabou, por isso, por fazer apenas 17 jogos em toda a temporada, marcando 2 golos. Ainda assim, foi ganhando estatuto no plantel e entrou pela primeira vez na hierarquia dos capitães, atrás de Simão, Nuno Gomes e Petit.



2007/08: época conturbadíssima, com entradas e saídas em barda, também no centro da defesa. Alcides e Anderson abandonaram o clube, chegando para os seus lugares Edcarlos e Zoro (sendo que Miguel Vítor ainda actuou em alguns jogos logo no início da época, devido a lesões de Luisão e David Luiz). Luisão, como já foi referido, começou a época lesionado e realizou apenas mais dois jogos que na temporada anterior, tendo marcado mais um golo, numa época em que fez duplas com Edcarlos, David Luiz e ainda Zoro, mas onde esteve francamente desinspirado. Talvez a sua época menos conseguida desde que está na Luz (e a do Benfica também).



Com a chegada de Quique, chegou também novo central brasileiro, Sidnei, e sairam Edcarlos e Zoro, tendo ainda Miguel Vítor subido à principal equipa. Luisão, apesar de continuar a ser fustigado por lesões, conseguiu regressar paulatinamente às exibições de anteriormente e voltou a assumir o comando da defesa encarnada, nos 21 jogos em que participou. Apontou ainda dois golos, vencendo a taça da Liga.



Para esta época, nova mudança de treinador, mas os mesmos centrais, o que pode ajudar a compreender as melhorias que se verificam no Benfica actual, também ao nível da defesa. Luisão tem feito uma dupla quase intransponível com David Luiz, tendo falhado apenas um jogo no campeonato, na deslocação ao terreno do Sporting. Apontou ainda um golo, na goleada ao Vitória de Setúbal. Apesar de ser oficialmente o sub-capitão do plantel, acaba por desempenhar esse papel na maior parte dos jogos, devido à perda de titularidade do titular desse estatuto, Nuno Gomes.



Não tenho uma opinião definitiva formada acerca de Luisão. Ou talvez até tenha. Confesso que nunca fui muito adepto do futebol do central brasileiro. Não via nele um líder, um patrão da defesa, alguém que fosse capaz de pôr ordem na casa, ou seja, não via nele qualidade suficiente para ser o mandão da defesa nem do balneário (muito menos capitão). Esta época tem-me feito ver as coisas de outra forma. Luisão parece-me agora mais maduro, mais líder, mais de confiança. Em rigor, parece-me mais jogador. O que é bom sinal. Se me conseguiu convencer, é porque melhorou mesmo em relação ao passado. Assim espero que continue toda a época, que seja campeão com o Benfica e ganhe a Liga Europa e que faça um brilharete no Mundial. Seria sinal que um jogador do Benfica seria titular do Brasil no Mundial, o que é excelente. Estou a torcer por ele em todos os parâmetros.

E os leitores?

sábado, 2 de janeiro de 2010

O nosso plantel V - Luís Filipe

E hoje chega o quinto jogador do nosso plantel a ser escrutinado, o segundo lateral-direito (aqui está o primeiro): Luís Filipe.



Luís Filipe chegou ao Benfica poucas semanas antes de Maxi, vindo do Braga, e foi pedido por Fernando Santos, treinador que o havia dispensado do Sporting quatro épocas antes. Nunca foi um jogador consensual, devido a ter representado o Sporting no passado, mas principalmente pelas dúvidas sobre a sua qualidade futebolística. Apesar de já ter representado, no passado, o Atlético de Madrid B, o Braga, o Sporting, o Leiria, o Marítimo e novamente o Braga, sempre foi visto com muitas reservas pela quase totalidade dos sócios. E a verdade é que não as dissipou de forma nenhuma, muito pelo contrário. Só as adensou ainda mais. Ainda fez 19 jogos, mas nunca mostrou nada de positivo. Na retina ficam dois jogos: para a taça de Portugal, em casa, com o Feirense, partida que o Benfica venceu de forma muito sofrida por 1-0 e onde Luís Filipe, num lance a meio-campo em que era o último defesa encarnado, se pôs a brincar com a bola e, obviamente, a perdeu. No seguimento do lance o atacante do Feirense atirou à barra da baliza de Moreira. E o outro lance capital, bem, para o descrever nem há grandes palavras. Foi na taça UEFA, em Nuremberga. O Benfica tinha ganho em casa por 1-0 e estava a perder fora pelo mesmo resultado. A eliminatória estava, portanto, empatada. Num lance de pura displicência (ou falta de atenção - ou será mesmo falta de qualidade?), Luís Filipe resolveu ficar sem saber o que fazer à bola em plena área. Resultado? O avançado do Nuremberga, vindo de trás, roubou-lhe a bola e marcou o 2-0. Por sorte o Benfica haveria de empatar o jogo e passar à fase seguinte. Mas Luís Filipe ficou marcado.



Na época seguinte, foi emprestado ao Vitória de Guimarães. Ficou praticamente definido que já não havia lugar para o jogador no plantel encarnado, e no Vitória a época também não fez ninguém mudar as suas opiniões relativamente a isso. Voltou ao Benfica para a pré-época, mas foi novamente dispensado. No plantel já havia dois laterais-direitos, Maxi Pereira e Patric. No entanto, Jorge Jesus chegou e achou que Patric era muito, muito fraquinho, tendo este sido recambiado para o Brasil. Não tendo mais soluções para essa posição e já sem tempo para ir ao mercado, JJ resolveu o problema repescando Luís Filipe, que treinava à parte do plantel. E deu-lhe a titularidade no jogo de Poltava, destinado aos habituais reservas. O Benfica perdeu por 2-1 e os dois golos nasceram do seu lado. Quase quatro meses depois, Luís Filipe voltou a ser titular, na recepção ao AEK. E fez uma exibição muito positiva. Numa arrancada pela direita, cruzou para Nuno Gomes, no lance que deu o penálti que Felipe Menezes desperdiçou. Viria ainda a anotar mais alguns pormenores de qualidade, que lhe valeram ganhar o lugar no banco para o jogo seguinte, nada mais nada menos que com o Porto, também fruto da ausência de vários habituais titulares. Já no decorrer do jogo, e depois da surpresa que foi a titularidade de Urreta, JJ resolveu fazer mais uma e... aos 67 minutos, Luís Filipe entrou em campo, para fechar no lado direito do meio-campo. E cumpriu com muita sobriedade e eficiência. Aliás, quase teve o seu momento de glória, num remate do meio da rua que por muito pouco não resultava num grande golo. E assim parece ir ganhando de novo um espaço no plantel.



Confesso que nunca gostei de Luís Filipe. E não consigo gostar. É a prova cabal de que um jogador que tenha pouquíssimo talento também pode chegar muito longe. Luís Filipe começou a carreira como extremo-direito, e foi a jogar aí que chegou ao Sporting. Foi por alturas de jogar na Madeira que recuou no campo, e aí voltou a ser bem sucedido, indo para o Braga, onde se cotou como um dos melhores laterais direitos do campeonato, daí a mudança para o Benfica. Luís Filipe é um jogador muito esforçado e talvez até tenha alguma qualidade futebolística, admito que sim. Mas, talvez por acusar a pressão de jogar num grande, no Sporting e no Benfica nunca se afirmou e nunca conseguiu mostrar nada de bom. Espero sinceramente que esta época, nos jogos em que seja chamado a intervir, ainda mostre muita qualidade, pois daria uma bofetada de luva branca a todos os que, como eu, ainda não acreditam que o jogador tenha qualidade para jogar na Luz. Se for para o bem do Benfica, óptimo!

E vocês, que acham?

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O nosso plantel IV - Maxi Pereira

Depois dos guarda-redes (escrutinados aqui, aqui e aqui), passamos agora para os defesas, neste caso a posição específica de lateral direito e o seu "dono" nas últimas duas épocas: Maxi Pereira.



Maxi está no Benfica desde 2007/08. Chegou com a época já a decorrer (estávamos na terceira jornada), juntamente com Cristian Rodríguez, num início de época muito conturbado, que já fazia adivinhar o que viria a acontecer depois (o 4º lugar final na classificação). Vindo do Defensor, um dos clubes mais fortes do Uruguai, o jovem de 23 anos chegou como um perfeito desconhecido. Era um médio direito, de características defensivas, utilizado muitas vezes por Camacho como extremo direito. Como se perceberia mais à frente, não poderia ter resultado nunca. E não resultou. Maxi começou aos poucos a actuar mais recuado no terreno, até que se fixou como lateral direito, curiosamente a posição em que joga há muito tempo na selecção uruguaia, onde relega o... portista Fucile para o banco. Para essa posição havia, no plantel, Nélson e Luís Filipe. Ambos seriam progressivamente afastados das opções dos técnicos (primeiro Camacho, depois Chalana). E foi assim que acabou por fazer 23 jogos e marcar 2 golos na Liga, além de ser sempre utilizado na taça e Europa, onde até marcou um golão na recepção ao Milan, para a Liga dos Campeões. E com a particularidade de ter sido quase sempre titular e raramente suplente utilizado.



Nova época (2008/09), novo treinador (Quique Flores), e o lateral direito passou a ser definitivamente Maxi Pereira. Aliás, a confiança no uruguaio era tanta que o Benfica não tinha mais nenhum jogador para esse posto no plantel. Se houvesse problemas com Maxi, Amorim ou Miguel Vítor fariam a posição. Mas o dono do lugar estava perfeitamente identificado. E assim, em mais uma época nefasta para o clube, onde se salvou a Taça da Liga, Maxi falhou apenas dois jogos na Liga, onde ainda marcou um golo, e nas outras competições só não foi totalista por lesão ou castigo.



Para esta nova época, chegou Jorge Jesus, mas tudo se manteve igual, no que respeita ao posto de lateral direito. Ou melhor: não foi bem assim. O Benfica contratou Patric para lutar com Maxi pela titularidade, mas JJ depressa entendeu que o jogador brasileiro ainda estava muito verdinho e apressou-se a recambiá-lo para o Brasil. Depois de fechar o mercado de transferências, e percebendo que não havia suplente para o uruguaio, JJ não teve outro remédio senão chamar Luís Filipe, que havia sido emprestado ao Vitória de Guimarães na época anterior e treinava à parte do plantel, para ser o reserva de Maxi. No entanto, a verdadeira opção a Maxi é mesmo Ruben Amorim, que tem jogado no lugar do uruguaio sempre que este está indisponível, o que, como sabemos, não acontece muito.



Maxi Pereira é um jogador de que gosto muito. Inicialmente não foi assim, pois achava-o desenquadrado da equipa, lento, o que na posição que desempenhava (extremo direito) era mau, sem grandes qualidades a nível de remate nem mesmo a cruzar. Depois comecei a vê-lo jogar a lateral direito e a minha opinião mudou radicalmente. Até começou a parecer mais rápido, bom a defender, com um razoável sentido táctico, e tem vindo a melhorar nos cruzamentos. Desde que passou a jogar nessa posição tornou-se indiscutível e ainda bem, pois será, a par de Fucile, o melhor lateral direito da Liga Sagres. Não é dos jogadores mais bem cotados do Benfica, também porque não contribui decisivamente para muitos golos, fruto da posição que ocupa, mas mesmo assim é dos preferidos dos adeptos, pois tem aquilo que falta a muitos: raça, querer, vontade de ganhar, atitude, que o faz nunca desistir de nenhum lance e dar tudo pelo clube. É isso que falta a muitos outros. Se todo o plantel tivesse essa garra, venceríamos todos os jogos. Infelizmente, não é assim. Mas Maxi dá um exemplo fantástico a todos os colegas, e isso faz dele imprescindível. Além das suas qualidades futebolísticas, claro.

Que acham os leitores?

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O nosso plantel III - Júlio César

Continuando na posição de guarda-redes (já aqui e aqui foram escrutinados os outros dois), chegamos agora ao titular da Liga Europa e muito provavelmente futuro titular a full-time da baliza do Benfica: Júlio César.



Júlio César chegou esta época ao Benfica, a pedido do técnico Jorge Jesus. Proveniente do Belenenses, onde mostrou as suas qualidades em duas épocas muito distintas (uma com JJ, em que, em condições normais - não fosse o caso Meyong - a equipa do Restelo tinha ido à Europa pela segunda vez consecutiva; e outra, sem JJ, em que os azuis... desceram de divisão, sendo salvos pela descida administrativa do Estrela da Amadora), o brasileiro chegou, como já foi acima referido, a pedido expresso do novo técnico encarnado. Tudo fazia crer que fosse para assumir as redes das balizas encarnadas. No entanto, a grande exibição de Quim com o AC Milan, na Eusébio Cup, deu a titularidade ao internacional português e atrasou a ascensão do brasileiro. Depois de dois jogos no play off da Liga Europa em que a titularidade alternou entre Quim e Moreira, eis que JJ decidiu apostar em Júlio César para ser titular nessa competição. E a verdade é que o brasileiro tem justificado a aposta. Em 4 jogos, sofreu apenas um golo, na derrota em Atenas, e é dos guarda-redes menos batidos da competição, já tendo efectuado, aqui e ali, algumas defesas de classe.



JJ tem apostado na rotação na baliza, mas há pouco tempo já veio a público avisar que o fim da mesma estava próximo (aliás, na taça de Portugal já deu mau resultado). Tudo indica que Júlio César está a ser preparado para, num curto/médio prazo, assumir as redes da baliza encarnada.



E, na minha opinião, muito bem. Penso que o guarda-redes brasileiro é, dos 3, o melhor do plantel. É ainda bastante jovem (tem apenas 23 anos), é bastante alto, mas ágil, sendo no seu caso a altura uma vantagem e não um handycap, é exímio a defender penaltys (algo que Quim e Moreira não são, apesar de haver quem diga que sim só porque Quim defendeu 3 com o Milan e Moreira defendeu outros 3 no Dubai, a verdade é que poucos mais penaltys eles defenderam na carreira) e, apesar de revelar ainda algumas falhas a sair dos postes a cruzamentos, é o melhor dos 3 (esse é, aliás, talvez o maior problema de todos os guarda-redes em Portugal e verifica-se não só no Benfica, como também na selecção e nos outros clubes portugueses - vide Helton e Rui Patrício).



Portanto, parece-me bem que daqui a algum tempo o brasileiro comece a assumir mais frequentemente a titularidade da baliza encarnada. Quim já não vai para novo e Moreira é uma carta fora do baralho de Jorge Jesus. Dos 3, Júlio César é claramente o que tem mais potencial.

Que acham os leitores?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O nosso plantel II - Moreira

Depois do titular na Liga Sagres, chega-nos o (provável) titular da taça de Portugal: Moreira.



Moreira é um produto das escolas do Benfica. Começou a competir nos semi-séniores em 99/00 no Benfica B, onde esteve 2 épocas. Em 01/02, ainda com 19 anos, foi chamado por Jesualdo Ferreira para a titularidade da baliza encarnada, entrando para um lugar que era de Robert Enke, que se tornou persona non grata por recusar renovar o contrato para ir para o Barcelona a custo 0. O miúdo (tantas vezes comparado a Casillas, do Real Madrid - eu comparo-o mais a Valdés, do Barça) acabou por ainda fazer 10 jogos numa época em que o Benfica terminou em 4º, ficando fora das competições europeias pela segunda vez consecutiva (não fossem muitos erros de arbitragem e teria ficado em 3º. Em 4º ficaria o Porto. Que aconteceu na época seguinte? O Porto, que ficaria fora da UEFA, ganhou a competição...).



Na época seguinte, o treinador manteve-se, mas só até Dezembro. Aí, chegou Camacho e o futebol da equipa melhorou significativamente, tendo o 2º lugar final sido uma consequência visível dessa melhoria. Moreira, com a concorrência de Bossio e Nuno Santos, realizou 31 jogos nessa época. Estava a afirmar-se como o dono da baliza encarnada e tinha apenas 21 anos no fim da época.



2003/04 continuou como havia terminado a época anterior: com Camacho ao leme e Moreira na baliza. Nesta época o Benfica revalidou o segundo lugar e ganhou a taça de Portugal, e Moreira apenas cedeu o seu lugar a Bossio na última jornada da época, para descansar para a final da taça. Fez assim 33 jogos no campeonato. A chegada de Zach Thornton também não o fez tremer. O gigante americano nem jogou na equipa principal. Moreira fez uma grande época, com um jogo marcante na Noruega, onde defendeu tudo o que pôde e pôs, literalmente, a equipa na eliminatória seguinte, tendo sido convocado para o Euro 2004.



Nova época, novo treinador, novos concorrentes à titularidade, mesmo guarda-redes. Trappatoni chegou, Quim e Yannick também, e na baliza continuou... Moreira. Mas não por muito tempo. A goleada sofrida no Restelo (onde foi o melhor em campo) fez com que Trap desse a baliza a Quim até ao fim do campeonato, com excepção do jogo no Algarve com o Estoril, em que Moreira voltou a defender as redes encarnadas. O Benfica foi campeão e chegou à final da taça, que havia de perder com o Vitória de Setúbal. Com Moreira na baliza. O jovem guardião acabou a época com 15 jogos efectuados no campeonato.



Em 2005/06, inicia-se o calvário de Moreira. Koeman chega e concede-lhe de novo a titularidade, tendo inclusive jogado na final da Supertaça com o Vitória, mas o jovem lesiona-se à 6ª jornada e não mais volta a jogar nessa época. Em Janeiro chega Moretto, que se assume como titular e deixa Moreira como 3º guarda-redes.



2006/07: Moreira, com Fernando Santos, faz apenas um jogo. Quim é o titularíssimo nesta época. Moretto faz apenas um jogo, tal como Moreira.



A época seguinte, com Santos, Camacho e Chalana, não existe para Moreira. Nem se chega a estrear. Quim domina as redes e Butt faz apenas um jogo na Liga.



Quique chega e o cenário mantém-se: Quim é o titular. Mas a meio da época tudo muda, com os deslizes do internacional português com o Vitória de Setúbal e em Atenas. Moreira volta a ser titular... mas também não dura muito. Em Março há a final da taça da Liga, Quim é o herói e recupera o lugar também no campeonato. Moreira termina a época com 14 jogos efectuados. Moretto joga apenas na taça.



Nova época, novo técnico, e enfim Moreira parecia regressar finalmente aos bons velhos tempos, com boas exibições na pré-época e a titularidade quase garantida. Nem a chegada do guarda-redes Júlio César, pedida por Jorge Jesus, beliscou essa convicção. Até que... aparece de novo Quim em grande plano, na Eusébio Cup, ganhando novamente ao sprint o lugar de titular. Resultado: 7 jogos no campeonato... 0 jogos para Moreira. Jogou apenas um jogo oficial, na UEFA, em Poltava, onde também não esteve em bom plano. Provavelmente jogará sábado, em Torres Novas, com o Monsanto, obedecendo à lógica de Jorge Jesus em rodar os guarda-redes em todas as competições. Vamos ver como se sairá o produto das escolas, que até se estreou na selecção em Agosto.



Considero Moreira um bom guarda-redes, mas sinceramente nunca o vi como uma solução para o Benfica nem vejo nele qualidades de guarda-redes de topo. Ainda por cima, as lesões gravíssimas que tem sofrido ao longo da carreira fizeram-no estagnar o seu crescimento qualitativo. Penso que já não evoluirá mais e, de acordo com as notícias que têm vindo a público afirmando que o seu contrato não será renovado, acho que é o melhor para a sua carreira. Assim terá espaço para crescer noutro clube, ser titular e quem sabe tornar-se melhor guarda-redes, mais completo e mais mandão, que na minha opinião é o que lhe falta, atitude e cara de mau, que assuste os avançados, além de problemas nas saídas dos postes, mas esse alarga-se aos seus companheiros também. Espero sinceramente que seja feliz na nova etapa da sua vida (a acontecer), pois tem um percurso de muito tempo na Luz, com um campeonato, uma taça e uma supertaça ganhas, e merece um agradecimento por tudo o que deu pelo Benfica.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

O nosso plantel I - Quim

Estreio hoje mais uma rubrica neste blog, desta feita um espaço que será dedicado a analisar os jogadores que compõem o nosso plantel e que no fim desta época poderão ser vencedores das 4 competições em que participam.

O primeiro cliente desta rubrica é o guarda-redes titular do campeonato: Quim.



Quim está no Benfica desde 2004/05. Proveniente do Braga, onde era o dono da baliza há vários anos, com estatuto de internacional A, vindo do Euro 2004, chegou com Yannick para suprir as saídas de Bossio e Zach Thorton e lutar pela titularidade com Moreira. Começou a época como suplente de Yannick e logo depois passou a ser a sombra de Moreira. Trappatoni preferia o jovem guarda-redes e Quim esteve praticamente uma volta inteira sem jogar. Depois do desaire no Restelo, onde o Benfica perdeu por 4-1, o treinador italiano fez a troca na baliza (curiosamente, Moreira até foi o melhor benfiquista em campo, impedindo uma goleada com contornos ainda mais dramáticos). Quim ganhou o lugar e apenas o cedeu a Moreira no jogo no Algarve com o Estoril. Acabou a época com 19 jogos efectuados na Liga e com o título de campeão no bolso.



Na época seguinte o treinador mudou e logo Quim voltou a sentar-se no banco, como suplente de Moreira. Koeman defendia que, numa posição em que os 2 jogadores tivessem a mesma valia, jogaria sempre o mais jovem e assim a sua opção recaíu em Moreira. Infelizmente, o menino da cantera benfiquista lesionou-se gravemente logo à 5ª jornada e Quim voltou aos postes. No entanto, as lesões apanharam também o internacional português, que teve de ser substituído durante alguns jogos pelo júnior Rui Nereu. Quim chegou a jogar lesionado durante essa fase, até que Moretto chegou e passou a ser o titular da baliza encarnada. O número 12 do Benfica acabou a época com apenas 7 jogos efectuados na Liga.



Nova época, novo treinador e finalmente Quim é a aposta inicial. Fernando Santos, em detrimento de Moretto, devolve a titularidade ao internacional português, que a perde apenas num jogo, por lesão. Acaba a terceira época no Benfica com 29 jogos efectuados.



2007/08 é a época mais conturbada de Quim no Benfica, mas um denominador é comum na equipa encarnada: o guarda-redes. Quim é aposta de Fernando Santos, Camacho e Chalana, acabando com 30 jogos efectuados, sendo por isso totalista de jogos no campeonato. Moreira e Moretto foram meros figurantes.



Quique Flores também lhe confiou a titularidade, até ao fatídico jogo com o Vitória de Setúbal, que juntamente com os 5 golos sofridos na Grécia, diante do Olympiakos, e os 6 em Brasília, pela selecção, fizeram com que o técnico espanhol optasse por Moreira. Subitamente, em Março, na final da Taça da Liga, foi Quim o escolhido e... 3 penaltys defendidos e a taça na mão. Quim foi o herói benfiquista e não mais largou a titularidade até final da época. Ao todo, foram 16 jogos na Liga. Moretto não jogou no campeonato.



Jorge Jesus chegou ao Benfica e apostou inicialmente em Moreira, tendo depois pedido à direcção a contratação de Júlio César, sendo Moretto o dispensado. No entanto, uma grande exibição de Quim na Eusébio Cup, a antecâmara do campeonato, nomeadamente com a defesa de 3 penaltys frente ao Milan, valeram a Quim a aposta do treinador. Desde então, é totalista no campeonato, com 7 jogos efectuados.



Já por diversas vezes demonstrei aqui a minha opinião sobre Quim. Sempre o considerei um bom guarda-redes, nas muitas épocas que jogou no Braga e nas que já leva de Benfica. Sempre foi um jogador injustiçado pela maioria dos adeptos, que nunca viram com bons olhos a escolha em Quim em detrimento do preferido Moreira. E sempre foi superior a Moreira. É um guarda-redes internacional e experiente, sendo neste momento, a par de Nuno Gomes, o mais velho jogador do plantel. No entanto, penso que actualmente já não serve para um clube grande. Transmite pouca segurança nas poucas vezes em que é chamado a intervir, nomeadamente em bolas aéreas (sendo que nesse campo é imitado pelos seus suplentes). Considero que Moreira é relativamente inferior (estagnou na sua evolução com tantas e tão graves lesões) e Júlio César será o futuro da baliza encarnada. Contudo, Jorge Jesus apostou nele e, enquanto as coisas correrem bem, a sua titularidade não é contestada por ninguém. Esperemos que se mantenha sempre assim até ao fim da época, era bom sinal para o Benfica.

E os leitores, o que acham?