domingo, 5 de dezembro de 2010

Benfica 2 - 0 Olhanense - 13ª Jornada 2010/11

Salvou-se o resultado numa das exibições mais descoloridas dos últimos tempos. Estive no estádio, onde a actuação dos nossos jogadores já não me tinha parecido brilhante. Ao ver o resumo do jogo e os comentários dos outros bloggers encarnados, percebi claramente que a minha percepção inicial não estava errada. Enfim, salvou-se o resultado e a certeza de que não iremos perder pontos para os principais rivais esta jornada. E isso, neste momento, é mesmo o mais importante.


A exibição, como já disse acima, não foi boa. Os jogadores estiveram sempre a um nível baixo, muitas vezes parecendo até apenas arrastar-se em campo (com especial destaque para Gaitán). A primeira parte acabou com mais ataques do Olhanense (pelo menos perigosos), salientando-se uma saída espectacular de Roberto num livre onde Carlos Fernandes tinha tudo para marcar (foi uma mancha extraordinária). O espanhol continua a subir na minha consideração e, para quem dizia (diz?) que ele ainda não deu pontos ao Benfica... vão ao oftalmologista ou aprendam a ver futebol. Um pouco do nada surgiu o golo inaugural, mais uma vez pelos pés do Tacuara... e com uma contribuição muito especial de Moretto, o tal que sempre foi mal-amado na Luz. Se dúvidas houvesse sobre o porquê desse sentimento dos adeptos, ficaram dissipadas ontem. E Cardozo já é o melhor marcador estrangeiro de sempre do Benfica, em igualdade com Mats Magnusson. E com menos uma época do que o sueco aqui (Magnusson fez 5, Cardozo ainda vai na quarta).


Na segunda parte, assistiu-se a um pouquinho mais de futebol por parte do Benfica, embora até tivesse sido o Olhanense a marcar primeiro (por Paulo Sérgio, o melhor jogador da equipa algarvia), num lance bem anulado por fora-de-jogo do antigo jogador do Sporting. A saída de Gaitán e a entrada de Carlos Martins fizeram muito bem ao Benfica (arrisco-me a dizer que ter Carlos Martins em campo nunca pode ser mau), ao contrário da entrada de Salvio, que não acertou um único passe (que barrete...). Ainda assim, o Olhanense foi morrendo aos poucos e o Benfica lá conseguiu o golo da tranquilidade, já depois de Cardozo ter atirado ao poste num belíssimo remate após combinação com Saviola. O mesmo Saviola apontou o segundo golo encarnado, num lance à Saviola: a conclusão ao 2º poste num canto, aproveitando o primeiro toque de cabeça de David Luiz (que desta vez finalmente fez uma exibição imperial, sem qualquer erro).


Para já, estamos a 5 pontos da liderança (embora todos saibamos que o Porto não dá menos de 3 ao Vitória de Setúbal no Dragão). Com 17 jornadas para o final do campeonato, não se pode falar no título como sendo uma miragem, mas todos sabemos que já está muito difícil lá chegar. O importante é ir vencendo para se manter o 2º posto, algo que não me parece muito difícil: como já pudemos ver hoje, nem o Vitória de Guimarães, nem o Sporting e muito menos o Braga parecem ter argumentos suficientes para conseguir discutir esse lugar connosco. Quanto às competições europeias, e perspectivando já o encontro com o Schalke 04, só se pede à equipa que honre a história do clube e que vença os alemães para assegurar de vez o 3º lugar no grupo e a consequente qualificação para a Liga Europa.

Os golos do jogo aqui:

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Benfica no campeonato - Benfica 5 - 0 Olhanense 2009/10

Desta vez não havia muitas voltas para dar. Escolhi a última vitória sobre o Olhanense, que nos deixou às portas do título, e a qual espero ver hoje repetida (não digo pelos mesmos números, claro, mas pelo menos que se garantam os 3 pontos).

A história é-nos familiar e conta-se em poucas palavras. A três jornadas do fim, o Benfica só precisava de 4 pontos para ser campeão. O Olhanense, que precisava urgentemente de pontos para se salvar (acabaria por consegui-lo), não era pêra mole, até pelas conhecidas ligações que tinha ao Porto. No entanto, o jogo acabou por ficar resolvido aos 8 minutos, quando Delson, que já havia cometido penalty logo aos 2, viu o segundo amarelo numa entrada assassina sobre Di María (grande jogo fez o argentino). Além de Angelito, destacou-se o hat-trick de Cardozo, que lhe permitiu ficar muito perto de se sagrar melhor marcador do campeonato (o que conseguiria, com 26 golos). No 11 estavam presentes, do actual plantel, Rúben Amorim, Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão, Javi García, Aimar, Weldon e Cardozo (entrariam depois Maxi Pereira, Saviola e Nuno Gomes). No banco, não utilizados, ficaram Moreira, Sidnei, Carlos Martins e Kardec, enquanto Júlio César, Roderick, Luís Filipe, César Peixoto, Airton, Felipe Menezes e Mantorras não foram convocados. Se jogarmos hoje metade do que o fizemos neste jogo, já será muito bom.

O resumo desse jogo, aqui:

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

JVP


Beira-Mar-Benfica

1 - Diferença já está num dígito

O Benfica deu resposta positiva a um teste que, atendendo aos últimos dias, tinha de ser considerado muito importante. Num bom jogo, em que há a salientar a boa atitude competitiva de ambas as equipas, o Benfica foi melhor, ganhou, o que para a equipa era fundamental, e reagiu bem à estranha derrota com o Hapoel. O grupo mostrou outra disponibilidade, melhor dinâmica, impôs velocidade à partida e, com isso, foi capaz de ficar por cima durante a maior parte do tempo. Aliás, mesmo tendo marcado a fechar a primeira parte, antes disso tinha desperdiçado várias oportunidades de golo. A vitória também foi importante para o Benfica do ponto de vista da esperança, porque a desvantagem para o primeiro classificado deixar de ser de dois dígitos e passou a ser de apenas um. De qualquer forma, frente a este FC Porto que ainda não perdeu, oito pontos continua a ser muito ponto.
Para o bom espectáculo contribuiu o Beira-Mar, que mostrou por que está bem posicionado na tabela classificativa, jogou sempre um futebol positivo, ainda que na primeira parte tenha sentido bastantes dificuldades para jogar o seu futebol, devido à forte pressão exercida pelo Benfica, daí ter tido em Hugo o seu melhor elemento desse período. Mesmo assim, vê-se que é uma equipa que gosta de ter a bola.

2 - Havendo Cardozo, há mais Saviola

A presença de Cardozo em campo muda por completo a face do Benfica. Sendo um jogador posicional, que ocupa o seu espaço na área, liberta Saviola para percorrer outros terrenos e permite ao argentino ter maior mobilidade do que quando joga com Kardec, pois o brasileiro, sendo bastante mais móvel do que Cardozo, tapa muitas vezes os caminhos a Saviola. Há um bom entendimento entre ambos e o golo de Saviola, a passe de Cardozo, é apenas um exemplo disso. Ontem, viu-se Saviola com mais espaço para percorrer e o Benfica com uma referência constante na área, pois Cardozo não é só importante nas bolas paradas.

3 - Melhoria nas bolas paradas, mas só no ataque

Para além de recuperar a dupla atacante de sucesso, o Benfica mostrou em Aveiro qualidades que se lhe reconheciam mas que nos últimos tempos andavam desaparecidas. Por exemplo, notou-se uma atitude mais agressiva nas bolas paradas, mas só nas ofensivas, porque nas defensivas continua a ver-se momentos de desconcentração altamente comprometedores. Mas o Benfica foi feliz no minuto em que marcou o primeiro golo - última da primeira parte - e pôde ir para o intervalo tranquilo. Um golo dá sempre serenidade.

4 - Podia ter caído para qualquer lado

A segunda parte teve um quarto de hora superinteressante, em que o jogo se tornou aberto e ambas as equipas tiveram grandes oportunidades de marcar. O Benfica fez o 2-0 mas também podia ter caído para o outro lado, pois o Beira-Mar estava à beira do empate. Esses momentos em que os jogos se partem e há duas equipas à procura do golo em toada de parada e resposta são bonitos e interessantes para quem assiste à partida, mas não creio que seja a melhor maneira para uma equipa com as ambições do Benfica gerir uma vantagem. A sentença acabou por surgir num grande golo de Cardozo, porque a partir daí o jogo tornou-se mais fácil de gerir, porque depois apareceu o terceiro golo.
Ainda que tenha de falar em mérito do Beira-Mar, equipa que assume o jogo com desinibição, foi devido a desconcentrações defensivas do Benfica que continuou a haver motivos de interesse e que depois do golo da equipa da casa poderia ter surgido o segundo, o que teria devolvido à partida momentos de incerteza. Tal como tinha acontecido frente ao Lyon, o Benfica cometeu a leviandade de considerar que o resultado estava feito quando ainda havia muito tempo para jogar.

5 - Hugo, Ronny e ataque do Benfica em destaque

Os destaques da partida vão para a dupla atacante do Benfica, sendo de salientar que Cardozo apareceu muito bem depois de uma paragem bastante prolongada devido a lesão e já referi como tudo muda com a presença do paraguaio em campo. Bastou a presença dele para Saviola despertar e voltar a ser influente.
No Beira-Mar, Hugo esteve em grande, principalmente na primeira parte, em que foi tudo dele, tendo adiado várias vezes o primeiro golo benfiquista. Também Ronny esteve em evidência. É um jogador irreverente e não tem medo de ter a bola. Apareceu mais do que uma vez solto nas costas da defesa do Benfica.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Beira-Mar 1 - 3 Benfica - 12ª Jornada 2010/11

Lá diz o ditado que depois da tempestade vem a bonança. Neste caso, depois de um vendaval de todo o tamanho, veio uma resposta positiva. O triunfo em Aveiro, frente a um adversário que já roubou pontos a Sporting e Braga e onde ainda ninguém tinha ganho, veio na melhor altura, contribuindo para repôr os níveis de confiança na equipa e acima de tudo para serenar os ânimos do grupo. A exibição não foi brilhante, longe disso, mas foi consistente o suficiente para deixar a nu, claramente, as qualidades e fragilidades deste plantel. Cardozo é muito, mas muito mais jogador que Kardec, Saviola é o melhor avançado da equipa e David Luiz está, definitivamente, a fazer uma época horrível. De resto, tudo ao nível habitual.


A primeira parte foi praticamente toda dominada pelo Benfica. Os ataques foram-se sucedendo desde o início do jogo, e ficou um penalty por marcar (mais um, já vai sendo normal) logo aos 14 minutos. A equipa não se desuniu, continuou em busca do golo, acreditando sempre que ele havia de surgir - ao contrário do que aconteceu noutros jogos esta época. Acabaria por acontecer noutro penalty, este marcado (e bem) por agarrão claro sobre Cardozo. O paraguaio não falhou e levou o Benfica bem mais tranquilo para a segunda parte, em que voltou a entrar mandão, traduzindo essa superioridade em mais um golo, desta feita um golaço, do Tacuara. Estava resolvido o encontro.


Mas ainda havia mais para vir. O terceiro golo chegaria dos pés de Saviola, após um trabalho espectacular de Cardozo (o tosco, não é?) sobre Hugo (curiosamente o melhor em campo dos aveirenses) à linha. O argentino redimiu-se das muitas oportunidades que já desperdiçou esta época e lá voltou aos golos.


A partir daqui, o Benfica entregou as rédeas do jogo ao Beira-Mar e a equipa da casa criou algum perigo para a baliza de Roberto, nomeadamente através de Ronny (que se tivesse mais calma e clarividência poderia ter marcado ou deixado os seus colegas marcar em várias ocasiões). Acabou por ser Rui Varela a fazer o golo de honra da equipa anfitriã.


Com esta vitória e com o empate registado no clássico da jornada (onde o Porto foi pela primeira vez prejudicado nesta época), e beneficiando ainda da derrota do Vitória de Guimarães na Madeira, o Benfica aproveitou para se isolar no segundo lugar e diminuir em 2 pontos a distância em relação ao líder - é agora de 8. Ainda faltam 18 jornadas, nas quais o Benfica terá de dar tudo por tudo. Se já não chegar para o bi-campeonato, ao menos que se mantenha o 2º posto e o consequente apuramento para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões. E obviamente tentar vencer as Taças nacionais (e já agora, se não for pedir muito, fazer uma figura razoavelmente boa na Liga Europa). É tudo o que se pede neste momento.

O resumo do jogo:



PS: O Benfica garantiu, pelo segundo ano consecutivo, a passagem à final-four da Liga dos Campeões de futsal, a UEFA Futsal Cup, competição da qual somos os campeões em título. Este ano teremos a companhia do Sporting e há a clara possibilidade de nos encontrarmos na final, o que seria fantástico para o futsal português. Vou torcer para que isso aconteça e que o Benfica consiga sagrar-se bicampeão europeu!

PS2: Depois do Benfica no Dragão e da Espanha na Luz (seriam 5 em condições normais), o Real Madrid caiu em Barcelona pelo mesmo resultado. É caso para dizer que os melhores escolheram todos o mesmo ano para levarem uma mão cheia...

Ah, e o Mourinho vai ser campeão de Espanha. Não duvido.

domingo, 28 de novembro de 2010

O Benfica no campeonato - Beira-Mar 2 - 3 Benfica 2004/05

Hoje vamos a Aveiro, e porque acho que precisamos de recordar momentos felizes do nosso clube, fui buscar a última vez que ganhámos no campo do Beira-Mar. E numa época em que fomos campeões (na penúltima vez que o fomos).

Estávamos então na primeira jornada da época 2004/05. Giovanni Trapattoni fazia o seu quarto jogo no comando do Benfica e o pecúlio não estava muito famoso até aí (já havia perdido a Supertaça para o Porto e sido afastado na pré-eliminatória da Liga dos Campeões pelo Anderlecht). Era, por isso, imperioso começar o campeonato com uma vitória para afastar fantasmas e devolver o Benfica ao trilho do sucesso. E foi isso que aconteceu, embora com muito sofrimento à mistura. No 11 de então estavam presentes, do actual plantel, apenas Moreira e Luisão. Mantorras e Nuno Gomes estavam nessa equipa mas não foram convocados (o angolano por lesão e creio que o português também). Desse jogo destaca-se o bis de Karadas, que se estreava no campeonato português, e a semi-recuperação do Beira-Mar, liderada por Beto - o mesmo que depois viria a jogar no Benfica. De referir que os aveirenses desceram de divisão nessa época (ficaram mesmo em último). Esperemos que o Benfica hoje seja capaz de voltar a vencer em Aveiro, seis anos depois.

Os golos desse jogo:









sábado, 27 de novembro de 2010

JVP


Hapoel-Benfica

1 - Perder um jogo que era fácil de ganhar

O Benfica perdeu por culpa própria um jogo que deveria ter ganho com alguma facilidade. O que aconteceu foi incrível. É difícil de entender, e mais ainda de explicar, como é que uma equipa, mesmo jogando sem grande intensidade, consegue um ascendente claro, cria várias oportunidades de golo, não marca e depois sofre dois golos de bola parada, um deles de canto, quando um canto, para o Benfica da época passada, nem sequer podia ser considerado uma jogada potencialmente perigosa. Este Benfica é uma equipa descrente, apática, que não me parece disposta a sofrer. Tomou conta do jogo, teve o domínio das operações e a seguir desorganizou-se em termos defensivos, deixou-se partir, permitiu que os jogadores estivessem distantes uns dos outros, com uma falta de concentração perfeitamente anormal. Dá ideia de que, de uns jogos para os outros, não aprende com os erros cometidos.

2 - Imagem desastrosa e Aimar a remar sozinho

O que se passa a nível de resultados começa a ser grave para a imagem internacional do Benfica. É que, para o exterior, não passa apenas uma derrota por 3-0 consentida perante um adversário fácil; passam todo o passado recente e uma imagem de insegurança e instabilidade. Os 5-0 do Dragão continuam vivos e, pelo jogo de ontem, percebe-se que a vitória por 4-0 frente à Naval em termos práticos não serviu de nada.
Olha-se para esta equipa e percebe-se que há muita desmotivação, e são vários os jogadores desmotivados. Ontem, a excepção foi Aimar, que se fartou de remar contra a maré, mas esteve sozinho. Foi o único que se notou que queria mesmo ganhar.
Foram muitos os problemas no último terço do campo, e o Hapoel, mesmo pondo muita gente atrás da linha da bola, era pouco agressivo e defendia mal. Mesmo assim, na segunda parte bastou-lhe fazer uma transição bem feita e aproveitar duas bolas paradas para humilhar o Benfica.

3 - Surpreendeu-me ver Carlos Martins no banco

Surpreendeu-me que Carlos Martins tivesse ficado no banco. Do meu ponto de vista, ele dá mais consistência à equipa tanto em termos defensivos - mesmo que não seja perfeito - como em termos ofensivos. É também um jogador que pode fazer a diferença nas bolas paradas, nos remates de meia distância ou mesmo nos passes de risco. Um meio-campo com Salvio e Gaitán não me parece que possa ser consistente. Carlos Martins dá mais garantias do que qualquer um dos outros e tem estado moralizado, até com a Selecção Nacional.
Qualquer que seja o ângulo de abordagem deste jogo, tem de ficar claro que, pelo número de oportunidades criado, o Benfica deveria ter vencido com tranquilidade.

4 - É tempo de deixar de falar de Ramires e Di María

Nesta altura, já não se pode continuar a atribuir a má época à saída de Ramires e Di María. Parece-me que a equipa está a passar por uma crise mental; a capacidade de reacção a uma contrariedade é praticamente inexistente. Insisto na ideia que me parece mais chocante: a equipa não está disposta a sofrer. Porque embora esta equipa não seja tão boa como a da época passada, vale muito mais do que aquilo que tem feito. Falta eficácia, falta definição no último terço, a organização desfaz-se, não tem conta o número de cantos desperdiçados por uma equipa que na época passada dominava completamente este aspecto tanto na componente ofensiva como defensiva. Continuar a falar dos jogadores que saíram, mesmo tendo eles sido importantíssimos, é querer passar ao lado dos problemas.
Ontem tinha bastado pressionar o Hapoel à saída da sua área. Das poucas vezes que o fez, o Benfica ganhou a bola e criou perigo. Devia ter sido fácil.

5 - Mercado não é única solução

Principalmente desde a derrota no Dragão que se tem falado muito de mercado, e acredito que os rumores vão aumentar a partir deste desastre. Sinceramente não me parece que a solução para os problemas do Benfica passe apenas por idas ao mercado. Quando a crise é psicológica, não é a chegada de novos jogadores que vai mudar o cenário. É óbvio que a chegada de bons jogadores pode ajudar, mas para resultar é preciso que treinador tenha conseguido recuperar o grupo em termos psicológicos. Nesta altura, o problema motivacional é o mais importante de todos. As quebras de concentração e a incapacidade para reagir às contrariedades são prova disso mesmo.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Hapoel Tel Aviv 3 - 0 Benfica - Fase de Grupos Liga dos Campeões 2010/11

Só hoje escrevo sobre este jogo porque, na verdade, não queria escrever a quente depois do que aconteceu na quarta-feira. No entanto, dou por mim a pensar que a minha opinião se mantém a mesma desse dia. Assistiu-se, em Israel, a uma das páginas mais negras da história do Benfica. O que se viu naquele campo foi miserável. E não me estou a referir apenas ao resultado (embora achasse de todo inconcebível, antes do jogo, que o Benfica fosse perder a Israel e por uma margem tão acentuada). Estou a referir-me à exibição e à falta de vontade gritante de alguns jogadores em estar ali e trabalhar pelo Benfica. A partir de agora nunca mais vou engolir as tretas de entrevistas ao jornal O Benfica a dizerem que o Benfica é uma religião, que adoram o clube acima de tudo, que é aqui que querem estar. É tudo mentira. Quem adora o Benfica somos nós, os adeptos e sócios. Já lá foi o tempo dos jogadores, treinadores e dirigentes representarem o clube por amor. Agora só se pensa no dinheiro. Por isso é que já não me apanham a idolatrar jogadores de futebol. Já lá foi esse tempo. Como se pôde novamente comprovar há 2 dias. Sim, estou a falar de David Luiz em particular, mas podia alargar a crítica para quase toda a equipa. A exibição que vimos a maioria dos jogadores fazer foi perto do horrível, sem garra, sem alma. Se estão na Liga dos Campeões a fazer um frete imagino o que pensem das outras competições. Vão-se embora, porque de jogadores assim não precisamos. Nenhuma equipa precisa. O Maxi este ano está morto, a dupla de centrais roça o ridículo, o Javi está a anos-luz do ano passado (falta-lhe o Ramires, eu sei), o Salvio é uma lástima, o Gaitán não tem poder de explosão, o Saviola foi posto de parte pelo Jesus e o Kardec é um azelha de todo o tamanho. Tudo isto é verdade, mas tudo isto não explica levar 3-0 de um conjunto que muitas vezes pareceu constituído por amadores. Só que esse amadorismo nunca foi aproveitado por nós e pior, foi transferido para nós. Sofremos mais 2 golos de bola parada (algo inconcebível, dado que a defesa é a mesma do ano passado), o David Luiz voltou a ter culpas pelo menos nesses 2 (o que já é um hábito que vem de há 2 épocas, mas os benfiquistas entenderam que haviam de idolatrar o menino, que se há-de fazer...) e o Jorge Jesus voltou a mostrar falhas em ler o jogo em momentos críticos. Sinceramente, este ano o mister está a revelar-se uma desilusão para mim. Há vários anos que o considero um dos melhores treinadores portugueses e o ano passado, com aquele futebol que nos proporcionou, confesso que me encheu totalmente as medidas. Mas falhou num momento decisivo (em Liverpool) e este ano então tem sido de bradar aos céus. Começou logo na planificação da temporada, mas disso já falei aqui. Depois veio a Supertaça, que condicionou toda a época (como eu já esperava e também avisei aqui). A partir daí têm sido fracassos atrás de fracassos. Agora vamos para a Liga Europa (em princípio...) e aí quero ver o que esta equipa vai fazer. Se encararem essa competição como encararam a principal, mais vale sermos eliminados logo na primeira ronda para não fazermos figuras tristes e manchar ainda mais uma história tão gloriosa mas que tem sido tão maltratada nos últimos anos. Ah, e que pelo menos haja a decência e o bom senso de tentar vencer as 2 taças nacionais ainda em jogo e de assegurar o 2º lugar para sonhar em participar na Liga dos Campeões da próxima época (se é que vale a pena irmos para lá). E acho melhor ficar-me por aqui no que respeita ao extra-jogo porque sinceramente creio que quem me lê habitualmente sabe a minha posição face ao nosso presidente e a toda a estrutura directiva que gere o Benfica. Eu digo-o com todas as letras: amo o Benfica, é o clube do meu coração e dava tudo para o servir de borla se preciso fosse. Mas esses abutres que de há largos anos para cá minam o clube (não estou a falar só desta direcção, mas de todas desde o Jorge de Brito) deviam levar dias fechados nos seus gabinetes a ver jogos e documentários de antigamente para ver se levavam um banho de humildade e de benfiquismo. Isto que está agora instaurado, esta era das SAD's e de todas as porcarias adjacentes, jogadas de bastidores, empresários a intrometerem-se nos onzes dos treinadores, contratações e escalações técnicas com o único objectivo do lucro (porque é que acham que o Weldon e o Nuno Gomes não contam ao pé de Kardec e Jara? É porque são piores? Não, não é: é porque já não poderão dar dividendos no futuro), esta porcaria já não é o futebol que me apaixonava em criança, isto já nem é competição saudável. É uma indústria totalmente subvertida a favor dos grandes interesses económicos, como aos poucos vai acontecendo com tudo na vida. E isso dói-me muito, porque acima de tudo sou um apaixonado do desporto, da competição saudável. E este circo mediático de saudável já nada tem. Isto está tudo viciado, e o problema é quando minam o clube de dentro. Espero sinceramente que daqui a uns tempos apareça algum benfiquista a sério, que ame o clube, a pegar nele e a devolver-lhe aquilo que em tempos se chamava a mística benfiquista. Perguntem aos antigos o que era.


Sobre o jogo, nem vale a pena dizer grande coisa. O Benfica teve mais de 20 cantos e em nenhum criou perigo. Teve várias ocasiões de golo, algumas flagrantes (o Kardec falhou duas que com o "desastre e ex-jogador" que é o Nuno Gomes estariam lá dentro), mas não teve arte nem engenho para marcar. O Hapoel fez 4 ou 5 remates e marcou 3 golos, todos quase oferecidos pela defesa encarnada. Só posso dar os parabéns ao Zahavi, que com o bis se tornou no homem do jogo, e ao Douglas, que marcou um golo dificílimo (depois do David Luiz se fazer à bola de calcanhar em plena pequena área, só um deficiente motor não marcava).


De resto, já disse tudo. E se calhar até disse de mais.

Os golos do jogo aqui: