Mostrar mensagens com a etiqueta João Vieira Pinto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta João Vieira Pinto. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

JVP


Benfica-Rio Ave

1 - O Benfica da época passada nos primeiros 35 minutos…

A primeira parte dividiu-se em duas e nos primeiros 35 minutos esteve em campo um Benfica muito forte, a exercer muita pressão sobre a bola, com mais iniciativa, maior dinâmica, velocidade e criatividade no seu futebol. Foi um Benfica muito próximo daquele que vimos na temporada passada. E muito eficaz também, pois aos oito minutos já vencia por 2-0. Dava a sensação de que seria um jogo semelhante a muitos que vimos na última época. A verdade é que, ao não ter feito o 3-0, o que mataria o jogo, acabou por desacelerar e consentiu maior estabilidade e serenidade ao Rio Ave, que passou a aproximar-se mais da área benfiquista.

2 - … E uma excelente reacção do Rio Ave

Após esses primeiros 35 minutos de desconcentração e surpreendido pela entrada forte do Benfica, com o bloco muito baixo e intranquilidade com a bola, o Rio Ave conseguiu reagir, mostrou boa atitude e proporcionou um bom espectáculo. O que certamente não estaria nas previsões de muita gente, pois não é nada fácil estar a perder por 2-0 logo aos oito minutos em casa de um grande e, ainda assim, conseguir reagir! A partir daí, a equipa de Vila do Conde esteve bem melhor do que mostraram os primeiros oito minutos, até porque não é daquelas que põem o autocarro à frente da baliza mas jogam o jogo pelo jogo. Ao reduzir para 2-1, o Rio Ave colocou incerteza no resultado, pois estava gradualmente a melhorar e isso deu-lhe alguma esperança, o que justificou a sua entrada na segunda parte: mais atrevido, mais subido no terreno e à procura da sua sorte. Isso, no entanto, proporcionou o terceiro golo do Benfica.

3 - Dois momentos decisivos

O terceiro golo do Benfica, aos 52 minutos, e a oportunidade falhada por João Tomás, oito minutos depois, são os momentos que definem este jogo. Por um lado o Benfica voltou a sentir maior segurança, por outro o Rio Ave perdeu a oportunidade de fazer o 3-2 e de devolver a intranquilidade ao Benfica e a incerteza até final. Acabou por não ser assim e o 4-1 matou o jogo, apesar de o Rio Ave nunca ter desistido e de ter dado uma boa resposta, sobretudo porque conseguia colocar muitos homens na frente. A vitória do Benfica é indiscutível mas o Rio Ave merecia mais um golo para valorizar a sua atitude no jogo.

4 - Rio Ave expôs intranquilidade defensiva do Benfica

Duas razões explicam a intranquilidade defensiva do Benfica, que foi posta a nu pelo Rio Ave. Primeiro, a ausência de Luisão, que comanda a defesa e faz com que os jogadores ao lado e à sua frente sejam mais agressivos e concedam pouco espaço aos adversários. A sua voz é importante. Depois, um certo entusiasmo atacante provocou desequilíbrios defensivos que chegaram a originar situações de igualdade numérica entre defesas do Benfica e atacantes do Rio Ave.

5 - Salvio o melhor em campo

O melhor em campo foi Salvio e, de acordo com o que disse Jorge Jesus, com alguma sorte pois foi titular devido a uma indisposição de Carlos Martins. Velocidade, bons movimentos e eficácia foram os seus principais predicados neste encontro, em que mostrou pormenores de qualidade. Este jogo certamente moralizou-o e pode ter sido importante, na medida em que terá dissipado dúvidas que começavam a surgir, eventualmente até no treinador.

6 - Estranhei o segundo amarelo de Coentrão

Coentrão era um dos jogadores do Benfica em risco de suspensão caso visse mais um cartão amarelo, daí não haver nada a fazer depois de ter visto o primeiro. Confesso que estranhei o segundo e não percebi se foi precipitado, ingenuidade ou se houve alguma estratégia… É uma peça importante e embora o Benfica tenha alternativas, nenhuma terá o mesmo valor do internacional português.

7- Segurança de Roberto

Roberto foi chamado a intervir várias vezes e fê-lo sempre bem. É um guarda-redes atento, eficaz e demonstrou segurança, como que querendo provar que a má fase já está ultrapassada.

8 - Pressão para o FC Porto

A vitória do Benfica coloca sempre alguma pressão no FC Porto, a começar porque neste momento está a cinco pontos. A experiência diz-me que isto não passa ao lado dos jogadores e lembro-me do último título que ganhei no Sporting, que foi discutido com o Boavista durante dez ou 11 jornadas, a um ou dois pontos de distância. Além disto, o FC Porto tem uma deslocação complicada. O Paços de Ferreira é uma equipa difícil em casa, conhece bem o seu espaço e joga bom futebol. Em casa, dificulta sempre a tarefa aos grandes.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

JVP


Benfica-Braga

1 - Eram dois a querer ganhar e houve justiça

Vitória difícil, mas justa do Benfica, a equipa que mais oportunidades criou contra um Braga muito competitivo, mas pouco objectivo no último terço do campo. Num confronto em que as equipas acusaram visivelmente a pressão que nesta altura se abate sobre ambas, embora seja muito mais forte aquela que é exercida sobre o Benfica e o seu treinador, o jogo teve alguns pontos de interesse, a começar pelas cautelas postas em campo pelos dois conjuntos até às variações tácticas da segunda parte. Porque mesmo que o Braga possa lamentar a ausência de jogadores tão importantes na equipa como Moisés, Vandinho e Matheus, mostrou claramente que entrou na Luz com uma estratégia para tentar ganhar. E é sempre bom que haja duas equipas a querer mesmo ganhar um jogo.


2 - Braga tinha uma boa ideia, mas não conseguiu pô-la em prática

Ao contrário do que é costume, mas também por efeito da pressão exercida pelo Benfica, a equipa visitante errou muitos passes, o que lhe dificultou a circulação de bola, obrigando-a a jogar um futebol mais directo do que lhe é habitual, procurando fazer com que Meyong, Paulo César ou Alan aparecessem libertos nas costas da defesa benfiquista. Do meu ponto de vista, essa era uma boa estratégia, uma das armas a utilizar pelo Braga. Por aquilo que o jogo estava a dar - sempre muito cauteloso de ambos os lados -, o Braga não era capaz de fazer uma boa circulação de bola e, como os centrais do Benfica não são muito rápidos e já os temos visto em dificuldades em lances em que a bola lhes é metida para as costas, a ideia do futebol directo era boa, mas a equipa não conseguia boa definição no último passe, pelo que, em todo o jogo, só conseguiu criar uma oportunidade de golo, na sequência de um canto, já no final do encontro, na qual Júlio César fez uma defesa extraordinária. Ou seja, ao Braga faltou objectividade e eficácia.

3 - Benfica mais forte, só que o golo é um contra-senso

No meio de tanto rigor táctico, pois as equipas apostaram nisso, nos minutos iniciais percebeu-se que ambas tinham montadas estratégias para ganhar, mas com o passar do tempo o Benfica foi provando que estava melhor e mais perigoso, assumindo a iniciativa, criando alguns lances de perigo. Mas acabou por inaugurar o marcador num lance que foi um contra-senso; com tanta preocupação táctica, sofrer um golo num lançamento de linha lateral não lembra a ninguém. Javi García ganhou a primeira bola rodeado por três jogadores do Braga. Depois, sim, houve mérito de Saviola, que adivinhou o lance e se antecipou a Sílvio, mas aquela bola não podia ter passado.

4 - Domingos arrisca tudo

A segunda parte foi muito diferente em termos estratégicos. O Braga subiu no terreno, tentou pressionar mais alto e jogou muito mais tempo no meio campo do Benfica - também porque a equipa da casa baixou as linhas propositadamente e deu a iniciativa e algum espaço para depois explorar as transições rápidas, como gosta de fazer, tendo conseguido algumas bem perigosas. Mesmo com maior iniciativa do Braga, por falta de soluções dos visitantes, era o Benfica a criar os lances de maior perigo. É importante acrescentar que a inoperância bracarense no último terço do terreno se devia também à concentração defensiva dos benfiquistas.
Com meia hora para jogar, Domingos arriscou tudo metendo Hélder Barbosa e Keita. Fez o que tinha a fazer - Hélder Barbosa é um jogador irreverente que gosta de ter a bola no pé e não se impressiona com ambientes desfavoráveis -, mas o Benfica estava muito cómodo com a sua nova maneira de jogar e acabou por marcar o segundo mesmo a acabar.
Uma palavra de apreço para o jovem Guilherme, que joga no satélite Vizela. Não é fácil, aos 19 anos, estrear-se a jogar no Estádio da Luz, ainda por cima numa posição que não é a dele de raiz.

5 - Pressão para dois

Este era um jogo que valia bem mais que uma simples eliminatória de Taça, pois desde o sorteio que se sabia que um de dois possíveis candidatos a ganhar a prova ficaria pelo caminho. Desde que o sorteio os juntou, aconteceram muitas coisas de ambos os lados. A pressão sentia-se antes do jogo, até nas declarações dos treinadores, ambos muito cautelosos, tal como depois a montar as respectivas equipas. O Benfica saiu de um péssimo resultado na Liga dos Campeões e, por cá, as coisas também não têm corrido pelo melhor. A pressão que está a ser exercida sobre o treinador também mexe com a equipa, é impossível os jogadores passarem ao lado. Cria-se grande ansiedade.
Do lado do Braga, a Liga dos Campeões tem servido para minimizar alguns resultados menos conseguidos internamente, mas uma equipa que ficou no segundo lugar na época passada criou expectativas grandes que está com dificuldades em cumprir. Para além disso, discutir uma eliminatória na Luz nunca é fácil.

sábado, 11 de dezembro de 2010

JVP


Benfica-Schalke

1 - Benfica chega onde queria, mas o que tinha a fazer não fez

Nesta crónica, vou tentar não repetir o que escrevi na do último jogo do Benfica. Ou seja, não vou falar de alma nem da falta dela ou do espírito de grupo que também desapareceu. Tentarei concentrar-me num jogo em que o Benfica deitou tudo a perder por culpa própria e acaba por cumprir o objectivo de transitar para a Liga Europa por oferta de terceiros. Porque aquilo que tinha a fazer… não fez. E percebeu-se cedo que ia ser muito complicado bater o Schalke, pois mesmo durante aqueles primeiros dez minutos em que as equipas se estudaram, o Benfica queria ter a bola, e os alemães consentiam-no, mas posicionavam-se no campo de uma forma compacta e jogavam concentrados. A forma lenta e pouco dinâmica como a equipa portuguesa circulava a bola servia a estratégia do adversário, que exercia pressão para ganhar a bola e não apenas para marcar posição. O Schalke teve sempre a tranquilidade e a frieza de esperar pelo erro do Benfica, enquanto o Benfica nunca foi capaz de provocar o erro no Schalke. E na maior parte das ocasiões em que os alemães saíram para o contra-ataque apanharam o Benfica desorganizado. Aliás, isso tem-se visto muitas vezes ao longo desta época.

2 - Schalke cínico e inteligente

A forma lenta como o Benfica circula a bola torna impossível a criação de desequilíbrios e torna as dificuldades cada vez maiores para uma equipa triste, intranquila e sem a determinação necessárias para jogos deste calibre. O Schalke percebeu que teria sucesso se apertasse um bocado com o Benfica e tratou de o fazer saindo rápido para o contra-ataque e provocando erros defensivos. Então depois de marcar é que o visitante, que se tinha posicionado em campo de forma inteligente, se tornou ainda mais cínico na sua forma de jogar, fazendo com que o Benfica, que chegou a ter a ilusão de mandar no jogo, só fizesse um remate que acertou na baliza aos 65 minutos.

3 - Aimar e Gaitán mudam o jogo

Tranquilo, o Schalke continuou a controlar o jogo na segunda parte e até dispôs de um boa oportunidade para marcar antes de chegar ao 0-2, mesmo tendo o Benfica melhorado a sua dinâmica com a entrada de Aimar e Gaitán, apesar de a equipa só ter acordado a sério depois do tal lance de Javi García aos 65'. A partir daí, o Benfica conseguiu ficar por cima, aumentou o ritmo, mas tinha de correr atrás do prejuízo, e o Schalke é uma equipa adulta, que voltou a marcar quando o adversário se expunha e parecia ser capaz de chegar ao empate. E sofrer um golo daqueles não é próprio de uma equipa de alta competição, embora se veja com alguma frequência. Desde que o fora-de-jogo posicional acabou, e foi há bastante tempo, toda a gente sabe, ou devia saber, que depois de uma bola parada, quando a equipa sobe, tem de se olhar para a bola e para o adversário. Quem só olha para a bola sofre golos destes.

4 - Jesus também está intranquilo

Ao contrário do que acontecia na época passada, Jorge Jesus tem estado a mudar a equipa vezes de mais, transmitindo-lhe um sentimento de intranquilidade e correndo o risco de passar para fora a ideia de que também ele está intranquilo. Neste momento, há 4/5 posições fixas, as restantes têm-se alterado muito, com jogadores que mudam de lugar, como Coentrão ou Carlos Martins, outros que saem da equipa e depois regressam por opção, como tem acontecido com Gaitán, Salvio ou mesmo Saviola. Tantas mudanças provam que as coisas não estão bem e que a solução tarda. Quando as mudanças são determinadas por lesões ou castigos, pode-se lamentar e remendar, quando é por opção é diferente. Basta atentar no exemplo da época passada: a base era tão sólida que, pontualmente, qualquer um podia sair, mas o que entrava correspondia como se jogasse sempre. E não vale a pena falar de inexperiência: Maxi Pereira, Luisão e Coentrão estiveram no Mundial, David Luiz é jogador de selecção, Aimar e Saviola são internacionais A da Argentina, Carlos Martins tem estado em grande na Selecção Nacional, Cardozo na do Paraguai, Rúben Amorim também já esteve num Campeonato do Mundo…

5 - César Peixoto como Abel Xavier

Uma nota final para referir que é muito mau o que os adeptos do Benfica estão a fazer a César Peixoto. Faz-me lembrar um tempo em que aconteceu o mesmo a Abel Xavier - a bola ainda não chegou ao pé do jogador, e ele já está a ser assobiado. Isso não ajuda nada e não é uma situação fácil de enfrentar, mesmo que se trate de um jogador determinado e que acredite no seu valor. A envolvência é muito importante, e ser assobiado em casa pelos próprios adeptos é mau; o jogador passa a jogar para não errar e não ser assobiado. Com isso, deixa de arriscar, e o que define um jogador de uma equipa grande é exactamente ter qualidade e ser capaz de arriscar. A alternativa, nestes casos, é aparecer um lance milagroso que reverta a situação de uma vez, como aconteceu com Roberto. O César está a precisar de um grande golo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

JVP


Benfica-Olhanense

1 - A chama não foi imensa mas deu para ganhar

Do Benfica pode dizer-se que a chama não foi imensa, mas foi a suficiente para ganhar com justiça. A minha alusão à chama tem que ver com um facto que se tem notado repetidamente. Independentemente de tudo quanto se tem dito, o que tem faltado ao Benfica - obviamente que na minha óptica - é, precisamente, paixão. Eu sei, e toda a gente sabe, que a equipa não é a mesma, que os jogadores que entraram não estão ao nível dos que saíram, mas a comparação com a época passada é inevitável e percebe-se com clareza que a este Benfica falta alma, falta paixão. Isso nota-se até na forma meio tristonha como os golos são festejados.

2 - Paulo Sérgio e Jorge Gonçalves punham em causa domínio do Benfica

A primeira parte foi equilibrada, embora coubesse ao Benfica maior iniciativa e domínio, mas faltava-lhe ter mais bola, uma maior dinâmica ofensiva, para além de que eram notórios os desequilíbrios defensivos, que serviam, e de que maneira, a estratégia do Olhanense, que queria jogar em transições muito rápidas. O modo de jogar do Benfica acabava por servir os interesses de um adversário bem organizado que teve sempre Paulo Sérgio e Jorge Gonçalves apontados à baliza de Roberto. E não é fácil controlá-los, porque são dois jogadores muito rápidos mas experientes, que criaram várias situações de aperto para o Benfica.
Neste particular dos desequilíbrios, creio que a equipa foi de encontro ao que tenho vindo a afirmar da falta de paixão. Por exemplo, a inclusão de Rúben Amorim na esquerda do meio-campo do Benfica deveria servir para proteger as subidas de Fábio Coentrão, mas a falta de alma a que me refiro não o permitiu. Os sectores estiveram muito separados durante a maior parte do tempo e pouca gente se preocupava em recuperar quando a bola era perdida. Essa postura só serviu para facilitar a estratégia do Olhanense, que apesar de jogar com o bloco baixo saía para o ataque com três e quatro jogadores sem que o Benfica tivesse igual número de elementos a correr para o evitar.

3 - Faltam espaços e inspiração

Por mérito próprio, o Olhanense não dava ao Benfica os espaços de que precisava para criar situações de golo. Obrigava Aimar a recuar muito para organizar o jogo e retirava espaço de manobra a Saviola para criar os desequilíbrios que sempre procura quando tenta jogar entre linhas. Refiro-me especificamente a esses dois jogadores porque Rúben Amorim e Gaitán não conseguiam criar desequilíbrios, o primeiro porque não tem essas características e o segundo por estar desinspirado. Excepção feita aos remates de Cardozo, o Benfica não conquistava espaço devido à lenta circulação de bola que estava a fazer. Para acalmar o grupo e a plateia, valeu um golo feliz no aproveitamento de uma bola parada, com a sorte suplementar de acontecer perto do intervalo. Acabou por ser um golo importante, até porque nessa altura a vantagem do Benfica em termos de jogo era muito pequena e Carlos Fernandes também podia ter feito golo para o Olhanense.

4 - Golo anulado ao Olhanense mostra apatia do Benfica

A segunda parte teve 10 minutos iguais aos 45 da primeira, com o Olhanense a tentar subir no terreno e bem cedo teve um golo anulado. Mesmo não querendo julgar o lance, foi uma situação que mostrou bem a apatia que estava instalada no Benfica. O lance parece ter espicaçado os da casa, que a partir daí, mesmo sem jogarem um futebol atractivo, passaram a controlar os movimentos do adversário de uma forma mais segura. No ataque, o Benfica passou a criar situações de embaraço para Moretto de cada vez que acelerava, apesar de ter jogado no risco durante tempo de mais, pois marcou o segundo aos 80' e até aí esteve sempre sujeito a que um erro ou lance de inspiração do Olhanense pusesse a vitória em causa. E pela forma do jogar da equipa algarvia, esse perigo era mesmo real.

5 - Luisão e Roberto foram os melhores

Embora não tenha havido grandes destaques individuais - ou se calhar por causa disso mesmo -, no Benfica vou escolher Luisão e Roberto como os melhores. Tratou-se de um jogo ingrato para ambos, porque o Benfica teve momentos de mais em que se desequilibrou e tiveram de ser eles a resolver os problemas. Luisão adoptou um sistema de não facilitismo e chutar para a frente pode não ser bonito mas há alturas em que dá muito jeito. É um líder nas jogadas aéreas e deixou-se de algumas invenções que lhe vimos nos primeiros anos de Benfica. Roberto, sempre que chamado a intervir, esteve bem. Do lado do Olhanense destaco o trabalho de Paulo Sérgio, um jogador irreverente, activo, que procura ter a bola e, com ela, foi sempre incómodo para o Benfica.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

JVP


Beira-Mar-Benfica

1 - Diferença já está num dígito

O Benfica deu resposta positiva a um teste que, atendendo aos últimos dias, tinha de ser considerado muito importante. Num bom jogo, em que há a salientar a boa atitude competitiva de ambas as equipas, o Benfica foi melhor, ganhou, o que para a equipa era fundamental, e reagiu bem à estranha derrota com o Hapoel. O grupo mostrou outra disponibilidade, melhor dinâmica, impôs velocidade à partida e, com isso, foi capaz de ficar por cima durante a maior parte do tempo. Aliás, mesmo tendo marcado a fechar a primeira parte, antes disso tinha desperdiçado várias oportunidades de golo. A vitória também foi importante para o Benfica do ponto de vista da esperança, porque a desvantagem para o primeiro classificado deixar de ser de dois dígitos e passou a ser de apenas um. De qualquer forma, frente a este FC Porto que ainda não perdeu, oito pontos continua a ser muito ponto.
Para o bom espectáculo contribuiu o Beira-Mar, que mostrou por que está bem posicionado na tabela classificativa, jogou sempre um futebol positivo, ainda que na primeira parte tenha sentido bastantes dificuldades para jogar o seu futebol, devido à forte pressão exercida pelo Benfica, daí ter tido em Hugo o seu melhor elemento desse período. Mesmo assim, vê-se que é uma equipa que gosta de ter a bola.

2 - Havendo Cardozo, há mais Saviola

A presença de Cardozo em campo muda por completo a face do Benfica. Sendo um jogador posicional, que ocupa o seu espaço na área, liberta Saviola para percorrer outros terrenos e permite ao argentino ter maior mobilidade do que quando joga com Kardec, pois o brasileiro, sendo bastante mais móvel do que Cardozo, tapa muitas vezes os caminhos a Saviola. Há um bom entendimento entre ambos e o golo de Saviola, a passe de Cardozo, é apenas um exemplo disso. Ontem, viu-se Saviola com mais espaço para percorrer e o Benfica com uma referência constante na área, pois Cardozo não é só importante nas bolas paradas.

3 - Melhoria nas bolas paradas, mas só no ataque

Para além de recuperar a dupla atacante de sucesso, o Benfica mostrou em Aveiro qualidades que se lhe reconheciam mas que nos últimos tempos andavam desaparecidas. Por exemplo, notou-se uma atitude mais agressiva nas bolas paradas, mas só nas ofensivas, porque nas defensivas continua a ver-se momentos de desconcentração altamente comprometedores. Mas o Benfica foi feliz no minuto em que marcou o primeiro golo - última da primeira parte - e pôde ir para o intervalo tranquilo. Um golo dá sempre serenidade.

4 - Podia ter caído para qualquer lado

A segunda parte teve um quarto de hora superinteressante, em que o jogo se tornou aberto e ambas as equipas tiveram grandes oportunidades de marcar. O Benfica fez o 2-0 mas também podia ter caído para o outro lado, pois o Beira-Mar estava à beira do empate. Esses momentos em que os jogos se partem e há duas equipas à procura do golo em toada de parada e resposta são bonitos e interessantes para quem assiste à partida, mas não creio que seja a melhor maneira para uma equipa com as ambições do Benfica gerir uma vantagem. A sentença acabou por surgir num grande golo de Cardozo, porque a partir daí o jogo tornou-se mais fácil de gerir, porque depois apareceu o terceiro golo.
Ainda que tenha de falar em mérito do Beira-Mar, equipa que assume o jogo com desinibição, foi devido a desconcentrações defensivas do Benfica que continuou a haver motivos de interesse e que depois do golo da equipa da casa poderia ter surgido o segundo, o que teria devolvido à partida momentos de incerteza. Tal como tinha acontecido frente ao Lyon, o Benfica cometeu a leviandade de considerar que o resultado estava feito quando ainda havia muito tempo para jogar.

5 - Hugo, Ronny e ataque do Benfica em destaque

Os destaques da partida vão para a dupla atacante do Benfica, sendo de salientar que Cardozo apareceu muito bem depois de uma paragem bastante prolongada devido a lesão e já referi como tudo muda com a presença do paraguaio em campo. Bastou a presença dele para Saviola despertar e voltar a ser influente.
No Beira-Mar, Hugo esteve em grande, principalmente na primeira parte, em que foi tudo dele, tendo adiado várias vezes o primeiro golo benfiquista. Também Ronny esteve em evidência. É um jogador irreverente e não tem medo de ter a bola. Apareceu mais do que uma vez solto nas costas da defesa do Benfica.

sábado, 27 de novembro de 2010

JVP


Hapoel-Benfica

1 - Perder um jogo que era fácil de ganhar

O Benfica perdeu por culpa própria um jogo que deveria ter ganho com alguma facilidade. O que aconteceu foi incrível. É difícil de entender, e mais ainda de explicar, como é que uma equipa, mesmo jogando sem grande intensidade, consegue um ascendente claro, cria várias oportunidades de golo, não marca e depois sofre dois golos de bola parada, um deles de canto, quando um canto, para o Benfica da época passada, nem sequer podia ser considerado uma jogada potencialmente perigosa. Este Benfica é uma equipa descrente, apática, que não me parece disposta a sofrer. Tomou conta do jogo, teve o domínio das operações e a seguir desorganizou-se em termos defensivos, deixou-se partir, permitiu que os jogadores estivessem distantes uns dos outros, com uma falta de concentração perfeitamente anormal. Dá ideia de que, de uns jogos para os outros, não aprende com os erros cometidos.

2 - Imagem desastrosa e Aimar a remar sozinho

O que se passa a nível de resultados começa a ser grave para a imagem internacional do Benfica. É que, para o exterior, não passa apenas uma derrota por 3-0 consentida perante um adversário fácil; passam todo o passado recente e uma imagem de insegurança e instabilidade. Os 5-0 do Dragão continuam vivos e, pelo jogo de ontem, percebe-se que a vitória por 4-0 frente à Naval em termos práticos não serviu de nada.
Olha-se para esta equipa e percebe-se que há muita desmotivação, e são vários os jogadores desmotivados. Ontem, a excepção foi Aimar, que se fartou de remar contra a maré, mas esteve sozinho. Foi o único que se notou que queria mesmo ganhar.
Foram muitos os problemas no último terço do campo, e o Hapoel, mesmo pondo muita gente atrás da linha da bola, era pouco agressivo e defendia mal. Mesmo assim, na segunda parte bastou-lhe fazer uma transição bem feita e aproveitar duas bolas paradas para humilhar o Benfica.

3 - Surpreendeu-me ver Carlos Martins no banco

Surpreendeu-me que Carlos Martins tivesse ficado no banco. Do meu ponto de vista, ele dá mais consistência à equipa tanto em termos defensivos - mesmo que não seja perfeito - como em termos ofensivos. É também um jogador que pode fazer a diferença nas bolas paradas, nos remates de meia distância ou mesmo nos passes de risco. Um meio-campo com Salvio e Gaitán não me parece que possa ser consistente. Carlos Martins dá mais garantias do que qualquer um dos outros e tem estado moralizado, até com a Selecção Nacional.
Qualquer que seja o ângulo de abordagem deste jogo, tem de ficar claro que, pelo número de oportunidades criado, o Benfica deveria ter vencido com tranquilidade.

4 - É tempo de deixar de falar de Ramires e Di María

Nesta altura, já não se pode continuar a atribuir a má época à saída de Ramires e Di María. Parece-me que a equipa está a passar por uma crise mental; a capacidade de reacção a uma contrariedade é praticamente inexistente. Insisto na ideia que me parece mais chocante: a equipa não está disposta a sofrer. Porque embora esta equipa não seja tão boa como a da época passada, vale muito mais do que aquilo que tem feito. Falta eficácia, falta definição no último terço, a organização desfaz-se, não tem conta o número de cantos desperdiçados por uma equipa que na época passada dominava completamente este aspecto tanto na componente ofensiva como defensiva. Continuar a falar dos jogadores que saíram, mesmo tendo eles sido importantíssimos, é querer passar ao lado dos problemas.
Ontem tinha bastado pressionar o Hapoel à saída da sua área. Das poucas vezes que o fez, o Benfica ganhou a bola e criou perigo. Devia ter sido fácil.

5 - Mercado não é única solução

Principalmente desde a derrota no Dragão que se tem falado muito de mercado, e acredito que os rumores vão aumentar a partir deste desastre. Sinceramente não me parece que a solução para os problemas do Benfica passe apenas por idas ao mercado. Quando a crise é psicológica, não é a chegada de novos jogadores que vai mudar o cenário. É óbvio que a chegada de bons jogadores pode ajudar, mas para resultar é preciso que treinador tenha conseguido recuperar o grupo em termos psicológicos. Nesta altura, o problema motivacional é o mais importante de todos. As quebras de concentração e a incapacidade para reagir às contrariedades são prova disso mesmo.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

JVP


Benfica-Naval

1 - Castigo pesado para uma Naval que foi exemplo de coragem

Num jogo agradável de seguir, especialmente na primeira parte, muito aberto e de parada e resposta, a vitória foi justa, mas os números pesados. Ambas as equipas tiveram atitudes muito positivas perante o jogo, especialmente a da Naval. Na Luz, jogou o jogo pelo jogo e rematou várias vezes, o que demonstra coragem. Pecou na eficácia, por isso tem a lamentar o resultado. Por aquilo que aconteceu na primeira parte, o empate seria justo ao intervalo. Mas insisto no elogio à atitude da Naval: o último classificado, na Luz, costuma jogar para não perder, pelo pontinho, não sendo nada habitual que atire bolas ao poste ou obrigue o guarda-redes encarnado a brilhar.
A Naval conseguiu dividir a partida, porque o Benfica o permitiu. Até ao primeiro golo, os navalistas estavam por cima, mais ofensivos, e tinham mais remates. Isto porque a equipa da casa deu espaços, não pressionou e mostrou-se vulnerável à dinâmica do adversário, que tem avançados possantes e rápidos como Fábio Júnior e Carlitos.

2 - Entrada do Benfica não foi a de quem tinha levado cinco

O Benfica entrou no jogo de uma forma muito estranha. Depois da pesada derrota no Dragão e da semana complicada que se lhe seguiu, culminada com a pressão exercida pelos adeptos, o que seria de esperar era uma entrada em campo mais forte, a atacar desde o início. Podia até nem fazer uma entrada de qualidade, mas exigia-se que tivesse outra agressividade e outra entrega. Mas mesmo depois do primeiro golo, em pouco tempo a Naval conseguiu recuperar o ânimo e voltar a dividir o jogo. E as mudanças no onze do Benfica não servem de desculpa, porque não foram ditadas por opção. Os que ficaram de fora, foi por castigo ou lesão, a equipa que jogou era a que se previa que jogasse.

3 - Guarda-redes, Salvio e Aimar em destaque

Num jogo em que é justo elogiar os dois guarda-redes - Salin teve azar no último golo, mas fez uma boa exibição, tal como Roberto -, o resultado não traduz as dificuldades que o Benfica sentiu. O jogo podia ter-se complicado para os da casa na primeira parte, mas o segundo golo, logo a abrir a segunda parte, foi o momento do jogo. A Naval não conseguiu ser a mesma equipa, e o Benfica controlou, impôs mais velocidade, aumentou a dinâmica colectiva e não se desequilibrou.
Para além dos guarda-redes, gostei de Salvio e Aimar, este com bons entendimentos com Saviola. Embora, Gaitán tenha marcado dois golos, Salvio e Aimar foram os que mexeram na dinâmica da equipa.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

JVP


FC Porto-Benfica

1 - Opções de Jesus resultaram duplamente mal

A vitória do FC Porto começa por explicar-se através das opções de Jorge Jesus para o onze inicial. A sua intenção ao colocar David Luiz no lado esquerdo da defesa e Salvio no meio-campo era tornar a equipa mais compacta em termos defensivos. Em teoria, David Luiz iria fortalecer o lado esquerdo e, juntamente com Coentrão, travar Hulk; Salvio ajudaria a ganhar o meio-campo que passaria, na prática, a ter quatro homens. Percebo o pensamento do treinador do Benfica, mas a equipa não respondeu ao que ele pretendia e acabou por ver-se duplamente prejudicada: por um lado, porque David Luiz não tem rotinas de lateral-esquerdo, perdendo-se na posição, e com os desequilíbrios do FC Porto a surgirem por esse lado; por outro lado, a equipa não criou perigo, pois faltou-lhe a dinâmica que normalmente surge por via do entendimento entre Aimar e Saviola. Só que este último não estava em campo!

2 - O mérito do FC Porto e a potência de Hulk

Há, naturalmente, muito mérito do FC Porto - que inicialmente fez um jogo muito inteligente, pensado, gradualmente intensificando a pressão sobre o Benfica quando não tinha a posse de bola. O FC Porto percebeu os problemas que o Benfica ainda não conseguiu resolver do lado esquerdo, em que das duas posições só uma oferece garantias, que é aquela onde jogar Coentrão. A fragilidade nesse flanco é visível pelas constantes alterações de jogadores - ora entra César Peixoto, ora Gaitán, que dá boa dinâmica atacante mas não defende. Além disso, a equipa portista tem, do meio-campo para diante, jogadores que circulam bem a bola, que criam uma boa dinâmica e no ataque tem elementos que desequilibram. E, neste momento, é muito difícil segurar Hulk, em especial quando lhe pertence a iniciativa da jogada. A partir do momento em que se vira de frente para o adversário, fruto do seu poder de arranque, ganha-lhe logo dois metros. E a isto junta-se velocidade e potência de remate.

3 - O Incrível definiu o encontro

A história do encontro não é difícil de contar. Nos primeiros dez minutos, as equipas estudavam-se, procuravam manter a organização defensiva mas também responder aos ataques uma da outra. Até que surge o momento que marca o jogo: Hulk desequilibra e define o que se passaria daí para a frente. Embora David Luiz pudesse fazer um pouco mais, é muito difícil travar este Hulk. Seja David Luiz ou qualquer outro defesa!

4 - Um grande golo de Falcao

Falcao fez um grande golo e de execução muito difícil. Uma coisa é a bola vir a rolar rente à relva, em que basta um pequeno toque para a desviar. Aqui tratou-se de um lance muito mais difícil, pois a bola vem pelo ar e o avançado colombiano é obrigado a imprimir-lhe mais força para ela entrar. A beleza do golo começou, no entanto, na forma como ganhou o espaço e depois pela rapidez com que pensou e executou.

5 - Eficácia portista e incapacidade encarnada

Sublinho a tremenda eficácia demonstrada pelo FC Porto. Fez três golos nos primeiros três ataques perigosos que efectuou e conseguiu sempre alargar e aprofundar melhor o seu jogo. O Benfica não teve essa capacidade nem conseguiu arranjar argumentos para responder. Aliás a sua grande oportunidade foi apenas na segunda parte, quando após um canto Luisão amorteceu para um remate de David Luiz, a que Helton correspondeu bem. O Benfica não conseguiu reagir aos golos sofridos e se as coisas já estavam complicadas ainda mais ficaram com a expulsão de Luisão. É uma daquelas coisas que não deveria acontecer mas que reflectem a situação do Benfica, com os jogadores a sentirem que a equipa não está a reagir - e logo num clássico - e a verem aumentar a diferença pontual para o rival.

6 - FC Porto superior

Assim como na época passada se reconhecia que o Benfica estava a ser superior, agora deve fazer-se o mesmo em relação ao FC Porto. E não é só Hulk que merece ser destacado, ainda que o seu momento actual de forma possa roubar protagonismo a Varela, Falcao, Belluschi ou Moutinho. A entrada deste último no meio-campo foi, de resto, fundamental, pois ao ser muito disciplinado tacticamente permitiu que Belluschi se libertasse e passasse a fazer desequilíbrios à semelhança de Lucho González e a aparecer nas costas dos avançados. Os jogadores que entram estão confiantes porque a equipa está bem. Exemplos disso são Guarín (nem se notou a ausência de Fernando) e Rúben Micael, que substituiu Belluschi. Este estado de espírito permite motivar tanto os titulares como aqueles que jogam menos. E tudo isto sem a pressão pontual, pois o adversário mais próximo está já a dez pontos

7 - Bem encaminhado para o título

Embora se pense nisso, não se deve dizer já que a época está resolvida. Mas é inegável que o FC Porto está muito bem encaminhado rumo ao título, apesar de ainda só terem sido disputadas dez jornadas, isto é, o primeiro terço do campeonato. Digo isto não só pela diferença pontual mas sobretudo pela forma como a equipa está a jogar. Isto é semelhante ao que sucedeu com o Benfica na época passada. A grande diferença é não ter um rival à altura como o Benfica teve no Braga na última temporada, o que permite ao FC Porto respirar ainda melhor.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

JVP


Benfica-Lyon

1 - Da vitória fantástica à vitória apenas importante

O Benfica conseguiu uma vitória importantíssima na Liga dos Campeões, mas acabou por manchar, num quarto de hora, 75 minutos de futebol soberbo. Só que aquele que poderia ter sido um triunfo moralizador até para a visita ao Dragão, acabou por se transformar apenas em três pontos decisivos na Champions, tendo ficado de positivo o facto de o Benfica ter deixado de depender de terceiros. Agora não tem nada de que se queixar. Ganhar 4-3 depois de ter chegado a 4-0, foi um castigo pesado, mas também uma lição para o futuro, mesmo que se admita que os níveis de concentração possam baixar depois de se atingir uma vantagem tão confortável.

2 - Benfica e Lyon trocaram de táctica após o 1-0

O Benfica fez uma primeira parte fantástica, por vários motivos: pela coragem demonstrada ao assumir o jogo; pela inteligência evidenciada ao mudar de estratégia depois do primeiro golo; pela maturidade demonstrada ao manter a organização defensiva, sem dar espaços e aproveitando os oferecidos pelo Lyon.
A equipa francesa apresentou-se na Luz tranquila, porque tinha ganho os três jogos anteriores e podia apostar em defender bem e jogar no erro do Benfica, um pouco à semelhança do que fizera no jogo em casa. Mesmo assim, o Benfica não teve receio de assumir a procura do golo. E foi na obtenção desse primeiro tento que aconteceu, a meu ver, o momento do jogo. Porque a partir daí as estratégias ficaram trocadas. O Lyon sentiu-se desconfortável com o golo sofrido, quis subir no terreno e deu espaços, o que permitiu ao Benfica passar a utilizar o esquema de que tanto gosta e que tinha sido usado pelo adversário enquanto esteve 0-0: boa organização defensiva e transições rápidas, que ainda por cima foram feitas com grande objectividade e eficácia. O segundo golo foi disso um bom exemplo.

3 - O recuperar das bolas paradas

Para além das qualidades já referidas - e não é demais insistir na profundidade e velocidade utilizadas no aproveitamento dos espaços -, o Benfica parece querer recuperar aquele que era um dos seus trunfos da época passada: o aproveitamento das bolas paradas.
A primeira metade foi coroada ainda com o terceiro golo, o que dá uma margem de conforto importante a qualquer equipa. Daí que se perceba a desaceleração da segunda parte. O Benfica procurou gerir, manter a organização e ir deixando o tempo passar, mas sem nunca deixar de ter lances de profundidade, porque um jogador como Coentrão não deixa nunca que um jogo morra. Apesar disso a tendência era para afrouxar.

4 - O mal esteve no 4-0

Como o Lyon continuou a cometer erros, o Benfica fez o 4-0. E aqui vou realçar a intervenção de Maxi Pereira no lance, porque na memória da maioria vai ficar apenas o grande passe de Carlos Martins e a também fantástica finalização de Coentrão, mas antes disso foi preciso ganhar a bola, meter a cabeça onde o adversário tinha o pé. Maxi teve a coragem e deixou para Martins e Coentrão a qualidade e a beleza.
Só que esse bonito quarto golo acabaria por marcar negativamente a partida, porque a seguir a equipa teve uma quebra de concentração que resultou num quarto de hora que manchou aquele que deveria ter sido um grande triunfo, a coroar uma grande exibição. O Benfica não merecia um castigo tão grande, mas depois de estar a vencer por 4-0 a desconcentração é condenável mas… normal. A equipa descomprime, desacelera e basta um golo para moralizar um adversário tão experiente como o Lyon. Serve de lição para o futuro.

5 - Acordar os fantasmas

Esquecendo o quarto de hora final, no plano individual destaco a segurança e a entrega de Luisão, a qualidade de Carlos Martins, que fez quatro assistências para quatro golos, e todo o trabalho e o pulmão de Coentrão, para além dos dois golos que marcou.
Creio que as substituições que se seguiram ao 4-0 - saíram Saviola, Kardec e Carlos Martins - tiveram por objectivo poupar os jogadores para o importante jogo de domingo, com o FC Porto. E creio ter-se tratado de uma decisão acertada. Não foi por causa das alterações que a equipa se desorganizou, mas não se pode facilitar. Apesar de os três pontos nunca terem estado em causa, os três golos sofridos dão uma má imagem e até houve tempo para Roberto acordar os fantasmas.~

6 - Ala esquerda para o Dragão

Depois do jogo de ontem, não creio que a equipa a apresentar por Jorge Jesus no Dragão seja muito diferente. Se Aimar estiver em condições, deverá sair Salvio e Carlos Martins jogar na direita, mas pode abrir-se uma discussão sobre a ala esquerda. Frente ao Lyon, Coentrão e César Peixoto alternaram a posição de lateral com a de médio-ala. Quando subia um ficava o outro e fizeram-no bem, porque ambos têm rotina das duas posições. Como no domingo pela frente vai aparecer Hulk, acredito que Jesus aposte nesta dupla, com Peixoto à frente de Coentrão. Gaitán até pode ser mais criativo, mas dá menos garantias a defender.

domingo, 31 de outubro de 2010

JVP


Benfica-P. Ferreira

1 - Benfica tem qualidade mas falta-lhe paixão

Foi uma vitória justa do Benfica, que continua com qualidade mas sem a mesma paixão que mostrava na época passada. Digo isto porque permite que os adversários joguem mais, além de não ser tão pressionante, sólido e dinâmico como foi. Mesmo assim, conseguiu ter momentos de grande qualidade, sobretudo quando a bola passou pelos pés de Coentrão e Aimar, como foi o caso do primeiro golo. Mas aquele Benfica que marcava e ia à procura do golo seguinte não se vê neste. Agora vê-se um Benfica a marcar e preocupado com o resultado.

2 - Lance de grande nível de Aimar

Nos primeiros dez minutos viu-se um Benfica com mais iniciativa - como seria de esperar -, embora a jogar de forma lenta, e um Paços de Ferreira com linhas muito recuadas e juntas, para encurtar os espaços, e a sair rapidamente para o contra-ataque, sempre à espera de um erro do adversário. Foi isso que sucedeu aos dez minutos, quando Rondon obrigou Roberto a uma defesa boa mas complicada. Como a dinâmica do Benfica não era a melhor, porque não impunha velocidade no jogo, teve de ser um lance individual e de grande nível de Aimar a dar um safanão no encontro e a fazer o primeiro golo.

3 - Boa solução táctica: a movimentação de Coentrão e Gaitán

Saliento um aspecto táctico do Benfica que se notou sobretudo na primeira parte: Coentrão e Gaitán abrem nas alas para alargar o jogo do Benfica mas depois vão para dentro para receberem a bola. Eles fazem esse movimento para serem uma alternativa a Aimar sempre que o argentino, na sua movimentação entre linhas, não consegue libertar-se. É uma boa solução porque cria a dúvida na equipa que defende: é que se o médio que se encarrega da marcação acompanhar Coentrão ou Gaitán está a abrir espaço para a subida do lateral do Benfica; se não acompanhar, um dos dois fica solto para receber a bola!

4 - Súbita apatia benfiquista e Paços a tentar o empate

O Paços acusou o golo e não reagiu de imediato, aproveitando o Benfica para se galvanizar e criar várias situações de golo entre os 20 e os 24 minutos. A partir dos 28', porém, o Paços começou a chegar à área contrária e com perigo, aproveitando uma súbita apatia dos donos da casa, que baixaram o ritmo e concederam mais espaços. De tal maneira que a primeira parte terminou com os pacenses a tentarem o golo do empate.

5 - Rondon inconformado mas penálti matou o jogo

A segunda parte começou como tinha terminado a primeira, com um ritmo lento. O Benfica tentava gerir o jogo mas a falta de agressividade e, por vezes, algum desleixo permitiam ao Paços subir mais no terreno e aproximar-se da sua área com perigo. Embora os visitantes não tivessem tido uma grande oportunidade de golo, o resultado (1-0) era perigoso. Aos 52 minutos, Rondon - o jogador dos pacenses mais perigoso e mais inconformado com o resultado - voltou a pôr à prova Roberto, com quem travou um interessante duelo e que esteve muito bem neste jogo. O penálti convertido por Kardec, no entanto, matou o jogo e, embora o Paços ainda tivesse tentado reagir, o Benfica já geria melhor os acontecimentos. A expulsão de Baiano contribuiu para fazê-lo com maior segurança.

6 - Ausência de Carlos Martins rouba dinâmica

Em jeito de conclusão, sublinho que a vitória do Benfica foi justa ainda que conseguida à custa de serviços mínimos. E a ausência de Carlos Martins ajudou a que assim fosse - trata-se de um jogador criativo e que remata bastantes vezes. Não sendo rápido, procura provocar desequilíbrios através dos seus passes rasgados e da circulação de bola. Na minha opinião, o Benfica é mais dinâmico quando Coentrão joga a lateral e Gaitán a médio esquerdo, com Carlos Martins no lado oposto do meio-campo. Na falta deste, sobrou para Coentrão e Aimar a missão de criar desequilíbrio

7 - Este resultado não passa ao lado do FC Porto

Acredito que este resultado do Benfica não passa ao lado do FC Porto que, se perder pontos, vê reduzir-se a vantagem e aumentar a pressão para o mano-a-mano entre ambos. Embora o FC Porto esteja num bom momento, com jogadores em boa forma e confiantes, não me parece que fiquem indiferentes a esta vitória benfiquista. Ainda estamos no primeiro terço do campeonato e nesta fase é preciso ter sempre um olho no burro e outro no cigano! André Villas-Boas, de resto, jogou pelo seguro ao alertar jogadores e adeptos - com a confiança em alta - que falta ainda muito por jogar e ainda nada está ganho. Aliás, à semelhança do que fez o Benfica na última época, quando viu necessidade de esfriar a euforia das pessoas e lembrar-lhes que poderia haver jogos menos bons. É que por vezes basta um ou dois resultados menos conseguidos para fazer baixar os índices de confiança de tal forma que passa a reinar a desconfiança.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

JVP


Portimonense-Benfica

1 - Portimonense entrou melhor

Tanto o Benfica como o Sporting protagonizaram exibições pouco interessantes, com ambos os jogos a valerem pelo resultado. No Algarve, curiosamente, até foi o Portimonense que começou melhor e deu a sensação de querer discutir o jogo, mas o remate de David Luiz, aos sete minutos, assinalou o momento em que o Benfica começou a tomar conta do encontro. Aliás, tanto na primeira como na segunda parte, os primeiros 5/10 minutos foram os melhores períodos do Portimonense que, sobretudo através de Candeias, parecia querer fazer alguma coisa.

2 - Golo e pouco mais

Aos poucos, o Benfica começou a pegar no jogo, a rematar mais e a aproximar-se mais da baliza contrária mas não teve a dinâmica habitual, também porque se apercebeu da impotência do Portimonense para fazer mais. Porém, apresentou-se forte naquela que é uma das suas armas, as bolas paradas e foi assim que surgiu o único golo. O jogo do Benfica foi mais conseguido na primeira do que na segunda parte e após o golo limitou-se a gerir o resultado. Daí em diante só criou um momento de verdadeiro perigo, através de Kardec, primeiro, e Jara, na recarga.

3 - Benfica jogou apenas q.b.

A falta de dinâmica benfiquista tem muito a ver com a ausência de Coentrão, que mexe com o jogo do Benfica e o acelera, como fazia Di María, embora de forma diferente. Carlos Martins, Aimar, Saviola (tal como Gaitán e o próprio Kardec) também dão dinâmica mas tratando-se de jogadores experientes também sabem quando um encontro está controlado e daí que tenham jogado apenas o suficiente para ganhar, tal como toda a equipa.

4 - Mobilidade de Kardec e sentido de golo de Cardozo

Durante a semana Jorge Jesus fez comparações entre Cardozo e Kardec. É verdade que este último se movimentou mais, dando mais trabalho aos defesas adversários, mas o Cardozo tem um sentido de golo que faz com que muitas vezes dê a sensação de estar alheado de um jogo e de repente marca um ou dois golos. Se não tivesse Aimar, Saviola e Carlos Martins, o Benfica precisaria mais de Kardec mas com este trio, que como disse anteriormente também é responsável pela dinâmica da equipa, não é necessário um ponta-de-lança tão móvel.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

JVP


Lyon-Benfica

1- É preciso ter muitas cautelas e aproveitar meia oportunidade

O Benfica é uma boa equipa e muito vocacionada para atacar, mas os seus responsáveis não se podem esquecer que nesta competição há equipas muito fortes, com grandes jogadores e mais experiência nestas andanças. Quando nos referimos ao Lyon estamos a falar de um dos semifinalistas da Liga dos Campeões da época passada, que entre outros eliminou o Real Madrid. Frente a adversários deste valor é preciso ter mais cautelas defensivas, segurando e estabilizando o jogo e só depois usar as muitas qualidades ofensivas que a equipa é capaz de desenvolver, além de que neste tipo de jogos é preciso ser eficaz quer no último passe quer no reduzido número de oportunidades que esta prova permite. É necessário ser capaz de aproveitar meia oportunidade e fazer golo.

2 - Há zonas do campo onde não se pode perder a bola

O jogo começou com um ritmo forte. Desde cedo deu para perceber que ambas as equipas estavam dispostas a jogar de olhos nos olhos, e aqui o Lyon levava alguma vantagem, porque se apresentou mais bem organizado em termos defensivos. Quando defendia concentrava um elevado número de jogadores atrás da linha da bola, esperando pelo erro do Benfica. Como esses erros se sucederam no meio-campo, o Lyon criou uma série de lances de perigo, porque é muito rápido nas transições. Nos primeiros três minutos, o Benfica apanhou dois sustos devido a passes laterais de Maxi Pereira e Javi García que o Lyon interceptou. Pouco depois foi David Luiz a perder uma bola em zona perigosa, para culminar com uma perda de Carlos Martins também em zona proibida que deu golo à equipa da casa. E o Carlos Martins até esteve bem, tirando esse lance… Mas há zonas do campo em que toda a gente sabe que não se pode perder a bola, sobretudo estando a defrontar um adversário experiente e que se sabe de antemão que é perigoso.

3 - Benfica pôs-se a jeito

O Benfica foi atrevido, jogou para marcar, principalmente na primeira parte, mas quando perdia a bola não conseguia acompanhar defensivamente a velocidade que o Lyon imprimia ao contra-ataque. As acelerações feitas nas transições causam sempre embaraços à defesa benfiquista.
A equipa da Luz conseguia levar a bola até a entrada da área do adversário, mas no último terço a definição do último passe nunca foi boa. E o problema é que mesmo quando o Benfica equilibrava o jogo, percebia-se que o Lyon estava mais perto de marcar. Fiquei com a sensação de que Carlos Martins e Gaitán entusiasmavam-se excessivamente e depois não conseguiam recuperar da mesma forma. Pode afirmar-se que apesar da excelente organização do Lyon e da boa estratégia que tinha para este jogo, o Benfica pôs-se a jeito. Apesar de ter demonstrado coragem, cometeu erros a mais, foi pouco cauteloso. E o adversário parecia estar mesmo à espera disso.

4 - Lyon muito forte

O Lyon mostrou ser uma equipa mais compacta e mais agressiva a defender, com um colectivo muito forte, tanto a defender como a atacar. Ali não houve estrelas, apenas um bloco unido. Daí que após a expulsão de Gaitán - no meu ponto de vista o momento do jogo - se tenha percebido que muito dificilmente o Benfica conseguiria chegar sequer ao empate. Se com 11 de cada lado estava a ser muito difícil parar os franceses, com 10 a missão tornava-se impossível. A entrada forte do Lyon na segunda parte, atacando o flanco esquerdo do Benfica, onde faltava Gaitán, acabou bem cedo com as ilusões. Jorge Jesus ainda meteu César Peixoto para reforçar a ala esquerda, mas o resultado já estava em 2-0 e pouco havia a fazer. É que o Lyon circulava a bola e imprimia um ritmo tal que cansava o Benfica. É muito difícil jogar com menos um.

5 - Roberto e Coentrão em destaque

O Lyon só desacelerou nos últimos 10 minutos, sabendo que tinha o jogo ganho. As entradas de Jara e Sálvio, a par das iniciativas de Coentrão - foi o melhor do Benfica, a par de Roberto, que parece ter afastado definitivamente os fantasmas -, permitiu ao Benfica estender-se um pouco mais no terreno, mas nessa altura já pouco havia a fazer. Antes da expulsão, sim, estou convencido de que o Benfica poderia ter discutido a partida.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

JVP


Benfica-Braga

1 - Intenso, táctico mas sem emoção

Intenso como se esperava, táctico como era previsível, foi pena que não tenhamos assistido a um jogo com o brilhantismo que as equipas poderiam dar noutra altura que não esta, em que a margem de erro destas duas candidatas ao título é reduzida. Percebeu-se cedo que era uma partida em que, para ambos, o importante era não errar e tentar ser eficaz nas poucas oportunidades que fossem criadas. Daí podermos afirmar que faltou emoção e golos; só houve um, mas foi bom.
O Benfica entrou melhor, fez 15 minutos bons em que foi mais pressionante, consigo estar por cima do jogo, mas sem criar oportunidades. Nesse período, o Braga esteve mais preocupado com a organização defensiva, procurou jogar com 11 homens atrás da linha da bola, à procura de espaço para apostar em transições rápidas com a bola metida para as costas do defesa adversária, até porque a velocidade não é propriamente uma das características principais dos centrais do Benfica.

2 - Braga obriga Benfica a jogar pelo meio

O Braga modificou um pouco a sua forma habitual de jogar. Recuou as linhas de forma propositada e tratou de tapar as laterais. Creio que a preocupação do Domingos era obrigar o Benfica a jogar pelo meio, e conseguiu-o. Nesse pormenor de fechar as alas, há que destacar o trabalho de Salino, que normalmente joga pelo meio e ontem alinhou encostado à direita, conseguindo travar Coentrão e não deixando nunca de procurar atacar.
Gradualmente, o Braga foi subindo no terreno e conseguiu equilibrar o jogo, mas, tal como estava a acontecer com o Benfica, quando chegava ao último terço do terreno faltava-lhe qualquer coisa. Ora faltava serenidade na finalização, ora faltava concentração para a definição do último passe. A excepção foi o disparo de Elderson, obrigando Roberto a uma grande defesa.

3 - Uma só oportunidade mostra o que foi a primeira parte

Também do lado do Benfica se notava uma grande preocupação táctica, tendo a equipa conseguido apenas uma oportunidade de golo flagrante, numa jogada em que Hugo Viana, ao tentar adivinhar o lance, desequilibrou a defesa e permitiu a Aimar servir Saviola, tendo valido ao Braga a grande defesa de Felipe. Ora, o Benfica ter apenas uma oportunidade flagrante na primeira parte diz tudo sobre a forma cautelosa como estava a decorrer o jogo. É preciso acrescentar que, para além da preocupação do Braga em fechar as alas, o Benfica também terá aceitado a ideia de jogar pelo meio devido à falta de Cardozo. Kardec é um jogador diferente, mais móvel, mas que não exige tantas idas à linha.
Apesar do retraimento inicial, a primeira parte acabou com o Braga por cima e a criar duas ocasiões de perigo, o que reflecte existência de equilíbrio.

4 - Podia cair para qualquer lado

O Braga entrou com outra intenção para a segunda parte, equilibrou o jogo o tempo todo. A equipa percebeu que podia fazer mais, para além de que o recuo inicial também me pareceu estratégico. Era fácil perceber que Domingos pretendia aguentar o impacto inicial para depois meter em campo Paulo César e Matheus, dois avançados rápidos, como aconteceu. Aliás, quando Paulo César entrou ainda estava 0-0.
Também o Benfica teve de optar pelas transições rápidas, mantendo o sentimento que dominou todo o encontro: não perder a concentração nem permitir desequilíbrios defensivos.
Numa altura em que o jogo podia cair para qualquer dos lados, apareceu o grande golo de Carlos Martins, numa jogada soberba que começa com o entendimento entre Coentrão e Saviola, a grande visão de jogo deste e a movimentação de Kardec a atrair Elderson para a área, ficando a sobrar Martins, na direita, para uma grande finalização.
Como lhe competia, o Braga reagiu, Sílvio desperdiçou uma boa oportunidade - a tal falta de serenidade -, ao passo que o Benfica se preocupou em gerir a vantagem.

5 - Carlos Martins, Luisão, Alan e Felipe foram os melhores

Na escolha dos melhores, opto por Luisão e Carlos Martins, no Benfica, Alan e Felipe, no Braga.
Luisão pela segurança que tem dado à equipa, não só nas bolas paradas, mas também nas coberturas que faz a David Luiz, a quem as coisas não andam a sair muito bem. Ontem não comprometeu, mas nota-se muito a preocupação do Luisão em corrigir os erros de posicionamento do colega do lado. O contrário é que não se vê, daí que o rendimento defensivo do Benfica este ano esteja a ser menor do que na época passada.
Carlos Martins é um jogador competitivo, atrevido, inteligente, combativo e um grande finalizador. Decidiu um jogo muito importante para o Benfica com um grande golo - e quem nem foi marcado com o seu melhor pé.
Alan é importante em qualquer equipa. É um jogador que não tem medo de ter a bola, assume o jogo, quer ganhar e galvaniza a equipa.
Felipe fez duas grandes defesas e estava a precisar delas depois de dois jogos em que passou por grandes dificuldades. Não tinha hipóteses no golo.

6 - Não faz mal a Coentrão andar a saltar de lugar

Uma referência final para Fábio Coentrão. Não pelo que jogou nem pela perdida no último minuto dos descontos, mas por ter voltado a jogar como lateral-esquerdo depois de ter estado bem como ala. Não é de estranhar que vá alinhando umas vezes como médio e outras como lateral, nem isso lhe faz mal, porque em ambos os casos dispõe de liberdade ofensiva. Creio que, pelo menos em casa, estará fadado a ser lateral, mas, com as melhorias evidenciadas por Gaitán, até pode voltar a jogar sempre mais recuado.

sábado, 2 de outubro de 2010

JVP


Schalke-Benfica

1 - Benfica entrou bem, mas depois…

Tratou-se de um jogo muito intenso, disputado em ambiente difícil, com o Benfica a deixar-se perturbar e a justificar o mau resultado depois de uma primeira parte em que esteve bem e chegou a dominar durante um bom período. Só que a equipa portuguesa pareceu apagar-se repentinamente por volta dos 60', acabando mesmo por se tornar irreconhecível depois de sofrer o primeiro golo.
O Benfica até entrou bem na partida, com boa atitude, boa dinâmica, personalidade e a querer assumir o jogo. Daí que tenha sido a equipa mais perigosa em campo durante uns bons 20 minutos. Confesso que gostei desse período em que só a lentidão de Cardozo impediu o golo logo aos 3'. Quem olhava para aquele Benfica organizado e ambicioso, a que só estava a faltar um pouco de serenidade na finalização e na definição do passe, não podia adivinhar o que iria acontecer na segunda parte.

2 - Do poste veio o aviso

O Schalke conseguiu equilibrar a meio da primeira metade, contrapondo ao jogo mais trabalhado do Benfica um futebol directo, mais físico, mas também trapalhão, o tipo de jogo que lhe interessava numa altura em que se preocupava em tentar sacudir a pressão. Aliás, a única oportunidade de que dispôs foi na sequência de um balão para a frente a que se seguiu uma tabela entre Raúl e Jurado, com o primeiro a atirar ao poste, seguindo-se uma grande defesa de Roberto. Teria sido um golo injusto, mas foi também um aviso sério.

3 - Schalke mais forte

O Benfica voltou a entrar bem na segunda parte, conseguiu um ligeiro ascendente, mas voltou a ser notória a falta de agressividade ofensiva e de serenidade no momento do passe. Daí que, de repente, o Schalke tenha dado a volta ao jogo. Para isso bastou-lhe aumentar a agressividade, a pressão e a velocidade. Passou a jogar mais perto da área do Benfica, o que fez aumentar as dificuldades. Depois aconteceu o golo, na sequência de um lance mal calculado por César Peixoto, e a equipa nunca mais se encontrou, evidenciando nervosismo a mais e, depois do segundo tento, até alguma desmotivação e descontrolo.
O número de passes perdidos pelo Benfica na segunda parte foi uma barbaridade. Aliás, é relevante afirmar que o golo surgiu numa altura em que o Schalke já era claramente a equipa mais forte em campo. Daí ter de se dizer que o resultado foi justo, atendendo ao que se passou na segunda parte.

4 - Cautelas justificadas

Pode haver quem tenha estranhado o comportamento táctico do Benfica, mais cauteloso do que o costume, com Saviola mais recuado do que é habitual e Carlos Martins integrando-se numa linha de três médios à frente de Javi García, mas este era um jogo da Liga dos Campeões, o que, por si só, justifica cautelas. Depois de ganhar em casa ao Hapoel, pontuar fora teria sido muito importante. E o Benfica, pela forma como entrou no jogo, até mostrou que estava bem montado, mas depois cometeu demasiados erros e moralizou um adversário que vale mais do que aquilo que tem mostrado, tendo sido mais forte nos duelos e quando jogava em velocidade. Outro ponto importante - um bom exemplo para os adeptos portugueses - foi o apoio do público, que esqueceu a classificação na Bundesliga (penúltimo lugar), foi ao estádio e empurrou a equipa para a vitória. E não adianta dizer o contrário, porque um ambiente ao rubro ajuda uma equipa e intimida a outra.

5 - David Luiz, Luisão e as substituições

Um reparo para a perda de bola de David Luiz no lance do segundo golo. Sair com a bola no pé é uma imagem de marca, não é de agora que ele arrisca muito, por vezes de mais. E é preciso ter em conta que a agressividade da Liga dos Campeões é bem maior do que a da liga portuguesa. E desta vez nem se pode dizer que perdeu a bola num confronto físico com um jogador mais forte ou mais rápido; bastou um adversário experiente e inteligente para lhe roubar a bola.
Bem esteve o colega do lado: Luisão foi o melhor elemento do Benfica, certo a defender, consistente e forte nos cruzamentos. Uma mais-valia.
Quanto às substituições, entendo a saída de Gaitán, mas pelo amarelo que tinha visto, porque estava melhor do que jogou depois Salvio; Saviola por Aimar foi troca por troca, talvez na procura de melhor definição de passe, mas não resultou; Cardozo por Kardec terá sido por lesão.

6 - Benfica-Braga vai ser confronto de personalidades

Numa semana que claramente não foi portuguesa em termos de Liga dos Campeões, os representantes nacionais na prova defrontam-se no domingo. Antevejo um jogo interessante, porque ambos sofreram derrotas daquelas que doem. A personalidade dos jogadores de ambos os lados vai contar muito.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

JVP


Marítimo-Benfica

1 - Benfica mostrou ansiedade

Vimos um Benfica muito perdulário, e isso revela uma ansiedade própria de quem corre atrás do prejuízo. Uma coisa é estar na frente, quando tudo sai bem e com naturalidade; outra, completamente diferente, é estar a nove pontos do líder e ter a responsabilidade de lutar pelo título. Jogar na Madeira, criar as oportunidades que o Benfica criou e ganhar apenas 1-0 é tornar o jogo mais complicado do que realmente foi, até porque o Marítimo não esteve particularmente perigoso. Ganhar pela margem mínima é sempre um risco, em especial para uma equipa sem margem de erro.

2 - Não entra a matar, mas está mais perigoso

Este Benfica não entra a matar como na época passada, precisa de mais tempo, mas nota-se que está melhor. Ontem, por exemplo, o jogo esteve equilibrado até aos 13 minutos, quando um lance em que Maxi e Saviola perderam demasiado tempo para rematar foi o clique que fez a equipa acelerar mais, tornar-se mais pressionante e mais perigosa. Fruto disso foi o elevado número de oportunidades criadas. Essa boa dinâmica e agressividade obrigou o Marítimo a recuar, apenas criando lances de perigo quando se libertava do primeiro momento de pressão. Danilo Dias foi o seu homem mais perigoso.

3 - Coentrão melhor em campo

Coentrão foi o melhor em campo, mas Carlos Martins e Saviola são jogadores muito importantes, inteligentes, pensam bem o jogo. Se Saviola tivesse concretizado uma das várias ocasiões que teve, teria sido o mais destacado. Depois do golo de Coentrão - metade deste deveu-se a um bom controlo de bola - e das saídas de Martins e Saviola, o jogo mudou. O Benfica preocupou-se mais com a organização defensiva para não se repetirem alguns desequilíbrios verificados na primeira parte e início da segunda. Isso mostrou-nos um Jorge Jesus mais pragmático, à semelhança da fase final do campeonato passado.

4 - Cardozo, Salvio e Gaitán

Depois de dois golos a uma equipa como o Sporting, seria normal que Cardozo surgisse moralizado e que tivesse marcado, dadas as oportunidades de que dispôs, algumas delas flagrantes. Não o fez porque estava desinspirado, não me parecendo necessário procurar mais explicações. Quanto a Salvio, gostei da sua entrada em campo, embora numa fase em que o Benfica estava mais preocupado em manter a vantagem. Tem condições para crescer no Benfica, mas veremos o que sucede daqui para a frente. Por fim, Gaitán, cujo posicionamento na direita do meio-campo não me pareceu o mais adequado. Ele tem tendência para fugir para o meio, pelo que apenas se via Maxi a atacar por aquele flanco. Dado que o lado esquerdo do Benfica é habitualmente mais forte, teria sido mais equilibrado colocar Martins pela direita.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

JVP


Benfica-Sporting

1 - Dificuldade leonina em juntar linhas

Este Benfica-Sporting foi claramente um jogo intenso na primeira parte. Nos primeiros cinco minutos ficou a sensação de que o Sporting estava interessado em defender longe da sua área, mas denotava um problema que se arrastou no tempo - os sectores deixaram distâncias entre si, não se apresentaram juntos. Ora, esse posicionamento envolvia perigos, era gerador de desequilíbrios aproveitados pelo Benfica em transições e contra-ataques rápidos. Bastaram esses cinco minutos - com Cardozo a enviar uma bola ao poste logo aos 4' - para se perceber precisamente a existência de um controlo do jogo pelo Benfica, não obstante dispor o Sporting de maior tempo de posse de bola, mas com uma nuance: a mesma era permitida.
O Benfica apresentou-se mais compacto, mais veloz na recuperação da posse de bola, e essa atitude teve como consequência que ganhasse ascendente. O Benfica, ao fim e ao cabo, controlava o jogo como queria - tanto mais quanto o Sporting era vítima das suas próprias dificuldades no último terço do campo, situação bem patente no facto de ao longo de toda a primeira parte não ter rematado uma única vez à baliza de Roberto.

2 - Benfica deixou que Sporting subisse

Se o Sporting se apresentou na sua habitual forma de jogar, com André Santos na posição 6, as entradas no onze do Benfica de Maxi Pereira e César Peixoto como defesas-laterais direito e esquerdo, respectivamente, também não me surpreenderam. Maxi retomou o lugar, e César Peixoto mostrou pulmão. Mais do que a constituição das equipas, notório foi o facto de o Benfica se ter mostrado inteligente na forma como preparou o dérbi, deixando que o Sporting subisse as suas linhas para daí retirar dividendos. O Benfica teve o mérito de ser organizado e forte, inclusive nos duelos individuais, sendo, pois, bem mais perigoso do que o Sporting. E a verdade é que com o primeiro golo obtido cedo, aos 13', ainda aproveitou melhor essa vantagem. Deixou de estar sujeito a pressão suplementar e, mesmo quando recuava, fazia-o com a junção dos seus sectores e retirando dividendos quer das recuperações quer do seu maior poder físico e das transições rápidas.

3 - Domínio claro

A segunda parte poderia ter corrido menos de feição ao Benfica? Era um cenário possível, só que o segundo golo, de novo apontado por Cardozo, só quatro minutos após o regresso dos balneários, tornou ainda mais difícil a tarefa do Sporting. A vantagem era reconfortante para as hostes encarnadas e reforçou ainda mais os níveis de confiança já patenteados até então, ao ponto de três minutos depois ter estado nos pés de Coentrão a hipótese de matar o jogo. Não foi assim… e aos 58 minutos teve Liedson a primeira e mais flagrante oportunidade de o Sporting encurtar distâncias, com a qual, admito, se poderia ter relançado o jogo…
Desperdiçado esse lance, e sem que as alterações introduzidas em ambas as equipas tenham mudado o cariz do desafio, o que é facto é que o Benfica continuou a controlar os acontecimentos e as mais flagrantes ocasiões para mexer de novo no marcador pertenceram-lhe, ambas por Cardozo, aos 74 e aos 75 minutos. Ou seja: o Benfica sentiu que o domínio lhe pertencia, uma situação ainda mais evidente quando o Sporting acentuou a tentativa de fazer circulação de bola, mas sem objectividade - fez alguns remates, é certo, mas em desespero de causa. A toada do jogo não teve, pois, evidentes modificações até final.

4 - Consistência

Uma ideia-base genérica: a vitória do Benfica é justa num jogo em que não se justificavam tantas faltas (46 no total). Por norma, não me pronuncio sobre o trabalho das arbitragens, mas por me parecer evidente que as equipas não enveredaram pela dureza excessiva, dever-se-ia ter deixado correr mais o jogo… O Benfica mostrou-se mais consistente ao longo dos 90 minutos; já o Sporting denotou alguma intranquilidade em muitos períodos, como consequência de um problema que não foi capaz de sanar: ao querer defender longe da sua baliza, não foi capaz de o fazer e descompensou-se.

5 - Reconciliação de Cardozo com os adeptos

O dérbi foi feito também de protagonistas. Cardozo foi a grande figura, e não apenas pelos dois golos apontados. Depois das peripécias das assobiadelas recebidas no jogo com o Hapoel de Telavive, num sintoma de que os adeptos se estavam a voltar contra si, Cardozo teve uma noite importante para a reconciliação com as bancadas e, com ela, a retoma da estabilidade emocional, eventualmente afectada no jogo da Liga dos Campeões.
Por ser de toda a justiça, entendo também ressaltar outras duas boas exibições no relvado da Luz: as de Fábio Coentrão e Rui Patrício.

6 - Três pontos que dão moral

O resultado do dérbi tem necessariamente um outro ângulo de análise: o das suas consequências para ambas as equipas no campeonato. O triunfo dá naturalmente maior confiança ao Benfica, é motivador, permite que o seu jogo possa crescer sem pressões adicionais. Os três pontos dão-lhe moral - e é claro que, pela posição que tinha em termos classificativos, era o Benfica a equipa mais pressionada. Quanto ao Sporting, os estragos provocados pela derrota são, apesar de tudo, menores do que os que se reflectiriam no rival. O Sporting continua um ponto à frente do Benfica e, em linhas genéricas, é sempre possível considerar-se que é ainda cedo para se definirem de vez os candidatos ao título.

domingo, 12 de setembro de 2010

JVP


Guimarães-Benfica

1 - Guimarães inteligente e venenoso vence Benfica nervoso e sem discernimento

Este jogo e o resultado final resume-se bem na forma como as duas equipas entraram em campo, com o Guimarães a actuar de forma inteligente, cautelosa mas venenosa e o Benfica nervoso, ansioso e com pouco discernimento. Numa partida de futebol interessante e imprevisível, começou por ser a equipa da casa a ganhar superioridade, pela sua velocidade, determinação e confiança, o que fez com que fosse mais perigosa, perante um Benfica algo desconcentrado, com pouca dinâmica e que só acordou depois do primeiro golo. Reagiu depois, meteu mais velocidade nas suas iniciativas, mas definindo sempre de forma deficiente o seu último passe. Ainda chegou ao empate, teve ascendente e, com um futebol mais directo e objectivo, tentou ganhar, mas os riscos que correu foram-lhe fatais. Com as substituições, o Guimarães soltou-se mais, teve mais espaço e chegou à vitória porque foi a equipa que melhor soube aproveitar os erros adversários.

2 - Campeão diferente e com vida complicada

O que se viu em Guimarães e neste arranque de época foi um Benfica claramente diferente ao da época passada, na qual entrou de forma excepcional, apostando num estilo de jogo rápido, com naturalidade, dinâmica e boa capacidade física dos jogadores, que lhes permitiu aumentar progressivamente os níveis de confiança. Agora, vemos um campeão com falta de frescura física, por certo consequência da participação de alguns jogadores importantes no Mundial, uma vez que tiveram menos descanso e a mesma carga física durante a pré-época, o que faz com que as coisas saiam de outra forma. Além disso, sempre que surgiam dificuldades, Fábio Coentrão e Di María, por exemplo, superavam os obstáculos. E neste jogo Coentrão e Gaitán, que até deram alguma dinâmica à equipa, não chegaram para garantir o triunfo. Falta também confiança e isso é um problema que o Benfica terá de contornar, sob pena de ver a liderança ficar cada vez mais distante numa época em que a corrida ao título não será apenas a três porque também o Sporting, pelo que tem mostrado, estará no lote da frente. Ou seja, neste início de época, o Benfica não atingiu ainda o nível da anterior e os seus adversários directos, FC Porto, Braga e Sporting, estão mais fortes.

3 - Manuel Machado ganha jogos das substituições

Decisivas foram as primeiras duas substituições operadas por Manuel Machado, aos 52', uma vez que o técnico do Guimarães percebeu que estava a perder o meio-campo, dada a maior intensidade de jogo do Benfica. Com a entrada de Flávio Meireles, principalmente, e de Rui Miguel, a equipa recuperou o equilíbrio e segurança defensiva e os jogadores da frente tiveram maior liberdade para criar problemas à defesa do Benfica, culminando essa vantagem com a obtenção justa do golo da vitória, precisamente pelo Rui Miguel. Do lado contrário, as substituições não surtiram efeito, porque o Benfica ficou menos esclarecido sem Carlos Martins em campo e deixou de criar tanto perigo sem Gaitán. Por isso considero que Manuel Machado venceu o jogo das substituições.

4 - Nilson infeliz e Roberto com suficiente menos

Muito se tem dito e escrito sobre as exibições dos guarda-redes, nomeadamente de Roberto. Neste jogo, a infelicidade tocou a Nilson, no lance do golo do Benfica, enquanto o guardião dos encarnados não teve culpas nos dois golos sofridos, embora em um ou outro remate de fora da área tenha tremido. Ainda assim e até ao momento, Roberto continua a demonstrar que não é um guarda-redes que transmita confiança à equipa, algo que é fundamental para que esta se solte mais e apresente uma maior consistência e segurança no seu jogo. Frente ao Setúbal, na jornada anterior, até defendeu um penálti, mas isso foi apenas um lance. Mas não foi por ele que o Benfica perdeu este jogo porque os dois golos do adversário nasceram em jogadas ofensivas da equipa de Jorge Jesus, com perdas de bola e falhas de marcação que foram devidamente aproveitadas pelo Guimarães, que soube jogar muito bem no erro do seu opositor.

5 - Coentrão e Martins perdem para João Ribeiro e Ricardo

O Benfica viveu muito das iniciativas de Carlos Martins, um jogador que foi perigoso pela qualidade dos seus passes em diagonais, a meter a bola entre o central e o lateral, explorando principalmente a velocidade e capacidade técnica da dupla Coentrão/Gaitán que, sem fazer um jogo brilhante, esteve nos melhores lances dos encarnados. No entanto, como melhor jogador em campo destaco João Ribeiro, um jogador que imprimiu boa dinâmica ao ataque do Guimarães e que fez um grande passe para o primeiro golo. Também aponto como decisiva a actuação do central Ricardo, pela forma simples como assumiu as acções defensivas.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

JVP


Benfica - Setúbal

1 - Jesus jogou pelo seguro ao apostar em Júlio César

É inevitável começar a análise deste jogo pelo assunto guarda-redes. A entrega da titularidade a Júlio César, num jogo teoricamente mais fácil do que os anteriores, foi uma aposta de Jorge Jesus de jogar pelo seguro, não fosse o diabo tecê-las… Dessa forma, não só estaria a salvaguardar Roberto como também a dar uma oportunidade a outros que tinham direito a reclamá-la, face ao que sucedera ao espanhol. Ironia do destino, a oportunidade foi dada, mas ao próprio Roberto, que, em parte, se redimiu dos jogos anteriores.

2 - Redenção de Roberto foi apenas parcial

Não me parece, contudo, que a redenção de Roberto tenha sido completa, pois o lance de penálti tem uma importância relativa e durante o resto do jogo não deu para ver mais nada do Roberto - aquele livre directo no final do encontro foi à figura. Defender o penálti foi obviamente importante para o guarda-redes e também para Jorge Jesus, que, ao deixá-lo no banco, dera razão às críticas que lhe tinham sido feitas. Mas depois de duas derrotas para a liga portuguesa e outra na Supertaça, não podia arriscar.

3 - Culpas repartidas no penálti e um Setúbal decepcionante

A culpa do penálti deve ser, a meu ver, repartida entre Maxi Pereira e Júlio César. É evidente que houve desconcentração e falta de comunicação entre os dois, e isso acabou por proporcionar aquele que poderia ter sido um momento importantíssimo no encontro se o Setúbal tivesse feito o empate, uma vez que ficaria a jogar contra dez. A verdade é que o Setúbal fez muito pouco para alterar as coisas, e devo dizer que fiquei desiludido com a equipa de Manuel Fernandes, que tinha a obrigação de fazer mais. Veja-se os pouquíssimos remates que fez na segunda parte: um aos 48 minutos, por Ney, e depois só o livre directo, nos últimos minutos, à figura de Roberto! Noutros jogos de equipas que subiram este ano, caso do Portimonense, vi mais do que aquilo que o Setúbal mostrou ontem. A jogar contra dez, foi uma equipa resignada, desconcentrada e pouco ou nada fez para mudar os acontecimentos. Nem mesmo para empatar!

4 - Benfica controlou sempre o jogo

O Benfica apresentou-se de início com um onze bastante ofensivo, com um quarteto de médios em que apenas um (Javi Garcia) tem características defensivas, mas isso não constituiu uma surpresa - vinha de três derrotas consecutivas e recebia o Setúbal, uma equipa bastante mais fraca. O Setúbal ganhara na Madeira, ao Marítimo, num jogo em que fez apenas dois ou três remates e marcou um golo; e o empate com o Braga explica-se porque teve a sorte do jogo. E a verdade é que o Benfica, mesmo em inferioridade desde os 22 minutos, controlou o jogo como quis. Em determinados momentos deu a sensação de que havia um domínio repartido em termos de posse de bola, mas o Benfica nunca perdeu o controlo. Pelo contrário, o Setúbal nem a perder conseguiu reagir - e não só por mérito do Benfica, mas também por demérito próprio.

5 - Vitória importante para moralizar os jogadores

Em termos anímicos, era fundamental para o Benfica ganhar este jogo, até por se seguir uma paragem por causa das selecções. Foi a primeira vitória e, mesmo sendo esperada, é sempre importante para moralizar os jogadores. Foi o que aconteceu ao Sporting, que depois do primeiro triunfo, mesmo tendo sido um jogo sofrido, conseguiu dar a volta a uma eliminatória em que perdera a primeira mão por 2-0. Mesmo num encontro em que as probabilidades estão a favor, é importante vencer, e o Benfica precisava disso mais do que tudo. Venceu merecida e categoricamente, teve bons lances e alguma sorte, mas tudo fez para ganhar.

6 - Gaitán está a ganhar o seu espaço

Mesmo não tendo havido ninguém claramente acima dos demais, gostaria de destacar Gaitán, essencialmente por ter chegado há pouco tempo e ter uma grande margem de progressão. Havia alguma curiosidade em relação a este reforço do Benfica, e ele mostrou ter bom toque de bola. Percebia-se que é bom jogador, mesmo não tendo chegado no melhor período do Benfica. Está ainda a conhecer a equipa, a cidade e o próprio campeonato português, mas as duas assistências que fez ontem foram decisivas. Foram importantes para o Benfica ganhar, mas também para ele encontrar o seu espaço na equipa e conquistar a confiança dos colegas.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

JVP


Nacional-Benfica

1 - Muita coisa estranha neste Benfica

Terceira derrota em três jogos oficiais é uma situação muito estranha para o Benfica, que tem sido uma sombra da equipa que há poucos meses se sagrou campeã nacional. A forma física e anímica demoram a chegar, os novos tardam em mostrar a qualidade que se espera que tenham e a equipa apresenta-se em campo transfigurada, ansiosa, nervosa, sem capacidade para discernir. E é bem diferente liderar ou andar a correr atrás do prejuízo. Até nas bolas se nota uma diferença abismal. Na época passada percebia-se que esses lances eram bem treinados e bem executados, tanto em termos defensivos como ofensivos. Este ano, para além de não fazer golos, o Benfica sofre-os. E a culpa não é só do guarda-redes, apesar de ontem ter tido responsabilidades na derrota.

2 - Primeira parte encarnada

A primeira parte foi aberta, de parada e resposta, com o Benfica a ser a equipa mais organizada, mais sólida, não se desequilibrando defensivamente, como acontecia com o Nacional, que por vezes permitiu igualdade numérica de jogadores na defesa. A equipa da casa estava a sentir-se bem com a toada da partida, mas entusiasmava-se em demasia e desequilibrava-se. Passou por um período complicado, mas foi rectificando e acabou por se pôr à aventura. Porque o Nacional é uma equipa recheada de jogadores de qualidade, que não se inibe com os grandes, mas por vezes o entusiasmo é mau conselheiro. Ontem não foi porque o Benfica não soube aproveitar.
Tendo mais bola, o Benfica conseguiu as melhores oportunidades e refiro as perdidas de Cardozo (por cima) e de Saviola (grande defesa de Bracali) como exemplo do que poderia ter acontecido, porque embora não seja a equipa poderosa do ano passado, era a mais perigosa em campo.

3 - Depois da ansiedade, quebra física e anímica ou só anímica

O Benfica era desde o início uma equipa ansiosa à procura de uma vitória e, como acontece na maior parte dos casos, a ansiedade tira discernimento, tanto na finalização como no último passe. Curiosamente, a condição física benfiquista pareceu-me melhor do que em jogos anteriores, mas na segunda parte houve uma quebra acentuada, não sei se anímica e física ou se só anímica.
Nesta questão da quebra excluo o Coentrão, porque é um jogador à parte, o único que provoca os desequilíbrios, mas sozinho não consegue fazer tudo. Gaitán tem hábitos de jogo diferentes, joga mais para dentro e ainda não está identificado com a equipa, além de que não aguenta a velocidade imposta por Coentrão.

4 - Nacional aproveita

A segunda parte começou praticamente com o primeiro golo do Nacional. E o Benfica, se até então era uma equipa ansiosa, tornou-se ansiosa e nervosa, incapaz de pegar no jogo e de o pensar (excepção para Coentrão). Os jogadores utilizam mais o coração do que a cabeça, mas sem soluções para chegarem com perigo à baliza de Bracali.
O Nacional manteve a postura de coragem e atrevimento, mas melhorou a organização, sendo capaz de aproveitar o nervosismo do Benfica, construindo lances de perigo face a um adversário desorganizado, por vezes desesperado.

5 - Tudo acontece a Roberto

O segundo golo, ainda por cima caricato, entregou de vez o jogo ao Nacional. A incapacidade do Benfica para dar a volta à situação explica-se pelo facto de ter jogadores muito abaixo do desempenho do ano passado. Cardozo é daqueles a quem se nota mais a falta de forma, mas não é o único. Os novos entraram numa equipa que ainda não está bem em termos físicos e anímicos, o que lhe dificulta a integração. E há ainda o caso do guarda-redes. Tudo lhe acontece e desta vez foi decisivo para que o Benfica perdesse. A titularidade começa a tornar-se mais complicada, pois se já antes havia controvérsia, por haver muita gente a dizer que talvez não seja tão bom quanto se dizia, agora a situação piora.

6 - Fantasmas de Ramires e Di María vão perdurar

O jogo de ontem deixou claro que os fantasmas de Ramires e Di María vão continuar a pairar sobre os benfiquistas por mais algum tempo. A equipa não está a conseguir substituí-los e se é verdade que os novos não estão a dar a melhor resposta, também é verdade que a instabilidade dos resultados lhes dificulta a adaptação. Está provado é que Ramires e Di María eram demasiado importantes para saírem ao mesmo tempo.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

JVP


Benfica-Académica

1 - Benfica denotou falta de frescura física

Apesar de ter entrado com mais iniciativa - como seria de esperar pelo facto de jogar em casa e na qualidade de campeão nacional - e de ter tido uma oportunidade de golo logo aos oito minutos por Coentrão, este Benfica não me pareceu fresco fisicamente. Fez as coisas em esforço, sem a naturalidade que demonstrava no ano passado. E quando falta frescura física, os jogadores não pensam nem executam da mesma maneira. Daí que, na primeira parte, além da de Coentrão, só tenha tido outra ocasião clara de golo, num lance de bola parada concluído com uma cabeçada de Sidnei.

2 - Sobrecarga da pré-temporada?

Há equipas italianas que começam os campeonatos assim, com os jogadores a sentirem dificuldades nos primeiros jogos devido às elevadas cargas físicas. Não conheço a estratégia da equipa técnica do Benfica em termos físicos, mas quer-me parecer que os treinos não diferem dos do ano passado. Onde se nota uma diferença grande é precisamente em relação à frescura física, quem sabe como resultado de uma sobrecarga da pré-temporada, em que o Benfica fez jogos de dois em dois dias com viagens pelo meio. Tanto na Supertaça, com o FC Porto, como ontem, frente à Académica, aquilo que vi não foi um ou dois jogadores fisicamente mal, mas sim uma equipa inteira, e assim torna-se mais difícil disfarçar as saídas.

3 - Ausências de Di María e Ramires por colmatar

O Benfica não conseguiu fazer esquecer Di María e Ramires. O brasileiro é muito bom tacticamente, lê muito bem o jogo, tem simplicidade de processos e ainda aparece na área; não é por acaso que é internacional pelo seu país e foi contratado pelo Chelsea. Rúben Amorim é obviamente um jogador diferente. Quanto ao argentino, que é um desequilibrador nato e muito veloz, no actual plantel dos encarnados Coentrão é aquele que mais se aproxima das suas características. No ano passado, o Benfica também não começou a Liga a ganhar (empatou com o Marítimo), mas desta vez a resposta da equipa não esteve ao mesmo nível.

4 - Uma Académica à imagem do treinador

A Académica, por seu lado, foi uma equipa bem organizada, que recuava no seu meio-campo quando defendia, mas procurava as transições rápidas, através dos alas Sougou e Diogo Valente, para surpreender. Atacava e defendia com muitos elementos e mostrou personalidade, o que é mais notável se atendermos ao local do encontro, o Estádio da Luz, e ao adversário, nada mais nada menos que o campeão nacional. Esta Académica é a imagem do treinador! A vitória de ontem fez-me recordar os jogos que o Olhanense da época passada, treinado por Jorge Costa, fez em Alvalade, no Dragão e na Luz. Tal como essa, também esta Académica é uma equipa destemida, que não se fecha, que não põe o autocarro à frente da baliza e que discute o jogo. Embora sendo mais débil quando comparada com os grandes, procura jogar, não dá pontapés para a frente. Acredito que esta será uma das boas equipas do campeonato e, nos jogos fora de casa, vai aproveitar bem os seus jogadores mais rápidos. Conheço bem Jorge Costa, fui treinado por ele e sei que gosta de que as suas equipas joguem bom futebol.

5 - Um golo candidato ao Top 5 da Liga e outro fruto da defesa à zona

A vitória da Académica surgiu graças a um grande golo, que provavelmente estará no Top 5 deste campeonato. É um remate indefensável, muito colocado e que entrou junto ao ângulo - Roberto não está adiantado, ninguém evitaria aquele golo. Ficou a dever-se a um desequilíbrio defensivo do Benfica e à capacidade da Académica, em transições rápidas, de libertar três ou quatro jogadores para o ataque. O primeiro golo da equipa de Coimbra surge de uma bola parada, situação que o Benfica defende à zona e em que, quando não se ataca a bola, se correm grandes riscos quando - como foi o caso - o adversário é mais rápido.

6 - A expulsão, Coentrão e Laionel

A expulsão de Addy marcou a segunda parte, período em que o Benfica teve total domínio do jogo, embora a Académica não tenha abdicado do ataque. Sempre que ganhava a bola, saíam dois ou três jogadores para a frente. Com grande espírito de sacrifício e solidariedade, subiam e desciam no terreno. Foi isso que fizeram Sougou e Diogo Valente na primeira parte e, mais tarde, apenas o primeiro. Com dez, o jogo tornou-se muito complicado, mas os visitantes continuaram a demonstrar uma forte personalidade. Do lado do Benfica, o perigo surgia pelas alas, em especial por Coentrão, não só no golo de Jara como noutras situações. Aliás, o esquerdino é o único jogador do Benfica a merecer um destaque individual, não só pelos desequilíbrios que criou, mas especialmente porque, ao contrário do que seria de esperar pelo facto de ter estado no Mundial, pareceu o menos cansado. Na Académica, o destaque óbvio vai para o golo de Laionel, que é do outro mundo, pela intenção, pela forma como chutou, pelo local de onde o fez. Entrou fresco, com capacidade para decidir, e demonstrou muita qualidade.