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sábado, 6 de março de 2010

Já joguei no Benfica IV - Karel Poborsky

Retomamos a rubrica "Já Joguei no Benfica" depois de algum tempo e de já terem sido escrutinados três jogadores que vestiram a nossa camisola: Caniggia, Dimas e Valdir. Desta feita, o eleito é nem mais nem menos que um dos melhores e mais empolgantes jogadores das últimas 2 décadas do nosso clube, e que muitas saudades nos deixou: o checo Karel Poborsky.


Poborsky chegou ao Benfica em Dezembro de 1997, juntamente com Kandaurov e Luís Carlos, para reforçar uma equipa que andava nas ruas da amargura e que era há poucas semanas comandada por Graeme Souness, que sucedera a Manuel José. E a verdade é que a medida surtiu efeito, pois o Benfica conseguiu terminar essa época em 2º lugar, apurando-se para a Liga dos Campeões e com uma ponta final de campeonato muito boa, numa época em que goleou Sporting, em Alvalade (4-1), e Porto, na Luz (3-0), sempre com um denominador comum: Poborsky. Eu costumo dizer que só aconteceram 2 coisas boas enquanto Vale e Azevedo esteve aos comandos do clube: o hino "Sou Benfica", dos UHF, e a contratação de Poborsky, um dos jogadores que me deu mais prazer ver jogar no Benfica.


Com 25 anos, o checo trazia um cartão de visita assinalável: vinha do colosso Manchester United. E, como se não bastasse, tinha sido dele o golo que tinha eliminado Portugal nos quartos-de-final do Euro'96, disputado em Inglaterra, num chapéu monumental a Vítor Baía. Era, por isso, com muitas esperanças que os adeptos viam chegar esta estrela checa. E Poborsky não defraudou as expectativas. Detentor de uma qualidade técnica excepcional, de uma capacidade de drible estonteante e de uma velocidade diabólica, pegou de estaca mal chegou (atendendo à sua qualidade indiscutível e também à falta da mesma que se verificava no plantel encarnado...) e, apesar de ter chegado a meio da época 97/98, participou em 19 jogos e marcou 5 golos.


Na época seguinte, o virtuosismo de Poborsky manteve-se, mas a qualidade global da equipa não acompanhou o alto rendimento do checo. Apesar de algumas grandes exibições, tanto no campeonato como na Liga dos Campeões, em ambos os objectivos (já para não falar da taça de Portugal...) o Benfica claudicou: ficou em 3º na Liga e não passou da fase de grupos na Champions, terminando o campeonato com Shéu Han a comandar a equipa nos últimos 3 encontros. Poborsky terminou a época com 27 jogos e 6 golos na Liga.


Em 99/00, chegou novo treinador, o alemão Jupp Heynckes, mas as melhorias foram nulas. O Benfica manteve a mesma classificação final da época anterior e as melhorias a nível futebolístico também não foram minimamente visíveis. Aliás, essa foi a época em que o clube foi cilindrado em Vigo (7-0). Karel Poborsky foi dos poucos a escapar à mediania. Participou em 29 jogos e marcou 5 golos.


Na época seguinte, deu-se o inexplicável ocaso de Poborsky. Heynckes foi despedido à 4ª jornada, veio Mourinho e o checo acabou por perder a titularidade para Carlitos. Foi utilizado mais 9 vezes, sempre a sair do banco, até que uma proposta da Lázio foi considerada irrecusável e Poborsky seguiu para Itália. Tinha então 28 anos e deixou em Lisboa, na Luz, uma legião de fãs que nunca o esquecerão, como foi visível, aliás, no último dia 25 de Janeiro, onde participou, actuando pela equipa do Benfica All Stars, e onde voltou a ouvir o seu nome a ser entoado pelas bancadas da Catedral. Momentos que o próprio também não esquecerá nunca, pois afirma-se, por onde quer que vá, como benfiquista.


Ao todo, Poborsky fez 111 jogos pelo Benfica (88 no campeonato, 16 na Europa - Liga dos Campeões e Taça UEFA - e 7 na Taça de Portugal), e marcou 17 golos, todos no campeonato.


Antes de chegar à Luz, o checo esteve 3 épocas no Ceske Budejovice, onde iniciou a sua carreira, passando depois para o Vitoria Zizkov, onde actuou ano e meio. A meio de 95/96 transferiu-se para o Slavia de Praga e foi aí que chamou a atenção de olheiros de todo o mundo, culminado essa época com a presença na final do Europeu (onde foi derrotado pelo golo-de-ouro de Bierhoff) e com a transferência para o Manchester United. Esteve ano e meio em Old Trafford, de onde se tranferiu para o Benfica. Depois de sair da Luz, passou pela Lázio, onde esteve mais ano e meio, regressando depois à República Checa para actuar durante 3 épocas e meia no Sparta de Praga, o maior clube checo. A meio de 05/06, regressou ao 1º clube da sua carreira, o Ceske, para aí arrumar as botas, época e meia depois, com 35 anos.


É, se não estou em erro, o jogador checo mais internacional de sempre, com 118 jogos efectuados e 8 golos apontados. Participou nos Euros 96 (já referido), 2000 e 2004, onde foi eliminado nas meias-finais pelos gregos de má memória para todos nós, e no Mundial 2006.


Foi assim Poborsky. Um jogador que deixou saudades a todos os amantes de futebol, mas sobretudo aos checos, que o idolatram, e a nós, benfiquistas, que não o esquecemos. Nem aos seus golos, que apesar de não terem sido muitos (não era propriamente um goleador), ficarão na memória de todos nós pela qualidade enorme de execução do checo. Um hino ao futebol.


Os melhores momentos de Poborsky no Benfica (e não só), aqui:





quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Já joguei no Benfica III - Valdir

Do sempre apetecível Rio de Janeiro chegou ao Benfica Valdir, o último bigodaças que passou pela Luz. Um jogador que não era muito tecnicista, podendo até dizer-se que era um pouco trapalhão com a bola nos pés, mas mostrou nos poucos meses de águia ao peito que, embora também falhasse os seus golinhos, se podia contar com ele na hora de balançar as redes adversárias.



Valdir fez um total de 13 jogos e 6 golos no Benfica (10/4 no campeonato e 3/2 na taça), sendo que esteve apenas 2 meses na Luz.

Chegou em Abril de 1997, numa fase muito conturbada da vida do clube: a terrível fase final da época de 96/97, em que Manuel José afundava a alta velocidade o barco que Paulo Autuori tinha deixado sem comandante. Tinha 25 anos e vinha rotulado de matador, tendo passado por grandes clubes do Brasil (Vasco da Gama e São Paulo). No final da época, com a desculpa que não havia dinheiro para o manter (desculpa facilmente refutável, pois 2 meses depois chegaram à Luz Nuno Gomes e Paulo Nunes, o que demonstra que afinal havia dinheiro), regressou ao Brasil, onde ainda jogou no Atlético Mineiro (por 2 vezes), Botafogo, Santos e novamente no Vasco, até emigrar para a Arábia, onde encerrou a carreira em 2007/08, com 36 anos (jogou 3 épocas no Al-Naasr do Dubai e por último uma no Al-Nassr da Arábia Saudita).

O momento mais importante da sua estadia no Benfica acabou por ser o golo que marcou ao Porto nas meias-finais da taça, em que o Benfica venceu na Luz por 2-0, chegando assim ao Jamor para jogar a final com o Boavista (o Benfica era o detentor do ceptro). Valdir jogou essa final, mas não foi feliz, assim como a sua equipa, que perdeu por 3-2 e viu a taça ir para o Norte. Esse foi o último jogo de Valdir em Portugal.

Valdir não se tornou um símbolo do Benfica, não merece uma estátua e muito provavelmente até muitos adeptos benfiquistas já nem se lembrarão dele. Mas deixou por cá o perfume do seu futebol algo atrapalhado mas certeiro. No fundo, o que se exige a um goleador.



PS: João Vieira Pinto, há uns meses no Domingo Desportivo, elogiou-o, dizendo que gostou muito de fazer parceria com ele e que se tratava de um excelente avançado. Penso que isto diz tudo da sua qualidade.

Vejam alguns golos de Valdir no Benfica aqui, assim como a entrevista depois do primeiro jogo com a camisola da águia:







sábado, 3 de outubro de 2009

Já joguei no Benfica II - Dimas

Dimas não foi um portento de técnica, não foi dos melhores executantes que já passou pelo Benfica, não foi sequer dos melhores laterais esquerdos do nosso clube. Mas, nos últimos 20 anos, só Léo o superou. Minto atingiu um nível razoável, Fyssas e Dos Santos também, mas Dimas rubricou 2 épocas e meia muito positivas num período terrível da nossa história, acabando por conseguir uma transferência fantástica para a Juventus.



No Benfica Dimas fez um total de 68 jogos e 2 golos no campeonato, 12 jogos na Taça de Portugal (que venceu em 95/96), e 16 jogos e um golo na Europa (na Liga dos Campeões, Taça UEFA, competição onde conseguiu esse golo, em Munique, frente ao Bayern, e na Taça das Taças).



Chegou à Luz para a época de 94/95. Tinha 25 anos. Antes, já tinha passado pela Académica (onde se estreou como profissional, em 87/88, com 18 anos), Estrela da Amadora e Vitória de Guimarães. A meio da época de 96/97, rubricou a transferência da sua vida. Foi jogar para a toda-poderosa Juventus de Turim. Esteve lá 2 épocas e meia e depois saiu para o Fenerbahçe, da Turquia, onde aguentou uma época e meia. Para não perder o comboio do Euro 2000 mudou-se a meio da época 99/00 para a Bélgica. Destino: Standard Liège. No fim do Euro 2000 decidiu, tal como Paulo Bento (aliás, todo o percurso dos 2 é muito similar: ambos jogaram juntos no Estrela da Amadora, Vitória de Guimarães, Benfica e Sporting, sem falar da selecção), regressar a Portugal, onde representou o Sporting. Já não era novo e Rui Jorge era o dono do lugar. Ficou uma época e meia em Alvalade e a meio de 01/02 foi para o Marselha, onde acabou a sua carreira, com 33 anos.

Pela selecção de Portugal jogou 44 vezes, tendo participado nos Euros 96 e 2000, onde era o dono do lugar.



Dimas chegou na época em que tudo se desmoronou, à semelhança do seu antecessor nesta rubrica, Caniggia. Artur Jorge operou uma revolução numa equipa campeã nacional e, derivado a muitas circunstâncias, a mesma não carburou como pretendido. O 3º lugar final (assim como a eliminação nos quartos-de-final da taça às mãos do então defunto Vitória de Setúbal) demonstra as insuficiências de uma equipa que acabou a época devastada e sem confiança em si mesma. O único factor positivo da época foi a chegada aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, onde fomos derrotados pelo então campeão europeu AC Milan.



Na época seguinte a revolução foi quase total, mas os resultados foram ainda mais desastrosos e Artur Jorge foi despedido à 3ª jornada. No seu lugar ficou Mário Wilson e a época acabou por ser muito mais aceitável, culminado com um 2º lugar e a taça de Portugal ganha ao arqui-rival Sporting, com uma exibição de luxo de João Pinto.



Nova época, nova revolução. Veio Paulo Autuori para fazer do Benfica de novo uma equipa campeã, trouxe os seus jogadores e os seus métodos e os resultados foram... 0. A meio da época despediu-se com o Benfica em 2º a 2 pontos do Porto. Mário Wilson fez a transição para Manuel José levar a cabo uma das piores épocas de sempre do Benfica. Mesmo assim conseguiu o 3º lugar final e repetir a presença na final da taça, que perdeu contra o Boavista. Dimas saiu a meio desta época para Itália, não participando na pior fase da mesma.



Não foi um portento, não foi um virtuoso, mas podemos dizer que deixou algumas saudades, muito devido (diga-se em abono da verdade) à escassez de laterais esquerdos de qualidade que tem proliferado desde então no Benfica.



Aqui ficam alguns momentos de Dimas com a camisola do Benfica:



quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Já joguei no Benfica I - Claudio Caniggia

Estreio hoje a rubrica "Já joguei no Benfica", um espaço dedicado a jogadores que já passaram pelo maior clube de Portugal e maior do mundo em número de sócios, cada vez mais distanciado de qualquer outro clube no mundo e sobretudo em Portugal (para termos uma ideia, o Sporting festejou nas últimas semanas a chegada ao sócio número... 100 mil).

Como dizia, este espaço estará destinado a relembrar as passagens de jogadores que marcaram (ou não) a história do Benfica. No fundo, que fizeram a história do clube (uns para o bem, outros para o mal). Em condições excepcionais, o nome da rubrica pode ganhar certas nuances, que serão facilmente justificáveis pelo contributo do jogador no clube.

O primeiro cliente da rubrica é argentino, já se retirou, era uma estrela à escala mundial, tinha o sangue quente como a maioria dos sul-americanos e jogou no Benfica em 94/95, a época em que com Artur Jorge tudo se começou a desmoronar. Falo de Claudio Caniggia.



Apelidado de El Pajaro ou Filho do Vento, pela sua velocidade, tornou-se herói da Argentina em 1990, quando um grande golo eliminou o Brasil do Mundial. Fazia uma parceria excelente com Maradona, a qual foi reeditada 6 anos depois no Boca Juniors. Caniggia jogou no River Plate, Verona, Atalanta e Roma antes de chegar à Luz e depois foi para o Boca Juniors, voltou a jogar na Atalanta, rumou para a Escócia para representar o Dundee e o Glasgow Rangers e acabou a carreira em 2004 em terras árabes, no Qatar SC e no Al Arabi.



Pela selecção da Argentina, participou nos Mundiais de 90, 94 e 2002, onde não jogou, tendo ainda assim sido expulso no banco, no jogo com a Suécia que ditou a eliminação da Argentina na fase de grupos do Mundial.



Chegou ao Benfica com 27 anos, depois de uma época inactivo por consumo de drogas quando jogava na Roma. Era um jogador de fino recorte técnico, veloz e goleador. Começou bem, com boas exibições e golos, no campeonato mas também na Liga dos Campeões, onde o Benfica chegou nessa época aos quartos-de-final, caindo apenas aos pés do Milão, depois de uma arbitragem no mínimo infeliz em San Siro e de muito azar no jogo da Luz (inesquecível o remate de Isaías que bateu nos 2 postes e voltou para as mãos de Rossi).



No entanto, com o virar da primeira para a segunda volta, o seu fulgor desapareceu. Perdeu o lugar para Edilson, passou a ser utilizado a espaços até desaparecer por completo das opções do treinador. No fim da época saiu (nunca percebi bem qual a sua situação contratual no Benfica; penso que esteve emprestado pela Parmalat, ao abrigo do acordo que tínhamos com essa empresa). Ainda assim, fez 23 jogos e 8 golos no campeonato, 3 jogos e 5 golos na taça e 7 jogos e 3 golos na Liga dos Campeões. No total, 33 jogos e 16 golos ao serviço do Benfica.

Ficou famoso o beijo que deu na boca a Maradona em 96 ao serviço do Boca Juniors na celebração de um golo, beijo que foi por eles justificado como prova de que a sua amizade não tinha quaisquer complexos.



Foi um dos maiores talentos que já passou pelos relvados nacionais. Deixou-nos com a sensação de que poderia ter dado muito mais, não fosse a fase conturbada em que por cá passou. Ainda assim, ficou o perfume do seu futebol e a certeza de que pelo Benfica passou talvez o jogador que melhor combinou com Maradona ao longo de toda a carreira deste.



Um jogador cujo nome faz a Argentina suspirar. Uma estrela mundial que passou pelo Benfica em 94/95.



Aqui ficam alguns golos de Caniggia e o vídeo que resume o que foi Jorge Coroado como árbitro: