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quinta-feira, 8 de abril de 2010

O Benfica na Europa - Taça das Taças 1993/94

Porque hoje temos a possibilidade de conseguir atingir as meias-finais de uma prova europeia, 16 anos depois da última vez, vamos recordar essa magnífica campanha na Taça das Taças de 1993/94, onde apenas por muito azar não conseguimos eliminar o Parma nas meias-finais e marcar presença na final da prova. Foi pena, porque tínhamos uma grande equipa. Mas a deste ano ainda é melhor, e de certeza que vamos conseguir passar hoje.


Depois de termos vencido a Taça de Portugal na época anterior (no célebre jogo do 5-2 ao Boavista), conquistámos o direito a participar na Taça das Taças da época seguinte. O 1º adversário que nos calhou em sorte foi o Katowice, actualmente na 2ª divisão polaca, na altura na primeira e que, tal como nós, havia vencido a taça do seu país. Não fizemos uma eliminatória brilhante. Vencemos por 1-0 na Luz, com golo do Rui Águas (um vídeo que lamentavelmente não consegui encontrar na net), mas na Polónia tivemos de sofrer para conseguir carimbar o passaporte para a fase seguinte. A equipa polaca marcou 1º, mesmo a fechar a 1ª parte, e teve mais uma oportunidade flagrante de golo a meio da 2ª parte. O Benfica acabou por empatar o jogo e passar para a frente da eliminatória por Vítor Paneira, a 20 minutos do fim, e num lance em que tem a sorte do defesa polaco escorregar.
Os golos desse encontro, aqui:



Na 2ª ronda calhou-nos em sorte o mais experiente CSKA de Sófia, da Bulgária. Não era uma equipa muito forte, mas tinha um avançado muito bom: o búlgaro Andonov, que deu água pela barba à nossa defesa nos 2 jogos. Ainda assim, esta eliminatória foi ultrapassada de modo mais tranquilo. Na Luz, na primeira mão, vencemos por 3-1 com um bis de Rui Costa ainda na 1ª parte. Na 2ª, Andonov reduziu para o CSKA, mas Schwarz, em cima do minuto 90, marcou um golo de antologia e recolocou mais tranquilidade (e justiça) ao marcador.
Na 2ª mão, o resultado foi idêntico. Rui Costa voltou a abrir o marcador na primeira parte, Andonov empatou já na 2ª, mas João Pinto e Yuran fizeram o marcador atingir os 3-1 e colocaram o Benfica nos quartos-de-final da competição.

Os golos da primeira mão em tempo real (num vídeo feito pelo Memória Gloriosa):


Benfica-3 CSKA Sofia-1 de 1993

O resumo dos dois jogos aqui:





Nos quartos-de-final, calhou-nos uma equipa forte, que contava com o defesa goleador Happe, o então jovem Paulo Sérgio, que haveria de jogar depois no Bayern de Munique e na Roma, mas as figuras da equipa eram mesmo o alemão Bernd Schuster, já na fase descendente da carreira mas ainda com muito talento nas pernas, e o avançado Ulf Kirsten, um verdadeiro matador. Ainda assim, de certeza que nunca ninguém esperaria o desfecho que esta eliminatória havia de ter.
A primeira mão foi jogada na Luz, mais uma vez. Os alemães marcaram primeiro, a meio da segunda parte, e o Benfica só chegou ao empate já ao minuto 90, por Isaías.
Mas o melhor estava para vir na 2ª mão. Kirsten adiantou o Bayer no marcador aos 24 minutos e foi com esse resultado que se foi para os balneários. Aos 57, Schuster fez o 2-0 e tudo parecia irremediavelmente perdido. Pura ilusão. No minuto seguinte, Abel Xavier, à bomba, devolveu as esperanças aos encarnados, e outra vez no minuto seguinte, João Pinto recolocou o Benfica à frente na eliminatória. Aos 77, Kulkov fez o 3-2 e parecia já só haver razões para festejar. Nada mais errado. 3 minutos depois, Kirsten empatou para o Leverkusen, e no minuto seguinte, Hapal, fez o 4-3 para os alemães, parecendo arrumar o Benfica. De novo, nada mais falso. Aos 85, Kulkov bisou e fechou a contagem num 4-4 de loucos. O Benfica estava nas meias-finais da Taça das Taças pela 2ª vez no seu historial, depois da presença no mesmo patamar em 80/81.

O resumo da primeira mão aqui:



A antevisão do jogo da segunda mão aqui:



Os golos do jogo da 2ª mão em tempo real, aqui:



A festa benfiquista:



O resumo global:





Nas meias-finais, apanhámos o Parma, clube recém-criado mas com um poderio económico impressionante. Na época anterior, o Parma já havia ganho a mesma competição e a Supertaça Europeia e na temporada seguinte venceria a Taça UEFA. A equipa deles? Bem, era muito boa. Mesmo. Bucci na baliza (a defender tudo o que havia para defender), Sensini na defesa/meio-campo a chegar para tudo e o sector onde eram realmente fortes: o ataque, com Zola, Asprilla e Brolin.
Na 1ª mão voltámos a jogar em casa, com um estádio da Luz lotado (120 000 pessoas). Começámos a ganhar logo aos 7 minutos, depois de um trabalho magnífico de Rui Costa (foi aqui que se mostrou verdadeiramente aos italianos) a isolar Isaías, que não perdoou. Zola empatou pouco depois, mas o endiabrado Rui Costa (que fazia 22 anos nesse dia) recolocou o Benfica em vantagem aos 60 minutos. A eliminatória podia ter ficado quase sentenciada para o Benfica, não fosse Vítor Paneira ter falhado um penalty apenas 3 minutos depois do 2º golo do Benfica. A verdade é que o aí capitão do Benfica falhou, e na 2ª mão o Parma deu o golpe de misericórdia a apenas 15 minutos do fim, por Sensini. Isto já depois de Mozer ter sido expulso logo nos primeiros minutos do encontro, obrigando-nos a jogar quase o tempo todo com 10. O Parma acabaria por perder a prova para o Arsenal, na final, por 1-0. Hoje, se tudo correr bem, o Benfica voltará a uma meia-final de uma competição europeia. E desta vez, será para vencer.

Os golos em tempo real da 1ª mão, aqui:





O resumo do jogo, aqui:

quinta-feira, 18 de março de 2010

O Benfica na Europa - Taça UEFA 1982/83

Respondendo ao repto lançado neste post do Coluna d'Águias Gloriosas, inauguro hoje uma nova rubrica no Gloriosa Chama Imensa, destinada a recordar os melhores e mais grandiosos (e os piores também, que neste blog não se pretende apagar nenhum momento da história do Benfica) momentos do Benfica na Europa. E como hoje temos uma "finalíssima" para ser ganha em Marselha, em jogo a contar para a Liga Europa, vamos relembrar a melhor campanha de sempre do Benfica na antecessora da Liga Europa, a Taça UEFA. Uma competição que o Benfica nunca venceu, mas onde chegou por uma vez à final. Foi na época de 1982/83. E a vitória fugiu por apenas um golo...



(clicar nas imagens para se verem melhor)

Apesar de sermos presença assídua na Taça dos Campeões Europeus (nas décadas de 60 e 70 falhámos muito poucas edições), na época de 82/83 tivemos de ir à Taça UEFA, devido a termos terminado a temporada anterior em 2º lugar, a 2 pontos do Sporting. A primeira eliminatória foi contra o Bétis de Sevilha. Na Luz, vencemos por 2-1, com golos de Nené e Padinha. Em Sevilha, o resultado foi o mesmo, mas, segundo consta, a equipa só acordou depois de um valente puxão de orelhas de Eriksson (o treinador de então) aos jogadores (como podem ver neste post do blog Malta da Tropa que Curte Bola, entretanto já inactivo, e neste do Memórias Encarnadas, um blog muito bom que descobri ao fazer a pesquisa para este post mas que infelizmente também me parece estar inactivo), onde dizia, entre outras coisas, que tinham de jogar fora da mesma forma que jogavam em casa, ainda por cima sendo superiores ao adversário e tendo a necessidade de marcar para virar a eliminatória a seu favor. O discurso de Eriksson acabou por dar frutos: o Benfica virou o resultado na segunda parte, com golos de Carlos Manuel e Nené, mais uma vez.
Como não consegui encontrar qualquer vídeo com os golos destes jogos na net, coloco estas imagens que retirei, tal como as de cima do plantel dessa época, do Memórias Encarnadas, referentes aos dois golos encarnados no jogo da 2ª mão, em Sevilha:





Na eliminatória seguinte, calhou-nos em sorte o Lokeren, da Bélgica, que apesar de pouco sonante, apresentava um ataque temível, composto pelo polaco Lato e pelo dinamarquês Elkjaer-Larsen. Ainda assim, os belgas acabaram por ser despachados de forma mais simples. 2-0 na Luz (Nené e Pietra) e 2-1 na Bélgica, com um bis de Filipovic. Desta eliminatória, não consegui encontrar nem fotos, nem vídeos, infelizmente.

Nos oitavos-de-final, defrontámos o Zurique, da Suíça. À partida, não parecia tarefa árdua. E não foi. Depois de um empate a uma bola em terras helvéticas (golo de Filipovic), despachámos os suíços na Luz com um concludente 4-0, com um golo de Filipovic, outro de Diamantino e 2 de Nené. Também não vi nada de imagens e vídeos deste jogo na net.

E eis que, chegados aos quartos-de-final, nos saiu a pêra mais amarga que poderia ter saído: a toda-poderosa Roma, com jogadores como Tancredi, Vierchwood, Prohaska, Carlo Ancelotti, Falcão, Bruno Conti, Pruzzo, Di Bartolomei e Gianinni. Ainda assim, os nossos jogadores, comandados por um treinador jovem e ambicioso (e que havia ganho a mesma competição na época anterior, no Gotemburgo), não se amedrontaram e conseguiram um feito heróico, ao vencer em Roma por 2-1, com mais um bis de Filipovic. Em casa, um empate a uma bola (com novo golo de Filipovic...) carimbou a passagem às meias-finais da prova, deixando para trás uma equipa recheada de estrelas e que haveria de vencer o campeonato italiano nessa época.

Os golos do Benfica nos dois jogos, aqui neste vídeo feito pelo SLB do blog Não Se Mencione o Excremento:



Ultrapassado o papão Roma, apanhámos o Universitatea Craiova, equipa romena que tinha estado nas duas épocas anteriores na Taça dos Campeões Europeus, ou seja, tinha sido campeã da Roménia 2 épocas seguidas, isto numa altura em que o futebol romeno estava em crescendo, o que se viria a confirmar com o título de campeão europeu do Steaua de Bucareste três anos depois e com a chegada da mesma equipa ás meias-finais da mesma prova em 87/88, onde foi eliminada pelo Benfica. O Universitatea Craiova era, portanto, uma equipa a respeitar e um osso duro de roer. Além disso, já havia eliminado a Fiorentina, o Bordéus e o Kaiserslautern. Não iria ser tarefa fácil. E não foi mesmo, como o comprova o empate a 0 no jogo da 1ª mão, na Luz. Na Roménia, o jogo começou mal para nós, com o Bento a oferecer a vantagem aos romenos logo nos primeiros minutos, com um frango após um livre directo. No entanto, logo no início da 2ª parte, Filipovic (quem mais poderia ser?) empatou a partida e colocou o Benfica na final da UEFA pela primeira vez (e única) na sua história.

Os dois golos da partida, neste vídeo, também feito pelo SLB do Não Se Mencione o Excremento:



E assim acabámos por chegar à final, onde voltámos a defrontar uns belgas, no caso o Anderlecht (que, curiosamente, havia eliminado, logo na 2ª fase, o... Porto, com um resultado total de 6-3: depois de ganhar 4-0 na Bélgica, perdeu 3-2 nas Antas), uma equipa onde pontificavam Morten Olsen, na defesa, Vercauteren, no meio-campo, e no ataque o espanhol Lozano, que depois foi para o Real Madrid, e o belga Vandenbergh, que havia sido Bota de Ouro da Europa 3 épocas antes. Na altura a final era jogada a 2 mãos, como se se tratasse de uma eliminatória normal. O Benfica acabou por perder por 1-0 em Bruxelas, num jogo marcado por um falhanço escandaloso de Diamantino que poderia ter mudado muita coisa... Na segunda mão, na Luz, começámos a vencer, com um golo de Shéu, mas poucos minutos depois os belgas empataram, por Lozano, e o Benfica não conseguiu de maneira nenhuma dar a volta ao filme. Acabámos por perder a Taça UEFA em plena Luz, mesmo sem ter perdido o jogo. Ainda assim, restava o consolo de ter voltado à final de uma prova europeia, 15 anos depois da última presença numa final da Taça dos Campeões Europeus. Se tudo correr bem, poderemos continuar a sonhar em repetir uma prova como esta... se possível, com outro desfecho! Que o JJ e os nossos jogadores estejam inspirados hoje!

Os golos dos dois jogos da final, aqui:



O resumo do jogo da 2º mão, aqui:



Só os golos desse jogo, aqui: