Voltámos aos dias felizes. Embora este ainda não seja o Benfica dominador (o "rolo compressor") da época passada, vimos hoje um Benfica a pressionar desde o início, com muita garra, ambição e vontade de vencer. Mais do que a qualidade exibicional, a chamada "nota artística", o que quero ver no meu Benfica é esta acutilância, esta vontade de ganhar que caracterizou o nosso futebol na temporada passada. E hoje vimos isso na Luz. A vitória foi totalmente merecida e coloca-nos, neste momento, a 6 pontos do topo. Como não me parece que o Porto perca pontos amanhã, creio que iremos continuar a 9, mas ainda faltam 23 jornadas e muita coisa pode ainda javascript:void(0)acontecer. Para já, subimos ao 2º lugar, o que parecia quase impossível há um par de semanas.
Como já disse acima, a entrada do Benfica no encontro foi arrasadora. A primeira meia-hora foi, talvez, a melhor que já vi a nossa equipa fazer esta temporada - para tal também pode ter contribuído a decisão do Domingos em vir à Luz jogar a medo, deixando os habitualmente titulares Paulo César e Matheus no banco. No Benfica, o grande destaque foi a ausência do Cardozo, lesionado no jogo com o Schalke. Ora, Kardec, não sendo nem de perto nem de longe um clone do Tacuara, esteve à altura das circunstâncias. Apesar de não ser tão goleador como Cardozo, e inclusive tendo estado até há pouco tempo ausente por lesão, o brasileiro cumpriu muito bem a sua tarefa, desgastando os defesas contrários com a sua mobilidade e capacidade atlética, que lhe permitiu, por exemplo, assistir Saviola para o falhanço incrível do argentino na cara de Filipe, alguns minutos antes do golo de Carlos Martins. Além desse lance, de salientar o excelente remate de pé direito ainda na primeira parte, sem preparação e quase sem espaço. Claramente um jogador a reter, pois o talento está lá e é enorme. De Martins já não há muito para dizer: sempre foi um dos meus preferidos deste plantel (tenho uma certa propensão para gostar deste tipo de jogador: com a sua dose de loucura, mas capaz de ser genial) e está um senhor jogador. A exibição foi mais uma vez belíssima e aquele golo só está ao alcance de predestinados: a forma como recebe a bola com o pé direito, de forma orientada, deixando-a bem ao alcance do pé esquerdo, e o tiro indefensável... sensacional.
Uma nota de destaque também para o mal-amado Roberto (não sei se já é possível dizer isto, mas penso que sim): o espanhol já se redimiu dos erros crassos cometidos no início da época. Com as defesas sensacionais efectuadas perante Sporting, Hapoel, Marítimo, Schalke e hoje a remate de Elderson (sem esquecer o penalty com o Vitória de Setúbal), Roberto mostrou finalmente que afinal tem mesmo todas as condições para vir a ser um guarda-redes de topo e dar muitos pontos ao Benfica. Até nos cantos e livres laterais já melhorou: deixei de ver aquelas saídas extemporâneas e passei a ver um guarda-redes mais concentrado e acima de tudo sereno, só saindo pela certa, deixando a defesa resolver a questão numa fase inicial. A mim já me calou.
Do Braga, destaco a exibição de Alan: claramente o melhor jogador do plantel minhoto. Se fossem todos assim, este Braga era de Champions. O problema é que não são.
Esta vitória permite-nos, além de garantirmos desde já a 2ª posição (se o Vitória de Guimarães vencer amanhã e cairmos para 3º, melhor; não me importo nada), respirar um pouco melhor, afastando completamente o mau início, e também colocar um pouco de pressão sobre o líder. Com a paragem das selecções, a equipa terá tempo para colocar as ideias em ordem, para trabalhar as rotinas de jogo e preparar com todo o afinco a deslocação a Portimão (um jogo que não vai ser nada fácil, embora a defesa do Portimonense seja fraquinha). Na cabeça de todo o grupo só pode estar um pensamento: a vitória, tanto em Portimão como na semana a seguir, na recepção ao Paços de Ferreira. É que na 10ª jornada temos a deslocação ao Dragão, e é absolutamente proibido perder pontos antes disso para continuarmos a pensar no título (se tudo correr bem, podemos sair dessa partida a apenas 3 pontos do Porto). Porque eu ainda acredito, rumo ao 33º!
A exemplo do que acontecia a meio da época passada, confesso que já me vão faltando palavras para descrever este início de época do Benfica. No entanto, este ano é pelos motivos completamente opostos. A equipa continua a desiludir-me jogo após jogo, o treinador mais ainda, pois é alguém que eu quase idolatro, e hoje percebemos de uma vez por todas que temos realmente um problema na baliza. O Roberto pode ser um excelente rapaz, mas é, a par de Bossio e Moretto, o pior guarda-redes que já vi na baliza do Benfica. Não há explicação para o barrete que nos foi enfiado, com a complacência do Jorge Jesus (que ao que parece foi quem aconselhou pessoalmente a sua contratação) e do nosso "grande" presidente, que continua a desbaratar por completo as finanças do Benfica com contratações a valores que ninguém consegue compreender (o Atlético de Madrid pedia 1,5 milhões de euros ao Saragoça pelo passe do Roberto; como é que o Benfica só o conseguiu trazer por 8,5? Há algo aqui que não bate certo, definitivamente). Na constituição inicial, pelo menos um erro dos outros jogos foi reparado: Peixoto ficou de fora e Coentrão voltou ao lugar que melhor desempenha e onde é dos melhores jogadores do Mundo. No entanto, voltou também a ficar patente que Gaitán não é nem nunca será o substituto de Di María. Precisamos urgentemente de uma alternativa à altura do argentino (e não será Drenthe; só me contentava com Simão ou Reyes). Por último, tenho de referir que, apesar do guarda-redes ser desastroso, a defesa está num plano igualmente deplorável. E afinal as culpas não são só de Sidnei. Gostava mesmo de saber o que se passa com esta equipa do Benfica. Alguém que me explique.
Na primeira parte, curiosamente, o Benfica esteve num nível muito razoável. Dominou, procurou o golo (esteve bem perto no falhanço clamoroso de Gaitán) e pressionou como na época passada. Teve atitude, basicamente. Atitude essa que se evaporou na segunda parte, o que em conjunto com o golo inaugural do Nacional destroçou por completo a equipa. Parabéns ao Luís Alberto (o melhor em campo) pelo golo, mas acho que não haverá muito mais a dizer sobre a saída ridícula do Roberto à bola. Jesus, se queres estar ao nível dos melhores do Mundo, por favor pára com a teimosia (que é normalmente a razão por que os treinadores falham) e coloca o Júlio César na baliza. Pior que o Roberto não vai ser, isso eu posso garantir.
Para piorar ainda mais todos os cenários possíveis e imaginários, o Roberto resolveu fazer algo digno dos maiores anedotários a nível internacional e oferecer um golo ao Orlando Sá, um jogador que ainda por cima é do Porto (e que, na minha modesta opinião, não tem um pingo de qualidade). A sério, já tinha ficado possuído com o primeiro frango, mas o que o Roberto faz no segundo golo é absolutamente ridículo. Mesmo para poupar o rapaz a mais humilhações, por favor coloquem-no no banco. Por favor. É que se aquele é o melhor que temos, e se todos os erros que ele vier a dar nesta época forem desculpados, porque raio temos lá mais dois (um deles trazido pelo mesmo Jesus na época anterior e que tem apenas 23 anos)?
A finalizar veio o nosso golo. Já nem era preciso, diga-se, mas o Carlos Martins merece. É um dos jogadores que mais aprecio (pelo seu imenso talento mas também pelo seu carácter louco, confesso) e mais uma vez, num remate de raiva, mostrou que se pode contar com ele. Muito mais que com Amorim nesta fase da época, não me canso de o dizer (e já agora, que é feito do Saviola e do Cardozo da época passada? Onde andam eles?).
Para finalizar, e porque já disse praticamente tudo acima (e porque cada vez tenho menos vontade de comentar os jogos, pelo simples facto de que a equipa está a jogar ao nível do Benfica do Quique), termino a pedir apenas que frente ao Vitória de Setúbal voltemos a mostrar metade (já só peço metade) do que mostrávamos a época passada e que arranquemos definitivamente para uma temporada consentânea com o valor desta equipa e com o escudo que apresenta no braço. Rumo ao 33º!
Formado nas escolas do Sporting, onde jogou durante muitos anos, Carlos Martins acabou por vir para o Benfica depois de um ano a jogar (e a brilhar) no Recreativo de Huelva, de Espanha. Rui Costa, que se havia retirado dos relvados no fim da época anterior, anunciou-o de imediato como o seu sucessor na posição 10 do clube. O que é certo é que poucos dias depois chegou Aimar, e Martins acabou por ser relegado para um papel secundário. Ainda assim, beneficiando da frágil condição física do argentino, Carlos Martins conseguiu fazer 24 jogos no campeonato, embora apenas 4 completos e muitos outros como suplente utilizado. Acabou por não marcar qualquer golo nem dar muito nas vistas na época complicada do clube. O ponto alto da época foi mesmo o papel que desempenhou na conquista da Taça da Liga, a única competição onde marcou com a camisola do Benfica (na fase de grupos, em Guimarães). Na final contra o Sporting, Carlos Martins foi o escolhido (ou pediu para o ser) para marcar o penalty decisivo. Não o desperdiçou, e festejou como um louco na cara de Paulo Bento, treinador que o havia escorraçado de Alvalade 2 anos antes. A vingança estava completa. Mas a época de Martins não havia correspondido às elevadas expectativas depositadas na sua contratação.
Para a nova temporada, parecia ser apenas mais do mesmo. Aimar manteve-se, Jorge Jesus chegou e o esquema mudou, de 4-4-2 clássico para 4-4-2 losango. Martins, que também pode ser utilizado como médio interior direito, poderia ganhar assim mais espaço para lutar pela titularidade e foi mesmo o dono desse lugar no encontro inaugural da Liga, em casa com o Marítimo. O problema é que o médio acabou por se lesionar logo aos 17 minutos, perdendo logo aí a titularidade para o brasileiro Ramires. Entretanto, chegava ao plantel outro 10/interior direito brasileiro, Felipe Menezes, o que colocava Carlos Martins em muito maus lençóis. Aliado à forte concorrência, Martins começou a padecer de longas e irritantes lesões, sobretudo a nível muscular (mas acima de tudo psicológicas) que o impediam de dar um contributo continuado à equipa (relembre-se o jogo brilhante que fez com o Paços de Ferreira, o primeiro após regressar da tal lesão contraída frente ao Marítimo, em que fez uma assistência e um grande golo... tudo em apenas 45 minutos, pois saiu ao intervalo lesionado; depois fez mais um grande jogo com o Monsanto, onde marcou 2 golos, e 2 jogos depois, com o Nacional, entra aos 73 minutos e sai 5 minutos depois, queixando-se de dores musculares: assim não há treinador que aguente...). Depois destas peripécias, Carlos Martins só voltou a aparecer nas vésperas do jogo com o Porto, na recepção ao AEK, em que jogou a... trinco, e muito bem. Acabou por ganhar a titularidade para o jogo com o Porto, onde voltou a estar em bom plano, e a partir daí tem vindo a alternar a titularidade com Aimar e Ramires, ora a 10 ora a interior direito. Fruto de algumas excelentes exibições e muitos golos do outro mundo (com destaque para o golo magnífico apontado na final da Taça da Liga - mais uma vez - frente ao Porto), Martins voltou a cair nas graças dos adeptos, que agora até já hesitam sobre quem deve ser titular, se o português, se Aimar. Ao todo, Martins tem já 28 jogos disputados e 7 golos marcados (15 no campeonato - e 3 golos -, 1 na Taça de Portugal - e 2 golos -, 4 na Taça da Liga - e 2 golos - e 8 na Liga Europa).
Confesso que aprecio muito as qualidades futebolísticas de Carlos Martins. Apesar de por vezes se entusiasmar e demorar muito tempo a soltar a bola, e dos seus passes não sairem sempre acertados, Martins joga de cabeça levantada, de passada larga, e procura sempre os caminhos mais acertados para colocar a bola perto da baliza adversária. E se é verdade que faz alguns passes falhados, não é menos verdade que muitas vezes consegue passes fantásticos que depressa se transformam em assistências para golo, tal a qualidade com que os fez e que deixam isolados os companheiros na cara dos guarda-redes adversários. A juntar a isto tem a força e colocação do remate, que chega muitas vezes a ser espantosa, e tem outra coisa que aprecio muito: garra, raça, ambição e vontade de vencer própria dos grandes guerreiros, dos grandes jogadores. Carlos Martins tem fibra de campeão. Mas como há sempre um lado mau em tudo, Carlos Martins tem também algo que muitas vezes o trai: um feitio absolutamente explosivo e intempestivo. Não consegue acatar uma decisão contrária do árbitro sem protestar, não se contém nos protestos mesmo contra colegas de equipa e não tem a mesma força psicológica que tem física. Porque desengane-se quem pensa que Martins não tem muita capacidade física. Treta. Carlos Martins tem capacidade física. O que ele não tem, e isto não se pode admitir num profissional de futebol, é capacidade psicológica para lidar muitas vezes com o esforço e com a pressão. Porque é inconcebível que um jogador com 27 anos não consiga fazer mais de 2 ou 3 jogos completos numa época, que tenha de ser sempre substituído ao fim de 60 ou 70 minutos, que nessa altura do jogo já esteja esgotado. É inconcebível. E isto acontece porque ele não tem a força mental necessária para suportar jogar em condições um pouco adversas. Se tivesse um melhor acompanhamento a este nível (mas desde sempre, não só agora mas sim desde sempre), Carlos Martins seria, sem sombra de dúvidas, o melhor 10 português da actualidade. Tinha (e tem) potencial para ser um médio extraordinário. É pena que muitas vezes pareça esquecer-se ou nem sequer acreditar nisso. É realmente pena. Mas que não há nenhum melhor que ele na actualidade em Portugal (ao mesmo nível, talvez só Nuno Assis), isso não há, e Carlos Queiroz deveria estar atento a isso, ainda para mais agora que o "seleccionável" Rúben Micael se lesionou e ficou fora do Mundial. Para suplente de Deco (e mesmo isto eu já considero abusivo, porque Deco tem sido quase toda a época suplente no Chelsea), Queiroz só pode mesmo pensar em Nuno Assis ou Carlos Martins. Para mim, iam lá os 2.
Já está!!! O primeiro título oficial da época já está conquistado! Ao contrário de outros, que sempre menosprezaram esta taça, eu defendo, desde o início da mesma, que o Benfica devia dar importância a esta competição, visto que é um troféu oficial, e o Benfica é uma equipa habituada a somar glórias, a vencer competições, pelo que não se pode dar ao "luxo" de se pôr a desprezar troféus oficiais, seja uma taça com 40 anos ou com apenas 3. Por isso critiquei muito o Camacho quando desprezou esta competição, fazendo o Benfica ser eliminado pelo Vitória de Setúbal, que acabaria por... vencer a 1ª edição da Taça da Liga, na final frente ao Sporting. O ano passado o Benfica olhou para esta competição de outra forma e venceu-a. E este ano, mesmo rodando jogadores em vários jogos, a equipa nunca descurou a vitória do troféu e acabou por o conseguir, dando para já a hegemonia total do Benfica nesta taça: em 3 anos, ganhámo-la por 2 vezes. Isto é Benfica, é assim que tem de ser. Se o Porto tivesse desprezado a Supertaça nos primeiros anos em que ela foi jogada, certamente agora teria muito menos Supertaças (e títulos) no seu palmarés. É nisto que todos temos de pensar quando dizemos praí que esta e aquela taças não são importantes. Mentira! Para o Benfica, todos os troféus oficiais importam. Porque o Benfica é um clube que cresceu a vencer, que se tornou grandioso a nível mundial porque vencia tudo. Não pode agora andar aí a dizer que só quer ganhar campeonato e Liga Europa ou dos Campeões. Tem de querer ganhar tudo. Qual foi o primeiro troféu ganho pelo Mourinho no Chelsea? Exacto: a Taça da Liga. E assim criou uma dinâmica de vitória na equipa que o levou a vencer 3 meses depois o campeonato. E é isso que tem de (e vai) acontecer este ano no Benfica. A primeira competição está no papo. Agora é lutar para garantir o mais cedo possível o campeonato e, se os nossos jogadores conseguirem, lutar para o brilharete na Liga Europa. Eu acredito, porque sempre acreditei nesta equipa e principalmente neste treinador. Para mim, e posso dizê-lo com toda a propriedade porque o digo desde há muitos anos, Jorge Jesus é, logo depois de Mourinho, o melhor treinador português desde há muitos anos. De longe. Só pecou por tardia a sua chegada ao Benfica. Este título, e os outros que aí virão, são todos obra sua.
JJ arriscou no 11 inicial... em parte. Para a baliza, escolheu o mais experiente, o guarda-redes da Liga Sagres, muito provavelmente aquele que ainda lhe dá mais garantias: Quim. A defesa foi a mesma de Marselha, sendo que no meio-campo apareceu a grande novidade: Airton no lugar de Javi Garcia. Jesus deu assim ao jovem brasileiro uma prova enorme de confiança, que foi aproveitada a 100%: voltei a nem dar pela falta de Javi. Depois, Aimar jogou como fazia no ano passado: atrás de Kardec (que substituiu Cardozo), num esquema, apesar de tudo, bem mais dinâmico, que implicava o apoio ao brasileiro também de Di María e até Ramires. O jogo em si foi totalmente controlado pelo Benfica, a partir do momento em que chegou ao golo - aos 9 minutos. Até aí, o Porto estava a atacar mais, embora sem qualquer clarividência - que fraquinho está este Porto... Até que chegou aquele remate fraco, inofensivo, do meio da rua de Ruben Amorim... e aquele frango monumental de Nuno, a colocar o Benfica na frente sem nada de especial ter ainda feito no encontro. Como eu havia lembrado no meu post anterior, ser o Nuno a titular era um muito bom prenúncio para nós, pois ele já havia estado na nossa última vitória na Taça de Portugal. Acertei na mouche.
A partir daí, a tendência do jogo mudou completamente. O Benfica, em vantagem, sentiu-se como peixe na água e bastou-lhe gerir os acontecimentos, nunca arriscando em demasia e sem chegar sequer a ter de imprimir no jogo a velocidade e a atitude demonstradas no encontro de Marselha. Aliás, este Porto perderia por 3 ou 4 com aquele Marselha, não tenho quaisquer dúvidas. Enquanto o Benfica fazia o seu jogo e deixava o tempo correr, controlando totalmente a partida, os jogadores portistas iam demonstrando, num sem número de ocasiões, que estavam completamente de cabeça perdida, uns com os outros, com o adversário, com o árbitro, enfim... Uma vergonha. Em cima do intervalo, Carlos Martins foi rasteirado por Raúl Meireles e logo se percebeu que dali iria sair bomba do 17 encarnado. O que ninguém esperava era que saísse tão perfeita! Que grande golo marcou Carlos Martins! Daqueles tiraços só ao alcance de bombistas do calibre de Martins - e que feliz que ele é nas finais da Taça da Liga! A continuar assim, podemos estar descansados quanto aos nossos números 10: tanto Aimar como Carlos Martins são extraordinários. Só Queiroz é que não vê o momento extraordinário de forma, física e psicológica, de Martins. Mas vai Ruben Micael e estará tudo bem. Ou não...
Com 2-0 ao intervalo, e com os ânimos quentinhos, pedia-se a Jorge Jesus que fosse prudente e reduzisse ao mínimo o risco, pois o próximo jogo será mais uma finalíssima, a recepção ao Braga, e havia o perigo de algum jogador ser expulso, nomeadamente Maxi Pereira e Aimar, que já tinham visto o amarelo na primeira parte. Mas JJ não tirou nenhum dos 2 ao intervalo, optando por aguentar um pouco mais para ver no que dava a 2ª parte. Mas deu mais do mesmo, com o Benfica a controlar e a criar perigo nalgumas situações, mas sempre sem forçar muito, pois nem valia a pena. Aimar acabaria por sair aos 62 minutos, mas Maxi até actuou o jogo todo, nunca sendo sequer ameaçado por Alvaro Pereira ou Rodríguez. Já nos descontos, uma jogada fantástica de Ruben Amorim (para mim, o melhor em campo), com uma tabelinha perfeita com Saviola pelo meio, deu a Cardozo a possibilidade de também picar o ponto e consumar a goleada encarnada. Estava escrita mais uma bela página de uma história que cada vez encanta mais quem a segue.
No Porto, não houve um único jogador que tivesse uma prestação positiva. Foi um jogo péssimo de todos, sem excepção. O menos mau talvez tenha sido Fernando, que regressava de lesão após mês e meio, salvo erro. Por ele, o Porto não tinha perdido por tantos. Nota negativíssima para Bruno Alves. Eu até sou dos que já defendeu algumas vezes o central do Porto, mas começa a ser demais aquilo a que assistimos jogo após jogo. Escudando-se na desculpa de que a maneira de jogar do Bruno Alves é assim, que é muito viril, muito impetuoso, os seus defensores vão alimentando a ideia de que ele pode ter as entradas que quiser, fazer as faltas que quiser, chamar o que quiser a adversários e árbitros, provocar tudo e todos, que nada lhe acontece, porque é a sua maneira de jogar. Hoje, aquilo a que assistimos foram cenas lamentáveis de alguém que é o capitão de uma grande equipa e que devia ser um exemplo para toda a gente, para as crianças que o seguem. Mas não é. O que eu vejo em todos os jogos é uma falta de desportivismo e de lealdade gritante de Bruno Alves para com todos os intervenientes no jogo, desde adversários a árbitros. Ele chama tudo a toda a gente (hoje viu-se claramente insultar o árbitro e o Alan Kardec variadíssimas vezes), ele agride tudo e todos (hoje foi "só" o Kardec e o Cardozo), pega-se com tudo e todos, enfim, é uma vergonha. E é inadmissível que um clube supostamente tão grande não ponha cobro aos seus profissionais e os deixe fazer estas cenas lamentáveis sem qualquer tipo de punição. Repito: é lamentável. Assim como foram lamentáveis as cenas a que fomos assistindo durante a tarde e antes e no intervalo do jogo. Curiosamente, os vídeos que houve e as notícias a descrever os incidentes falaram todas de agressões e provocações de adeptos do Porto (nomeadamente da claque criminosa dos Super-Dragões) a adeptos encarnados e não o contrário. Eu só pergunto: será que os adeptos do Porto que gostam verdadeiramente do seu clube, de futebol, de desporto, se revêem nesses actos? E se se revêem nos actos do seu capitão? Dêem-me o vosso feedback, para eu tirar esta dúvida, por favor.
Posto isto, resta-me dar os parabéns a toda a equipa, ao treinador e à estrutura directiva do Benfica, que planeou esta época de modo a proporcionar aos seus adeptos uma equipa ganhadora, ambiciosa, com jogadores de grande qualidade, um treinador formidável e um futebol espectacular, que faz os adeptos sonharem mais e mais a cada jogo que passa. Uma já cá canta, essa é que essa. E o Benfica voltou a fazer a festa no Algarve, perto da minha cidade, tal como no ano passado, quando estive lá no estádio. Este ano não pude, vibrei pela televisão, mas o sentimento foi o mesmo. Este foi o primeiro troféu ganho pelo Benfica desde que tenho este blog. Espero que, ainda nesta época, possa festejar aqui mais dois. Seria muito bom sinal. Agora, e porque o Benfica nunca pára, é começar já a pensar na recepção ao Braga, naquele que poderá ser o jogo do título. Se ganharmos, os 6 pontos serão quase a garantia de que o título de campeão nacional, o 32º da nossa história, não fugirá. Eu acredito nessa vitória, tal como sempre acreditei na de hoje e na da passada 5ª feira, em Marselha (e, já agora, como acredito que iremos eliminar o Liverpool...). Rumo ao 32º! E viva o Benfica e a conquista da 2ª Taça da Liga!
PS: Farei um post amanhã com todo o percurso da equipa nesta Taça da Liga, onde estarão também as imagens e vídeos desta final, bem como de toda a festa que ocorreu depois do encontro. Neste post, e para não fugir ao esquema da crónica normalmente feita depois de cada jogo, optei exactamente por fazer uma crónica normal. O post da euforia e do percurso vencedor fica para amanhã. Para já, aqui fica o resumo com os golos deste jogo:
A caminhada triunfal do Benfica continua. Depois de uma semana fértil em falatórios e casos extra-futebol, o Benfica voltou a demonstrar, no campo, que é onde melhor se argumenta no futebol, que tem a melhor equipa do campeonato, que pratica o melhor futebol, que possui um ataque demolidor, mas acima de tudo um conjunto fortíssimo, capaz de aguentar todas as adversidades. A jogar assim, nem com todos os andores do mundo (bem presentes no jogo Nacional-Porto) nos poderão parar, pois é impossível parar o bom futebol.
O jogo começou com um Benfica moderado, a tentar surpreender um Vitória de Guimarães bem montado, como sempre, e a jogar no erro dos encarnados, mas sempre com uma postura ofensiva que é de aplaudir. O Vitória de Paulo Sérgio é a antítese da equipa que joga com o autocarro e isso só beneficia o espectáculo. De forma um pouco surpreendente, pois o jogo estava morno, o Benfica chegou ao primeiro golo, fruto de uma jogada em que Aimar faz um bom trabalho mas, ao tentar passar para Cardozo, quase borra a pintura, pois o paraguaio estava claramente fora-de-jogo. No entanto, como Moreno se encarregou de cortar o lance e "devolver" a bola a Aimar, isolando-o, o argentino ficou na cara de Nilson e, contrariamente ao que costuma fazer (falhar), desta vez teve a calma suficiente para, com muita classe, bater o guarda-redes do Vitória, fazendo o primeiro do jogo (Aimar que, diga-se, voltou hoje a ser o Aimar do início da época, depois de alguns jogos em que foi uma sombra de si mesmo).
Quanto tudo parecia encaminhado, o Vitória cresceu, apoiado no talento enorme (e mais uma vez comprovado) de Nuno Assis, um jogador de grande qualidade e completamente desaproveitado no Benfica (e na selecção). Para mim, foi ele o melhor em campo do Vitória, é o melhor jogador da equipa (de longe) e teria lugar em qualquer equipa do nosso campeonato, incluindo o Benfica, assim como no Mundial pela selecção. Mas tudo isso já eu defendo há muitos anos e muitas vezes aqui no blog (aqui, aqui, aqui e aqui). O lance do golo é muito bom, destacando-se também o excelente passe de João Alves a isolar o Rato Atómico.
Mas a grande diferença (ou uma delas) deste Benfica para o das épocas anteriores é a de que esta equipa não dá a sensação de ir sofrer um golo a cada momento, e quando sofre fica sempre a impressão de que acabará por voltar a marcar e neutralizar o golo sofrido. Eu tenho sentido isso esta época, pela primeira vez na vida. Esta é a verdade. E é o que se verifica no campo. O Benfica foi construindo as suas oportunidades, foi atacando e acabou por chegar ao segundo golo num belo lance desenhado pelo ataque e concluído de forma irrepreensível por Carlos Martins. O mesmo Carlos Martins encarregar-se-ia, minutos depois, de marcar um golo monumental, de levantar um estádio, mostrando o grande jogador que é (ou que poderia ter sido). Não fosse o caos que é aquela cabecinha. Cabecinha essa que lhe voltou a falhar momentos depois, ao ver o segundo amarelo infantilmente, falhando assim o próximo jogo, numa altura em que vinha marcando o seu lugar na equipa, ora a 10, ora a interior direito. Até ao fim do jogo, destaque para o golo falhado de forma incrível por Cardozo (onde anda o goleador da primeira volta?) e para o grande remate de Éder Luís, desviado por Nilson para a trave. Acho que temos jogador.
E assim, com mais uma vitória absolutamente inquestionável, conseguida de forma leal perante um adversário muito bom, o Benfica continua no segundo lugar, com os mesmos pontos do surpreendente Braga, e mantém a distância pontual de 6 pontos para a equipa dirigida por corruptos, que, como se viu no seu jogo na Choupana, continuam activos e a comandar o nosso futebol. O seu azar é que o Benfica, esta época, destrói no campo todos os esquemas que se possam montar. Quanto aos adeptos encarnados que estão com medo do Braga, só posso dizer isto: não tenham. Porque o Braga, daqui a 3 jornadas, vai ao Dragão, e 4 jornadas depois vai à Luz. Como me parece que perderá estes 2 jogos, ficará à 24ª jornada arredado totalmente desta luta. Até porque, ao ver que não conseguirá afastar o Benfica da luta, o Porto vai ter de mexer os cordelinhos para ficar, pelo menos, em 2º, de modo a não perder os milhões da Champions, o que equivale a dizer que será o Braga a pagar as favas. A ver vamos. Já o Benfica receberá, já na próxima quarta-feira, a União de Leiria, em jogo antecipado da 20ª jornada, e espero obviamente que a vitória seja conseguida para, ainda que com um jogo a mais, nos vamos já habituando ao primeiro lugar, que não mais largaremos até ao fim da temporada. Já só faltam 13 jornadas. Rumo ao 32º!
PS: Vermelhusco, a equipa fez o que tinhas pedido aqui.
E tudo voltou a ser como dantes. Ou seja, o Benfica voltou a apresentar um futebol mais consentâneo com o que fez durante a primeira fase da época, embora sem ser o rolo compressor que goleava em todos os campos, e a arbitragem voltou a ser prejudicial, mas a equipa foi superior e venceu, com toda a justiça, um jogo difícil, num campo muito complicado por natureza, e ainda mais este ano, em que o Rio Ave se tem exibido a um plano muito bom, como ainda há poucas semanas pudemos ver quando os defrontámos para o campeonato. Aí, só Saviola fez tremer a rede. Desta vez, Carlos Martins e Di María merecem os louros. Mas talvez não sejam os únicos...
A figura do jogo foi Cardozo. O paraguaio, apesar do golo marcado de penalty ao Marítimo, anda arredado dos golos desde a recepção à Académica, em que conseguiu um hat-trick, mas parece ter ganho mais maturidade e inteligência a nível táctico. Em Vila do Conde, num jogo em que a dupla argentina Aimar-Saviola não existiu, foi o paraguaio o armador de jogo da equipa. Depois de uma primeira parte que nada deu de relevante ao jogo, na segunda o Benfica entrou de rompante, à semelhança do que havia acontecido no jogo para o campeonato, com vontade de arrumar as contas do encontro e do grupo. E marcou logo aos 49 minutos, por intermédio de Carlos Martins, a passe de Cardozo. Foi um grande golo do médio português, mais um. Carlos Martins é um belíssimo jogador, que só peca por ser tão inconstante. Tinha potencial para ser dos melhores médios portugueses, mas psicologicamente tem muitas falhas. É pena.
Depois veio o lance que me pôs fora de mim. Eu sei que não foi falta, David Luiz faz um corte limpíssimo, mas a verdade é que só há uma palavra que possa descrever aquela acção naquele momento: burrice. Sabendo da pressão que existe actualmente em cima dos árbitros para os jogos do Benfica, sabendo da pressão que existe sobre ele próprio e a (pseudo) dureza a mais que utiliza nalguns lances, sabendo que há uma campanha a dizer que o Benfica é beneficiadíssimo na taça da Liga, e, já agora, vendo o lance com olhos de ver, era óbvio que nunca poderia entrar daquela maneira àquela bola, não só porque o lance não era de grande perigo (Bruno Gama encaminhava-se para a linha de fundo) mas porque era mais que óbvio que o árbitro ia marcar penalty. Só um jogador que não pensa é que vai cometer uma infantilidade daquelas. Mas, que se há-de fazer? Bruno Gama lá marcou o golo e o Benfica teve de voltar a fazer pela vida. E fez. Em mais um lance magistral de Cardozo (passe fenomenal), Di María fica isolado na cara de Mora e, desta feita, resolve a jogada com muita classe, ele que tantas vezes falha no momento do remate. Aqui não falhou e fez o resultado final do encontro, não sem que antes de terminar, Kardec não tivesse dado um ar da sua graça, com dois remates ao poste na mesma jogada a mostrar que pode ser melhor alternativa a Cardozo que Keirrison. A ver vamos.
No Rio Ave, o melhor elemento foi, de longe, Bruno Gama. Não me parece que seja jogador para um grande (talvez por isso não tenha singrado no Porto, onde, depois de sucessivos empréstimos, foi dispensado), mas, para uma equipa que lute pela Europa, é um belíssimo extremo. Foi o elemento mais esclarecido dos vila-condenses, apesar de Vítor Gomes também ser um excelente jogador.
E assim, sem espinhas, o Benfica garantiu a passagem à fase seguinte da taça da Liga, competição onde é o detentor do troféu. Foi pena não ter conseguido marcar apenas mais um golo, que faria com que fosse o segundo melhor primeiro classificado dos grupos, em vez do Porto, mas a falta de sorte de Kardec e a arbitragem desastrosa não o permitiram. Além do penalty mal assinalado a David Luiz, Cosme Machado não viu uma mão clamorosa de Gaspar na área do Rio Ave nem um derrube a Maxi Pereira, um em cada parte. Mas, apesar disso, o que importa é que o Benfica venceu e continua a convencer, prometendo uma continuação de época muito boa em todas as frentes. Agora, poderá ter de ir aos terrenos de Sporting ou Porto, tendo ainda a hipótese de receber a Académica. Qualquer dos jogos será para vencer, de modo a repetir a presença na final da competição. Confesso que, apesar de por um lado preferir defrontar a Académica na Luz (tarefa mais facilitada), por outro lado teria um gostinho especial em ir a Alvalade ou ao Norte vencer uma dessas duas equipas e apanhar a outra na final. Até podia não ser esse o desfecho, mas quero acreditar que vai ser. Se puder ser no Dragão, melhor ainda. Para os deixar fora da final mais uma vez. Até lá, esperemos o que o sorteio nos reserva. Venha quem vier, o Benfica terá de vencer. A história gloriosa do clube assim o obriga.
A festa da taça chegou a Monsanto. O Benfica foi jogar com o clube da pequena aldeia onde moram pouco mais de 900 pessoas e deu-se a anunciada festa, a que se juntou a romaria de adeptos benfiquistas vindos de Lisboa.
No campo, mais do mesmo. A equipa monsantense lutou, foi aguerrida, deu tudo o que tinha, mas não conseguiu contrariar o maior poderio de uma equipa que é, actualmente, um colosso a nível mundial.
O Benfica jogou a primeira parte a velocidade de cruzeiro, um pouco à imagem da segunda parte em Paços de Ferreira. Com um 11 quase totalmente renovado (excepção feita a David Luiz e Javi Garcia), é normal que os automatismos não estivessem totalmente assimilados pelos jogadores e que as individualidades se superiorizassem ao colectivo. E foi numa jogada individual que apareceu o primeiro golo do jogo, o único da primeira parte. Uma jogada de Felipe Menezes, que passou por 3 adversários e, com alguma sorte num ressalto à mistura, enviou a bola para o fundo das redes do guarda-redes René.
Ao intervalo a vantagem era magra e a atitude para a segunda parte foi outra. Carlos Martins deu-me razão mais uma vez, provando toda a sua qualidade, e marcou 2 golos de belo efeito, sendo que o segundo é portentoso.
Com a equipa do Monsanto esgotada fisicamente, o Benfica foi controlando, sempre à espreita de mais golos, e nos últimos 10 minutos apareceram mais três, sendo que a maior festa foi feita aos 69, quando Mantorras se estreou nesta época. Saviola, pleno de oportunidade, tornou-se o primeiro jogador esta época a marcar em todas as competições.
César Peixoto (que fez um jogo, no meu entender, desastroso) marcou um golo de belo efeito num livre directo.
E Fábio Coentrão finalmente conseguiu dar com as balizas adversárias. Esperemos que a malapata acabe e que a partir de agora a veia goleadora apareça com muito mais frequência.
A equipa do Monsanto ainda mostrou alguns predicados na primeira parte, mas depois o ritmo decaiu claramente. De realçar que o jogador Guti chama-se na verdade Paulo Sereno e foi dos quadros do Benfica até chegar aos séniores, onde jogou na equipa B. Também de enaltecer neste clube a presença de Marçal, brasileiro que foi campeão nacional em 00/01, ao serviço do Boavista, e que na época seguinte foi treinado por... Jorge Jesus no Vitória de Setúbal. Ontem ficou no banco.
E assim se vai escrevendo a caminhada do Benfica na taça de Portugal, a verdadeira festa do povo, que se espera seja triunfal e dure até Maio, com a conquista da 25ª, no Jamor. Eu acredito!
Uma primeira parte demolidora construiu a vitória esta noite na Mata Real. A segunda parte foi ao ritmo de passeio. O Benfica conseguiu a 6ª vitória consecutiva. Melhor só o Braga. O Sporting está a 8 pontos, o Porto a 3 e, mais importante neste momento, vencemos num terreno onde o rival mais directo já perdeu pontos.
O Benfica entrou de rompante, como em tantos outros jogos esta época, e logo aos 4 minutos chegou ao golo, por intermédio de David Luiz, a corresponder de cabeça a um canto de Carlos Martins. Foi mais um golo de bola parada, a confirmar o grande trabalho que JJ tem feito neste particular na equipa.
A pressão benfiquista continuou e foi com naturalidade que aos 22 minutos um grande remate de Carlos Martins só parou no fundo da baliza de Cássio. Contrariando muitos benfiquistas que não vêem qualidades em Carlos Martins, eu sempre o defendi e sempre soube que é um jogador com uma técnica refinadíssima, que apenas é traído pelas constantes dificuldades físicas (e pelo muito mau feitio). Mas de pés... do melhor.
O terceiro golo, marcado a poucos minutos do intervalo, é uma maravilha da autoria do melhor marcador do campeonato. Já lá vão 8 em 7 jogos.
No Paços, apesar de Maykon ter marcado o golo e de uma ou outra boa iniciativa de Ciel, o melhor jogador continua a ser Cristiano. É muito estranho como não é titular esta época, terá certamente a ver com o episódio da chegada tardia na pré-época. Um jogador com uma qualidade técnica fora de vulgar, sentido de baliza, remate fácil, poderia ainda melhorar a nível físico, mas é sem dúvida o melhor jogador do Paços.
Foi uma vitória mais tranquila do que se pensava inicialmente, até devido às ausências já anunciadas de Di Maria (substituído por um Coentrão hoje um pouco apagado), Aimar (superiormente rendido por Carlos Martins; na 2ª parte notou-se o completo desenquadramento de Menezes com o restante plantel) e Maxi (rendido por Ruben Amorim, que também já fez melhores jogos, mas cumpriu). O Benfica soube tornar o jogo fácil de modo a poder abrandar o ritmo na 2ª parte e gerir o esforço dos jogadores. A 2ª parte foi jogada a ritmo de cruzeiro e o Paços soube aproveitar esse facto para se acercar com mais perigo da baliza de Quim. Marcou um golo, teve mais uma ou outra situação de perigo, mas nunca colocou verdadeiramente em causa a superioridade das águias. E assim continuamos a 2 pontos do líder Braga. Faltam 23 finais, rumo ao 32º! Eu acredito!