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sábado, 9 de outubro de 2010

Duas notas

1 - O presidente do Benfica finalmente esteve 100% bem numa entrevista. Dominou bem os registos - foi irónico e sarcástico quando teve de ser, mas também soube falar a sério no momento certo -, mas acima de tudo manteve a coerência no discurso, não se deixou enrolar e mandou as mensagens certas para todos os intervenientes. Desta vez, tiro-lhe o meu chapéu. Faltou apenas, como li no grande A Mão de Vata, mandar a boca ao treinador do Porto de pedir para repetir o jogo de Guimarães, mas pronto, não se pode pedir a excelência. Digamos que esteve "apenas" muito bem.

2 - Pode ser de mim, mas parece-me que bastou a selecção nacional arranjar um verdadeiro treinador para os resultados começarem a surgir e as próprias exibições da equipa melhorarem substancialmente. Parecendo que não, isto de ter um comandante a sério no banco muda muita coisa... Ah, e para quem dizia que o nosso Carlos Martins nunca mais ia pisar na selecção, não só pisou como fez parte do 11. Eu sempre achei que o Paulo Bento tem uma espinha dorsal elevada, e não me enganei. Agora já acredito na qualificação para o Europeu. Se bem que ainda não percebi muito bem se desta vez se qualificam os 2 primeiros do Grupo (como aconteceu em 2008) ou se vai apenas o primeiro. Mas seja como for, acredito no apuramento. Vamos lá ganhar agora na Islândia!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Entrevista de Luís Filipe Vieira à SIC

Segui com atenção a entrevista que Luís Filipe Vieira concedeu à SIC, conduzida por Rodrigo Guedes de Carvalho. No geral, achei-a fraca. Já vi o Rodrigo muito melhor noutras ocasiões. Quanto às respostas do nosso presidente, foi mais do mesmo, não acrescentou nada de especial àquilo que já todos sabemos há muito. A não ser a confirmação de que o Mantorras já não dá para o futebol. Quando isto é dito pelo próprio presidente do clube (que é, ainda por cima, a pessoa que mais apoiava o avançado angolano), penso que está tudo dito sobre o assunto Mantorras. Esta será, quase de certeza, a última temporada do angolano enquanto jogador profissional de futebol (se é que essa já não teve lugar o ano passado, visto que me parece quase impossível que Mantorras venha a jogar qualquer minuto este ano).

De salientar a confirmação de que foi mesmo Jorge Jesus a avalizar a contratação de Roberto, que Eduardo chegou a ser negociado com o Braga (viria em pacote com um jogador que entretanto foi vendido para outro clube - Evaldo) e que o Gaitán foi mesmo contratado para ser o substituto de Di María - claramente um erro de casting, pois o próprio Gaitán já afirmou diversas vezes não estar acostumado a jogar nessa posição.

Por fim, tardaram mas lá chegaram as críticas às arbitragens destes primeiros jogos do campeonato. Não sou apologista desta política que grassa no Benfica desde a época passada de não protestar quando é roubado. O Mourinho e o Ferguson, apenas e só os melhores treinadores do Mundo, protestam dos árbitros em quase todos os jogos, quer ganhem ou percam. E é assim que tem de ser, é assim que se protege a equipa (desde que se tenha razões para isso, bem entendido). Caso contrário, esses artistas vão continuar a fazer o que têm feito desde que este campeonato começou, o que já nos fez perder 3 pontos (a derrota com a Académica, visto que com o Nacional não vi qualquer roubo) e que já deu muitos pontos aos mais directos rivais (basta ver como o Porto conseguiu 2 das suas 3 vitórias e como o Sporting conseguiu a sua última).

Em relação às polémicas envolvendo a selecção, LFV optou por atacar deliberadamente o secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, dizendo com todas as palavras que foi este que orquestrou tudo isto para poder despedir o Carlos Queiroz. Não estava lá, portanto não sei se é verdade, mas parece-me que não foi o Laurentino que insultou os responsáveis do controlo anti-doping. De qualquer forma, ficou bem ao nosso presidente voltar a afirmar que Nuno Assis nunca esteve dopado. O jogador merece, pois foi um grande profissional do Benfica que perdeu um ano de carreira por causa dessa brincadeira.

A finalizar, acho que geriu bem a pergunta de faca e alguidar sobre o que tinha a dizer em relação à provocação do verme-mor do futebol português. O desprezo é a melhor maneira de lidar com esse tipo de gente (embora eu não saiba até que ponto este "desprezo" de LFV para com Pinto da Costa é genuíno, mas enfim...). E também lhe ficou bem pedir aos adeptos do futebol para que não se repitam as lamentáveis cenas da época passada. Isso sim era um bem que se fazia ao futebol.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Duas entrevistas para ver... e até rever

Ponto prévio: nunca fui apoiante de Luís Filipe Vieira, e de há uns tempos para cá ainda menos.

No entanto, confesso que hoje me surpreendeu, e muito, pela positiva. Respondeu a tudo com muita elevação, com muita calma e tranquilidade, não caiu nas ratoeiras (apesar de poucas, o que também me deixou bastante surpreendido) do entrevistador e manteve sempre uma postura muito correcta. Parece que o trajecto vencedor do clube também se reflecte no discurso do presidente. E acho muito bem. Hoje, talvez pela primeira vez, posso dizer que tive orgulho em ter Luís Filipe Vieira como presidente do Benfica. Finalmente.

PS: Ao que parece, ao mesmo tempo estava o ser mais execrável deste país a ser entrevistado na RTP. Em comum, pelo que li depois nas edições on-line de vários jornais, o assunto foi comum às duas entrevistas: o Benfica. É o que dá ser o maior clube do país. Têm de estar sempre a falar de nós.




Alguns minutos depois, começou na SIC Notícias a entrevista a Ricardo Costa, presidente da Comissão Disciplinar da Liga. O que posso dizer sobre esta entrevista foi que este senhor deu uma lição de civismo e cidadania a toda a gente que o insulta apenas porque faz cumprir as leis que essa mesma gente criou. Isto é verídico, e o homem explica tudo tintim por tintim nesta entrevista. Vale a pena ver: se for adepto do Porto ou apenas anti-Benfica, para perceber que não há nada de pessoal nas decisões que o homem tomou; se for adepto do Benfica, para perceber que argumentos deve utilizar quando discutir este assunto com um anti-Benfica. Está aqui tudo.

PS: A entrevistadora, das duas uma: ou estava absolutamente corrompida, ou então é adepta do Porto desde sempre. Só faltou apontar uma pistola ao homem e obrigá-lo a dizer que é do Benfica desde pequenino. Absolutamente ridícula.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Finalmente alguém a defender a equipa e atacar os inimigos...

... ainda que tardiamente, na minha opinião. Mas, ao menos, finalmente houve alguém a dar a cara e a defender-nos. E, para isso, ninguém melhor que o presidente do clube.


"Vão surgir obstáculos que temos de estar preparados para ultrapassar. Alguns estão previstos, outros não, mas temos de estar unidos para superar tudo o que possa vir a acontecer. É em momentos como este que – todos nós - sendo muitos, verdadeiramente devemos ser apenas um!

Enquanto caminhamos temos de saber que seremos sempre mais fortes quanto mais unidos estivermos. Que aquilo que nos deve importar não é o que passa ao lado ou o que dizem de nós. O essencial somos nós, o essencial é estarmos unidos à volta dos nossos objectivos.

Mas estar concentrados no essencial não significa estar menos atentos ou vigilantes em relação a alguns comportamentos que apesar de absurdos não são inocentes!

Algumas pessoas têm de perceber que há uma coisa mais importante do que ganhar: a verdade! Não o perceberam no passado, esperemos que o entendam agora!

A verdade é um valor absoluto, pode ser negada, mas não pode ser mudada. Pode ser branqueada – até por alguma justiça – mas mesmo assim não muda a sua essência, porque uma mentira quando não é reparada não desaparece, torna-se apenas maior!

Podem contestar as leis que eles próprios aprovaram, podem até contestar o sol ou a chuva, o frio ou o calor. Mas a única coisa que deveriam contestar é a hipocrisia e a falsa moral que tanto apregoam mas que, verdadeiramente, nunca tiveram.

Podemos continuar a aceitar aqueles que fazem da divisão, do conflito e do cinismo o seu modo de vida, ou podemos rejeitar tudo isso e exigir comportamentos orientados pela seriedade, pelos princípios, pela ética. É neste caminho que nos devemos manter e batalhar para que outros o façam.

Não há vítimas, nem cortinas de fumo, nem conferências de imprensa colectivas ou manifestações encomendadas que possam branquear certos comportamentos. O único que há é gente que perdeu o pouco que lhe restava de vergonha.

Num tempo atrás – não muito distante – dominado pela “escuridão” não vi os “ofendidos” de hoje levantar a sua voz de indignação. Pelo contrário, o que eu assisti foi ao seu silêncio cúmplice que amarrou o futebol português a uma mentira que durou mais de uma década.

É aliás assustador a naturalidade com que alguns viveram o passado e calaram!
Bem podem falar de centralismo que nós falamos do país, bem podem gritar contra o sul, porque esse é o melhor sinal de que – passados tantos anos – ainda não perceberam a verdadeira dimensão de Portugal.

Ao contrário do que alguns assumem, as instituições desportivas não são boas ou más consoante decidem a nosso favor ou contra nós. As instituições são boas quando decidem com isenção, com independência, com verticalidade. Esse é o sentido das reformas pelas quais o futebol português se deve bater!

E é esta mudança que alguns, habituados a pessoas de outros tempos, de outro carácter e de outros princípios, ainda não se habituaram.

O testemunho que vos deixo aqui hoje é este: vamos continuar como até aqui, seguros das nossas capacidades, optimistas em relação ao futuro, mas exigentes em relação ao presente."

Este é um excerto do discurso do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, na Gala dos 106 anos do nosso clube, ontem à noite, no Casino Estoril.