... ainda que tardiamente, na minha opinião. Mas, ao menos, finalmente houve alguém a dar a cara e a defender-nos. E, para isso, ninguém melhor que o presidente do clube.
"Vão surgir obstáculos que temos de estar preparados para ultrapassar. Alguns estão previstos, outros não, mas temos de estar unidos para superar tudo o que possa vir a acontecer. É em momentos como este que – todos nós - sendo muitos, verdadeiramente devemos ser apenas um!
Enquanto caminhamos temos de saber que seremos sempre mais fortes quanto mais unidos estivermos. Que aquilo que nos deve importar não é o que passa ao lado ou o que dizem de nós. O essencial somos nós, o essencial é estarmos unidos à volta dos nossos objectivos.
Mas estar concentrados no essencial não significa estar menos atentos ou vigilantes em relação a alguns comportamentos que apesar de absurdos não são inocentes!
Algumas pessoas têm de perceber que há uma coisa mais importante do que ganhar: a verdade! Não o perceberam no passado, esperemos que o entendam agora!
A verdade é um valor absoluto, pode ser negada, mas não pode ser mudada. Pode ser branqueada – até por alguma justiça – mas mesmo assim não muda a sua essência, porque uma mentira quando não é reparada não desaparece, torna-se apenas maior!
Podem contestar as leis que eles próprios aprovaram, podem até contestar o sol ou a chuva, o frio ou o calor. Mas a única coisa que deveriam contestar é a hipocrisia e a falsa moral que tanto apregoam mas que, verdadeiramente, nunca tiveram.
Podemos continuar a aceitar aqueles que fazem da divisão, do conflito e do cinismo o seu modo de vida, ou podemos rejeitar tudo isso e exigir comportamentos orientados pela seriedade, pelos princípios, pela ética. É neste caminho que nos devemos manter e batalhar para que outros o façam.
Não há vítimas, nem cortinas de fumo, nem conferências de imprensa colectivas ou manifestações encomendadas que possam branquear certos comportamentos. O único que há é gente que perdeu o pouco que lhe restava de vergonha.
Num tempo atrás – não muito distante – dominado pela “escuridão” não vi os “ofendidos” de hoje levantar a sua voz de indignação. Pelo contrário, o que eu assisti foi ao seu silêncio cúmplice que amarrou o futebol português a uma mentira que durou mais de uma década.
É aliás assustador a naturalidade com que alguns viveram o passado e calaram!
Bem podem falar de centralismo que nós falamos do país, bem podem gritar contra o sul, porque esse é o melhor sinal de que – passados tantos anos – ainda não perceberam a verdadeira dimensão de Portugal.
Ao contrário do que alguns assumem, as instituições desportivas não são boas ou más consoante decidem a nosso favor ou contra nós. As instituições são boas quando decidem com isenção, com independência, com verticalidade. Esse é o sentido das reformas pelas quais o futebol português se deve bater!
E é esta mudança que alguns, habituados a pessoas de outros tempos, de outro carácter e de outros princípios, ainda não se habituaram.
O testemunho que vos deixo aqui hoje é este: vamos continuar como até aqui, seguros das nossas capacidades, optimistas em relação ao futuro, mas exigentes em relação ao presente."
Este é um excerto do discurso do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, na Gala dos 106 anos do nosso clube, ontem à noite, no Casino Estoril.