domingo, 17 de janeiro de 2010
RAP
Mudam os túneis mas a tanga é a mesma
AINDA ninguém sabe o que mostram as imagens do túnel da Luz, mas os portistas já decretaram que as provocações são «indiscutíveis». Pronto, está decidido. A Liga que tome nota e as imagens que se arranjem lá como quiserem: é bom que mostrem provocações, caso contrário estarão a alinhar no centralismo. Todos sabemos que as imagens de vídeo, quando querem, conseguem ser muito centralistas. Enfim, só quem não se lembra das escutas, das nunca desmentidas escutas, pode estranhar esta insistência portista nas provocações. Como o leitor decerto saberá, esta não é a primeira vez que a equipa do Porto causa tumulto num túnel de Lisboa. Em Junho de 2004, por exemplo, a Comissão Disciplinar da Liga de Clubes deu como provado que, no final de certo Sporting-Porto, que acabou empatado, o treinador do Porto rasgou uma camisola do Sporting e desejou que Rui Jorge tivesse morrido em campo. A história é conhecida: no fim do jogo, Paulinho, roupeiro do Sporting, foi ao balneário do Porto tentar trocar uma camisola do Rui Jorge pela do Vítor Baía. O treinador portista, sem ser provocado por qualquer steward, esfarrapou a camisola e formulou o ternurento desejo. Foi justamente no dia seguinte que a PJ captou esta conversa telefónica entre Pinto da Costa e um administrador da SAD:
Antero Luís (A) - F******! Não dormi um c******! Estou com uma enxaqueca, pá.
Pinto da Costa (PC) - F***** da p****.... [...] Tínhamos morto esta m**** ontem [...]
A - Embora eu ache que o Mourinho, no final, também se exaltou muito!
PC - É, um bocado.
A - É! Aquela história de dizer que o Rui Jorge morreu em campo e...
PC - Ele disse aonde?
A - Ele diz que disse cá em baixo, disse cá em baixo, junto a... quando estava a malta toda ali! Mas eu liguei para a Bola e para o Jogo a desmentir! A dizer que ele estava a dizer que era mentira!
PC - Não, não! Não... não é desmentir! A gente tem é de processar o gajo que diz! [...]
A - É... e em relação à camisola, também tem de se arranjar ali uma tanga, presidente!
PC - Arranjar que ele foi provocar para a porta do balneário!
A - É. E que o Mourinho disse que: 'Esta camisola é indigna de ser trocada. Porque se a tivesse rasgado não a mandava outra vez para o balneário do Sporting.' [...] É! Temos de arranjar aí uma tanga, senão saímos por baixo desta m**** toda.
Como penso ser óbvio, a escuta tem tanto valor literário como substrato informativo. Lá está a estratégia de desmentir factos reais, a intenção de processar quem diz a verdade e a ideia de «arranjar uma tanga» — tanga essa que, pouco surpreendentemente, consiste em alegar a existência de uma provocação. Seis anos depois, mudam os túneis mas a tanga é a mesma. É interessante constatar que o Porto produz mais tangas do que a Triumph. É bem verdade: tocou a reunir no Porto. E a reunião faz-se, uma vez mais, ao redor da tanga.
Segundo a opinião insuspeita e prestigiada de Cruz dos Santos, no Porto-Leiria o guarda-redes dos visitantes foi expulso injustamente, uma vez que, como toda a gente viu, a bola lhe bateu na cabeça, e não na mão. Além disso, segundo o mesmo insuspeito e prestigiado especialista, o penalty falhado por Ronny deveria ter sido repetido, uma vez que Helton se adiantou antes de a bola partir. Helton cometeu, portanto, uma ilegalidade. Como é evidente, foi o herói na noite no Dragão. Tendo em conta que, ao que me dizem, está tudo feito para que o Benfica seja campeão, calculo que as equipas que vão jogar ao Dragão tenham o topete de, à cautela, passar a apresentar-se com guarda-redes desprovidos de cabeça, para ver se aguentam mais tempo em campo. Vale tudo para beneficiar o Glorioso.
No início da época, Domingos Paciência disse que, no ano anterior, o Braga tinha obrigação de ter feito melhor no campeonato, Taça e Taça da Liga. Na UEFA, competição em que o Braga tinha vencido a Taça Intertoto, Domingos não conseguiu passar da pré-eliminatória, frente ao poderoso Elfsborg. Na Taça da Liga, acaba de ser eliminado exactamente na mesma fase em que havia sido eliminado na época anterior. Falta o campeonato e a Taça. Mas, reduzido a duas competições, de facto tem mesmo obrigação de fazer melhor.
Por Ricardo Araújo Pereira, edição 16 de Janeiro 2010 in Jornal A Bola
sábado, 16 de janeiro de 2010
O nosso plantel VII - David Luiz
Depois dos guarda-redes, dos laterais direitos e do patrão da defesa, vem o homem da raça: David Luiz.
O Xerife, como já é chamado dentro do plantel encarnado, chegou ao Benfica em Janeiro de 2007, recomendado a Fernando Santos pelos olheiros que deambulavam por terras de Vera Cruz em busca de jovens com futuro promissor. Repararam num miúdo que jogava a central mas também correspondia como trinco, de apenas 19 anos, que jogava num clube acabado de descer à 3ª divisão brasileira, o Vitória da Baía. E ele veio para a Luz, com a difícil tarefa de vir substituir Ricardo Rocha, que entretanto havia saído para o Tottenham, e Alcides, transferido para o PSV Eindhoven. Haveria de se estrear num jogo de alto risco, na Europa, frente ao Paris Saint-Germain, devido a lesão de Luisão, e a sua exibição, apesar de alguns erros próprios de um jovem de 19 anos a estrear-se numa equipa como o Benfica e logo na Europa, convenceu os mais cépticos, entre os quais o próprio treinador Fernando Santos, que havia mostrado nos jogos anteriores ter medo de colocar o miúdo em campo (no jogo anterior, fora, com o Aves, por exemplo, recuou Katsouranis para central, deixando David Luiz no banco). Devido à lesão de Luisão e a essa exibição bem conseguida, o miúdo fez os últimos 10 jogos da Liga e ainda 4 na Europa, prometendo mais para a época seguinte.
Época essa que começou mal e acabou ainda pior para David Luiz e para o Benfica. O central começou a temporada lesionado, assim como Luisão e Zoro (nos primeiros jogos, e enquanto o certificado de Edcarlos não chegava, a dupla de centrais chegou a ser Katsouranis-Miguel Vítor). Entretanto, David Luiz recuperou, mas apenas fez 8 jogos nesta época, ficando célebre o nó que levou de Quaresma no golo que deu a vitória do Porto na Luz por 1-0. Uma lesão grave na segunda metade da época afastou-o das cogitações dos treinadores encarnados. Em suma, uma temporada inteira praticamente perdida.
E assim começou a época seguinte, falhando inclusive os Jogos Olímpicos de Pequim'2008, onde tinha lugar marcado ao serviço da selecção brasileira. Voltou aos poucos ao ritmo demonstrado na época de estreia, mas entretanto, Luisão e Sidnei haviam-se tornado imprescindíveis para Quique. A solução que o treinador espanhol arranjou para conceder a titularidade a David Luiz foi adaptá-lo a defesa esquerdo, prescindindo do ídolo dos adeptos, Léo, e do inadaptado Jorge Ribeiro. E se, na óptica do treinador espanhol, a coisa não correu mal, o mesmo não se pode dizer da maioria dos adeptos encarnados, que sempre viram nesta adaptação um desperdício de talento, pois David Luiz nunca foi capaz de encantar nessa posição, destacando-se a derrota em Alvalade, por 3-2, onde foi constantemente "papado" por... Pereirinha. Acabou a época com 19 jogos e 2 golos, ganhando a taça da Liga, mas com muitas dúvidas de todos os simpatizantes encarnados em redor do seu valor, que tardava a confirmar.
Mas tem confirmado este ano, sob as orientações de Jorge Jesus. Passou, depois de 3 experiências nessa posição (recepção ao Marítimo e deslocações a Poltava e Everton) definitivamente a contar apenas como central para o técnico encarnado e é aí que tem revelado estar a atingir grande parte da plenitude das suas potencialidades. A raça, a vontade, o querer que aplica na disputa de cada lance, bem como a qualidade técnica de que dispõe e que lhe permite, não raras vezes, aventurar-se pelo terreno e até procurar o golo, puseram a Europa de olho nele, falando-se inclusive do interesse de Real Madrid e Milan na sua contratação. No entanto, é o elevado benfiquismo que já demonstra ter (na retina ficaram os seus festejos com os adeptos aquando do golo de Javi García à Naval, entre outras manifestações que tanto enchem de alegria a massa afecta ao clube) que faz dele um dos jogadores do plantel mais queridos pelos sócios, pois sentem que David Luiz vibra como eles com o clube. Esta época David Luiz só ainda falhou 2 jogos, em casa com o AEK para descansar para a recepção ao Porto, e em Vila do Conde, castigado. Tem feito uma dupla terrivelmente eficiente com Luisão, tendo apenas 9 golos sofridos no campeonato (2ª melhor defesa). E até já marcou 2 golos (e um auto-golo). Chegou este ano à hierarquia dos capitães, sendo actualmente o terceiro do plantel, atrás de Nuno Gomes e Luisão.
Esta época tenho de fazer um mea culpa: nunca fui com o estilo de David Luiz, nunca foi um jogador que me enchesse as medidas, confesso. Até ao início desta temporada sempre o tinha achado um jogador mediano e claramente sobre-valorizado pelos média, pelos adeptos e pelos treinadores. E talvez até tivesse razão. E ele, certamente para me desmentir (eheheh), resolveu tornar-se um grande defesa central sob os comandos de Jorge Jesus. E, de todos os predicados que já apontei no parágrafo anterior, destaco, obviamente, a mística benfiquista que o miúdo tem vindo a demonstrar esta temporada. Já não via algo assim há muito tempo, e tem contagiado os seus colegas, como já pudemos constatar pelas demonstrações evidentes de benfiquismo, de querer, de mística, de Javi García, de Nuno Gomes, de Luisão, de Saviola, de Carlos Martins, de Fábio Coentrão nos relvados, e outros, naturalmente mais tímidos, como Ramires e Cardozo, em palavras. A mística faz-se disto, de jogadores assim. E David Luiz, apesar de um ou 2 deslizes logo no início da época, tem feito uma temporada - e eu nem gosto desta palavra - brutal! Já merecia (muito, mas muito mais que Hulk) uma chamada à selecção brasileira, mas isso são contas de outro Dunga que não eu. O miúdo fez-se homem e eu só tenho de bater palmas e regozijar-me com cada actuação sua, sempre cheia de benfiquismo.
Que pensam os leitores de David Luiz?
O Xerife, como já é chamado dentro do plantel encarnado, chegou ao Benfica em Janeiro de 2007, recomendado a Fernando Santos pelos olheiros que deambulavam por terras de Vera Cruz em busca de jovens com futuro promissor. Repararam num miúdo que jogava a central mas também correspondia como trinco, de apenas 19 anos, que jogava num clube acabado de descer à 3ª divisão brasileira, o Vitória da Baía. E ele veio para a Luz, com a difícil tarefa de vir substituir Ricardo Rocha, que entretanto havia saído para o Tottenham, e Alcides, transferido para o PSV Eindhoven. Haveria de se estrear num jogo de alto risco, na Europa, frente ao Paris Saint-Germain, devido a lesão de Luisão, e a sua exibição, apesar de alguns erros próprios de um jovem de 19 anos a estrear-se numa equipa como o Benfica e logo na Europa, convenceu os mais cépticos, entre os quais o próprio treinador Fernando Santos, que havia mostrado nos jogos anteriores ter medo de colocar o miúdo em campo (no jogo anterior, fora, com o Aves, por exemplo, recuou Katsouranis para central, deixando David Luiz no banco). Devido à lesão de Luisão e a essa exibição bem conseguida, o miúdo fez os últimos 10 jogos da Liga e ainda 4 na Europa, prometendo mais para a época seguinte.
Época essa que começou mal e acabou ainda pior para David Luiz e para o Benfica. O central começou a temporada lesionado, assim como Luisão e Zoro (nos primeiros jogos, e enquanto o certificado de Edcarlos não chegava, a dupla de centrais chegou a ser Katsouranis-Miguel Vítor). Entretanto, David Luiz recuperou, mas apenas fez 8 jogos nesta época, ficando célebre o nó que levou de Quaresma no golo que deu a vitória do Porto na Luz por 1-0. Uma lesão grave na segunda metade da época afastou-o das cogitações dos treinadores encarnados. Em suma, uma temporada inteira praticamente perdida.
E assim começou a época seguinte, falhando inclusive os Jogos Olímpicos de Pequim'2008, onde tinha lugar marcado ao serviço da selecção brasileira. Voltou aos poucos ao ritmo demonstrado na época de estreia, mas entretanto, Luisão e Sidnei haviam-se tornado imprescindíveis para Quique. A solução que o treinador espanhol arranjou para conceder a titularidade a David Luiz foi adaptá-lo a defesa esquerdo, prescindindo do ídolo dos adeptos, Léo, e do inadaptado Jorge Ribeiro. E se, na óptica do treinador espanhol, a coisa não correu mal, o mesmo não se pode dizer da maioria dos adeptos encarnados, que sempre viram nesta adaptação um desperdício de talento, pois David Luiz nunca foi capaz de encantar nessa posição, destacando-se a derrota em Alvalade, por 3-2, onde foi constantemente "papado" por... Pereirinha. Acabou a época com 19 jogos e 2 golos, ganhando a taça da Liga, mas com muitas dúvidas de todos os simpatizantes encarnados em redor do seu valor, que tardava a confirmar.
Mas tem confirmado este ano, sob as orientações de Jorge Jesus. Passou, depois de 3 experiências nessa posição (recepção ao Marítimo e deslocações a Poltava e Everton) definitivamente a contar apenas como central para o técnico encarnado e é aí que tem revelado estar a atingir grande parte da plenitude das suas potencialidades. A raça, a vontade, o querer que aplica na disputa de cada lance, bem como a qualidade técnica de que dispõe e que lhe permite, não raras vezes, aventurar-se pelo terreno e até procurar o golo, puseram a Europa de olho nele, falando-se inclusive do interesse de Real Madrid e Milan na sua contratação. No entanto, é o elevado benfiquismo que já demonstra ter (na retina ficaram os seus festejos com os adeptos aquando do golo de Javi García à Naval, entre outras manifestações que tanto enchem de alegria a massa afecta ao clube) que faz dele um dos jogadores do plantel mais queridos pelos sócios, pois sentem que David Luiz vibra como eles com o clube. Esta época David Luiz só ainda falhou 2 jogos, em casa com o AEK para descansar para a recepção ao Porto, e em Vila do Conde, castigado. Tem feito uma dupla terrivelmente eficiente com Luisão, tendo apenas 9 golos sofridos no campeonato (2ª melhor defesa). E até já marcou 2 golos (e um auto-golo). Chegou este ano à hierarquia dos capitães, sendo actualmente o terceiro do plantel, atrás de Nuno Gomes e Luisão.
Esta época tenho de fazer um mea culpa: nunca fui com o estilo de David Luiz, nunca foi um jogador que me enchesse as medidas, confesso. Até ao início desta temporada sempre o tinha achado um jogador mediano e claramente sobre-valorizado pelos média, pelos adeptos e pelos treinadores. E talvez até tivesse razão. E ele, certamente para me desmentir (eheheh), resolveu tornar-se um grande defesa central sob os comandos de Jorge Jesus. E, de todos os predicados que já apontei no parágrafo anterior, destaco, obviamente, a mística benfiquista que o miúdo tem vindo a demonstrar esta temporada. Já não via algo assim há muito tempo, e tem contagiado os seus colegas, como já pudemos constatar pelas demonstrações evidentes de benfiquismo, de querer, de mística, de Javi García, de Nuno Gomes, de Luisão, de Saviola, de Carlos Martins, de Fábio Coentrão nos relvados, e outros, naturalmente mais tímidos, como Ramires e Cardozo, em palavras. A mística faz-se disto, de jogadores assim. E David Luiz, apesar de um ou 2 deslizes logo no início da época, tem feito uma temporada - e eu nem gosto desta palavra - brutal! Já merecia (muito, mas muito mais que Hulk) uma chamada à selecção brasileira, mas isso são contas de outro Dunga que não eu. O miúdo fez-se homem e eu só tenho de bater palmas e regozijar-me com cada actuação sua, sempre cheia de benfiquismo.
Que pensam os leitores de David Luiz?
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Excelente crónica
Por Leonor Pinhão
Da Lei da Tripa à Lei Cantona
NO domingo, o guarda-redes da União de Leiria foi injustamente expulso mas o treinador do Porto continua a lamentar-se da perseguição dos árbitros à sua equipa. Mas há mais lamentos. Até hoje continuam sem resolução os procedimentos disciplinares a aplicar aos jogadores do Porto que agrediram dois stewards no túnel do Estádio da Luz mas o Porto, através de quem tem autoridade para falar, continua a negar a evidência e a lamentar-se da legislação em vigor sendo que a dita legislação é da autoria de um legislador da sua própria casa.
As duas situações não são sequer absurdas. São apenas ridículas, sendo que o absurdo é a serôdia indulgência com que estas conversas continuam a ser escutadas. Por comodidade, preguiça e receio, poucos são os que lhe fazem frente de forma superior e livre de inclinações.
Um aparentemente insignificante episódio paralelo é a grande aposta para a resolução do caso do túnel da Luz de forma a que a Lei da Tripa vingue uma vez mais para eterno brilho do postulado «manda quem pode, obedece quem tem juízo» que, embora público e transcrito, não tem validade jurídica dadas as «tecnicalidades» dos processos.
O Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol ralhou com a Comissão Disciplinar da Liga por causa da pena de três meses de suspensão aplicada a Rui Cerqueira, director de comunicação do FC Porto, na sequência dos insultos dirigidos por Cerqueira a um jornalista da RTP em serviço no Estádio do Mar, em Matosinhos, na ocasião da visita do Porto ao reduto leixonense.
Não é que os insultos não tenham existido e não tenham sido escutados. Simplesmente não são… tecnicamente válidos. Para o Conselho de Justiça da FPF, um jornalista, de acordo com o artigo 107.º do regulamento, não faz parte do jogo, não é nem árbitro, nem jogador, nem dirigente, nem massagista, nem público pagante. Enfim, um jornalista de serviço não é «agente desportivo» mesmo que esteja num recinto desportivo a trabalhar.
Vai daí, o Conselho de Justiça da FPF desautorizou a Comissão de Disciplina da Liga por se atrever a considerar um jornalista como alguém a quem não se pode tocar, insultar, ameaçar. É a esta noticiazinha, que parece não ter grande importância, que se vão agarrar os legisladores da Lei da Tripa. Não é que a preocupação do momento sejam os jornalistas. A preocupação do momento são os malditos stewards…
Estão a perceber, não estão? Estão a perceber onde é que isto vai chegar?
É que, vão concluir, para o CJ da FPF, um jornalista é tecnicamente igual a um steward, praticamente não existe e não está ali a fazer nada, ainda que os jornalistas recebam as suas creditações profissionais dos organismos que superintendem as organizações das provas e ainda que os stewards recebam instruções e estejam directamente dependentes dos delegados da Liga na organização dos jogos.
Há uma coisa um bocadinho patética neste novelo. São aqueles lamentáveis opinantes, civis e militares, que atribuem ao «país» todas as culpas como se o «país» fosse uma entidade abstracta, uma espécie de invólucro sem responsabilidades para o recheio. Como se a culpa fosse do país, o nosso, e logo por azar cheio de portugueses, naturalmente. Ah! E como eles gostam de dizer: «Só em Portugal é que isto acontece. Se isto acontecesse na velha Inglaterra…» E babam-se.
Ora na velha Inglaterra, em 1995, o melhor jogador do mundo, Eric Cantona, do mais sonante clube do mundo, o Manchester United, foi expulso pelo árbitro no decorrer de um jogo com o Crystal Palace. Cantona, muito a custo, aceitou a decisão do árbitro, e quando se encaminhava para a cabina foi provocado por um adepto — ou seja, um não-agente desportivo — do Crystal Palace e respondeu a soco e a pontapé, num momento de kung-fu que ficou globalmente célebre e fotografado.
O Manchester United nem hesitou. O provocador não era nem jornalista nem steward, era um anónimo pagante, sentado na bancada, no segundo errado, momento errado. Mas o Manchester United, sem esperar pelas decisões disciplinares oficiais, suspendeu o seu próprio e mais caro jogador, Cantona, God, com 4-meses-4 de castigo.
E quando chegou a penalidade da F.A. — isto é da Federação Inglesa de Futebol — que estendeu para 9 meses a suspensão, o Manchester United limitou-se a concordar, a pedir desculpa e a concluir, publicamente, que Eric, estando «profundamente arrependido», nunca lhe passou pela cabeça «justificar o seu lamentável acto com culpas alheias».
Toda a argumentação dos defensores públicos de Hulk, Sapunaru e companhia, que pretendem ver os agressores como vítimas de provocações por não-agentes desportivos, é, sem querer ofender o chamado Terceiro Mundo, um exemplo de terceiro-mundismo mental e, pior ainda, querendo fazer dos outros estúpidos.
Se os dirigentes do Porto tivessem a dimensão social e a classe inata e secular dos dirigentes ingleses, teriam sido eles os primeiros a suspender os seus jogadores e a aguardar, com pedidos de desculpa, as decisões das instâncias disciplinares do futebol.
Mas para isto acontecer era preciso que tivessem bebido muito chá em pequeninos.
OS próximos adversários europeus do Porto e do Sporting jogaram um contra o outro e empataram. Ficou num 2-2 o resultado e pode-se dizer que foi bem melhor para o Everton, equipa visitante e que vem de um início de época medíocre, do que para o anfitrião Arsenal, candidato ao título em Inglaterra e com sólidos argumentos para a grande discussão com o Chelsea e com o Manchester United.
Sorte, portanto, do Benfica em ter apanhado o Everton quando a equipa parecia não se entender no jogo colectivo e quando as suas melhores individualidades se apresentavam perras e pouco ou nada inspiradas.
Sorte do Porto se, no próximo mês, para a Liga dos Campeões, encontrar um Arsenal tão fácil de manietar como aquele que o mediano Everton foi seriamente incomodar a Londres.
Sorte para o Sporting, no seu processo de reafirmação nacional e internacional, em apanhar um Everton mais compacto e decidido porque só assim saboreará convenientemente o triunfo na eliminatória da Liga Europa.
É que, no ano passado, nos dois jogos com o Benfica, o Everton foi tão fraquinho e tão facilmente goleado que, praticamente, nem deu gozo nenhum ao pessoal.
FEZ bem Jorge Jesus em poupar Saviola no terreno pesado de Guimarães. E em poupá-lo a ter de fazer o seu sétimo golo em sete jogos consecutivos. Era demais. Também fez bem Jorge Jesus em lançar Éder Luís naquele temporal. A partir de agora, para o brasileiro não haverá jogo nem piso pior do que o de ontem. Serão só facilidades.
É incrível como ainda haja quem defenda que as raparigas que trabalham em bares não têm «credibilidade» nenhuma, ao contrário dos homens pios, e a abarrotar de «credibilidade», que frequentam alegremente os mesmos bares. No século XX muito ouvimos falar sobre estas coisinhas dos machos latinos. No século XXI, é mais uma coisinha de machos cretinos.
P.S. — Tal como Valentim Loureiro, num jantar de festa, apelou ao presidente do Supremo Tribunal Administrativo (que, corrija-se, estava ausente) para trazer a justiça do Estado para o Apito Dourado, também Pinto da Costa, noutro jantar de festa, apelou ao Secretário de Estado dos Desportos «ou a alguém do Governo» (que estava todo ausente) para «fazer um apito encarnado» contra a corrupção no futebol.
Valentim Loureiro usou da palavra na hora do café.
Pinto da Costa terá usado da palavra na hora da fruta.
Vitória de Guimarães 1 - 1 Benfica - 2ª Jornada Taça da Liga 09/10
Foi o jogo possível face às condições do tempo e do terreno (de acordo com Paulo Sérgio, o treinador do Vitória, foi o Benfica que, ao chegar ao campo, quis que o jogo se realizasse mesmo assim). A ser verdade, confesso que desconheço o porquê dessa tomada de posição dos nossos responsáveis, sabendo que o plantel encarnado é muito mais baseado na técnica do que na força. Mas enfim.
Hoje o destaque não foi para Saviola, porque o avançado argentino nem no banco esteve. Hoje, os destaques vão para dois jogadores: Fábio Coentrão, pelo golo marcado, demonstrando algumas melhorias na finalização (já não era sem tempo); e Júlio César, pela grande exibição que fez, negando golos a Leandro, Custódio, Douglas e mais alguns que me esteja a esquecer, de tantas boas defesas que efectuou. Éder Luís estreou-se mas, sendo um tecnicista por natureza, viu-se enrolado no lamaçal que era o campo do Afonso Henriques e nada mostrou de estrondoso. Terá melhores oportunidades para confirmar o seu potencial.
No Vitória, o elemento em foco foi Douglas, pelo golo que marcou (Maxi Pereira, a propósito, está um desastre, e logo agora que os seus concorrentes, Ruben Amorim e Luís Filipe, estão lesionados), mas também pelo muito trabalho que deu à defesa encarnada. Curiosamente, mantém-se a tradição de jogadores que há muitos jogos não marcam (aliás, a maioria deles estreia-se mesmo a marcar na respectiva época), marcarem sempre contra o Benfica. Não sei se alguém já alguma vez se debruçou a fundo sobre isto, mas é a mais pura das verdades. Se não, vejamos: Alonso estreou-se a marcar pelo Marítimo na Luz. Hélder Barbosa estreou-se a marcar pelo Vitória de Setúbal na Luz. Maykon estreou-se a marcar pelo Paços de Ferreira contra o Benfica. Edgar Costa estreou-se a marcar pelo Nacional na Luz. Agora o Douglas, que ainda não tinha marcado esta época, lá marcou ao Benfica. Só fogem a este registo os jogadores de Braga e Olhanense (Hugo Viana e Paulo César e Carlos Fernandes e Toy) que já tinham marcado no campeonato antes de jogar com o Benfica. O resto, todos se iniciaram connosco e muitos deles nem marcaram (nem chegarão a marcar) mais nenhum golo na época. E isto já vem de há muitos anos, não é de agora. Algo a verificar pelos responsáveis encarnados.
E assim o Benfica deixou fugir uma bela oportunidade de, a exemplo do Sporting, carimbar já hoje o passaporte para as meias-finais desta competição, que não pode ser encarada como menor pelo simples facto de que é oficial e, como tal, tem de ser ganha, porque o Benfica tem de jogar para ganhar em todas as competições que disputa, nomeadamente as oficiais. Além do mais, é detentor do troféu e tem de fazer jus a esse estatuto. Se me perguntarem se estou optimista para a passagem às meias-finais, sinceramente... não. Porque Vila do Conde é um terreno muito, muito complicado e precisamos mesmo de vencer lá. E creio que vamos encontrar muitas, muitas dificuldades, e não só desportivas, nesse jogo. Espero que me engane. Mas é para ganhar o jogo e passar às meias-finais. Até porque o Braga já foi eliminado, o Sporting já passou, o Porto vai de certeza passar e o Sporting é bem capaz de deixar o Trofense fazer uma gracinha na última jornada para haver um cartaz Sporting-Porto-Trofense-Rio Ave nas meias-finais, proporcionando uma final Sporting-Porto. Espero estar enganado. Seja como for, se vencermos (rectamente) em Vila do Conde, que se lixem os arranjinhos dos outros. Força Benfica!
O resumo do jogo aqui:
Hoje o destaque não foi para Saviola, porque o avançado argentino nem no banco esteve. Hoje, os destaques vão para dois jogadores: Fábio Coentrão, pelo golo marcado, demonstrando algumas melhorias na finalização (já não era sem tempo); e Júlio César, pela grande exibição que fez, negando golos a Leandro, Custódio, Douglas e mais alguns que me esteja a esquecer, de tantas boas defesas que efectuou. Éder Luís estreou-se mas, sendo um tecnicista por natureza, viu-se enrolado no lamaçal que era o campo do Afonso Henriques e nada mostrou de estrondoso. Terá melhores oportunidades para confirmar o seu potencial.
No Vitória, o elemento em foco foi Douglas, pelo golo que marcou (Maxi Pereira, a propósito, está um desastre, e logo agora que os seus concorrentes, Ruben Amorim e Luís Filipe, estão lesionados), mas também pelo muito trabalho que deu à defesa encarnada. Curiosamente, mantém-se a tradição de jogadores que há muitos jogos não marcam (aliás, a maioria deles estreia-se mesmo a marcar na respectiva época), marcarem sempre contra o Benfica. Não sei se alguém já alguma vez se debruçou a fundo sobre isto, mas é a mais pura das verdades. Se não, vejamos: Alonso estreou-se a marcar pelo Marítimo na Luz. Hélder Barbosa estreou-se a marcar pelo Vitória de Setúbal na Luz. Maykon estreou-se a marcar pelo Paços de Ferreira contra o Benfica. Edgar Costa estreou-se a marcar pelo Nacional na Luz. Agora o Douglas, que ainda não tinha marcado esta época, lá marcou ao Benfica. Só fogem a este registo os jogadores de Braga e Olhanense (Hugo Viana e Paulo César e Carlos Fernandes e Toy) que já tinham marcado no campeonato antes de jogar com o Benfica. O resto, todos se iniciaram connosco e muitos deles nem marcaram (nem chegarão a marcar) mais nenhum golo na época. E isto já vem de há muitos anos, não é de agora. Algo a verificar pelos responsáveis encarnados.
E assim o Benfica deixou fugir uma bela oportunidade de, a exemplo do Sporting, carimbar já hoje o passaporte para as meias-finais desta competição, que não pode ser encarada como menor pelo simples facto de que é oficial e, como tal, tem de ser ganha, porque o Benfica tem de jogar para ganhar em todas as competições que disputa, nomeadamente as oficiais. Além do mais, é detentor do troféu e tem de fazer jus a esse estatuto. Se me perguntarem se estou optimista para a passagem às meias-finais, sinceramente... não. Porque Vila do Conde é um terreno muito, muito complicado e precisamos mesmo de vencer lá. E creio que vamos encontrar muitas, muitas dificuldades, e não só desportivas, nesse jogo. Espero que me engane. Mas é para ganhar o jogo e passar às meias-finais. Até porque o Braga já foi eliminado, o Sporting já passou, o Porto vai de certeza passar e o Sporting é bem capaz de deixar o Trofense fazer uma gracinha na última jornada para haver um cartaz Sporting-Porto-Trofense-Rio Ave nas meias-finais, proporcionando uma final Sporting-Porto. Espero estar enganado. Seja como for, se vencermos (rectamente) em Vila do Conde, que se lixem os arranjinhos dos outros. Força Benfica!
O resumo do jogo aqui:
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2009/10,
2ª Jornada,
Benfica,
Fábio Coentrão,
Fase de grupos,
Taça da Liga,
Vitória de Guimarães
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
JVP
Rio Ave - Benfica
1 - Saviola merece ser feliz
Num jogo em que tudo mudou ao intervalo, há que salientar a justiça da vitória do Benfica. Mais uma vez num jogo complicado, a equipa de Jesus marcou na sequência de um lance de bola parada, com a particularidade de ter acontecido numa recarga. Saviola marcou num lance de execução difícil, porque a bola bateu no chão. Só a experiência e a qualidade de Saviola fizeram com que a bola não subisse. Atravessa um momento feliz e merecido na sua carreira.
2 - Bloqueios do Rio Ave resultam em equilíbrio
O equilíbrio registado na primeira parte, embora o Benfica tivesse mais posse de bola e mais iniciativa, deveu-se em grande parte à postura do Rio Ave, que bloqueou os laterais benfiquistas e preencheu bem os espaços. Como Di María não esteve em noite inspirada, foram notórios os problemas na construção do jogo ofensivo do Benfica. A equipa esbarrava na organização do adversário e não tinha ideias para criar lances de perigo. Daí não se estranhar que, embora num roubo de bola, a oportunidade de golo mais perigosa da primeira parte tenha pertencido à equipa da casa, mas Sidnei não foi feliz no remate. Há, no entanto, que deixar bem claro que a organização do Rio Ave e o bom preenchimento dos espaços que fazia não são sinónimos de jogo fechado. Pelo contrário, a turma de Vila do Conde mostrou sempre grande atrevimento e vontade de lutar pelos três pontos.
3 - Gerir longe da área
O golo do Benfica, logo a abrir a segunda parte, mudou completamente a partida. A equipa da Luz entrou muito forte, com outra atitude, mais velocidade, maior agressividade e a não permitir que o tempo passasse em vão. Rapidamente ganhou um canto que resultou num golo motivador, pois os benfiquistas continuaram à procura de situações para fazer o segundo, tendo aproveitado um certo período de algum desânimo do Rio Ave. Cardozo e Carlos Martins poderiam ter marcado, mas a nota de maior realce nesse período foi ter conseguido defender longe da área. O Rio Ave, quando reagiu, dispôs apenas de uns cinco minutos de supremacia - Adriano podia ter marcado -, fazendo um futebol flanqueado pela direita, por acção de Bruno Gama. Mas rapidamente o Benfica reassumiu o controlo e geriu a vantagem com segurança.
4 -Cardozo tem de trabalhar pé direito
Num jogo difícil, daqueles que podem vir a revelar-se decisivos para os objectivos do Benfica, Cardozo dispôs de duas situações de remate que esbanjou porque a bola lhe foi parar ao pé direito. Para bem dele e dos clubes que representar, deveria trabalhar e melhorar a eficácia do pé direito. Em jogos de poucas oportunidades, um ponta-de-lança tem de ser capaz de decidir e a verdade é que Cardozo tem desperdiçado muitas ocasiões quando a bola não vai para o pé esquerdo.
5 - Justiça para Aimar é injusta para Carlos Martins
Num jogo em que Saviola se destacou pelo golo, pela inteligência e pela forma como entende o jogo, criando desequilíbrios em pouco espaço, vou abrir espaço para comentar uma substituição. Do ponto de vista das individualidades, foi justa a entrada de Aimar, pelo que tem feito ao longo da temporada e até pela forma como pegou logo no jogo e mostrou a qualidade do seu futebol, mas foi injusta a substituição de Carlos Martins, porque estava a jogar bem, porque joga sempre bem quando é chamado, seja a titular ou a sair do banco, porque tem boa atitude e porque às vezes consegue uma coisa que é dificílima: fazer esquecer Aimar.
Rio Ave 0 - 1 Benfica - 15ª Jornada 09/10
Sobre o jogo de ontem não há muito para dizer. Apenas que o Benfica adoptou, de há uns jogos a esta parte, uma atitude diferente do que havia mostrado no início da época. Quem ainda espera goleadas que se desengane (a recepção à Académica foi a excepção à regra): a palavra de ordem agora é poupar. Poupar no esforço e na mentalidade atacante, indo lá só pela certa, um pouco à imagem do pensamento de Trapattoni, curiosamente (ou talvez não) o último treinador a ser campeão pelo Benfica. E a verdade é que esta abordagem, até ver, tem resultado.
Como já disse acima, não há muito a destacar deste jogo. O Benfica controlou sempre as operações, excepção feita a uma perda de bola infantil de Maxi Pereira (depois da lesão nunca mais se encontrou: que má época tem vindo a realizar), que isolou Sidnei. Valeu a má pontaria do avançado do Rio Ave. A entrada para a segunda parte foi mais dominadora e não espantou o alcançar do golo logo aos 3 minutos da segunda parte, esse sim o momento do jogo, e da autoria de (quem mais?) Saviola, pois claro. Começa a ser por demais evidente a influência que El Conejo tem no futebol do Benfica e os pontos que já valeu aos encarnados nas mais diversas competições. A jogar assim não me parece que há quem o pare. Maradona, olha para este golaço (mais um)!
No Rio Ave, a figura é claramente o grande avançado (melhor português?) João Tomás. Embora ontem tivesse estado muito apagado, merecia claramente ter conseguido uma carreira ainda melhor, com oportunidades em clubes mais fortes do que aqueles em que jogou. E na selecção, já agora.
E assim, sem forçar muito, o Benfica conseguiu vencer num dos campos mais difíceis do campeonato (onde ainda ninguém havia vencido esta época - Braga e Sporting empataram lá), mantendo-se no topo da tabela, com o agora sim campeão de Inverno, Braga (que grande época tem feito). Mas ainda faltam 15 jogos, todos eles para vencer, em busca do objectivo máximo: o 32ª. Para já, venha de lá a visita a Guimarães, na Quarta-feira, para carimbar o passaporte para as meias-finais da Taça da Liga. Será, também esse, um jogo muito difícil, mas ao nosso alcance.
O resumo do jogo aqui:
Como já disse acima, não há muito a destacar deste jogo. O Benfica controlou sempre as operações, excepção feita a uma perda de bola infantil de Maxi Pereira (depois da lesão nunca mais se encontrou: que má época tem vindo a realizar), que isolou Sidnei. Valeu a má pontaria do avançado do Rio Ave. A entrada para a segunda parte foi mais dominadora e não espantou o alcançar do golo logo aos 3 minutos da segunda parte, esse sim o momento do jogo, e da autoria de (quem mais?) Saviola, pois claro. Começa a ser por demais evidente a influência que El Conejo tem no futebol do Benfica e os pontos que já valeu aos encarnados nas mais diversas competições. A jogar assim não me parece que há quem o pare. Maradona, olha para este golaço (mais um)!
No Rio Ave, a figura é claramente o grande avançado (melhor português?) João Tomás. Embora ontem tivesse estado muito apagado, merecia claramente ter conseguido uma carreira ainda melhor, com oportunidades em clubes mais fortes do que aqueles em que jogou. E na selecção, já agora.
E assim, sem forçar muito, o Benfica conseguiu vencer num dos campos mais difíceis do campeonato (onde ainda ninguém havia vencido esta época - Braga e Sporting empataram lá), mantendo-se no topo da tabela, com o agora sim campeão de Inverno, Braga (que grande época tem feito). Mas ainda faltam 15 jogos, todos eles para vencer, em busca do objectivo máximo: o 32ª. Para já, venha de lá a visita a Guimarães, na Quarta-feira, para carimbar o passaporte para as meias-finais da Taça da Liga. Será, também esse, um jogo muito difícil, mas ao nosso alcance.
O resumo do jogo aqui:
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