sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Pedro Ribeiro

RAP



Jorge Jesus não tem mão na equipa

Lamento muito, mas um adepto não deve apenas dizer bem. Sobretudo quando é fácil. Apesar do bom futebol, das vitórias, do imenso receio que o Benfica inspira aos adversários, da profunda satisfação que todos os benfiquistas sentem quando vêem a equipa jogar, nem tudo corre bem. Um treinador deve exercer um controlo perfeito sobre a equipa e Jorge Jesus, por muito que me custe admiti-lo, não consegue. São já várias as conferências de imprensa em que o treinador do Benfica lembra que a equipa não pode golear sempre. Os jogadores, num acto de indisciplina recorrente, e que mereceria castigo sério, continuam a desmenti-lo. Quando chegou ao Benfica, Jorge Jesus disse que os jogadores iriam jogar o dobro do que haviam jogado no ano passado. Neste momento, os jogadores jogam o quádruplo do que Jorge Jesus pensava que eles iam jogar. É muito feio faltar ao prometido.


As falsas expectativas que o treinador do Benfica lançou no início da época tiveram efeitos muito negativos até na minha vida pessoal. Quando soube que o Benfica jogaria o dobro do que havia jogado no ano passado fiquei contente, mas não demasiado. O Benfica não jogava assim tanto para que a perspectiva de passar a jogar apenas o dobro fosse especialmente apelativa. Por isso, cometi a imprudência de marcar compromissos profissionais para dias de jogo do Benfica. Não pude ver no estádio a goleada ao Everton e fui forçado a acompanhar a goleada ao Belenenses apenas na televisão. Tivesse Jorge Jesus sido rigoroso e eu teria metido licença sem vencimento até ao fim da época.


Muito embora o Benfica seja, neste momento, uma máquina de triturar equipas e fazer golos, muita gente adverte ainda para os perigos que podem resultar do entusiasmo dos benfiquistas. Pelos vistos, o entusiasmo benfiquista é perigoso. Quando as outras equipas perdem, o adversário joga melhor. Quando o Benfica perde, a culpa é do entusiasmo dos sócios. Não se percebe a razão pela qual os outros treinam: segundo esta curiosa teoria, basta entusiasmarem-nos o terceiro anel para estarmos em apuros. O mais interessante é que o mesmo entusiasmo, tão contraproducente, também é apontado como um factor que nos beneficia. Sportinguistas e portistas queixam-se de que a onda de entusiasmo contagia os jornais e empurra o Benfica, o treinador do Braga lamenta que o Benfica seja levado ao colo pela euforia dos seus próprios adeptos. Em Portugal, ser levado ao colo pelo entusiasmo dos adeptos é crime, ser levado ao colo pela arbitragem é dirigismo brilhante. O treinador do Braga, por exemplo, nunca se queixou disso. Calha sempre estar a olhar para o chão.


Por Ricardo Araújo Pereira, 24 de Outubro 2009 in Jornal "A Bola"

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

JVP



Benfica-Nacional

1 Benfica ganha a guerra do corredor

Benfica e Nacional, embora utilizando esquemas tácticos diferentes, entraram em campo com o adversário estudado e ambos apostados em explorar os corredores, com a particularidade de terem apostado numa luta em que a superioridade foi do Benfica. Apesar da falta de rotina e de ter jogado devido à lesão de César Peixoto, Coentrão esteve muito bem, teve uma grande atitude e ajudou a equipa a ganhar essa batalha, pois se é verdade que o Nacional tentou jogar nas costas dele, foi na mesma ala, mas nas costas de Patacas, que o Benfica começou a resolver o jogo. Jesus sabia que Patacas sobe bastante - é óbvio que um lateral, num esquema de três centrais, tem de subir - e pôs Fábio Coentrão e Di María (na foto) a explorarem esse flanco, tendo beneficiado da lentidão de Halliche, que era quem tinha de dobrar o lateral. Aliás, o problema da velocidade, ou falta dela, afectou os três centrais do Nacional. Mesmo na primeira parte - o resultado ao intervalo era de apenas 2-1 - já se tinham visto vários lances em que as dobras da defesa da equipa madeirense eram deficientes. Basta atentar no número de vezes que Cardozo apareceu sozinho. E toda a gente sabe que, se há característica que Cardozo não tem, é a velocidade. Só que o desacerto era grande e constante, pois quando Saviola saía para receber a bola, ninguém o acompanhava, deixava de haver marcação.

2 Benfica mais perigoso quando o Nacional atacava

Mesmo num jogo muito táctico - e convém reforçar a ideia de que este jogo tem de ser partido entre a primeira e a segunda parte -, o entendimento entre Saviola e Aimar foi perfeito: complementam-se e contam ainda com o apoio de Ramires, sempre preocupado em cumprir tacticamente o que lhe é recomendado, mas muito objectivo na forma de jogar.

Para combater o Benfica, e apesar de bem posicionado no terreno, ao Nacional faltava agressividade defensiva, pois concedia demasiados espaços. Ou seja, mesmo quando conseguiu manter o resultado equilibrado o Nacional estava melhor a atacar do que a defender, porque depois desequilibrava-se e era surpreendido pelas transições rápidas do Benfica. Ou seja, o Benfica era mais perigoso, quando era o Nacional que estava no ataque. Se juntarmos a isto a desconcentração na bola parada que deu o segundo golo, percebe-se que, a partir dali, as coisas não seriam fáceis para os visitantes.

3 Espaço para Aimar e Ruben Micael

Quando se defrontam duas equipas onde há jogadores de reconhecida qualidade, acontecem sempre coisas interessantes, como foram os casos dos primeiros golos de ontem. Há jogadores como Aimar e Ruben Micael, que, se tiverem liberdade e conseguirem espaços para jogarem com a bola no pé de frente para a baliza adversária, constroem magníficas jogadas de golo. Numa dessas situações, Aimar iniciou o lance do primeiro golo ao lançar Coentrão com um passe a rasgar a defesa. Pouco depois, foi a vez de, em situação idêntica, Ruben Micael, que também tem muito bom passe, isolar Edgar Costa para o tento do empate. Dois lances magníficos em que sobressaiu a qualidade dos jogadores.

4 Penálti acaba com o jogo

A segunda parte tem uma história curta. O Benfica entrou muito bem e houve logo um penálti. Esse foi o momento do jogo, porque a partir daí o Benfica arrancou para a goleada, ao mesmo tempo que desmoralizava e desorganizava o adversário. Em favor do espectáculo, há a registar o facto de a equipa da casa nunca desacelerar. Mesmo com uma vantagem tranquila, o Benfica quer sempre mais e mais. É nestas alturas em que sentem o jogo seguro e pretendem avolumar o resultado que os desequilibradores aproveitam para dar espectáculo, com pormenores técnicos e habilidades individuais de que o público gosta. Esta equipa sabe entusiasmar os adeptos.

5 Aimar e Saviola nem precisam de falar

Num jogo em que os destaques individuais vão para Di María e Coentrão - que foram quem mais mexeu no jogo -, há também a realçar o grande momento de Aimar e o facto de se entender às mil maravilhas com Saviola. Na primeira parte, ambos tiveram jogadas perfeitas. E, para um jogador, não há nada melhor do que entender-se com o companheiro que joga perto sem que precisem de falar. A ligação Aimar-Saviola é perfeita.

Outra coisa que está a acontecer na equipa da Luz é que os resultados vão permitindo substituições de modo a manter um elevado número de jogadores motivados e prontos a entrarem a qualquer momento. Basta ver o caso de Coentrão, que foi um dos melhores em campo e, sem a lesão de César Peixoto, provavelmente só iria entrar na segunda parte. Mas, como está moralizado, entrou e foi dos melhores. Também já tinha acontecido em Paços de Ferreira com Carlos Martins. Nesta altura, os jogadores sabem que, se trabalharem bem e estiverem motivados, vão ter oportunidades.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Benfica 6 - 1 Nacional - 8ª Jornada 09/10

Tão polémica quanto justa. A vitória do Benfica, curiosamente, até poderia ter sido mais dilatada, não fosse a falta de qualidade gritante do árbitro da partida. Os madeirenses vieram à Luz para provocar e tentar o pontinho. Aliás, Manuel Machado é um mestre nas duas coisas, como se tem visto tão bem na Liga Europa. O que ele gosta é de tentar ganhar o pontinho. E acaba sempre por se dar mal.

O pequeno grande Saviola voltou a mostrar que está de regresso aos bons velhos tempos, com mais um jogo soberbo. Aliás, novamente bem secundado por Di María e, desta vez, pela surpresa que veio do banco e se chama Coentrão. Não tenho medo de o dizer: aposte Jorge Jesus mais vezes no miúdo a lateral-esquerdo e descobrimos o dono do lugar por muitos anos no Benfica e na selecção nacional. Até o Mundial está mais próximo para o Fabinho.



Cardozo marcou o primeiro, passava pouco do quarto de hora. Uma jogada conduzida por Coentrão, que cruzou rasteiro para o Tacuara fazer o que melhor sabe: golo.

O Nacional empatou (da maneira que se sabe), mas o Benfica continuou a carregar e, com muita naturalidade, chegou ao segundo golo aos 40 minutos, da maneira que só Saviola sabe fazer. Um golo com marca registada.



Na segunda parte só deu Benfica. Aos 49 minutos Aimar cava um penalty e Cardozo bisa na partida, fuzilando Bracalli.



O 4-1 aparece 15 minutos depois, na sequência de um contra-ataque superiormente gizado pelos jogadores do Benfica. Cardozo é o único que falha inicialmente, com uma recepção de bola muito deficiente, mas acaba por emendar a mão e assistir Saviola para o bis do argentino. Pelo meio, já um golo havia sido mal anulado ao argentino.



Neste lance, Ruben Micael fica a pedir falta e que faz desesperar os responsáveis do Nacional pela suposta falta de fair-play do Benfica. O lance está aqui, tirem as vossas conclusões:



Aos 86 minutos, David Luiz marca um livre directo (uma novidade), Bracalli defende para a frente e Nuno Gomes aproveita para facturar. O capitão a dizer presente.



Para finalizar, mais uma traulitada em Ramires, mais um penalty, e mais um golo de Cardozo, o seu 11º da competição. Se tivesse marcado os penaltys que falhou com o Marítimo e em Guimarães, já lá iam 13. Não marcou, paciência. Eles chegarão, mais cedo ou mais tarde.



No Nacional, apesar do golo de Edgar Costa, Ruben Micael foi o jogador que mais se destacou. Pela positiva e pela negativa. Foi o único que mostrou pormenores de classe, que marcam a diferença, fez um passe à Aimar para o golo nacionalista e remou contra a maré.





Pela negativa os seus comentários no fim do jogo. Como posteriormente já vieram dizer o seu treinador, o seu capitão, o seu adjunto, nada de anormal se passou no túnel ao intervalo a não ser umas normais trocas de palavras e um encontrão de Jesus a Cléber. Ora, no fim do jogo viu-se Jesus e Cléber a sair abraçados, portanto tudo ficou sanado. Ruben Micael tentou apenas lançar achas para a fogueira. Não conseguiu. Aliás, o seu treinador e o seu capitão afirmaram já mais que uma vez que a vitória do Benfica nem se põe em causa. Também era o que mais faltava. 6-1 merece alguma discussão? Assim como 5-0 ao Leixões, 8-1 ao Vitória de Setúbal, 4-0 ao Belenenses, 3-1 ao Paços, e mesmo os resultados tangenciais, já para não falar das goleadas na taça de Portugal e Liga Europa. Este Benfica só vai parar em Maio no Marquês de Pombal. E eu vou lá estar!

Vejam os golos aqui:

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Benfica 5 - 0 Everton - 3ª Jornada Liga Europa 09/10

Mais uma noite histórica na Luz. O Benfica goleou o Everton e bateu recordes que duravam há muitos anos: desde 70/71 que uma equipa inglesa não sofria 5 golos na Europa; desde 98/99 que o Benfica não marcava mais de 4 golos numa competição europeia; e esta foi a maior derrota europeia de sempre dos toffees. Como se vê, o Benfica continua a pulverizar recordes esta época, quase jogo após jogo.



O jogo começou numa toada mais morna, com o Benfica a assumir as despesas do jogo e o Everton a tentar sair em contra-ataques rápidos. No entanto, aos 14 minutos o festival Saviola começou. O avançado argentino foi o melhor em campo (mais uma vez) e continua a espalhar o seu brilho nos relvados portugueses, particularmente na Luz. Neste jogo, foi muito bem secundado por Di María, ambos com exibições magníficas. O primeiro golo é prova disso mesmo.



O início da segunda parte foi absolutamente demolidor. O Benfica marcou 3 golos em 6 minutos e acabou logo aí com o jogo. Os 2 de Cardozo foram resultado de jogadas magníficas, mais uma vez, de Saviola e de Di María. O de Luisão foi algo caricato, num canto superiormente apontado por Aimar.



A finalizar, mais uma obra-prima de Di María e Saviola, com o último a bisar e a igualar Cardozo no número de golos na Liga Europa (4 cada).



No Everton, não houve um jogador que fizesse uma exibição positiva. Esperava muito mais de Fellaini, de Cahill, e mesmo dos avançados Jô e Yakubu. O melhor acabou mesmo por ser o (surpreendentemente) suplente Saha, que entrou e mexeu com o ataque toffee, enviando mesmo uma bola ao poste, num lance à ponta-de-lança, ele que já havia marcado por 2 vezes ao Benfica, nos tempos do United.



Foi um jogo à Benfica de Jorge Jesus, e já vão faltando as palavras para caracterizar o futebol desta equipa. Este ano, tem sido um regalo ver os jogadores do Benfica em campo e o seu treinador no banco. Eu acredito em muitas vitórias esta época. As 4 competições oficiais podem perfeitamente ser ganhas. Vamos todos acreditar!

PS: No outro jogo do grupo, o BATE bateu mesmo o AEK e assim subimos ao primeiro lugar do grupo, com os mesmos pontos do Everton, enquanto os outros 2, depois de um duelo fratricida, ficaram nos últimos lugares, com 3 pontos cada. Se o Benfica vencer daqui a 2 semanas em Liverpool, a qualificação fica quase garantida.

Vejam os golos aqui:

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

quarta-feira, 21 de outubro de 2009