terça-feira, 16 de março de 2010

Pedro Ribeiro

Sondagem 7

A sondagem nº 7 do Gloriosa Chama Imensa debruça-se sobre quais os jogadores do Benfica que poderão estar no Mundial'2010. De modo a não condicionar a votação de ninguém com as minhas opiniões pessoais, decidi colocar a votação todos os elementos do actual plantel. Assim, são os leitores que dizem de sua justiça sobre todos eles.


Obviamente que muitos deles estão excluídos à partida, claro que sei isso, mas assim esta votação será o mais democrática possível. Vão dando as vossas opiniões votando na sondagem. A gerência agradece, ehehehhe.

PS: Não podia deixar passar em claro esta notícia. Afinal, começo a observar que o nosso presidente anda atento a várias coisas que todos pensávamos que não lhe interessavam. E é com muito agrado que constato isso.

segunda-feira, 15 de março de 2010

JVP


Nacional-Benfica

1 - Início sem ideias do Benfica e Nacional bem posicionado
Depois de um jogo de grande desgaste como foi o da Liga Europa com o Marselha, o Benfica teve ontem uma primeira parte caracterizada por grandes dificuldades na circulação de bola e em entrar na área adversária. O Nacional estava muito coeso, bem posicionado e a fazer marcações eficazes a Aimar, Saviola, Cardozo e Di María. Naquele estádio, há um detalhe que importa sublinhar, que é o facto de a relva, apesar de escorregadia, ser alta, o que trava a bola e contribuiu para reduzir a velocidade do jogo na primeira parte, acentuando a falta de ideias do Benfica. Do lado visitante, havia falta de clarividência para acelerar o jogo pelas alas - o Benfica criou mais perigo nas poucas vezes em que o fez - e para colocar a bola nas costas da defesa do Nacional. Na equipa da casa, era grande a preocupação de recuar rapidamente para o meio-campo, quando se perdia a bola, e de povoar a zona central do terreno.


2 - Jesus demonstrou realismo com as substituições efectuadas
Na segunda parte, só deu Benfica, que acelerou mais o jogo, até porque precisava de o ganhar! Foi com naturalidade que surgiram o penálti e as oportunidades que foi criando. E o Nacional, embora praticamente não tivesse existido, até poderia ter empatado quase no fim, quando Cléber obrigou Quim a fazer uma grande defesa. Penso, no entanto, que aquilo que marcou este período foram as substituições de Jorge Jesus: a saída de Aimar e Saviola e a entrada de Maxi e César Peixoto foram uma demonstração de realismo por parte do treinador do Benfica, que, ao contrário do que fez em todos os outros encontros, quis jogar pelo seguro, conservando a vantagem.


3 - Nunca poderia ser Cardozo a marcar o penálti
Com o resultado em 0-0, nunca poderia ser Cardozo a bater o penálti! Mesmo que não haja qualquer proibição por parte de Jorge Jesus em relação ao paraguaio, este, por iniciativa própria, não deveria marcar penáltis. Não se trata de falta de qualidade, muito menos de falta de confiança por parte da equipa técnica ou dos companheiros de equipa - simplesmente falta-lhe sangue-frio. Numa altura em que o campeonato se está a decidir, os interesses individuais não se podem sobrepor aos da equipa. É que o Braga está a apenas três pontos e, caso saia da Luz com um empate, convém não esquecer que o Benfica ainda vai ao Dragão e recebe o Sporting. Ainda há muito campeonato pela frente…

Nacional 0 - 1 Benfica - 23ª Jornada 09/10

Ganhámos um dos jogos mais difíceis que tínhamos até ao final da época. Sempre o defendi, e continuo a ter a mesma opinião. Num campo tradicionalmente muito difícil para o Benfica, e no meio de um ciclo terrível para nós, esta vitória significou muito mais do que apenas 3 pontos. Significou a manutenção da liderança, significou a manutenção de 3 pontos sobre o Braga, o que nos deixa em clara vantagem para o encontro de daqui a 2 semanas, e significou um balão de oxigénio moral para os nossos jogadores. Agora não tenho grandes dúvidas: se ganharmos ao Braga, só um cataclismo nos impedirá de ser campeões, embora continuem a estar 18 pontos em disputa e fiquemos apenas com 6 de vantagem. Mas, com a força e o talento desta equipa, não me parece que nos deixemos soçobrar perante as adversidades, embora o calendário continue a ser muito complicado: deslocações à Naval, Coimbra e Porto e recepções a Sporting, Olhanense e Rio Ave. Não é pêra doce. Mas uma das mais amargas já nós comemos hoje.


Não foi um jogo com grande qualidade técnica, com grandes pormenores de classe, com o toque de requinte habitual da nossa equipa. Foi um jogo de guerreiros, à semelhança do encontro em Vila do Conde, e, tal como aí, foi um pormenor a decidir o jogo. A jogada do golo é muito boa, desde a abertura de Saviola à jogada de Ruben Amorim pela direita, culminando com o passe cirúrgico para Cardozo. De mestre.


Na primeira parte, já tinha havido um bom lance de Saviola, que só não deu golo por muito pouco. Depois do golo, pouco há a dizer. A equipa teve a atitude que tinha de ter, defendendo bem à frente da sua área e não concedendo veleidades aos atacantes do Nacional. Na equipa madeirense, embora ninguém se tenha destacado, parece-me que o jogador mais em acção acabou por ser o ponta-de-lança Edgar Silva. Que, curiosamente, tem 10 golos marcados na Liga e que, também curiosa e estranhamente, não era titular há umas 5 jornadas. Coincidências. Quanto ao lance do penalty, obviamente que não o podia deixar passar em claro. Pelo que me é dado a ver pelas imagens, não há qualquer falta. Mas só Deus sabe o quanto eu rezei para o Cardozo falhar aquele penalty. Estou farto de conversas estúpidas dos anti-Benfica sobre andores e colinhos e supostas ajudas ao Benfica, já enjoa. Portanto, ainda bem que Cardozo falhou aquele penalty e que ganhámos de forma absolutamente legal. É só isso que me interessa. Ganhar bem, de forma legal e no campo.

E assim, de forma legal e perfeitamente justa, ganhámos mais uma das finais que faltavam, num ciclo absolutamente terrível que já escalpelizei acima e noutros posts anteriores. O Benfica continua com muita vitalidade, a jogar bem quando é possível e mais em esforço quando tem de ser, e tem ganho muitas vezes, o que é fantástico. Agora, teremos o interregno na Liga, mas muito se vai decidir durante esse interregno. No próximo fim-de-semana, temos uma final, a da Taça da Liga, com o Porto, mas já esta quinta-feira há outra "final", contra o Marselha, e eu ainda acredito que vamos ganhar no Velodrôme. Acreditemos todos e será possível! Para já, é nesse objectivo que todos nos temos de focar. Viva o Benfica! Rumo à 1ª Liga Europa (e ao 32º!).

O golo de Cardozo aqui:

sábado, 13 de março de 2010

RAP


Misteriosos Desaparecimentos

(…) só há duas coisas que eu odeio, quando se referem a mim: que me tirem o Miguel do nome e que me ponham a dizer uma palavra que eu nunca uso: «algo»

(…) reconfortando-se ao encontrarem-se uns aos outros na missa algo despovoada desse domingo na vila

(…) eu atravessaria a rua como se flutuasse dentro de um sonho ou de um pesadelo, algo de irremediável se teria então quebrado para sempre

Miguel Sousa Tavares

E, de repente, deixou de se falar no túnel da Luz. Confesso que estou preocupado. Talvez valesse a pena as autoridades competentes lançarem o alerta do costume: «Desapareceu das colunas de opinião o túnel da Luz. Da última vez que foi visto usava uma estrutura de metal coberta por uma lona branca com a marca dos pitons do Fernando. Se alguém possuir informações que nos possam levar ao seu paradeiro, por favor contacte a Polícia de Segurança Pública.» O mais chocante neste desaparecimento é o facto de serem precisamente as mesmas pessoas que mais lembraram o túnel da Luz aquelas que agora o esquecem. Foram meses de análises, lamentos, acusações, queixinhas, vigílias, comunicados — tudo em nome do túnel. Subitamente, depois de duas goleadas e um empate em casa com o 13º classificado, o túnel desapareceu. De repente, as opções do professor Jesualdo são duvidosas, o plantel é pobre, os reforços são fracos, a estratégia falhou e o modelo de gestão morreu. E o túnel? Com que desumanidade se descarta assim uma infraestrutura que, ao longo de tantas semanas, cumpriu com brilhantismo o seu papel de bode expiatório de todos os fracassos? Houve vigílias contra o modelo de gestão? Não. O plantel uniu-se para emitir um comunicado a condenar a sua própria falta de qualidade? Claro que não. Foi tudo feito sempre a pensar túnel, no mesmo túnel que é agora injustamente esquecido. A ingratidão é muito feia.

Mesmo tendo feito uma época menos boa, o clube da estrutura — ah, a estrutura! — continua a dar lições. No Benfica, onde a organização é fraca e a estrutura inexistente, dirigentes e adeptos têm celebrado o bom futebol, as goleadas e a liderança do campeonato. Um erro, evidentemente. São entusiasmos que não se admitem numa gestão altamente profissionalizada. No Porto, a estrutura — ah, a estrutura! — é sólida e não embarca em euforias. O presidente olhou para a tabela, verificou que se encontrava num prometedor terceiro lugar e, com toda a sensatez e realismo, prometeu o título de campeão a vivos e a defuntos. É assim que se gere um clube. Temos muito a aprender.

À chegada de Londres, Pinto da Costa não aproveitou a presença das câmaras e dos microfones para fazer uma das suas habituais e divertidas ironias, ou para atacar o centralismo, ou para declamar José Régio. Na verdade, Pinto da Costa nem sequer apareceu. O gesto, como sempre, foi mal interpretado. Não há, na atitude de Pinto da Costa, a mais pequena falta de solidariedade nem de coragem. Na verdade, foi um gesto de verdadeiro portista: a equipa tinha acabado de fazer história na Europa, e Pinto da Costa não quis roubar o protagonismo aos jogadores e treinador. Quando os jogadores são contratados, é ele que os descobre, que os negoceia, que tem a argúcia de os roubar ao Benfica. Quando levam cinco de um Arsenal desfalcado de Fabregas, Van Persie, Gallas, Djourou, Ramsey e Gibbs, é altura de se reconhecer o mérito ao professor Jesualdo. Há um tempo para tudo.

Por Ricardo Araújo Pereira, 13 de Março 2010 in A Bola

Sondagem 6 - Resultado

Finda a sondagem nº 6 do Gloriosa Chama Imensa, é possível verificar que, apesar de haver 2 opiniões dominantes, uma é francamente superior. À pergunta "Qual a competição a que o Benfica deve dar preferência?", 27 dos 41 votantes responderam "Campeonato". "Todas" foi a 2ª opção mais votada (13 escolhas), enquanto a Taça da Liga teve um voto (quem votou nesta opção deve tê-lo feito por ser talvez aquela onde a final se disputará daqui a menos tempo, pelo menos é esta a minha interpretação - caso contrário, não sei o porquê de alguém preferir ganhar a Taça da Liga ao campeonato ou à Liga Europa...). Por fim, e surpreendentemente, a Liga Europa não recolheu qualquer voto dos leitores. Claramente, o campeonato é a grande prioridade da maioria dos benfiquistas, e por conseguinte dos leitores deste espaço.


E com razão, na minha opinião, embora eu seja um romântico e considere que o Benfica pode perfeitamente conquistar as 3 competições. No entanto, racionalmente apostaria todas as fichas essencialmente no campeonato, pois é a prova mais importante do país, é a nossa oportunidade de pôr fim à hegemonia portista dos últimas anos e voltar aos grandes títulos e é a forma de nos qualificarmos para a Liga dos Campeões, aumentando o prestígio europeu e melhorando os cofres. E é, acima de tudo, a maneira de voltarmos a ser a potência de outrora tanto no país como no mundo. A vitória neste campeonato pode ser a base que alicerçará novamente o Benfica para as grandes conquistas, que nos dará a possibilidade de voltar a levantar bem alto o nome do clube na Europa, de angariar mais jogadores de classe mundial, de aumentar o nosso prestígio. E para isso temos de ser campeões e voltar à Liga dos Campeões. Se pudermos conquistar também a Liga Europa (na minha opinião, podemos, claramente), não poderemos descurar esse factor, obviamente, mas, a ter de escolher, eu escolhia, nesta época, vencer o campeonato. E parece que os leitores deste espaço também.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Benfica 1 - 1 Marselha - Oitavos-de-final Liga Europa 09/10

Um mau resultado, mas de acordo com a exibição. É isto que se pode dizer perante a exibição que o Benfica realizou ontem, contra o Marselha, num jogo em que tinha obrigação de ter corrido e pressionado bem mais. O jogo foi muito dividido, o Marselha teve algumas oportunidades de golo claras, o Benfica também. Chegámos ao golo numa altura em que tal já não parecia possível, e sofremos um golo ao cair do pano. Tudo de acordo com o desenrolar do encontro. Ontem não gostei da exibição. Mas compreendo-a, em certo ponto. Apesar de termos jogado com a equipa-tipo da época, esta não é a equipa-tipo actual, pois Aimar, Ramires e César Peixoto não têm sido titulares nos últimos tempos. E quase que aposto que também não o serão na Choupana. Por isso é que o foram ontem.


Como já disse acima, não gostei da exibição do Benfica. Entrámos apáticos no jogo, pressionando pouco e deixando o Marselha mandar. Os franceses conseguiram assim dominar as operações a meio-campo e falharam pelo menos 2 golos certos, por Lucho e Brandão. Aos poucos, os encarnados lá conseguiram equilibrar a partida e, a espaços, dominar. Fomos criando oportunidades, o futebol começou a sair melhor, mas o golo continuava a faltar (numa noite particularmente desinspirada de Cardozo). Até que, aos 76 minutos, Mandanda, que estava a fazer uma boa exibição, resolveu borrar a pintura e largar uma bola que parecia segura. Maxi Pereira (que estava ele a fazer na pequena área?), qual ponta-de-lança, não se fez rogado e apontou o golo encarnado. O estádio da Luz foi ao delírio.


O que já ninguém pensava é que a vitória ia fugir ao Benfica. Mas fugiu. Em cima dos 90 minutos, ninguém foi marcar Bonnart, que teve todo o tempo do mundo para cruzar para dentro da área encarnada, onde saltaram 3 jogadores do Marselha e um deles, Ben Arfa, acabou por fazer um cabeceamento perfeito, sem hipóteses para Júlio César, deixando assim o Benfica com muitas dificuldades para o 2º jogo. No Marselha, o melhor em campo, apesar de não ser, obviamente, o melhor jogador da equipa, foi Bonnart, lateral-direito que poucas vezes se deixou impressionar por Di María e que depois ainda lá foi à frente cruzar certeiro para o golo do Marselha, numa exibição sem mácula.

Apesar do mau resultado, ainda está tudo em aberto para a segunda mão. E, como disse Jorge Jesus no final do encontro, o Benfica marca golos em qualquer campo, portanto esperemos que se cumpram as palavras do nosso técnico e que os jogadores consigam mesmo dar-nos a alegria de passar aos quartos-de-final, eliminando este Marselha que é a melhor equipa que o Benfica defrontou em toda a época, mas que, ainda assim, está perfeitamente ao nosso alcance, desde que sejamos capazes de dar o litro e colocar em campo o que sabemos que os nossos jogadores sabem fazer. Espero sinceramente que os nomes de Benfica e Sporting estejam no próximo sorteio da Liga Europa e, embora seja sonhar muito, que as duas equipas se encontrem na final. Era muito bonito. Para já, a nossa próxima missão será a Choupana, que trará as complicações que todos conhecem, e vai ser uma verdadeira prova de fogo. Mas que será ultrapassada, para que, de cabeça limpa, os nossos jogadores possam, depois de domingo, concentrar-se unicamente em ganhar em Marselha. Rumo ao 32º (e à 1ª Liga Europa), eu acredito!

Os golos do jogo, aqui: