domingo, 31 de outubro de 2010

JVP


Benfica-P. Ferreira

1 - Benfica tem qualidade mas falta-lhe paixão

Foi uma vitória justa do Benfica, que continua com qualidade mas sem a mesma paixão que mostrava na época passada. Digo isto porque permite que os adversários joguem mais, além de não ser tão pressionante, sólido e dinâmico como foi. Mesmo assim, conseguiu ter momentos de grande qualidade, sobretudo quando a bola passou pelos pés de Coentrão e Aimar, como foi o caso do primeiro golo. Mas aquele Benfica que marcava e ia à procura do golo seguinte não se vê neste. Agora vê-se um Benfica a marcar e preocupado com o resultado.

2 - Lance de grande nível de Aimar

Nos primeiros dez minutos viu-se um Benfica com mais iniciativa - como seria de esperar -, embora a jogar de forma lenta, e um Paços de Ferreira com linhas muito recuadas e juntas, para encurtar os espaços, e a sair rapidamente para o contra-ataque, sempre à espera de um erro do adversário. Foi isso que sucedeu aos dez minutos, quando Rondon obrigou Roberto a uma defesa boa mas complicada. Como a dinâmica do Benfica não era a melhor, porque não impunha velocidade no jogo, teve de ser um lance individual e de grande nível de Aimar a dar um safanão no encontro e a fazer o primeiro golo.

3 - Boa solução táctica: a movimentação de Coentrão e Gaitán

Saliento um aspecto táctico do Benfica que se notou sobretudo na primeira parte: Coentrão e Gaitán abrem nas alas para alargar o jogo do Benfica mas depois vão para dentro para receberem a bola. Eles fazem esse movimento para serem uma alternativa a Aimar sempre que o argentino, na sua movimentação entre linhas, não consegue libertar-se. É uma boa solução porque cria a dúvida na equipa que defende: é que se o médio que se encarrega da marcação acompanhar Coentrão ou Gaitán está a abrir espaço para a subida do lateral do Benfica; se não acompanhar, um dos dois fica solto para receber a bola!

4 - Súbita apatia benfiquista e Paços a tentar o empate

O Paços acusou o golo e não reagiu de imediato, aproveitando o Benfica para se galvanizar e criar várias situações de golo entre os 20 e os 24 minutos. A partir dos 28', porém, o Paços começou a chegar à área contrária e com perigo, aproveitando uma súbita apatia dos donos da casa, que baixaram o ritmo e concederam mais espaços. De tal maneira que a primeira parte terminou com os pacenses a tentarem o golo do empate.

5 - Rondon inconformado mas penálti matou o jogo

A segunda parte começou como tinha terminado a primeira, com um ritmo lento. O Benfica tentava gerir o jogo mas a falta de agressividade e, por vezes, algum desleixo permitiam ao Paços subir mais no terreno e aproximar-se da sua área com perigo. Embora os visitantes não tivessem tido uma grande oportunidade de golo, o resultado (1-0) era perigoso. Aos 52 minutos, Rondon - o jogador dos pacenses mais perigoso e mais inconformado com o resultado - voltou a pôr à prova Roberto, com quem travou um interessante duelo e que esteve muito bem neste jogo. O penálti convertido por Kardec, no entanto, matou o jogo e, embora o Paços ainda tivesse tentado reagir, o Benfica já geria melhor os acontecimentos. A expulsão de Baiano contribuiu para fazê-lo com maior segurança.

6 - Ausência de Carlos Martins rouba dinâmica

Em jeito de conclusão, sublinho que a vitória do Benfica foi justa ainda que conseguida à custa de serviços mínimos. E a ausência de Carlos Martins ajudou a que assim fosse - trata-se de um jogador criativo e que remata bastantes vezes. Não sendo rápido, procura provocar desequilíbrios através dos seus passes rasgados e da circulação de bola. Na minha opinião, o Benfica é mais dinâmico quando Coentrão joga a lateral e Gaitán a médio esquerdo, com Carlos Martins no lado oposto do meio-campo. Na falta deste, sobrou para Coentrão e Aimar a missão de criar desequilíbrio

7 - Este resultado não passa ao lado do FC Porto

Acredito que este resultado do Benfica não passa ao lado do FC Porto que, se perder pontos, vê reduzir-se a vantagem e aumentar a pressão para o mano-a-mano entre ambos. Embora o FC Porto esteja num bom momento, com jogadores em boa forma e confiantes, não me parece que fiquem indiferentes a esta vitória benfiquista. Ainda estamos no primeiro terço do campeonato e nesta fase é preciso ter sempre um olho no burro e outro no cigano! André Villas-Boas, de resto, jogou pelo seguro ao alertar jogadores e adeptos - com a confiança em alta - que falta ainda muito por jogar e ainda nada está ganho. Aliás, à semelhança do que fez o Benfica na última época, quando viu necessidade de esfriar a euforia das pessoas e lembrar-lhes que poderia haver jogos menos bons. É que por vezes basta um ou dois resultados menos conseguidos para fazer baixar os índices de confiança de tal forma que passa a reinar a desconfiança.

sábado, 30 de outubro de 2010

50 anos de magia

O melhor jogador da história do futebol faz hoje 50 anos. Sobre Maradona já tudo foi dito, ele próprio se encarregou de o fazer, muitas das vezes. Nada do que eu viesse para aqui dizer ia fazer grande diferença. Maradona foi um talento único. Foi O talento. Passou por muita coisa, caiu muitas vezes, mas soube sempre levantar-se sem se pôr nas pontas dos pés. Por isso é que continuou sempre a ter o respeito das pessoas, e principalmente dos argentinos, que o veneram. Aconselho-vos a ler este texto de um correspondente argentino do jornal O JOGO, que está muito bom.

Depois disto, não resta muito mais para dizer sobre o Deus do futebol.

Aqui fica um vídeo que resume a carreira de Maradona nos Mundiais. Ao lado da façanha que conseguiu em 86, onde levou um país às costas para o título mundial, terá ainda de ser obrigatoriamente referido o trabalho que fez no Nápoles, um pequeno clube de Itália que Maradona levou ao topo do futebol italiano e da Europa. Isto é Maradona: um homem do povo, o homem que nunca teve vergonha de ser do povo e que na verdade nunca deixou de o ser, apesar do muito dinheiro que ganhou na vida. E, a juntar a tudo isto, sempre foi um grande patriota, um homem que dá tudo pelo seu país. Foi assim enquanto jogador, foi assim enquanto seleccionador da Argentina e continuará a ser sempre assim. Resta-me apenas dizer: Parabéns, Diego! E que continues por cá muitos mais anos.

Benfica 2 - 0 Paços de Ferreira - 9ª Jornada 2010/11

Quinta vitória seguida na Liga, quinto jogo consecutivo sem sofrer golos.. Não tendo feito uma exibição fantástica (no período entre o intervalo e o segundo golo fomos encostados pelo Paços), o Benfica somou mais 3 pontos que lhe permitem manter-se seguro no segundo lugar e pressionar o Porto, à condição com apenas quatro pontos de vantagem (seguramente irá vencer na Académica, mas temos de ter esperança). Nota positiva mais uma vez para Roberto (um grande guarda-redes, que já me fez engolir - e com juros - o que disse dele no início desta época) e neste caso para a aposta de Jesus, que, do grupo dos amarelados, só prescindiu de Carlos Martins e conseguiu que nenhum dos outros 3 visse o malfadado cartão que os afastaria do Dragão.


O Paços de Ferreira é uma boa equipa, orientada por um bom treinador. Nunca perdeu o sentido da baliza encarnada, teve mais cantos e o mesmo número de remates que o Benfica (na sua grande maioria muito perigosos e quase sempre por Nuno Santos, o melhor em campo do Paços) e demonstrou ser equipa para outros vôos, com alguns retoques no plantel em Janeiro. Mas a boa atitude pacense acabou por não significar grande coisa quando tem lugar um acontecimento como o que todos vimos aos 14 minutos. Não sei se para dar uma prenda ao seu ídolo, que completa meio século de vida este Sábado (falarei sobre isso mais detalhadamente noutro post), ou se apenas para mostrar que continua a saber fazer o que sempre fez de melhor nos palcos do futebol mundial, El Mago Aimar desenhou uma autêntica obra de arte, só ao alcance dos melhores. A resistência do Paços estava quebrada num lance de pura magia. Para ver e rever.



Depois do magnífico golo do argentino, o Benfica continuou a procurar o golo, com o Paços a nunca desistir do jogo. Desperdiçaram-se várias ocasiões até ao intervalo e os pacenses entraram a todo o gás na segunda parte, como já acima foi referido. O lance do penalty acabou por mudar novamente o rumo do jogo. Não fica totalmente claro se é lance para grande penalidade ou não. No meu entender, Cohene toca realmente primeiro em Coentrão e só depois na bola, e a ser assim há motivos para o assinalar da falta. Penso que o árbitro decidiu bem. Na cobrança, Kardec não falhou, alcançando o seu primeiro golo na Liga Sagres e fechando assim um jogo que não foi nada fácil para a equipa encarnada.


Sem forçar muito, o Benfica acabou por merecer totalmente os 3 pontos conquistados. Agora é recarregar baterias e apontar todos os canhões para a recepção ao Lyon, um jogo que irá decidir o nosso futuro na Liga dos Campeões. Se ganharmos, mantemos em aberto as possibilidades de passar aos oitavos-de-final. Se perdermos ou empatarmos, e partindo do princípio que o Schalke vencerá em Israel, resta-nos manter o 3º lugar para seguir para a Liga Europa. Mas eu acredito que com trabalho, dedicação e muita humildade, temos potencial e qualidade suficiente para ganhar em casa ao Lyon e manter acesas as esperanças da qualificação. A equipa francesa não é nenhum bicho papão e está ao nosso alcance. Se vencermos depois os 2 jogos seguintes (algo também perfeitamente exequível), ainda podemos vir a ser felizes na Champions este ano. Eu acredito!

O resumo do jogo aqui:

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Sorteio da Taça de Portugal e escolhas da FIFA para a Bola de Ouro

1 - Na segunda-feira ficou a conhecer-se o adversário do Benfica na 4ª eliminatória da Taça de Portugal. Apesar de todos sabermos que podia ter-nos calhado um adversário mais fácil (ainda estão tantos da II e III divisões em prova...), não posso dizer que considero o sorteio mau. E por uma questão muito simples: eu sou apologista da teoria de que, se queremos ganhar qualquer competição, temos de estar aptos a vencer qualquer dos adversários que estejam em prova. Posto isto, e ainda por cima sendo em casa, não me parece que tenhamos de ter medo de ser eliminados pelo Braga na Luz. Temos o aviso da época passada, onde fomos eliminados em casa precisamente nesta eliminatória pelo Vitória de Guimarães, e é a isso que teremos de nos agarrar para evitar que um desfecho semelhante aconteça agora. Já vencemos o Braga na nossa casa este ano, para o campeonato, e o mesmo é perfeitamente possível de acontecer também para a Taça. Que os nossos jogadores estejam inspirados nesse
dia, para que continuemos a poder sonhar com a conquista da 25º Taça de Portugal, ainda para mais com (pelo menos) menos um adversário directo em prova a partir daí.

2 - Foram divulgados também os 23 nomeados para a Bola de Ouro deste ano, que pela primeira vez será em conjunto entre a FIFA e a France Football (deixou de haver um prémio para cada). Todos sabemos, já desde há vários anos, como se processa a entrega destes prémios. Não basta ser o melhor: tem de se ganhar igualmente muita coisa, de preferência as grandes provas. E em ano de Europeu ou Mundial, o caso toma proporções ainda mais escandalosas. Não é por acaso que o vencedor em anos de mundiais é quase sempre um dos campeões do Mundo. Este ano estão nomeados 7: Xavi, David Villa, Xabi Alonso, Iker Casillas, Carles Puyol, Andres Iniesta e Fabregas (a Espanha é mesmo o país mais representado), e não duvido de que um dos vencedores saia mesmo deste lote. Provavelmente será Xavi. O que considero injusto, pois acho que o Xavi não é nem de perto nem de longe o melhor jogador do Mundo. O facto é que ganhou o campeonato espanhol e, acima de tudo, o Mundial. Se assim não fosse, não teria quaisquer hipóteses. No entanto, e vendo as coisas por esse prisma, então o candidato mais forte teria de ser Sneijder. É que o holandês só não ganhou mesmo o Mundial (e mesmo assim terminou em 2º). De resto, ele e o seu Inter venceram tudo menos a Supertaça Europeia (e ainda podem levar o Mundial de clubes, em Dezembro). Depois temos os casos de Cristiano Ronaldo (fez uma boa época mas não ganhou um único título; depois fez um Mundial fraco; e agora está a fazer um início de época excepcional, mas a ausência de títulos ganhos mina-lhe todas as hipóteses); Forlán (ganhou a Liga Europa e a Supertaça Europeia, além de ter sido considerado o melhor jogador do Mundial); e Messi, que fez um ano inteiro brilhante, como sempre, mas falhou no Mundial, e por isso não vai levar o prémio.

E as maiores incongruências estão aqui: Asamoah Gyan, figura do Gana no Mundial, está entre os eleitos. Ora, o ganês no ano de 2010 tem estes brilhantes números a nível de clubes: 21 jogos e 6 golos. 15 jogos e 5 golos no Rennes e 6 jogos e 1 golo no Sunderland. Pelo meio, marcou 3 golos (2 deles de penalty) em 5 jogos no Mundial , sendo que falhou um penalty no último minuto com o Uruguai que praticamente eliminou a sua selecção. Posto isto, pergunto: é justo que este rapaz esteja nomeado e que Diego Milito, que fez uma época fabulosa e ofereceu 3 títulos ao Inter (campeonato, Taça e Liga dos Campeões - nestas 2 marcou inclusivamente os golos que deram a vitória nas 2 finais), não esteja? E a razão, qual é? Praticamente não jogou no Mundial. É esta a justiça que temos no Mundo...

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

JVP


Portimonense-Benfica

1 - Portimonense entrou melhor

Tanto o Benfica como o Sporting protagonizaram exibições pouco interessantes, com ambos os jogos a valerem pelo resultado. No Algarve, curiosamente, até foi o Portimonense que começou melhor e deu a sensação de querer discutir o jogo, mas o remate de David Luiz, aos sete minutos, assinalou o momento em que o Benfica começou a tomar conta do encontro. Aliás, tanto na primeira como na segunda parte, os primeiros 5/10 minutos foram os melhores períodos do Portimonense que, sobretudo através de Candeias, parecia querer fazer alguma coisa.

2 - Golo e pouco mais

Aos poucos, o Benfica começou a pegar no jogo, a rematar mais e a aproximar-se mais da baliza contrária mas não teve a dinâmica habitual, também porque se apercebeu da impotência do Portimonense para fazer mais. Porém, apresentou-se forte naquela que é uma das suas armas, as bolas paradas e foi assim que surgiu o único golo. O jogo do Benfica foi mais conseguido na primeira do que na segunda parte e após o golo limitou-se a gerir o resultado. Daí em diante só criou um momento de verdadeiro perigo, através de Kardec, primeiro, e Jara, na recarga.

3 - Benfica jogou apenas q.b.

A falta de dinâmica benfiquista tem muito a ver com a ausência de Coentrão, que mexe com o jogo do Benfica e o acelera, como fazia Di María, embora de forma diferente. Carlos Martins, Aimar, Saviola (tal como Gaitán e o próprio Kardec) também dão dinâmica mas tratando-se de jogadores experientes também sabem quando um encontro está controlado e daí que tenham jogado apenas o suficiente para ganhar, tal como toda a equipa.

4 - Mobilidade de Kardec e sentido de golo de Cardozo

Durante a semana Jorge Jesus fez comparações entre Cardozo e Kardec. É verdade que este último se movimentou mais, dando mais trabalho aos defesas adversários, mas o Cardozo tem um sentido de golo que faz com que muitas vezes dê a sensação de estar alheado de um jogo e de repente marca um ou dois golos. Se não tivesse Aimar, Saviola e Carlos Martins, o Benfica precisaria mais de Kardec mas com este trio, que como disse anteriormente também é responsável pela dinâmica da equipa, não é necessário um ponta-de-lança tão móvel.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Portimonense 0 - 1 Benfica - 8ª Jornada 2010/11

Mais uma vez fomos capazes de responder ao desaire europeu com uma saborosa e sofrida (mais do que era necessário) vitória para o campeonato. Este não é o Benfica da época passada, já todos sabemos disso, e as ausências de jogadores chave continuam a ser muito difíceis de ultrapassar (Kardec ainda não é um substituto à altura de Cardozo e Peixoto nunca será uma alternativa a Fábio Coentrão). No entanto, hoje vimos um Benfica dominador qb e a falhar oportunidades em catadupa (só assim de repente lembro-me de 2 de David Luiz, mais 2 de Luisão, mais 2 de Kardec e outra incrível de Jara). E no final, só ganhámos (mais uma vez) pela margem mínima, à semelhança do que tinha acontecido frente ao Marítimo e ao Braga (embora na Madeira, como hoje, tenhamos tido muito mais oportunidades que contra o Braga).


O Portimonense ainda foi assustando aqui e ali, sempre através de Candeias, mas no geral o Benfica teve sempre o jogo controlado e até dominado. Na primeira parte, David Luiz, por duas vezes, e Luisão, numa ocasião, tiveram tudo para inaugurar o marcador, mas Ventura (o melhor em campo) foi adiando o inevitável até onde pôde. Que foi até aos 49 minutos, quando Javi García, que já não marcava há vários meses, voltou a ser decisivo, tal como havia sido na recepção à Naval, na última temporada. O espanhol é muito bom a jogar de cabeça e aproveitou também a passividade da defesa do Portimonense (muito permeável em variadíssimas ocasiões, como eu havia aqui referido antes do jogo) para fazer o golo que o Benfica já merecia. A partir daqui, a equipa de Portimão (que foi montada inicialmente ao estilo dos velhos tempos, com todos os jogadores atrás da linha da bola - o denominado "autocarro") tentou subir um pouco no terreno, mas nunca teve a clarividência e, sejamos francos, a qualidade para fazer mossa na defesa encarnada. Candeias bem tentou, mas a equipa acabou por se ressentir da táctica de Litos, demasiado medrosa. Foi mesmo o Benfica que podia ter fechado o jogo por variadas ocasiões, mas Kardec e depois Jara (este num falhanço imperdoável) não conseguiram fazer o 2-0 da tranquilidade. Por sorte, a defesa hoje portou-se muito bem e não permitiu quaisquer veleidades.


O Benfica obteve assim um triunfo totalmente justo, recuperando o segundo lugar e colocando alguma pressão em cima do Porto - embora eu não acredite que os portistas deixem escapar pontos em casa com o União de Leiria, mas pronto, a esperança é a última a morrer. Para a semana há a recepção ao Paços de Ferreira, mais um encontro em que a vitória será crucial, pois na jornada seguinte temos o escaldante Porto-Benfica, pelo que estamos completamente proibidos de perder pontos até lá (até porque eu tenho uma secreta esperança de que a Académica, a fazer um grande campeonato, consiga roubar pontos aos dragões em Coimbra). Outra coisa: o Jorge Jesus vai ter de gerir muito bem a questão dos cartões, pois temos neste momento 4 jogadores importantíssimos em risco de falhar a deslocação ao Porto: Maxi, Luisão, Carlos Martins e Javi García. Na minha opinião, descansavam todos menos o Luisão. Para a recepção ao Paços de Ferreira, que não é nenhum colosso, penso que o Luís Filipe desenrascava no lugar do Maxi, o Airton idem no lugar do Javi e um qualquer Felipe Menezes, Salvio ou até o Weldon fariam o lugar do Martins. Penso que são jogadores importantíssimos e não nos podemos dar ao luxo de ficar sem nenhum deles para a 10ª jornada. Acho que o Luisão tem de jogar nesse jogo porque, caso o Maxi fique no banco, não confio numa defesa composta por Luís Filipe (ou Airton), Sidnei, David Luiz e Coentrão (ou Peixoto, se o Coentrão não recuperar até lá). E também acho que o Luisão aguenta um jogo com o Paços sem ver um cartão. Portanto, vamos lá, Benfica. Porque eu ainda acredito, rumo ao 33º!

O resumo do jogo aqui:

sábado, 23 de outubro de 2010

RAP


E isso me envaidece

Estive ontem mais de duas horas a conversar com um adepto do Benfica. Chama se António Lobo Antunes e é, alem de benfiquista, um grande escritor. Um dos maiores do mundo. Sempre que lhe dão um prémio literário, e já lhos deram quase todos, fica mais prestigiado o prémio do que ele. Tem diplomas, medalhas, vários quadros de grandes pintores que quiseram pintar-lhe o retrato. Creio, por isso, que os leitores não serão capazes de lhe censurar a vaidade se disser que, em casa dele, na parede do quarto, está, emoldurada, a sua ficha de inscrição como sócio do Sport Lisboa e Benfica. Cada um tem as suas honrarias, e a vontade de exibir as maiores é apenas humana. «É extraordinário», disse ele a olhar para a moldura, «como um clube fundado por órfãos da Casa Pia - ao contrário do Sporting, fundado por um Visconde, e do Porto, fundado por banqueiros - consegue...» E, entretanto, faltaram-lhe as palavras.

«É extraordinário», limitou-se a repetir. Confesso que fiquei desapontado. Afinal, um grande escritor não fazia milagres: quando alguma coisa era do domínio do indizível, não havia vocabulário, nem talento, nem nada que lhe valesse. Mas, nesse mesmo segundo, Lobo Antunes desmentiu-me. Encontrou as palavras que lhe faltavam, e começou a recitá-las: «Domiciano Barrocal Gomes Cavém. José Pinto de Carvalho Santos Águas. Mário Esteves Coluna. Alberto da Costa Pereira. José Augusto Pinto de Almeida. Ângelo Gaspar Martins. António José Simões da Costa.» Assim mesmo, com os nomes completos e sem hesitações. Mais adiante, nessa mesma tarde, António Lobo Antunes haveria de declamar um poema de Dylan Thomas. Mas não voltou a ser tão poético como naquele momento, à frente de uma ficha amarelecida por mais de 60 anos.

Antes de nos despedirmos, ainda registámos uma coincidência. No dia 23 de Maio de 1990, eu tinha 16 anos e estava a chorar em minha casa; António Lobo Antunes tinha 47 e estava a chorar na dele. Claro, Lobo Antunes é um génio, e eu sou apenas, e só quando consigo, eu. Mas, ao menos naqueles minutos que sucederam à final da Taça dos Campeões (duas ou três horas, no meu caso), a minha sensibilidade foi igual à dele. Não é a primeira vez que o Benfica faz de mim uma pessoa melhor, mas nunca deixa de ser surpreendente.
Feito este curto mas importante parêntesis, para a semana voltarei a dedicar-me às grotescas incongruências de Rui Moreira e Miguel Sousa Tavares, que é para isso que cá estou.

Por Ricardo Araújo Pereira, 23 de Outubro in jornal A Bola