quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Benfica 2 - 0 Braga - IV eliminatória Taça de Portugal 2010/11

Finalmente! Após muitos e muitos jogos, finalmente se voltou a ver um Benfica a um nível muito perto do razoavelmente bom. Perante um adversário de qualidade (embora muito desfalcado, por entre lesões e castigos), a equipa encarnada deu mostras de que há, efectivamente, condições para assegurar os objectivos mínimos para o que falta da temporada: ficar em 2º no campeonato, garantindo assim a participação na Liga dos Campeões da próxima época, lutar pela vitória nas 2 taças nacionais e fazer boa figura na Liga Europa (dependendo do adversário que nos calhar em sorte já nos 16-avos-de-final se verá qual pode/deve ser o objectivo real na competição). No que respeita à Taça de Portugal, com a eliminação do Braga e também do Sporting em Setúbal, ficou claro que só se aceitará uma derrota benfiquista na prova com o Porto. Qualquer desaire frente a qualquer outro dos adversários, sendo que o próximo é o Olhanense, será um retumbante revés nas aspirações do Benfica. E quem pagará é Jorge Jesus, obviamente.


O Benfica controlou este jogo como lhe convinha e de forma muito competente. Sem se atirar deliberadamente ao ataque, foi dominando as operações no centro do terreno, aparecendo aqui e ali com perigo nas imediações da área bracarense. O Braga, por seu lado, nunca foi capaz de criar ocasiões perigosas. Nem a saída de Luisão, lesionado, fez o Benfica tremer, mas a concretização em golos desse domínio só surgiu já perto do intervalo, num lance muito bem trabalhado por Javi García e Saviola (saliente-se também o lançamento longo de Maxi Pereira). O argentino, ao contrário do que tem sido nota dominante esta época, apareceu de rompante ao primeiro poste e de forma certeira abriu o marcador.


A disposição do jogo não se alterou muito a partir daí. Em vantagem, o Benfica foi segurando o jogo e criando algumas oportunidades, sem que o Braga conseguisse dar uma boa réplica. Até que, aos 88 minutos, Júlio César fez a defesa da noite, a responder a um belo cabeceamento de Alan (o melhor em campo do Braga) e, poucos minutos depois, Aimar selou a vitória encarnada, em recarga a remate de Rúben Amorim (depois de uma boa jogada de Salvio - que entrou muito bem em campo - pela direita).


Num jogo que acabou por ser mais tranquilo do que era esperado, o Benfica conseguiu eliminar um concorrente directo à vitória final, o que é sempre de enaltecer. A equipa respondeu positivamente à terrível exibição efectuada com o Schalke 04 e agora resta começar já a preparar a recepção ao Rio Ave, em mais um encontro onde perder pontos é proibido para não deixar fugir o 2º lugar (e quem sabe aumentar ainda mais a vantagem sobre os mais directos perseguidores) e continuar a pressionar o primeiro (embora às vezes nem valha a pena, sabendo de antemão que eles têm as vitórias asseguradas, como se viu na roubalheira com o Vitória de Setúbal). Em relação à Taça, como já foi dito acima, iremos receber no próximo jogo o Olhanense e, como tal, teremos todas as hipóteses de passar aos quartos-de-final. Façamos por isso, rumo à 25ª Taça de Portugal do nosso historial.

O resumo do jogo aqui:

domingo, 12 de dezembro de 2010

O Benfica na Taça de Portugal - Braga 2 - 1 Benfica 1997/98

Hoje jogamos a nossa continuidade na Taça de Portugal, frente a um adversário que já defrontámos mais de 100 vezes na nossa história. Na Taça, jogámos contra o Braga por 9 vezes e curiosamente vencemos 5 e perdemos 4. Hoje vou recordar aqui a última vez que o Benfica defrontou o Braga nesta competição. Foi em Braga, nas meias-finais da Taça de 97/98. Nesse dia saímos derrotados e o Braga foi jogar a final com o Porto. Hoje espero que aconteça o oposto, para que se mantenha vivo o sonho de voltar a vencer um troféu que nos foge vai para 7 anos.

Depois de já ter eliminado Farense, Rio Ave, Beira-Mar e Gil Vicente, o Benfica parecia caminhar a passos largos para a final, onde havia estado nas 2 épocas anteriores (ganhou a primeira e venceu a segunda). E o jogo até começou muito bem, com Panduru a marcar logo aos 15 minutos. O problema é que o jogo tem mais 75 minutos, e nesses o Braga deu o tudo por tudo para virar o jogo. E virou-o, com um bis de Karoglan, a grande figura do Braga à época. Nessa equipa, orientada por Graeme Souness, estava um único atleta do Benfica actual: Nuno Gomes, que sairía aos 60 minutos para dar lugar a João Pinto. Se o resultado hoje se repetir (2-1 para a equipa da casa), já não seria nada mau. Esperemos que assim aconteça.

Não consegui encontrar os golos desse jogo em lado nenhum. Se alguém conseguir, que diga aqui na caixa de comentários.

sábado, 11 de dezembro de 2010

JVP


Benfica-Schalke

1 - Benfica chega onde queria, mas o que tinha a fazer não fez

Nesta crónica, vou tentar não repetir o que escrevi na do último jogo do Benfica. Ou seja, não vou falar de alma nem da falta dela ou do espírito de grupo que também desapareceu. Tentarei concentrar-me num jogo em que o Benfica deitou tudo a perder por culpa própria e acaba por cumprir o objectivo de transitar para a Liga Europa por oferta de terceiros. Porque aquilo que tinha a fazer… não fez. E percebeu-se cedo que ia ser muito complicado bater o Schalke, pois mesmo durante aqueles primeiros dez minutos em que as equipas se estudaram, o Benfica queria ter a bola, e os alemães consentiam-no, mas posicionavam-se no campo de uma forma compacta e jogavam concentrados. A forma lenta e pouco dinâmica como a equipa portuguesa circulava a bola servia a estratégia do adversário, que exercia pressão para ganhar a bola e não apenas para marcar posição. O Schalke teve sempre a tranquilidade e a frieza de esperar pelo erro do Benfica, enquanto o Benfica nunca foi capaz de provocar o erro no Schalke. E na maior parte das ocasiões em que os alemães saíram para o contra-ataque apanharam o Benfica desorganizado. Aliás, isso tem-se visto muitas vezes ao longo desta época.

2 - Schalke cínico e inteligente

A forma lenta como o Benfica circula a bola torna impossível a criação de desequilíbrios e torna as dificuldades cada vez maiores para uma equipa triste, intranquila e sem a determinação necessárias para jogos deste calibre. O Schalke percebeu que teria sucesso se apertasse um bocado com o Benfica e tratou de o fazer saindo rápido para o contra-ataque e provocando erros defensivos. Então depois de marcar é que o visitante, que se tinha posicionado em campo de forma inteligente, se tornou ainda mais cínico na sua forma de jogar, fazendo com que o Benfica, que chegou a ter a ilusão de mandar no jogo, só fizesse um remate que acertou na baliza aos 65 minutos.

3 - Aimar e Gaitán mudam o jogo

Tranquilo, o Schalke continuou a controlar o jogo na segunda parte e até dispôs de um boa oportunidade para marcar antes de chegar ao 0-2, mesmo tendo o Benfica melhorado a sua dinâmica com a entrada de Aimar e Gaitán, apesar de a equipa só ter acordado a sério depois do tal lance de Javi García aos 65'. A partir daí, o Benfica conseguiu ficar por cima, aumentou o ritmo, mas tinha de correr atrás do prejuízo, e o Schalke é uma equipa adulta, que voltou a marcar quando o adversário se expunha e parecia ser capaz de chegar ao empate. E sofrer um golo daqueles não é próprio de uma equipa de alta competição, embora se veja com alguma frequência. Desde que o fora-de-jogo posicional acabou, e foi há bastante tempo, toda a gente sabe, ou devia saber, que depois de uma bola parada, quando a equipa sobe, tem de se olhar para a bola e para o adversário. Quem só olha para a bola sofre golos destes.

4 - Jesus também está intranquilo

Ao contrário do que acontecia na época passada, Jorge Jesus tem estado a mudar a equipa vezes de mais, transmitindo-lhe um sentimento de intranquilidade e correndo o risco de passar para fora a ideia de que também ele está intranquilo. Neste momento, há 4/5 posições fixas, as restantes têm-se alterado muito, com jogadores que mudam de lugar, como Coentrão ou Carlos Martins, outros que saem da equipa e depois regressam por opção, como tem acontecido com Gaitán, Salvio ou mesmo Saviola. Tantas mudanças provam que as coisas não estão bem e que a solução tarda. Quando as mudanças são determinadas por lesões ou castigos, pode-se lamentar e remendar, quando é por opção é diferente. Basta atentar no exemplo da época passada: a base era tão sólida que, pontualmente, qualquer um podia sair, mas o que entrava correspondia como se jogasse sempre. E não vale a pena falar de inexperiência: Maxi Pereira, Luisão e Coentrão estiveram no Mundial, David Luiz é jogador de selecção, Aimar e Saviola são internacionais A da Argentina, Carlos Martins tem estado em grande na Selecção Nacional, Cardozo na do Paraguai, Rúben Amorim também já esteve num Campeonato do Mundo…

5 - César Peixoto como Abel Xavier

Uma nota final para referir que é muito mau o que os adeptos do Benfica estão a fazer a César Peixoto. Faz-me lembrar um tempo em que aconteceu o mesmo a Abel Xavier - a bola ainda não chegou ao pé do jogador, e ele já está a ser assobiado. Isso não ajuda nada e não é uma situação fácil de enfrentar, mesmo que se trate de um jogador determinado e que acredite no seu valor. A envolvência é muito importante, e ser assobiado em casa pelos próprios adeptos é mau; o jogador passa a jogar para não errar e não ser assobiado. Com isso, deixa de arriscar, e o que define um jogador de uma equipa grande é exactamente ter qualidade e ser capaz de arriscar. A alternativa, nestes casos, é aparecer um lance milagroso que reverta a situação de uma vez, como aconteceu com Roberto. O César está a precisar de um grande golo.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Benfica 1 - 2 Schalke 04 - Fase de Grupos Liga dos Campeões 2010/11

Para quem leu a minha crónica no encontro de Tel Aviv, peço-vos: releiam-na e percebam como me sinto depois do jogo de ontem. Na minha opinião, voltámos a assistir ontem a uma das páginas mais negras da história do Benfica na Europa, tal como em Israel. Não pelo resultado, porque não é assim tão vergonhoso perder com uma equipa com tradição na Alemanha, mas sim pela falta de entusiasmo, de vontade, de atitude... em suma, de profissionalismo, da parte dos nossos jogadores. E em relação a esta pasta poderia estar aqui a repetir o que já disse nesse post, mas quem o leu e quem me lê normalmente sabe o que eu disse e o que penso sobre isto, portanto não vou dizer tudo de novo. Só acho inconcebível que uma equipa como a que nós temos (que não dá, obviamente, para ganhar uma Liga dos Campeões, mas que podia perfeitamente chegar aos quartos-de-final) se veja obrigada a esperar pelo apito final de um Lyon-Hapoel Tel Aviv para ver se não vai de vela das competições europeias logo em Dezembro. Isto indigna-me, porque já houve tempos em que uma equipa do Benfica composta por remendos como Jorge Soares, Marinho, Bermúdez, Tahar, Luiz Gustavo, Jamir, Paulão, Pedro Henriques, Mauro Airez e Hadrioui conseguiu chegar aos quartos-de-final de uma prova europeia, onde só cairía perante a Fiorentina (e ganhou 1-0 em Itália, depois de perder 0-2 na Luz). Se até uma equipa com tamanha falta de qualidade chegou tão longe, é inconcebível que a equipa actual (45 mil vezes melhor) não mostre metade da atitude desse conjunto de bons rapazes que por cá andou. Tivemos resultados horríveis nesse período, mas ao menos sabíamos que não se lhes podia exigir mais do que aquilo que davam. Agora não. Agora temos grandes jogadores que se aburguesaram (tal como o treinador), que estão a jogar na Liga dos Campeões como se estivessem a jogar o Torneio do Guadiana. Continuarmos nas competições europeias é um milagre, mas, como já referi anteriormente, a jogar com esta displicência mais valia nem irmos lá ou sermos logo eliminados. Não quero ver novo desastre como o de Vigo.


Do jogo em si, mais do mesmo. Jesus voltou a inventar, colocando um homem em campo que de jogador já tem muito pouco. O César Peixoto não teve uma acção bem sucedida, uma única, em 45 minutos. Para fazer aquilo que ele fez, até eu era jogador do Benfica. Aquelas jogadas em que lhe passam a bola, ele recebe-a e se atira para o chão em busca de falta porque a velocidade com que joga aos 30 anos já é a mesma do Valderrama quando acabou a carreira, aos 40 e tal, não são de jogador de futebol: são de ex-jogador. O Peixoto não tem a mínima qualidade para jogar na Liga dos Campeões. No campeonato, apesar de mau, ainda disfarça, mas nesta competição fica facilmente à vista o desastre que é este rapaz. De resto, a ineficácia habitual e o golpe de mestre dado pelo adversário quando menos se espera. Curiosamente, Raúl e Huntelaar nada fizeram durante todo o jogo. Exceptuando o pequeno pormenor do espanhol servir de bandeja o seu compatriota Jurado (talvez o melhor do Schalke ontem) para o golo. Apenas um pormenor.


Na segunda parte, a mesma coisa. O Benfica atacou mais (pouco, é certo, mas mais) e o Schalke voltou a revelar o seu sentido de oportunidade: na única ocasião que teve, aproveitou a lentidão da defesa do Benfica para aumentar a vantagem, pelo central Howedes. E o Benfica a ver a caravana a passar e as bolas a entrar.


De repente, a equipa pareceu acordar e lá marcou um golinho, que nem foi festejado, tal o conformismo de todos. Curiosamente, o capitão Luisão, o autor do golo, foi um dos que menos entusiasta se mostrou mesmo depois de ter marcado. É caso para perguntar: o que raio se passa naquele balneário...

Termino dizendo o seguinte: leio sempre, depois de cada derrota, em muitos blogues benfiquistas as coisas habituais: uns são mais vieiristas, apoiando cegamente tudo o que o presidente faça e tudo o que acontece no clube; outros mais pessimistas, que preferem criticar o que vai mal para que as coisas melhorem. Normalmente, estes últimos são mal vistos porque, como em tudo na vida, criticam. Mesmo que seja construtivamente, criticam, e quem está no poder e quem gosta de apoiar quem está no poder não admite críticas. Pois eu digo-o claramente para quem quiser ouvir (ler, no caso): sou totalmente dos que criticam quando sentem que têm que criticar. Nunca pensei pelos outros, nunca fui pela conversa do "tens de apoiar porque são os nossos". Se os nossos forem uma porcaria e se fartarem de fazer porcaria, não lhes vou aplaudir. Essa história de que enquanto estão a representar o Benfica são os melhores do mundo para mim não pega. O Benfica sim, é o melhor do mundo. Quem o representa vem e vai. Não me venham com tretas que não se pode criticar os nossos, nem o presidente, nem o treinador, nem os jogadores. Se eu vejo que as coisas estão mal, não tenho medo de me insurgir. Tenho liberdade para o fazer e ninguém é mais benfiquista que eu. Não sou sócio, pois não, mas sou tão benfiquista como qualquer sócio. Ou mais.
E agora que a equipa trate de tentar melhorar a horrenda imagem que deixou na Europa e que elimine o Braga da Taça. É o mínimo que "os nossos" podem fazer.

O resumo do jogo aqui:

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Benfica na Liga dos Campeões - Shakhtar Donetsk 1 - 2 Benfica 2007/08

Porque hoje jogamos a nossa continuidade na Europa, decidi relembrar a última vez em que estávamos nesta situação (numa situação muito mais dramática, na verdade). Na última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões 07/08, o Benfica tinha obrigatoriamente de vencer em Donetsk para ultrapassar os russos e assegurar o terceiro lugar e consequente apuramento para a Taça UEFA, depois de ter sido afastado por Milan e Celtic. Qualquer outro resultado que não o triunfo tirava-nos da Europa. Acabámos por consegui-lo, num desfecho que espero que se repita hoje.

A base dessa equipa do Shakhtar era a mesma que viria, no ano seguinte, a vencer a Taça UEFA (e que já havia vencido 1-0 na Luz). No onze do Benfica, orientado por José Antonio Camacho, estavam alguns dos jogadores que ainda se mantêm no plantel (no caso, Luisão, David Luiz, Maxi Pereira e Cardozo). Luís Filipe e Nuno Gomes ficaram no banco (haviam de entrar no decorrer do jogo). Moreira, Fábio Coentrão e Mantorras não foram convocados. O jogo acabou por ficar resolvido muito cedo (logo aos 21 minutos), dada a entrada de rompante dos encarnados. E um nome em especial sobressaiu: Cardozo. O paraguaio apontou dois golos plenos de oportunidade, numa noite fria como gelo, e selou o triunfo encarnado, embora o Shakhtar ainda tivesse reduzido de penalty, por Lucarelli. Nessa altura, esse triunfo valeu-nos chegar aos 7 pontos. Hoje, embora já eliminados, ainda podemos chegar aos 9 (curiosamente, da última vez que passámos aos oitavos-de-final, fizemo-lo com... 8). Esperemos que sim.

O resumo do jogo pode ser visto aqui:

http://www.tudou.com/programs/view/a1Fu5o6N_VY/#cmPost

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

JVP


Benfica-Olhanense

1 - A chama não foi imensa mas deu para ganhar

Do Benfica pode dizer-se que a chama não foi imensa, mas foi a suficiente para ganhar com justiça. A minha alusão à chama tem que ver com um facto que se tem notado repetidamente. Independentemente de tudo quanto se tem dito, o que tem faltado ao Benfica - obviamente que na minha óptica - é, precisamente, paixão. Eu sei, e toda a gente sabe, que a equipa não é a mesma, que os jogadores que entraram não estão ao nível dos que saíram, mas a comparação com a época passada é inevitável e percebe-se com clareza que a este Benfica falta alma, falta paixão. Isso nota-se até na forma meio tristonha como os golos são festejados.

2 - Paulo Sérgio e Jorge Gonçalves punham em causa domínio do Benfica

A primeira parte foi equilibrada, embora coubesse ao Benfica maior iniciativa e domínio, mas faltava-lhe ter mais bola, uma maior dinâmica ofensiva, para além de que eram notórios os desequilíbrios defensivos, que serviam, e de que maneira, a estratégia do Olhanense, que queria jogar em transições muito rápidas. O modo de jogar do Benfica acabava por servir os interesses de um adversário bem organizado que teve sempre Paulo Sérgio e Jorge Gonçalves apontados à baliza de Roberto. E não é fácil controlá-los, porque são dois jogadores muito rápidos mas experientes, que criaram várias situações de aperto para o Benfica.
Neste particular dos desequilíbrios, creio que a equipa foi de encontro ao que tenho vindo a afirmar da falta de paixão. Por exemplo, a inclusão de Rúben Amorim na esquerda do meio-campo do Benfica deveria servir para proteger as subidas de Fábio Coentrão, mas a falta de alma a que me refiro não o permitiu. Os sectores estiveram muito separados durante a maior parte do tempo e pouca gente se preocupava em recuperar quando a bola era perdida. Essa postura só serviu para facilitar a estratégia do Olhanense, que apesar de jogar com o bloco baixo saía para o ataque com três e quatro jogadores sem que o Benfica tivesse igual número de elementos a correr para o evitar.

3 - Faltam espaços e inspiração

Por mérito próprio, o Olhanense não dava ao Benfica os espaços de que precisava para criar situações de golo. Obrigava Aimar a recuar muito para organizar o jogo e retirava espaço de manobra a Saviola para criar os desequilíbrios que sempre procura quando tenta jogar entre linhas. Refiro-me especificamente a esses dois jogadores porque Rúben Amorim e Gaitán não conseguiam criar desequilíbrios, o primeiro porque não tem essas características e o segundo por estar desinspirado. Excepção feita aos remates de Cardozo, o Benfica não conquistava espaço devido à lenta circulação de bola que estava a fazer. Para acalmar o grupo e a plateia, valeu um golo feliz no aproveitamento de uma bola parada, com a sorte suplementar de acontecer perto do intervalo. Acabou por ser um golo importante, até porque nessa altura a vantagem do Benfica em termos de jogo era muito pequena e Carlos Fernandes também podia ter feito golo para o Olhanense.

4 - Golo anulado ao Olhanense mostra apatia do Benfica

A segunda parte teve 10 minutos iguais aos 45 da primeira, com o Olhanense a tentar subir no terreno e bem cedo teve um golo anulado. Mesmo não querendo julgar o lance, foi uma situação que mostrou bem a apatia que estava instalada no Benfica. O lance parece ter espicaçado os da casa, que a partir daí, mesmo sem jogarem um futebol atractivo, passaram a controlar os movimentos do adversário de uma forma mais segura. No ataque, o Benfica passou a criar situações de embaraço para Moretto de cada vez que acelerava, apesar de ter jogado no risco durante tempo de mais, pois marcou o segundo aos 80' e até aí esteve sempre sujeito a que um erro ou lance de inspiração do Olhanense pusesse a vitória em causa. E pela forma do jogar da equipa algarvia, esse perigo era mesmo real.

5 - Luisão e Roberto foram os melhores

Embora não tenha havido grandes destaques individuais - ou se calhar por causa disso mesmo -, no Benfica vou escolher Luisão e Roberto como os melhores. Tratou-se de um jogo ingrato para ambos, porque o Benfica teve momentos de mais em que se desequilibrou e tiveram de ser eles a resolver os problemas. Luisão adoptou um sistema de não facilitismo e chutar para a frente pode não ser bonito mas há alturas em que dá muito jeito. É um líder nas jogadas aéreas e deixou-se de algumas invenções que lhe vimos nos primeiros anos de Benfica. Roberto, sempre que chamado a intervir, esteve bem. Do lado do Olhanense destaco o trabalho de Paulo Sérgio, um jogador irreverente, activo, que procura ter a bola e, com ela, foi sempre incómodo para o Benfica.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Benfica 2 - 0 Olhanense - 13ª Jornada 2010/11

Salvou-se o resultado numa das exibições mais descoloridas dos últimos tempos. Estive no estádio, onde a actuação dos nossos jogadores já não me tinha parecido brilhante. Ao ver o resumo do jogo e os comentários dos outros bloggers encarnados, percebi claramente que a minha percepção inicial não estava errada. Enfim, salvou-se o resultado e a certeza de que não iremos perder pontos para os principais rivais esta jornada. E isso, neste momento, é mesmo o mais importante.


A exibição, como já disse acima, não foi boa. Os jogadores estiveram sempre a um nível baixo, muitas vezes parecendo até apenas arrastar-se em campo (com especial destaque para Gaitán). A primeira parte acabou com mais ataques do Olhanense (pelo menos perigosos), salientando-se uma saída espectacular de Roberto num livre onde Carlos Fernandes tinha tudo para marcar (foi uma mancha extraordinária). O espanhol continua a subir na minha consideração e, para quem dizia (diz?) que ele ainda não deu pontos ao Benfica... vão ao oftalmologista ou aprendam a ver futebol. Um pouco do nada surgiu o golo inaugural, mais uma vez pelos pés do Tacuara... e com uma contribuição muito especial de Moretto, o tal que sempre foi mal-amado na Luz. Se dúvidas houvesse sobre o porquê desse sentimento dos adeptos, ficaram dissipadas ontem. E Cardozo já é o melhor marcador estrangeiro de sempre do Benfica, em igualdade com Mats Magnusson. E com menos uma época do que o sueco aqui (Magnusson fez 5, Cardozo ainda vai na quarta).


Na segunda parte, assistiu-se a um pouquinho mais de futebol por parte do Benfica, embora até tivesse sido o Olhanense a marcar primeiro (por Paulo Sérgio, o melhor jogador da equipa algarvia), num lance bem anulado por fora-de-jogo do antigo jogador do Sporting. A saída de Gaitán e a entrada de Carlos Martins fizeram muito bem ao Benfica (arrisco-me a dizer que ter Carlos Martins em campo nunca pode ser mau), ao contrário da entrada de Salvio, que não acertou um único passe (que barrete...). Ainda assim, o Olhanense foi morrendo aos poucos e o Benfica lá conseguiu o golo da tranquilidade, já depois de Cardozo ter atirado ao poste num belíssimo remate após combinação com Saviola. O mesmo Saviola apontou o segundo golo encarnado, num lance à Saviola: a conclusão ao 2º poste num canto, aproveitando o primeiro toque de cabeça de David Luiz (que desta vez finalmente fez uma exibição imperial, sem qualquer erro).


Para já, estamos a 5 pontos da liderança (embora todos saibamos que o Porto não dá menos de 3 ao Vitória de Setúbal no Dragão). Com 17 jornadas para o final do campeonato, não se pode falar no título como sendo uma miragem, mas todos sabemos que já está muito difícil lá chegar. O importante é ir vencendo para se manter o 2º posto, algo que não me parece muito difícil: como já pudemos ver hoje, nem o Vitória de Guimarães, nem o Sporting e muito menos o Braga parecem ter argumentos suficientes para conseguir discutir esse lugar connosco. Quanto às competições europeias, e perspectivando já o encontro com o Schalke 04, só se pede à equipa que honre a história do clube e que vença os alemães para assegurar de vez o 3º lugar no grupo e a consequente qualificação para a Liga Europa.

Os golos do jogo aqui: