sábado, 9 de janeiro de 2010

RAP



O Benfica ganhou no campo e goleou no túnel

O leitor deseja agredir alguém? Um vizinho, um familiar, um desconhecido qualquer? É fácil: diga que foi provocado. As provocações, sejam de que tipo forem, justificam qualquer agressão. Uma anónima agrediu o Papa? Foi, de certeza, vítima de uma armadilha bem urdida. O marido bate na mulher? É impensável que a tenha agredido sem que tivesse havido forte agravo. Toda a gente sabe que os agressores são, em geral, gente ponderada e cordata, que só opta pela violência física caso seja vítima da afronta mais grave, mais perversa e mais criminosa que pode ser perpetrada: a provocação. Não será por acaso que a lei portuguesa prevê molduras penais extremamente pesadas para homicidas, violadores e autores de provocações.

Trata-se de uma estratégia imbatível, até porque uma provocação não carece de prova. A simples alegação da existência de provocações sobrepõe-se, em gravidade criminal, a imagens que mostram agressões. Agressões documentadas são bagatelas quando vão a meças contra provocações hipotéticas. Não admira: quem já foi agredido sabe perfeitamente que o que aleija a sério são as provocações. O número chocante de pessoas que, em todo o mundo, falecem na sequência de terem sido provocadas é prova mais do que suficiente da dimensão deste flagelo. Há dias, cruzei-me com um homem que sangrava do sobrolho, coxeava e tinha duas costelas partidas. «Que se passa, amigo?», perguntei ingenuamente. «Foi agredido?» «Não», disse ele. «Fui barbaramente provocado.» Pobre homem.

Dito isto, não posso senão alinhar no coro de críticas ao túnel da Luz. Foi lá que vários jogadores do Porto se envolveram em agressões. De quem é a culpa? Do Benfica, claro. Que seja fortemente castigado, a ver se se moraliza este nosso futebol. Espero que obriguem o clube a alterar aquele maldito local. Nos jogos contra o Porto, por exemplo, talvez não fosse má ideia ponderar a substituição do túnel por uma jaula.

Os jogadores do Porto, que estavam proibidos de dar entrevistas ao jornal A BOLA, resolveram emitir um comunicado no qual informam que, a partir de agora, vão deixar de dar entrevistas ao jornal A BOLA. Ora aqui está uma iniciativa arrojada. Todos conhecíamos o blackout, mas o blackout em cima de outro blackout só podia ser uma inovação desse clube que é designado pelos seus dirigentes e adeptos como Ftócuporto.

Por muito benfiquistas que sejamos, vemo-nos forçados a reconhecer que, no passado fim-de-semana, assistimos a uma agressão inadmissível que, ainda para mais, passou sem castigo. Não é por ser filho de um antigo capitão do Benfica que a brutal cotovelada com a qual Miguel Veloso partiu um dente a um adversário deve passar sem reparo. É por isso que, sem facciosismos, devemos exigir que a sangrenta agressão seja alvo de competente sumaríssimo, uma vez que não mereceu qualquer punição do árbitro. A menos que Miguel Veloso tenha sido provocado, claro. Talvez o maxilar do adversário tenha feito provocações maldosas. Se assim foi, é bem feita.

Por Ricardo Araújo Pereira, edição 09 de Janeiro 2010 in Jornal A Bola

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O nosso plantel VI - Luisão

Hoje, depois dos guarda-redes e dos laterais-direitos, temos o primeiro dos defesas centrais da equipa, e logo o patrão da defesa encarnada: Luisão.



Luisão chegou ao Benfica já com a época 2003/04 a decorrer. Curiosamente, marcou um golo logo na estreia, no empate a 3 bolas com o Belenenses. Os seus concorrentes à titularidade eram de peso: os portugueses Hélder (capitão de equipa) e Ricardo Rocha, mais o internacional brasileiro Argel, muito querido pelos adeptos devido à garra com que se empenhava a cada lance. Ainda teve de lutar pelo lugar no 11 e no coração dos adeptos, que o olhavam com desconfiança pela pouca capacidade técnica e alguns erros cometidos, próprios da inexperiência fora do Brasil (e já agora, também da idade com que cá chegou: apenas 22 anos). Acabou a primeira época com 15 jogos e 3 golos na Liga e uma taça de Portugal ganha.



Na época seguinte, Luisão ganhou de vez a titularidade. Com a saída de Hélder e o declinar de Argel, o Girafa ganhou lugar no 11 ao lado de Ricardo Rocha. Os outros concorrentes ao lugar (Alcides e Amoreirinha) eram muito jovens e inexperientes e nunca constituíram verdadeira ameaça na luta pela titularidade, o mesmo se aplicando a André Luiz, reforço de Inverno que fez apenas um jogo. Luisão foi uma das pedras-chave na conquista do campeonato, marcando inclusive o golo designado por muitos como golo do título, na penúltima jornada, a Ricardo, do Sporting. Luisão terminou a época com 29 jogos e 2 golos marcados no campeonato.



Nova época, mesmo patrão da defesa. As saídas de Amoreirinha, Argel e André Luiz foram colmatadas por outro internacional brasileiro, Anderson, mas nem assim Luisão perdeu o lugar, entretanto já cimentado pela boa relação com os adeptos encarnados, que o viam como um elemento essencial na coesão do balneário. A época não foi famosa a nível interno, pois o Benfica, campeão em título, ganhou apenas a supertaça, mas fez boa figura na Liga dos Campeões, chegando aos quartos-de-final, onde foi batido pelo que viria a ser o campeão europeu, o Barcelona, depois de ter eliminado o Liverpool, então campeão europeu, em dois jogos épicos. À vitória por 1-0 na Luz, conseguida com golo de... Luisão, os encarnados juntaram novo triunfo, dessa feita por 2-0, em Liverpool. No final da época, os números de Luisão foram ainda melhores que na época anterior: 31 jogos e 1 golo.



Nova época, novo treinador, defesa... na mesma. Os centrais mantiveram-se para esta época, sempre com Luisão a comandar, até que Ricardo Rocha saiu em Janeiro. A sua venda foi colmatada pela aquisição de David Luiz, que haveria de se estrear a titular precisamente devido a lesão de Luisão, que o colocou de fora dos relvados alguns meses. O internacional brasileiro acabou, por isso, por fazer apenas 17 jogos em toda a temporada, marcando 2 golos. Ainda assim, foi ganhando estatuto no plantel e entrou pela primeira vez na hierarquia dos capitães, atrás de Simão, Nuno Gomes e Petit.



2007/08: época conturbadíssima, com entradas e saídas em barda, também no centro da defesa. Alcides e Anderson abandonaram o clube, chegando para os seus lugares Edcarlos e Zoro (sendo que Miguel Vítor ainda actuou em alguns jogos logo no início da época, devido a lesões de Luisão e David Luiz). Luisão, como já foi referido, começou a época lesionado e realizou apenas mais dois jogos que na temporada anterior, tendo marcado mais um golo, numa época em que fez duplas com Edcarlos, David Luiz e ainda Zoro, mas onde esteve francamente desinspirado. Talvez a sua época menos conseguida desde que está na Luz (e a do Benfica também).



Com a chegada de Quique, chegou também novo central brasileiro, Sidnei, e sairam Edcarlos e Zoro, tendo ainda Miguel Vítor subido à principal equipa. Luisão, apesar de continuar a ser fustigado por lesões, conseguiu regressar paulatinamente às exibições de anteriormente e voltou a assumir o comando da defesa encarnada, nos 21 jogos em que participou. Apontou ainda dois golos, vencendo a taça da Liga.



Para esta época, nova mudança de treinador, mas os mesmos centrais, o que pode ajudar a compreender as melhorias que se verificam no Benfica actual, também ao nível da defesa. Luisão tem feito uma dupla quase intransponível com David Luiz, tendo falhado apenas um jogo no campeonato, na deslocação ao terreno do Sporting. Apontou ainda um golo, na goleada ao Vitória de Setúbal. Apesar de ser oficialmente o sub-capitão do plantel, acaba por desempenhar esse papel na maior parte dos jogos, devido à perda de titularidade do titular desse estatuto, Nuno Gomes.



Não tenho uma opinião definitiva formada acerca de Luisão. Ou talvez até tenha. Confesso que nunca fui muito adepto do futebol do central brasileiro. Não via nele um líder, um patrão da defesa, alguém que fosse capaz de pôr ordem na casa, ou seja, não via nele qualidade suficiente para ser o mandão da defesa nem do balneário (muito menos capitão). Esta época tem-me feito ver as coisas de outra forma. Luisão parece-me agora mais maduro, mais líder, mais de confiança. Em rigor, parece-me mais jogador. O que é bom sinal. Se me conseguiu convencer, é porque melhorou mesmo em relação ao passado. Assim espero que continue toda a época, que seja campeão com o Benfica e ganhe a Liga Europa e que faça um brilharete no Mundial. Seria sinal que um jogador do Benfica seria titular do Brasil no Mundial, o que é excelente. Estou a torcer por ele em todos os parâmetros.

E os leitores?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Benfica 1 - 0 Nacional - 1ª Jornada Taça da Liga 09/10

O Benfica entrou em 2010 como tinha terminado 2009: a vencer. E foi uma vitória normal, num jogo morno e sem grandes motivos de interesse. Sendo a primeira jornada da fase de grupos da Taça da Liga e, ainda por cima, o único jogo em casa (seguem-se visitas muito difíceis a Guimarães e Vila do Conde), os encarnados tinham obrigação de entrar a vencer numa competição onde são os detentores do troféu. E conseguiram-no, através de mais um golo de Saviola, não escapando, ainda assim, a alguns lances de pura estupidez.



O jogo não foi brilhante. O Nacional foi à Luz para jogar em contra-ataque, tentando não sofrer qualquer golo e marcar algum nalgum lance fortuito. O Benfica tinha de vencer mas, na primeira parte, não fez nada para o conseguir. A destacar o lance à Di María (dos dias maus) de Luisão, que, depois de ser agarrado por um jogador do Nacional, o agrediu a pontapé nas barbas do árbitro, que estranhamente nada viu e depois, com a indicação do auxiliar, mostrou amarelo ao capitão do Benfica, que precisamente por ser capitão devia ter muito mais responsabilidade e não cometer atitudes tão estúpidas como essa. No seguimento do lance, Javi García envolveu-se com Amuneke numa disputa de bola e o nigeriano agrediu a soco o médio do Benfica. Punição? Nenhuma. É o nosso futebol no seu melhor.



Na segunda parte, depois de um lance em que muitos entendidos pediram penalty (mais uma vez) de David Luiz, que a mim me parece um corte absolutamente limpinho (e excelente, por sinal), a salvação, na Luz como em Olhão, voltou a vir do banco. Denominador comum: Nuno Gomes. Depois de ter dado um ponto à equipa no Algarve, o avançado português (10000 vezes melhor, mesmo que com 33 anos, que Keirrison na sua melhor forma aos 21) só precisou de 15 segundos em campo para fazer um passe mortal, com um toque sublime, a isolar Saviola para o único golo da noite. E minutos depois voltou a efectuar um passe que rasgou toda a defesa do Nacional, a que Cardozo não conseguiu, fruto da sua tremenda falta de velocidade, dar o melhor seguimento. De notar que o capitão, nos pouco mais de 10 minutos que esteve em campo, jogou na posição 10 (e fez mais e melhor que Carlos Martins nos outros 70 e tal minutos). A mostrar serviço face à chegada de Kardec e Éder Luís e, já agora, piscando o olho a Queiroz.



No Nacional, o melhor jogador em campo acabou por ser Bracalli. Ruben Micael é reconhecidamente o melhor jogador da equipa madeirense, mas neste jogo foi uma sombra de si mesmo. Aliás, notou-se em cada lance a excessiva raiva e impetuosidade com que continua a actuar contra o Benfica, algo que sinceramente não compreendo porque acontece. Talvez se passem coisas de bastidores que não se conhecem cá fora. Como disse acima, Bracalli foi o melhor elemento do Nacional em campo, negando golos a Javi García e Saviola antes de ser batido pelo Conejito, em lance onde nada podia fazer.

E assim o Benfica entrou com o pé direito na única competição que venceu na época passada. Sendo a competição com menos importância e prestígio do nosso futebol, não deixa de ser um troféu oficial e, como tal, o Benfica tem de o querer vencer, pois no Benfica todos os jogos e todos os troféus oficiais são para ganhar, ainda para mais sendo o campeão em título. Espero que a toada de vitórias se mantenha no resto do ano de 2010, não só nesta competição como nas outras duas em que a equipa está envolvida. E que os reforços Kardec, Airton e Éder Luís mostrem ser alternativas válidas aos titularíssimos Javi, Saviola e Cardozo. Veremos.

Podem ver o golo de Saviola aqui:

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

RAP



Vergonhosas provocações e nobres espancamentos em legítima defesa

Na véspera do Benfica-Porto, Ricardo Costa, antigo defesa do Porto, deu uma interessante entrevista ao Correio da Manhã. Serei talvez suspeito, porque me divirto sempre que as conversas de alguém ligado ao Porto são relatadas pelo Correio da Manhã, mas a entrevista era, de facto, curiosa. Entre outras revelações, o actual jogador do Wolfsburgo afirmou que, para o Porto, o clássico da Luz é mais do que um jogo de futebol. É uma luta do Norte contra o Sul, luta essa que o Porto quer ganhar porque — e cito Ricardo Costa — o Porto detesta o Benfica. Ricardo Costa passou sete anos no Porto, e portanto deve saber do que fala. Foi tendo tudo isto em consideração que me pus a pensar nos incidentes do túnel da Luz, no fim do clássico de 20 de Dezembro. A equipa do Porto tinha sido derrotada por uma equipa que detesta. Tinha perdido três pontos contra um adversário muito desfalcado. E, além disso, tinha perdido mais do que um jogo. Tinha acabado de perder uma guerra entre o Norte e o Sul. É uma guerra que só eles sabem que existe, mas ainda assim é uma guerra. Deve ser desagradável perder guerras, mesmo que sejam imaginárias. Seria possível, por isso, que os jogadores portistas tivessem saído do campo irritados e, perto do balneário, agredissem alguém? A resposta é: obviamente, não. Os jogadores portistas, não sendo santos, estão muito perto da santidade. Não passa pela cabeça de ninguém que, mesmo num momento daqueles, possam ser capazes de uma agressão. A não ser, claro, que tenham sido infamemente provocados. Esta é, curiosamente, a única certeza que temos sobre o que se passou no túnel.

As imagens ainda não são conhecidas, os testemunhos são escassos, mas uma coisa é certa: os portistas foram provocados. E as provocações terão começado, aliás, antes do jogo: o balneário do Porto não tresandava a enxofre, o que fez com que os visitantes não tivessem de se equipar no acesso ao relvado. Foi, talvez, a primeira provocação. Os portistas sabem que isto não é maneira de receber adversários. A segunda provocação foi o facto de o Benfica não ter dado hipóteses ao tetra-campeão, mesmo fazendo alinhar elementos que ainda não tinham jogado um minuto neste campeonato. Não admira que os jogadores portistas tenham, ao que parece, respondido a estas ignóbeis provocações espancando um ou dois seguranças. Ninguém é de ferro, que diabo. Quando os jogadores do Benfica respondem a provocações em Braga ou em Olhão, são imaturos e pouco profissionais; quando os portistas respondem a hipotéticas provocações na Luz, são gente boa que perdeu justa e humanamente a cabeça.

Por Ricardo Araújo Pereira, edição 2 de Janeiro de 2010 in Jornal A Bola

domingo, 3 de janeiro de 2010

sábado, 2 de janeiro de 2010

O nosso plantel V - Luís Filipe

E hoje chega o quinto jogador do nosso plantel a ser escrutinado, o segundo lateral-direito (aqui está o primeiro): Luís Filipe.



Luís Filipe chegou ao Benfica poucas semanas antes de Maxi, vindo do Braga, e foi pedido por Fernando Santos, treinador que o havia dispensado do Sporting quatro épocas antes. Nunca foi um jogador consensual, devido a ter representado o Sporting no passado, mas principalmente pelas dúvidas sobre a sua qualidade futebolística. Apesar de já ter representado, no passado, o Atlético de Madrid B, o Braga, o Sporting, o Leiria, o Marítimo e novamente o Braga, sempre foi visto com muitas reservas pela quase totalidade dos sócios. E a verdade é que não as dissipou de forma nenhuma, muito pelo contrário. Só as adensou ainda mais. Ainda fez 19 jogos, mas nunca mostrou nada de positivo. Na retina ficam dois jogos: para a taça de Portugal, em casa, com o Feirense, partida que o Benfica venceu de forma muito sofrida por 1-0 e onde Luís Filipe, num lance a meio-campo em que era o último defesa encarnado, se pôs a brincar com a bola e, obviamente, a perdeu. No seguimento do lance o atacante do Feirense atirou à barra da baliza de Moreira. E o outro lance capital, bem, para o descrever nem há grandes palavras. Foi na taça UEFA, em Nuremberga. O Benfica tinha ganho em casa por 1-0 e estava a perder fora pelo mesmo resultado. A eliminatória estava, portanto, empatada. Num lance de pura displicência (ou falta de atenção - ou será mesmo falta de qualidade?), Luís Filipe resolveu ficar sem saber o que fazer à bola em plena área. Resultado? O avançado do Nuremberga, vindo de trás, roubou-lhe a bola e marcou o 2-0. Por sorte o Benfica haveria de empatar o jogo e passar à fase seguinte. Mas Luís Filipe ficou marcado.



Na época seguinte, foi emprestado ao Vitória de Guimarães. Ficou praticamente definido que já não havia lugar para o jogador no plantel encarnado, e no Vitória a época também não fez ninguém mudar as suas opiniões relativamente a isso. Voltou ao Benfica para a pré-época, mas foi novamente dispensado. No plantel já havia dois laterais-direitos, Maxi Pereira e Patric. No entanto, Jorge Jesus chegou e achou que Patric era muito, muito fraquinho, tendo este sido recambiado para o Brasil. Não tendo mais soluções para essa posição e já sem tempo para ir ao mercado, JJ resolveu o problema repescando Luís Filipe, que treinava à parte do plantel. E deu-lhe a titularidade no jogo de Poltava, destinado aos habituais reservas. O Benfica perdeu por 2-1 e os dois golos nasceram do seu lado. Quase quatro meses depois, Luís Filipe voltou a ser titular, na recepção ao AEK. E fez uma exibição muito positiva. Numa arrancada pela direita, cruzou para Nuno Gomes, no lance que deu o penálti que Felipe Menezes desperdiçou. Viria ainda a anotar mais alguns pormenores de qualidade, que lhe valeram ganhar o lugar no banco para o jogo seguinte, nada mais nada menos que com o Porto, também fruto da ausência de vários habituais titulares. Já no decorrer do jogo, e depois da surpresa que foi a titularidade de Urreta, JJ resolveu fazer mais uma e... aos 67 minutos, Luís Filipe entrou em campo, para fechar no lado direito do meio-campo. E cumpriu com muita sobriedade e eficiência. Aliás, quase teve o seu momento de glória, num remate do meio da rua que por muito pouco não resultava num grande golo. E assim parece ir ganhando de novo um espaço no plantel.



Confesso que nunca gostei de Luís Filipe. E não consigo gostar. É a prova cabal de que um jogador que tenha pouquíssimo talento também pode chegar muito longe. Luís Filipe começou a carreira como extremo-direito, e foi a jogar aí que chegou ao Sporting. Foi por alturas de jogar na Madeira que recuou no campo, e aí voltou a ser bem sucedido, indo para o Braga, onde se cotou como um dos melhores laterais direitos do campeonato, daí a mudança para o Benfica. Luís Filipe é um jogador muito esforçado e talvez até tenha alguma qualidade futebolística, admito que sim. Mas, talvez por acusar a pressão de jogar num grande, no Sporting e no Benfica nunca se afirmou e nunca conseguiu mostrar nada de bom. Espero sinceramente que esta época, nos jogos em que seja chamado a intervir, ainda mostre muita qualidade, pois daria uma bofetada de luva branca a todos os que, como eu, ainda não acreditam que o jogador tenha qualidade para jogar na Luz. Se for para o bem do Benfica, óptimo!

E vocês, que acham?