quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Benfica 1 - 0 Porto - 14ª Jornada 09/10

O Benfica deu mostras de ter estofo e fibra de campeão. Depois de alguns jogos em que isso começou a ser questionado (Braga, Sporting, Olhanense), e com razão, pois esses jogos demonstraram que a equipa, apesar do bom futebol praticado, quebrava psicologicamente, desta feita tudo foi diferente. E para isso, muito contribuiu um nome: Jorge Jesus. Se nos resultados adversos a culpa é sempre do treinador, neste resultado o "culpado" também foi ele.



Exacto. Esta vitória é de Jorge Jesus. Sem Di María, Aimar, Fábio Coentrão e com Ramires em claro esforço para jogar, o treinador encarnado teve de arranjar uma maneira de dar a volta a todas estas contrariedades. E não o podia ter feito da melhor forma. Para substituir Aimar escolheu Carlos Martins em detrimento de Felipe Menezes. 1ª decisão acertada. E para o lugar de médio interior esquerdo, em vez de adiantar César Peixoto e colocar Shaffer a lateral, manteve Peixoto na defesa e sacou da cartola o estreante Urreta. E o miúdo fez um grande jogo, provando que merece mais oportunidades. 2ª decisão acertada. A 3ª foram as substituições. Quando Ramires já não podia mais, JJ surpreendeu tudo e todos e chamou Luís Filipe à acção. Confesso que detesto este jogador, pois não lhe encontro qualquer qualidade. No entanto, neste jogo esteve belíssimo do ponto de vista táctico, segurando a vantagem da equipa, e até esteve perto do golo num remate de longe. As entradas de Weldon para o lugar de Urreta e Menezes para o lugar de Martins foram também acertadas, permitindo refrescar o meio-campo e o ataque sem perder o equilíbrio da equipa.



Mas a chave do jogo chamou-se (mais uma vez)... Saviola. Já começam a faltar adjectivos para caracterizar El Conejo. O avançado argentino é um jogador de classe mundial, duma outra dimensão. E mais uma vez foi determinante, num jogo decisivo. Deu mostras de grande carácter e maturidade, não tremendo nos grandes jogos, como acontece com tantas pseudo-estrelas (Di María, por exemplo). E marcou um golo, um único golo, mas que valeu muito mais do que isso. Valeu uma vitória para um jogo de campeonato, valeu uma vitória moral sobre um adversário que se apresentava na Luz no melhor momento da época, valeu a auto-estima melhorada de milhões de benfiquistas e pode ter valido... um campeonato.



O resto da equipa esteve muito bem. O Benfica fez um jogo tacticamente perfeito, sempre muito pressionante e mandão na primeira parte, com o Porto a tentar atacar a espaços, mas nunca com eficácia e discernimento suficientes, cenário que o golo de Saviola ainda complicou mais. Na segunda parte, a equipa encarnada entrou mais na expectativa e sofreu uma intensa pressão dos portistas durante os primeiros 20, 25 minutos. Depois disso, surpreendentemente, pois muitos dos jogadores do Benfica já estavam completamente de rastos em termos físicos, as águias voltaram à mó de cima e o Porto não mais chegou perto da baliza de Quim. Lances de perigo para Quim, apenas um, num remate de Álvaro Pereira de fora da área, a que o guarda-redes respondeu bem, defendendo para canto. O Benfica também não teve muitas mais, é verdade, mas foi tremendamente eficaz. E assim ganhou um jogo muito difícil.



No Porto, apenas um homem se destacou. E ainda bem que Hulk joga sempre. Assim, Varela pode brilhar muito menos. Mas está um grande jogador. Quem diria que chegaria a este patamar, depois do ostracismo a que foi votado no Sporting? O Porto só acordou quando Guarín saiu e Varela pegou no jogo, levando a bola para o ataque. Foi um oásis no meio da letargia da equipa.

O Benfica ganhou o jogo mais importante da época até ao momento. Aumentou a vantagem pontual para o Porto, que entretanto havia perdido com empates dispensáveis, e mais importante: ganhou moral sobre o mais forte adversário. O que é importantíssimo nesta fase da época, se bem que realmente importante seja esta vantagem pontual no encontro da segunda volta, no Dragão. Se no fim desse jogo estivermos 4 pontos à frente do Porto, é caso para Portugal fazer a festa, pois seremos campeões. Até lá, ainda faltam 16 jogos, e todos para ganhar. Rumo ao 32º!

O resumo do jogo, com o golo de Saviola, aqui:

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