domingo, 9 de maio de 2010

Somos campeões! Parabéns, Benfica!

O 32º título do nosso historial!

Vários apontamentos

1 - O maior deles, para mim: o Portimonense conseguiu subir à Liga Sagres, 20 anos depois. A equipa de Portimão realizou um campeonato verdadeiramente heróico e, com um plantel que não é fantástico e com um dos orçamentos mais baixos da Liga Vitalis, conseguiu um feito verdadeiramente sensacional. Os meus parabéns à equipa e, já agora, o meu muito obrigado. 20 anos depois, o Algarve volta a ter duas equipas na primeira divisão. Então, foram Farense e Portimonense, sendo que os de Portimão desceriam no fim da época. Agora, Olhanense (que na semana passada atingiu a permanência e eu não o assinalei aqui - falha minha - mas que obviamente me deixou muito feliz) e Portimonense. Que se mantenham lá por muitos e bons anos. E sem alianças com clubes nenhuns.


PS: O Beira-Mar também garantiu a subida e inclusivamente o título de campeão da Liga de Honra. Não sendo um adepto acérrimo dos aveirenses, admito que também é um clube pelo qual tenho alguma simpatia, pelo que me alegro com o seu regresso. Parabéns também a eles.


PS2: Nos despromovidos, ao já condenado Carregado juntou-se o Chaves, outra equipa com a qual sempre simpatizei. Acho que Trás-os-Montes mereciam ter uma equipa nos escalões profissionais e até na I Liga. Infelizmente, os flavienses só conseguiram ficar um ano na Vitalis. Mas espero que se encham de brio e façam o jogo da sua vida daqui a uma semana, no Jamor. Salvem a época.


2 - O Benfica perdeu na finalíssima do campeonato de voleibol. Depois de termos tido o pássaro na mão, ao vencer os 2 primeiros jogos, acabámos por perder os outros 3. A final de ontem foi verdadeiramente épica e decidida a ferros, mas dou os parabéns ao Espinho, que tem uma excelente equipa, a melhor de Portugal, e também ao Benfica, que se bateu com muito brio. Se tivesse ganho o campeonato, isso sim seria um feito grandioso. Mas merece os parabéns à mesma.


3 - Perdemos também a final da taça de Portugal em futsal. Aqui, resta-me dizer apenas uma coisa: o Benfica tem, de longe, a melhor equipa e o melhor plantel de futsal em Portugal. No entanto, este ano tem vindo a claudicar nas provas internas. Sagrou-se campeão europeu, e só por isso já ficará para sempre na história, mas dentro de portas tem falhado. O Belenenses, por sua vez, tem sido a melhor equipa este ano, apesar de ter perdido a fase regular do campeonato para o Sporting na última jornada, e já há uns 2 anos que merecia ganhar um título. Foi a taça, espero que não seja também o campeonato e que esse venha para as vitrinas da Luz.


4 - Frederico Gil está na final do Estoril Open. Não sou um entendido de ténis, mas gosto muito de ver e espero que o jogador português consiga vencer o troféu, no que seria a primeira vez de sempre de um tenista luso em provas ATP. Força, Gil!


5 - Hoje vamos ser campeões nacionais de futebol pela 32ª vez. Só tenho a dizer isto: façam história. Força, Benfica!

sábado, 8 de maio de 2010

RAP


Insultos de consolação

A fazer fé nos jornais desportivos, no fim do jogo de domingo passado o presidente do Porto, provavelmente por naquele momento não dispor de isqueiros, viu-se forçado a lançar sobre os elementos da direcção do Benfica presentes no camarote presidencial uma saraivada de insultos. Como sempre acontece quando alguém ligado ao Porto se comporta como um energúmeno, o culpado deste incidente foi, uma vez mais, o Benfica. Os dirigentes benfiquistas sabem perfeitamente que, se querem ser bem recebidos por Pinto da Costa, devem apresentar-se no Dragão com um apito na boca. Augusto Duarte — agraciado, segundo os relatos mais modestos, com um delicioso cafezinho — nunca se queixou das qualidades de Pinto da Costa como anfitrião. O problema só pode ser dos convidados.

Sem querer branquear actos repugnantes — até porque esse pelouro é dos subcomandantes da PSP do Porto — devo dizer que a ira de Pinto da Costa é compreensível. A posição que o Benfica ocupa no campeonato tem dedo do presidente do Porto. É evidente para todos que Jorge Jesus seguiu as indicações que Pinto da Costa deu a Augusto Duarte naquela notável escuta e, desde a primeira jornada, não tem feito outra coisa senão seguir «sempre em frente! Sempre em frente! Sempre em frente!» É muito desagradável quando os outros se aproveitam das nossas ideias.

SEGUNDO a opinião insuspeita e prestigiada de Cruz dos Santos, os amarelos a Di María e Maxi Pereira foram injustos, Fucile devia ter sido expulso ainda na primeira parte, e é discutível que não tenha havido penalties por mão de Hulk e derrube de Álvaro a Maxi. Além disso, de acordo com o mesmo especialista, o Benfica teria sido campeão já no domingo passado se tivesse sido assinalado o fora-de-jogo existente no golo do Braga. É refrescante poder ler as observações de um perito, sobretudo depois de passarmos uma semana a ouvir opiniões de completos leigos em arbitragem, como um Miguel Sousa Tavares, um Rui Moreira, ou um Olegário Benquerença.

APÓS o Benfica-Porto, segundo foi dado como provado, os jogadores do Porto não foram insultados nem agredidos. Houve, no entender da Comissão Disciplinar da Liga, uma provocação: o já célebre e por demais infame enxovalho «vão lá para dentro e voltem lá para cima». Os jogadores do Porto reagiram com o natural e amplamente justificado espancamento dos stewards. Já no Porto-Benfica, Jorge Jesus levou com um isqueiro e não reagiu. Luisão levou com outro isqueiro e não o devolveu. Os dirigentes do Benfica foram insultados e não reagiram. Foi, claro, uma vergonha para todos os benfiquistas. Isto é gente que não sabe estar no futebol.

LINDA e comovente, a homenagem que o tribunal obrigou o Sporting a prestar a Iordanov. Eu bem vi as lágrimas a marejarem os olhos do búlgaro quando José Eduardo Bettencourt, obedecendo à ordem judicial, lhe ofereceu uma lembrança. São sempre emocionantes, estas manifestações de gratidão que os clubes têm para com os seus heróis com o objectivo de evitar punições legais. Um juiz decretou que houvesse decência em Alvalade, e eles não tiveram outro remédio senão acatar a decisão. A lei é dura, mas é a lei.

Por Ricardo Araújo Pereira, edição 8 de Maio de 2010 in "A Bola"

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O nosso plantel XIX - Urreta

Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María e Fábio Coentrão. Estes são os jogadores que já marcaram presença na rubrica "O nosso plantel". Hoje, o cliente será um dos jovens mais prometedores do plantel: Urreta.


Urreta chegou ao Benfica com a pré-época de 2008/09 a decorrer, vindo do River Plate do Uruguai, o seu país natal. Chegou como um perfeito desconhecido, mas com grandes referências, entre as quais o facto de ter 18 anos e já ser titular nos séniores do River ou até já ser internacional sub-20 uruguaio. Apesar dessas referências, a juventude e inexperiência do jogador acabou por falar mais alto, juntamente com a qualidade da concorrência com que teve de se debater (Reyes e Di María). Urreta acabou, ainda assim, por realizar 10 jogos no campeonato, 4 dos quais a titular (com a curiosidade de um deles ter sido logo o primeiro da prova e os outros terem sido os últimos 3 jogos do campeonato). Marcou um golo, em Braga, na penúltima jornada. A ponta final interessante que efectuou elevou a fasquia para a época que se seguia, na qual se esperava que pudesse dar mais luta e batalhar ainda mais pela titularidade.


Este ano, porém, a vida não ficou mais facilitada para Urreta. Apesar da saída de Reyes, o jovem uruguaio partiu para a temporada como terceira opção para uma posição que já tinha Di María e Fábio Coentrão a assumir-se como opções principais. A acrescentar a isso, o facto de Urreta ter estado mais de um mês com a selecção de sub-20 do Uruguai no Mundial do escalão, o que fez com que perdesse muito terreno em relação ao resto do plantel, e nomeadamente aos jogadores da sua posição. Não é por isso de estranhar que a sua primeira utilização tenha sido apenas a 21 de Dezembro. É de estranhar, sim, que a mesma tenha ocorrido com... o Porto, num jogo em que estava muita coisa em causa. O Benfica debatia-se com muitas ausências para essa partida, nomeadamente os dois concorrentes de Urreta (Di María e Fábio Coentrão), que estavam castigados. Assim sendo, Jorge Jesus resolveu tirar um coelho da cartola e submeter o uruguaio talvez à grande prova de fogo da sua carreira, naquela que era a sua primeira aparição na equipa do Benfica na época. E a verdade é que Urreta não desiludiu o treinador nem os adeptos. Não fez um jogo perfeito, como é óbvio, mas mostrou grande maturidade e, acima de tudo, muita qualidade, a mesma que já havia ficado patente nos jogos onde tinha participado na época anterior. O Benfica venceu o jogo e Urreta, por tudo isto, foi uma das figuras do encontro. Essa boa exibição efectuada valeu-lhe nova titularidade no desafio seguinte, em casa com o Nacional, na primeira jornada da Taça da Liga. Aí, o jovem fez uma exibição mais apagada, numa altura em que talvez já estivesse com a cabeça no Uruguai, pois vinha sendo cobiçado pelo Peñarol, o maior clube do país. A escassa utilização no Benfica, aliada ao desejo de se poder mostrar ao seleccionador uruguaio, na esperança de marcar presença no Mundial, acabaram por levar mesmo o jogador a sair para o Uruguai perto do final de Janeiro. O saldo final com a camisola do Benfica nesta temporada? Esses 2 jogos, que ainda assim lhe podem valer a conquista de 2 títulos (um deles, a Taça da Liga, já conquistado). A estes 2, já juntou o título de campeão do Uruguai, mostrando que sair para rodar talvez tenha sido a melhor opção. Urreta foi considerado quase unanimemente um dos maiores obreiros dessa conquista (o próprio treinador admitiu que foi mesmo o melhor jogador do Peñarol na prova, mesmo tendo chegado a meio) e foi dele, inclusive, o golo que deu o título ao gigante uruguaio, o que ainda lhe dá algumas esperanças em vir a estar presente no Mundial com a selecção uruguaia.


Outros jogadores há cuja boa época noutros clubes, por empréstimo, seriam (serão?) aproveitados pelo Benfica para fazer negócio e ganhar uns milhões. Não será o caso, certamente, de Urreta. O jovem uruguaio será, ao que tudo indica, uma das grandes apostas dos responsáveis encarnados para a próxima temporada, dada a mais que provável saída de Di María. Urreta voltará para lutar com Fábio Coentrão pela titularidade e, quanto a mim, será uma disputa renhida. Nas poucas oportunidades que teve com a nossa camisola, o uruguaio mostrou sempre um enorme potencial e até uma maturidade acima da média para a idade (só tem 20 anos). A experiência conseguida no principal clube do Uruguai poderá ser determinante para conseguir ultrapassar mais uma fase no seu crescimento como futebolista e afirmar-se definitivamente de águia ao peito. Para já, resta-lhe festejar a conquista de 3 títulos este ano e sonhar com a presença no Mundial, o que a acontecer só lhe daria ainda mais experiência e acima de tudo confiança.

Qual a opinião dos leitores sobre o uruguaio?

Pedro Ribeiro



terça-feira, 4 de maio de 2010

O nosso plantel XVIII - Fábio Coentrão

E já vamos no 18º jogador do plantel a merecer a nossa análise/comentário. Depois de Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins e Di María, chega a vez de mais um esquerdino: Fábio Coentrão.


Fábio Coentrão foi contratado no final da época de 06/07 como reforço para a temporada seguinte. Era extremo-esquerdo, tinha 19 anos e havia feito uma época de muito bom nível ao serviço do Rio Ave, na II Liga, o que despertou a cobiça do Benfica e do Sporting, curiosamente o seu clube do coração. Acabou por vir para o Benfica, que se adiantou aos leões e garantiu o seu concurso. No entanto, já se sabia que não teria a tarefa facilitada. O Benfica ainda contrataria também Di María, rotulado como o grande substituto de Simão, e Adu para aquele lugar. Mesmo assim, Coentrão tentou ganhar o seu espaço na equipa e ainda conseguiu participar num jogo da pré-eliminatória da Liga dos Campeões, com o Copenhaga, e em 3 do campeonato, logo na etapa inicial. O problema chamou-se Cristian Rodríguez. Com a chegada de mais um jogador para a sua posição, o jovem nascido nas Caxinas perdeu por completo as hipóteses de poder ser utilizado com regularidade, acabando por sair em Dezembro para o Nacional, onde revelou grandes pormenores (quem não se lembra do bis ao Porto no estádio do Dragão, na vitória dos madeirenses por 3-0?).


Na época seguinte, sairam Rodríguez e Adu, mas vieram Reyes e Urreta, pelo que a direcção entendeu voltar a emprestar o jovem Fábio. O seu destino foi o Saragoça, envolvido na compra de Aimar, mas o extremo não foi feliz, nomeadamente por motivos extra-futebol, regressando a Portugal em Janeiro e para a sua casa de sempre: o Rio Ave. Aí sim, Coentrão mostrou-se novamente, conduzindo a equipa à salvação e ganhando a admiração dos adeptos encarnados e, mais importante, da direcção benfiquista, que não teve dúvidas em ver que o jogador teria de fazer parte do plantel de 2009/10. Tal como Jorge Jesus, que mostrou desde o início que contava com ele para alternativa principal a Di María, depois da saída de Reyes. E o jogador foi respondendo bem. Aliás, nos primeiros jogos desta época Coentrão foi bem mais decisivo do que o argentino, com assistências fulcrais para golos importantíssimos (o do empate com o Marítimo, o da vitória com o Vitória de Guimarães já depois de também ter sofrido a falta que deu o livre). De repente, e sem ninguém suspeitar, Jorge Jesus, privado de César Peixoto no aquecimento com o Nacional, decide dar a titularidade a Coentrão como lateral-esquerdo nesse jogo. A resposta do extremo adaptado não podia ser melhor. Ele que até aí só tinha feito um jogo a titular, por ausência de Di María, faz uma exibição de luxo, coroada com 2 assistências para golo, e mostra que afinal podia reivindicar a titularidade no sector mais recuado da equipa. Depois disso acaba por alternar com Peixoto na titularidade, mas consegue afirmar-se definitivamente como "o" lateral-esquerdo da equipa no último terço do campeonato, reduzindo César Peixoto a um papel secundário. Ao todo, Coentrão jogou por 26 vezes no campeonato (falhou 3 jogos até agora e estará também de fora da última jornada, por castigo), sendo um dos jogadores com mais assistências para golo na prova. Fez ainda os 2 jogos do Benfica na Taça de Portugal (e marcou um golo ao Monsanto), 4 dos 5 do Benfica na Taça da Liga (que ajudou a ganhar, ao marcar o golo do empate em Guimarães) e 13 jogos na Liga Europa (só falhou um), tendo marcado o golo da vitória em casa do BATE. Aliás, Coentrão ficou à beira de conseguir um registo que só Saviola atingiu nesta temporada: marcar em todas as competições em que o Benfica participou. Ao esquerdino, ficou a faltar apenas o campeonato.


Essa é a grande pecha de Fábio Coentrão: a finalização (a exemplo, aliás, de Di María). Se ele conseguir melhorar nessa vertente, e continuar a crescer em termos tácticos como aconteceu durante esta época, creio que estaremos perante um grande jogador daqui a muito pouco tempo. Fábio Coentrão parece outro jogador esta época. Antes era um jogador muito talentoso, mas com a rebeldia e imaturidade próprias da idade e também das poucas amarras que sempre tinha tido. Este ano, sob as ordens de Jesus, o jogador ganhou maturidade táctica e sentido de equipa, jogando colectivamente embora sem descurar a vertente técnica. A cereja no topo do bolo foi a bem sucedida adaptação a lateral-esquerdo, que o levará a marcar presença no Mundial. Não creio, porém, que seja para continuar nesta posição na próxima época, pois com a mais que provável venda de Di María, parece-me que Coentrão assumirá o lugar do argentino e que o Benfica terá de ir ao mercado procurar um novo lateral-esquerdo (ou aproveitar Shaffer). No entanto, por tudo o que fez este ano, Fábio Coentrão mostrou que é já um elemento a ter muito em conta neste Benfica e que pode vir a ser a médio prazo um dos jogadores mais identificados com a mística do clube, ele que era sportinguista de coração mas que já este ano admitiu ter mudado de ideias desde que está no Benfica e que agora o seu coração é apenas vermelho. Da minha parte, espero que se mantenha na Luz por muito tempo, pois é um grande jogador, que poderá vir a ser ainda melhor no futuro, e é daqueles que têm a raça, a garra e a mística do Benfica.

Que pensam os leitores?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

JVP


FC Porto-Benfica

1 - Benfica incapaz de lidar com a pressão

Boa vitória do FC Porto num jogo intenso em que os donos do terreno tiveram mais iniciativa, como se previa que acontecesse. Tiveram mais bola, foram agressivos do princípio ao fim e determinados durante todo o jogo. Ao contrário, o Benfica entrou a tentar manter-se organizado na defesa, à espera de ver o que o jogo dava. Mas a verdade é que a equipa nunca se libertou da pressão que a partida envolvia. Na primeira parte, até conseguiu criar mais lances de perigo durante os primeiros 20', mesmo que o domínio pertencesse ao FC Porto. A bola de Di Maria à barra e um remate instintivo de Javi García foram disso bom exemplo.

2 - De bola parada, claro

Muitas foram as vezes em que já aqui referi a importância das bolas paradas em jogos tensos e equilibrados. Desta vez foi o FC Porto a tirar proveito de uma arma que o adversário também costuma saber usar. Bruno Alves apareceu bem, mas marcou num local em que o Benfica não podia falhar. Quando se defende à zona, todos os espaços têm de estar preenchidos, mas a defesa benfiquista preencheu-os mal e amontoou-se demasiado perto de Quim. Nesses lances, é imperioso atacar a bola, até porque estar demasiado perto do guarda-redes só serve para lhe estorvar a acção. O golo moralizou o FC Porto, que passou a ganhar mais segundas bolas e passou a impressão para o exterior de que estava mais forte no jogo, o que intensificou a dificuldade benfiquista para lidar com o ambiente e a responsabilidade do jogo.

3 - FC Porto foi sempre melhor

A segunda parte começou bem e mal para o FC Porto. Bem porque Farías esteve perto de marcar logo depois do intervalo, mal porque Fucile foi expulso no minuto seguinte, o que mudou a forma de jogar dos portistas, que tiveram de recuar numa primeira reacção, aproveitada pelo Benfica para ameaçar primeiro e marcar logo a seguir. Só que quando parecia que o Benfica tinha tudo para controlar o jogo e se tornar campeão nacional, não foi capaz de o fazer, e não só permitiu ao FC Porto fazer o 2-1 como deixou o adversário empolgar-se. Mesmo com dez, os portistas jogaram com nervo para não permitirem que o rival festejasse em casa deles, mas fizeram-no de forma inteligente, com transições rápidas e bem conduzidas. Apesar de o Benfica ter conseguido alguns lances de perigo, o FC Porto foi melhor, mais determinado, teve mais vontade de ganhar. Mesmo com dez, a equipa da casa foi mais atrevida e organizada. Podia até ter marcado mais num lance muito bonito em que Guarín rematou à barra.

4 - Jesualdo rápido a reagir

A resposta de Jesualdo Ferreira à expulsão de Fucile não só foi determinante como rápida. Meteu Miguel Lopes, porque não podia ficar sem lateral-direito frente a Coentrão (esteve muito bem) e Di María (o maior desequilibrador do Benfica) e, ao recuar Guarín, ficou a jogar em 4x3x2, segurando bem o meio-campo sem nunca perder a noção de atacar. Também a entrada de Rodríguez apara o lugar de Farías, logo a seguir ao 2-1, era uma aposta esperada, porque o extremo ajudava mais no meio-campo e libertava a criatividade, velocidade e capacidade física de Hulk para conduzir os ataques. A inteligência de Guarín e Belluschi - que golaço! - até fazia crer que o FC Porto estava a jogar de igual para igual.

5 - Benfica tem de esquecer o Dragão para pensar no título

Apesar do desaire de ontem, o Benfica continua a ter 90 por cento de possibilidades de ser campeão, porque joga em casa no último jogo e só precisa de um ponto. É certo que perdeu alguns jogadores importantes para esse jogo, mas se há plantel com duas opções válidas para cada lugar, é o do Benfica, embora tenha de apresentar uma ala esquerda totalmente nova, porque vão faltar Coentrão e Di María. A pressão continuará a ser inimiga, mas como o empate é suficiente, o Benfica terá de fazer um jogo inteligente, esquecer o que se passou frente ao FC Porto e concentrar-se unicamente nesse encontro. O Rio Ave não tem nada a perder, vai jogar desinibido e pode tornar-se um opositor perigoso. A equipa da Luz vai ter de atacar esse jogo com tranquilidade e pés bem assentes na terra, consciente de que só precisa de um ponto e não tem necessidade de correr riscos.