quarta-feira, 28 de abril de 2010

O nosso plantel XVII - Di María

O próximo na lista d'"O nosso plantel", depois de Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires e Carlos Martins, é o imprevisível desequilibrador Di María.


Di María chegou à Luz em 2007/08, tendo sido uma das últimas contratações de José Veiga para o Benfica. Chegou com um ex-colega do Rosário Central, Andrés Díaz, um médio-centro de 24 anos que nunca conseguiu vingar com a camisola do Benfica. Pelo contrário, Angelito vinha rotulado de verdadeiro craque em potência e que poderia ser o substituto ideal de Simão, que se havia transferido para o Atlético de Madrid - de resto, herdou mesmo a sua camisola 20. Não teve, contudo, a sorte que a sua tenra idade (tinha na altura 18 anos) exigia. Fernando Santos foi despedido logo após a 1ª jornada e depois chegou Camacho. Entretanto o clube contratou o uruguaio Cristian Rodríguez, que fazia a mesma posição que o argentino, e num plantel que também tinha os muito jovens Fábio Coentrão - entretanto emprestado ao Nacional - e Freddy Adu para o mesmo lugar. Rodríguez acabou por se tornar o dono do lugar, sobrando para Di María alguns jogos a titular na frente, a fazer dupla com Nuno Gomes ou Cardozo. No total, o jovem argentino realizou 26 jogos no campeonato (13 como titular e outros tantos como suplente utilizado), além de ser sempre utilizado nas taças e na Europa, onde marcou o seu único golo no ano de estreia - na visita ao Nuremberga, na 2ª mão dos 16-avos-de-final da Taça UEFA. Ficou a promessa de fazer melhor no ano seguinte.


No entanto, e apesar da fantástica prestação nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, onde levou literalmente a selecção da Argentina ao ouro, pois foi seu o golo da vitória na final perante a Nigéria (um golaço!), Di María não melhorou muito o seu rendimento na época de 08/09. Na verdade, até piorou. Apesar de se ter estreado a marcar pelo Benfica em jogos de campeonato, o extremo esquerdo argentino fez menos 2 jogos que na época anterior e voltou a exibir uma instabilidade exibicional muito preocupante, realizando 24 jogos (novamente metade a titular e metade a suplente utilizado) onde nunca conseguiu superar a concorrência do espanhol Reyes, que se assumiu como o dono do lado esquerdo do ataque encarnado - e ainda havia Urreta. Acabou por vencer um troféu, a Taça da Liga, tal como o resto do plantel, competição onde foi totalista em termos de jogos efectuados e onde marcou um golo - um chapelaço em casa ao Olhanense, com Maradona nas bancadas a observá-lo. Ainda assim, voltou a não convencer os adeptos, que lhe pediam mais do que ele mostrava ser capaz de dar, nomeadamente ao nível da conclusão das jogadas, onde mostrava debilidades gritantes.


Com Jorge Jesus, porém, tudo mudou. Saiu Reyes, ficou Urreta, regressou Fábio Coentrão - que havia estado emprestado na época anterior ao Saragoça e depois ao Rio Ave -, mas o eleito para ocupar o lugar de ala esquerdo foi desde muito cedo Di María. Jesus colocou toda a sua confiança no muito potencial do argentino, que no entanto ainda não havia conseguido pôr tudo cá para fora. O que é certo é que com Jesus, Di María contrariou muito (não tudo) do que havia mostrado de negativo no passado e a sua evolução durante esta época tem sido quase absurda. Do excessivo individualismo e quase total falta de esclarecimento na hora da verdade, bem como da dificuldade em ajudar a equipa a defender, Di María passou para um verdadeiro jogador de equipa, com fintas de sonho mas com seguimento prático, ao contrário do que acontecia antes, e até na finalização mostra claras melhorias, ainda que essa continue a ser a sua maior pecha. Ainda assim, desta vez pode mesmo dizer-se que Angelito já conquistou por completo o coração de todos os adeptos do Benfica, e não só, pois têm sido uma constante as notícias durante toda a época a dar conta do interesse da grande maioria dos tubarões mundiais no concurso do jogador. Muito provavelmente, e com a participação no Mundial assegurada, é quase certo que Di María abandonará o Benfica no final da época, não devendo nunca sair abaixo do valor da cláusula de rescisão (40 milhões de euros). Sem fugir à verdade, pode dizer-se que Di María é, a par de David Luiz, a jóia da coroa do Benfica 09/10. Para já, e a 2 jogos de terminar a temporada, o argentino actuou em 25 jogos no campeonato (falhou apenas 3, um por castigo e 2 para descansar para jogos europeus), tendo já apontado 5 golos (em rigor, marcou 6, pois foi-lhe espoliado um no Mar, no terreno do Leixões, num encontro onde fez um hat-trick... ou poker, conforme queiram). Na Taça de Portugal participou no jogo em que fomos eliminados, com o Vitória de Guimarães, e na Taça da Liga, competição que voltou a vencer, jogou em 4 dos 5 jogos e apontou um golo. Na Europa, prova onde brilhou bem alto, esteve nos 14 jogos efectuados pelo Benfica e marcou 4 golos, um deles fabuloso frente ao AEK, em casa - terá sido um dos mais belos que já vi na vida: de letra, em corrida, fez um túnel ao guardião do AEK. Um golo de bandeira.


Ao contrário de muitos benfiquistas, nunca fui um grande apreciador das qualidades de Di María. Não gostei do seu estilo como que pretensioso quando chegou, onde admitiu que estava no Benfica de passagem para um grande europeu, como o Chelsea, isto sem ter ainda qualquer prova dada. A verdade é que, passadas 2 épocas da sua estadia cá, a minha opinião permanecia a mesma, razão pela qual este ano me insurgi pela teimosia de Jesus em dar-lhe a sua total confiança e continuar a apostar nele incondicionalmente para extremo-esquerdo. Para mim, Fábio Coentrão, por exemplo, era uma opção que me agradava muito, muito mais. Mas tenho de admitir que errei. Ou melhor, não errei. Se Di María continuasse na bitola das outras 2 épocas, eu estava absolutamente certo no meu cepticisimo e continuava a não lhe dar valor. A grande diferença aqui dá pelo nome de Jorge Jesus, o treinador do Benfica este ano. Foi ele que soube potenciar as qualidades de Di María, foi ele que colocou o argentino a trabalhar mais para a equipa e menos para si. Foi ele que lhe deu noções tácticas, foi ele que o ensinou a recuar para ajudar o lateral do seu lado. Assim, Di María cresceu e tornou-se um imprescindível para Jesus e para o Benfica. Agora, até eu vejo isso e até eu dou a mão à palmatória. Não tenho dúvidas de que o argentino é uma das grandes figuras do Benfica nesta gloriosa época, assim como também não tenho dúvidas que esta terá sido a sua última temporada de águia ao peito. Fica, no entanto, uma certeza: este ano, Di María encantou a Luz, e fez por o merecer. Apenas um reparo, além das falhas que ainda demonstra na hora de finalizar: não precisa de simular tantas faltas e de fazer muitas vezes as fitas que faz. Isso retira-lhe credibilidade e contribui para criar um rótulo de enganador, coisa que não é, porque sofre as faltas claramente. A questão é que por vezes exagera no teatro. E isso não é bonito. De resto, tornou-se um jogador fabuloso: a sua qualidade técnica é arrebatadora para qualquer adepto de futebol.

E os leitores, que me dizem de Di María?

4 comentários:

ana_slb disse...

Completamente de acordo Sloml. O Di Maria desta época nem parece o mesmo. Jesus conseguiu que ele brilhasse e jogasse com a equipa. Até nas declarações que faz evoluiu. Antes só dizia que estava aqui para dar o salto para outro clube. Agora até já diz que está bem no Benfica. Mas com a explosão desta época já não vai continuar por cá. Mas pelo menos conhecemos o verdadeiro Di Maria. E esteve presente na Gloriosa época que o clube tem feito. Acho que tem um grande futuro à sua frente!
Saudações Benfiquistas!

Manuel Oliveira disse...

SLOML, na minha opinião, Di Maria foi um dos principais obreiros deste mais que previsível 32º título nacional.
Abraço.

Bimbosfera disse...

Boas! O puto tá uma máquina... Mesmo que por vezes, como já li por aí, só nos apeteça dizer "PASSÁBOLA, Di Maria!!!" Eheheheh!!!

Abraço

Márcio Guerra, aliás, Bimbosfera

http://Bimbosfera.blogspot.com

Nuno B. disse...

Olá

concordo em absoluto, principalmente no reparo sobre as simulações desnecessárias (um dos poucos "defeitos que tem de erradicar do seu jogo).
Só uma nota, um jogador com 18 anos, imaturo, tecnicista e fantasista, merecia da parte dos adeptos benfifiquistas outro apoio. relembro o hulk, 24 anos e ainda bem imaturo que os portistas veem como enorme potencial. e , no benfica, o adu, que nunca provou nada mas que todos achavam que merecia estar no plantel.

abraço
Nuno