segunda-feira, 19 de outubro de 2009

RAP



A minha pátria já está no Mundial

Bom, não estará completamente, mas para lá caminha. Não quero parecer demasiado optimista. É certo que faltam ainda uns dois jogos decisivos mas, em princípio, em breve fica tudo resolvido e a minha nação estará na África do Sul: Luisão e Ramires já se apuraram, Aimar e Di María (e, quem sabe, Saviola) também, Óscar Cardozo está igualmente qualificado, Quim, César Peixoto e Nuno Gomes podem estar quase, assim como Maxi Pereira, e o seleccionador de Javi Garcia já disse que o tem debaixo de olho. Vai ser um Mundial em cheio, talvez como o de 1990, em que também estivemos presentes. Decorria a fase de grupos quando o meu primo me telefonou: «Estás a ver o jogo do Benfica?» Claro que estava. Boa parte das pessoas chamava-lhe Brasil-Suécia, mas era o jogo do Benfica: Ricardo Gomes, Mozer, Valdo, Schwarz, Thern e Magnusson como titulares, e Glenn Stromberg ainda entrou, para dar ao jogo um cheirinho a velhas glórias. Foi um belo desafio dos meus compatriotas. Espero que o próximo Mundial me traga mais desses.


Talvez a maioria dos leitores não compreenda, mas sempre senti que o meu país é o Benfica. Sou português, claro, até porque o Benfica é português. Sou lisboeta, até porque o estádio da Luz fica em Lisboa. Mas a minha pátria é o Benfica. Sempre achei que pertencia mais ao país de Schwartz, Valdo e Filipovic do que ao de Fernando Couto, Jorge Costa e Sá Pinto. Os jogadores do Benfica são meus compatriotas; os da selecção nacional, nem sempre. Muito provavelmente, o leitor considerará que sou estranho, mas eu sinto-me muito mais compatriota de Ruben Amorim ou Fábio Coentrão do que de Liedson ou Pepe. É absurdo, eu sei, mas é assim.


Tenho estado a fazer uns tratamentos e aguardo resultados positivos em breve. Todos os dias, escrevo 10 vezes num caderno a frase «O Benfica não é obrigado a golear todos os jogos». E depois leio e finjo que acredito. Tudo isto serve para tentar moderar o entusiasmo, que é injustificado. O calendário tem sido favorável ao Benfica. Ainda não defrontou Porto, ou Sporting, o que já aconteceu com os outros. O Benfica limitou-se a dar três ao facílimo Paços de Ferreira (que empatou com o Porto) e dar quatro ao muito macio Belenenses (que empatou com o Sporting). Tudo jogos fáceis, claro. O avanço do Benfica não significa nada. Basta-me repetir esta frase um bom número de vezes e pode ser que passe a acreditar nisso. Os sportinguistas e portistas já conseguiram. Deve ser uma tarefa simples.

Ricardo Araújo Pereira - Edição 17 de Outubro 2009, Jornal A Bola

3 comentários:

GIL VICENTE disse...

Bela crónica de RAP, como sempre, caro Bruno.
É sempre um prazer ler e até reler estas crónicas.
Abraço

Coluna D'Águias Gloriosas disse...

eheh ahah grande RAP!

Bimbosfera disse...

Isto é sem dúvida uma crónica bem escrita, perspicaz... Bem, à Benfica!
Eu sinto, sem dúvida, o mesmo que o RAP, a nível de selecções. Quero lá saber desses artolas.
Do Benfica já lá estarão uns 8 ou 9, com perspectivas de serem até uns 12 ou 13... Brutal, hein?

Certos:
Maxi, Luisão, Ramires, Di Maria, Aimar, Cardozo, Urreta (emprestado), Yebda (emprestado), Halliche (emprestado).

Incertos:
Quim, César Peixoto, Fábio Coentrão, Nuno Gomes, Javi Garcia, Saviola.

Bem, dando de barato que estes não vão, os incertos, só certos são uns 9... É muito bom! Podemos atingir números históricos!

Abraço

Márcio Guerra

P.s.- Pena é ir o Queirós também. Não o podemos lá deixar à volta? Eheheh!