sexta-feira, 19 de março de 2010

Marselha 1 - 2 Benfica - Oitavos-de-final Liga Europa 09/10

Épica. Foi épica a vitória de hoje à noite, num encontro que ficará na história do Benfica, como muitos outros no nosso passado recente e mais antigo já ficaram. O jogo de hoje foi uma demonstração de que esta equipa é, sem sombra de dúvidas, uma das mais empolgantes da Europa e que tem condições para concluir esta época com muitos, muitos sucessos. E já é, sem sombra de dúvidas também, a melhor equipa do Benfica que já vi desde que acompanho futebol com olhos de ver. Ou seja, desde a época 1992/93, e nessa época também jogávamos muito bem. Mas este ano... bem, este ano somos quase imparáveis. Hoje, até conseguimos, pela primeira vez na temporada, dar a volta a um resultado negativo, perante uma grande equipa, que hoje foi absolutamente banalizada pelo nosso futebol. Em suma: podemos estar a assistir a um momento histórico na vida do Benfica. E eu estou a fazer parte dele.


O jogo resume-se a três palavras: Benfica a dominar. Porque foi mesmo assim que tudo se passou, tanto na primeira como na segunda parte. O Benfica esteve sempre no meio-campo adversário, controlou todo o encontro, fez os franceses colocarem apenas 2 homens no ataque, com os outros 9 sempre atrás da linha da bola. Onde andou Lucho? Ninguém sabe. Os nossos jogadores foram verdadeiros heróis, sempre em busca de ter a bola, de procurar o golo, de ir para cima do adversário. Sinceramente, se não fosse pelos cânticos que vinham das bancadas serem em francês, eu diria que estávamos a jogar em casa, caso tivesse de tentar adivinhar pela qualidade praticada dentro do campo. Nunca imaginaria que o Marselha estava a jogar no seu terreno. Ridiculamente, com toda a sorte do mundo, os franceses chegaram ao golo ao minuto 70, pelo seu capitão, Niang. Uma partida do destino, mas a verdade é que acreditei desde o momento em que vi a bola entrar que a eliminatória não estava perdida, que ainda íamos empatar e depois vencer no prolongamento, se não fosse antes. E não me enganei. Passados apenas 4 minutos, Maxi Pereira voltou a fazer das suas (em Marselha já não o devem poder ver) com um grande remate que voltou a bater Mandanda. Faltava pouco para dar a volta e eu continuava a acreditar.


E digam lá, quem diria que seria Alan Kardec a fazer o golo 100 do Benfica esta época e, mais importante, a dar a passagem aos quartos-de-final? Quase ninguém, aposto eu. Mas a verdade é que Jorge Jesus mostrou mais uma vez que afinal a estrelinha também o acompanha. Quando aos 86 minutos fez entrar o brasileiro, alguém pensou que estava ali o herói do jogo? Eu não pensei, nem pouco mais ou menos, até porque até agora pouco mais tinha visto dele que um novo Keirrison. Mas só pelo golo que marcou hoje já valeu a contratação e os 4 ou 5 anos que tiver de contrato. Que fique quanto tempo quiser.


O Marselha surpreendeu-me muito. Pela negativa. Depois da grande equipa que vi jogar na Luz, nunca pensei que aparecesse tão cauteloso e a jogar no erro do Benfica. Podia resultar, como podia dar asneira. Deu asneira. Os jogadores que mais gostei na equipa francesa hoje foram Niang, pelo trabalho que dá a uma defesa, embora não me pareça nada apurado tecnicamente; Brandão, pelo trabalho que dá e pela técnica que tem, ao contrário de Niang; e Edouard Cissé, pelo bom trabalho de sapa que faz, sem se dar por ele (muito ao jeito do velho Paulo Assunção, não deste do Atlético de Madrid, ou do Javi García). Para mim, foi ele o melhor em campo do Marselha nesta noite.

Foi uma vitória à Benfica. À Benfica dos tempos áureos, da raça, do querer, da vontade de ganhar e de jogar bom futebol. Um futebol de deixar esse mundo fora a salivar, pela beleza técnica, pela qualidade artística e também táctica. Foi um jogo espectacular de todos os jogadores, excepto de um. Não gostei minimamente do Cardozo hoje, admito desde já. Foi, claramente, um jogador a menos na equipa. Apesar de ganhar muitos dos duelos nas alturas, não acertou uma tabelinha, não fez mais de 2 passes em condições e nem a rematar isolado frente ao guarda-redes (supostamente uma das suas funções, pois é um matador) conseguiu acertar na baliza. Acho que o Cardozo atravessa um nítido abaixamento de forma e não é do ponto de vista físico. Ele não está muito bem a nível psicológico. O Jesus que trabalhe bem esse aspecto, porque precisamos do nosso matador de volta. De resto, um jogo de gigante do Maxi Pereira, do Fábio Coentrão (a calar-me, a mim e a todos os que acham e achavam que nestes jogos importantíssimos é preciso um defesa esquerdo que saiba defender melhor, que não dê tantos espaços; hoje esteve irrepreensível e está um fantástico jogador), do Luisão e do Javi. Um bom jogo do Carlos Martins, do Di María e do Ramires, pese embora este continue estafadíssimo: o homem precisa mesmo de descansar. Está esgotado e isso nota-se, embora com o seu esforço e abnegação a cada jogada ele o disfarce muito. O Saviola esteve muito apagado, a fadiga também já se vai notando muito. Se calhar estes 2 deviam descansar no domingo. Já o Cardozo tem de jogar, para ver se marca e espanta os fantasmas que o parecem estar a atormentar. De Júlio César, não há muito para dizer, não teve grande trabalho e no golo a falha é da defesa, ele fez a mancha muito bem. De resto, acho que se notou uma melhoria abismal quando o Aimar entrou em campo (como já tinha acontecido, por exemplo, em Liverpool, com o Everton). Se aquele homem estivesse sempre em condições físicas, éramos muito mais demolidores. Uma última palavra para David Luiz. No geral, esteve muito bem. Mas continua a alterar esse muito bem com lances de burrice pura, dignos de infantis. Exacto, estou-me a referir ao lance em que quer fintar o Koné e acaba por perder a bola, deixando-o em boa posição para marcar. Enquanto fizer coisas assim, nunca será dos melhores da rua dele, quanto mais do mundo. Em relação ao jogo, está tudo dito. Tudo o que eu tinha previsto/pedido se concretizou até agora: vencemos o Paços, vencemos o Nacional e eliminámos o Marselha, não descurando até agora nenhuma das competições oficiais. Assim é que eu gosto de ver o meu Benfica, a lutar por todas as competições oficiais. E a verdade é que continuamos na luta pelas 3. Para os próximos jogos, já sabem os meus pedidos: encarem o jogo de domingo como aquilo que é na verdade, uma final e frente a um grande rival, por todos os motivos e mais alguns. É um jogo para ganhar, sem qualquer tipo de dúvida. E depois é descansar um dia e voltar ao trabalho para preparar mais uma final, desta feita a do campeonato. Se vencermos esse encontro dificilmente perderemos o título. Mas, para já, vamos desfrutar um pouquinho do grande jogo a que assistimos hoje. Fez-se história em Marselha (e finalmente conseguimos lá nova vitória épica para fazer esquecer uma história de uma mão que durou 20 anos...). Uma palavra para o sorteio: o melhor que nos podia calhar em sorte era o Standard de Liège. É, sem dúvida, o clube mais fraco dos quartos. Mas também gostava que nos saísse o Fulham, por duas razões: é muito parecido com o Everton, mas pior, e acabou de eliminar a Juventus (tendo eliminado também a Roma na fase de grupos), o que nos daria ainda mais prestígio caso os eliminássemos. Depois há ainda as 2 equipas alemãs, que não me parecem nada de mais: Hamburgo e Wolfsburgo. E o Atlético de Madrid, que não tenho dúvidas nenhumas em como seria massacrado pelo Benfica, devido ao nosso ataque demolidor. O Sporting não passou apenas pela defesa hedionda que tinha hoje em campo. Com Tonel e Carriço no centro e Grimi (apesar de tudo, 30 000 vezes superior a Pedro Silva) a lateral esquerdo, os leões tinham eliminado este Atlético à vontade. Assim, não deu. Sobram Valência e Liverpool, os verdadeiros papões (junto connosco) desta Liga Europa. Se calharmos com um deles, será uma final antecipada. Se não, já estamos nas meias-finais, não tenho grandes dúvidas. Rumo à 1ª Liga Europa (e à 2ª Taça da Liga... e ao 32º!), eu acredito!

PS: Eu havia prometido, no post de homenagem ao Julinho, que o luto do blog daria lugar novamente ao vermelho vivo do Benfica e da alegria caso nos qualificássemos hoje, algo que o próprio deveria querer muito. Missão cumprida, Julinho.

Os golos do encontro (com comentários em inglês) aqui:







O resumo do jogo aqui:

5 comentários:

Nuno disse...

Excelente POST!

Grande noite para o Benfica!
Que grande demonstração de raça, querer e ambição...!

Contra tudo e contra todos: contra o Marselha, contra o árbitro, contra Platini....

Obrigado Mãe por me dares à LUZ nesta ERA....

http://apanhadosquanticos.blogspot.com/2010/03/era-de-jesus.html

Vermelhusco disse...

Benfica-Liverpool nos quartos e se passarmos sera contra Valencia ou Atletico de Madrid.
Fogo que so apanhamos tubaroes! Ate parece que estamos a jogar a Liga dos Campeoes.

sloml disse...

Pois, vi agora o sorteio. O próximo post será sobre isso. Mas acredito que temos condições para eliminar o Liverpool. E curiosamente tenho uma leve premonição de que o Atlético de Madrid até pode ser capaz de passar o Valência. Eles são capazes do melhor e do pior. Se os apanhássemos nas meias, estávamos na final. Mas se for o Valência, olha, que se lixe, é para ganhar na mesma.

GIL VICENTE disse...

Grande crónica, sloml! E grande homenagem!
Parabéns!

Bimbosfera disse...

Realmente, quanto à crónica, bem, está bem escrita, fundamentada, etc, o elogio do costume, que é sempre bom!

Quanto ao jogo, bem, que jogaço... Foi um daqueles para mais tarde recordar.

Andei a semana toda a dizer que seria um encontro com o destino, e foi.

Não me chateei muito quando sofremos o primeiro, claro, fiquei um pouco triste, mas por algum motivo não sentia que as coisas fossem continuar más!

Marcámos o primeiro, bem, saltei, gritei, saltei, gritei mais, bati com garrafas de plástico vazias umas nas outras, (não perguntem porquê, mas tinha-as aqui à mão!), enrodilhei-as todas, com a força com que bati, com que gritei, com que saltei, tudo sozinho... Quem passasse aqui à porta de casa e me ouvisse assim, sem saber que jogava o Benfica dizia que estava a ocorrer um crime aqui dentro, com certeza! (Como moro no Alentejo as casas são baixinhas!)

Quando foi o segundo, por estranho que pareça, com a certeza de que com aquele resultado íamos pelo menos ao prolongamento, há a falta, minuto 88 ou 89, e eu esboço um sorriso... Natural! Sentia e pensava, «é o nosso encontro com o destino»...
E foi! Foi golo, não festejei nem metade do que festejei no primeiro... De alguma forma senti que sabia que ía acontecer o golo e já estava meio que mentalizado.

Foi bonito... Sozinho em casa, mas bonito à mesma!

Abraço

Márcio Guerra, aliás, Bimbosfera

http://Bimbosfera.blogspot.com