segunda-feira, 14 de junho de 2010

Bela resposta...


... aos cépticos que depois do jogo de ontem já achavam que o campeonato estava perdido. Hoje, o Benfica deu uma lição de como responder às adversidades e dominou por completo o segundo jogo da final de futsal, mesmo na casa do Sporting. O resultado (novo 4-3) é muito enganador, fazendo crer num equilíbrio que na verdade não existiu. Como havia dito ontem, acreditava sinceramente que poderíamos vencer este jogo. Bastava os jogadores quererem. E quiseram. Quiseram muito. Graças a esse querer, estamos a 2 vitórias de nos sagrarmos tetracampeões. Eu acredito na revalidação do título. Acreditemos todos e cumprir-se-á!

domingo, 13 de junho de 2010

Considerações finais


Estamos a chegar à fase final da época, fase das últimas decisões nas modalidades que ainda estão em competição. Neste caso, as equipas do Benfica em futsal e em hóquei em patins ainda podem ganhar dois títulos: no futsal, podemos ser tetracampeões; no hóquei, podemos vencer a Taça de Portugal, o que seria um feito acima de tudo motivador, pois todos sabemos que a hegemonia do Porto em hóquei é quase imperturbável. No entanto, este ano os portistas escorregaram na Taça, tendo sido afastados há 2 eliminatórias frente à Física. Neste momento, o Benfica está na final-four, onde terá como adversário o HC Braga (o outro encontro oporá o Cascais e a Física), o que significa que tem uma hipótese soberana de conseguir vencer uma prova nesta modalidade. Esse triunfo acarretaria um grande simbolismo, porque nos permitiria voltar a vencer um título na modalidade (coisa que nem sei há quanto tempo não acontece) e inclusive ir disputar, no início da próxima época, a Supertaça com o Porto. Se a ganhássemos, podia ser que o campeonato finalmente nos sorrisse. Esperemos que a equipa consiga mesmo essa vitória.


No futsal, perdemos ontem o primeiro jogo da final, com o Sporting, e hoje teremos o segundo, novamente no terreno dos leões. Se perdermos, ficaremos obrigados a ganhar os 2 jogos em casa e ainda ter de ir ao último jogo em Alvalade. Se vencermos, "basta-nos" ganhar os 2 jogos em casa e somos tetracampeões. E eu acredito, depois do que vi nos últimos 5 minutos do jogo de ontem (os outros 15 foram aberrantes - há muito tempo que não via o Benfica jogar tão mal, apesar de 3 dos 4 golos do Sporting terem sido brilhantes), que podemos perfeitamente ganhar hoje. Basta que os jogadores queiram.

Vamos lá, Benfica, ganha mais estes 2 títulos!

sábado, 12 de junho de 2010

RAP


Jorge Jesus no Porto? Nem na Playstation

(…) não tenho opinião formada (e quem poderá tê-la?)
[Sobre a contratação de Villas-Boas]
Miguel Sousa Tavares
A Bola, 8 de Junho de 2010

“É uma escolha fantástica”.
Rui Moreira
Antena 1, 2 Junho de 2010

A abordagem de Pinto da Costa a Jorge Jesus não resultou. Acontece. Por uma qualquer razão difícil de explicar, o treinador do campeão nacional não se mostrou interessado em ir orientar o terceiro classificado na Liga Europa. Enfim, nem todos os contactos do presidente do Porto podem ser tão bem sucedidos como aquele telefonema que manteve com o árbitro Augusto Duarte. E, além disso, é natural que os treinadores vivos desconfiem de um presidente que falha as promessas a treinadores falecidos. Benfiquismo à parte, foi pena. Sinceramente, gostaria de ter visto a equipa técnica que Jorge Jesus iria formar no Porto. Este adjunto que Pinto da Costa acabou de contratar podia ser um excelente ajudante de Raul José, Miguel Quaresma, Mário Monteiro e Pietra. Quem sabe se, no futuro, Villas-Boas não pode ainda integrar a equipa técnica de Jorge Jesus e aí demonstrar todo o seu celebrado talento para a observação e a estatística?

Tal como sucedeu nos processos de Domingos Névoa e Fátima Felgueiras, também o processo Apito Dourado terminou sem qualquer condenação por corrupção. O empresário Manuel Godinho, detido no âmbito de processo Face Oculta, de quem se diz erroneamente que aguarda julgamento, na verdade aguarda absolvição. Os processos têm pontos de contacto notáveis. Fátima Felgueiras foi passar uma temporada ao Brasil, talvez no mesmo avião em que viajou Carlos José Amorim Calheiros, conhecido como Carlos Calheiros para efeitos de arbitragem e como José Amorim para fins turísticos. Por outro lado, enquanto Manuel Godinho oferecia peixe, Pinto da Costa oferecia fruta. Tudo víveres que devem fazer parte de uma alimentação saudável. Quanto mais não seja por semelhante elevação de princípios, não admira que não haja tribunal que se atreva a condenar esta gente.

Esta semana trouxe boas notícias e más notícias. A boa notícia é que Rúben Amorim foi chamado à Selecção. A má notícia é que foi chamado à Selecção portuguesa. Por um daqueles enormes azares, o rapaz não pode integrar uma equipa cuja categoria e ambição estejam à sua altura, infortúnio que partilha, aliás, com Fábio Coentrão. Que se apoiem mutuamente nesta hora difícil e voltem sãos e salvos, é o que lhes desejo. Até porque a equipa portuguesa continua a jogar um futebol desorganizado, com jogadores que parecem não saber o que estão a fazer em campo. Liedson, por exemplo, está de tal forma mal integrado na equipa que quem não soubesse até diria que é estrangeiro.

Depois de André Villas-Boas (sete épocas de Mourinho), Baltemar Brito (seis épocas de Mourinho) é o segundo adjunto do Special One a ser contratado para treinar um clube português. O Belenenses, sem capacidade financeira para sete épocas de Mourinho, teve de se contentar com seis. Além de que Baltemar Brito veste pior do que Villas-Boas, e não é ruivo. Nisto do futebol, a qualidade custa dinheiro, e tanto os fatos de bom corte como a coloração capilar têm um preço elevado, até pelos pontos que rendem no final da época. Segundo consta, o barbeiro de José Mourinho está nos planos do Trofense. Ora, na qualidade de cidadão que já trocou quatro SMS com o Special One, aproveito esta oportunidade para fazer saber ao mercado que não estou disponível para orientar equipas. Mas, ao que me dizem, o corta-unhas de José Mourinho vai mesmo treinar o Arrentela.

Por Ricardo Araújo Pereira, 12 de Junho de 2010 in jornal A Bola

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Somos bi-campeões nacionais de basquetebol! Parabéns, Benfica!


O Benfica conquistou o 22º título da história em basquetebol (é, de longe, a equipa que mais vezes foi campeã em Portugal - logo atrás de si vem o Porto, com... 10 campeonatos), revalidando assim o troféu e conseguindo o primeiro bis em 16 anos. Foi, acima de tudo, uma vitória justa, pois o Benfica foi a melhor equipa (de longe) da competição, tal como já o havia sido na temporada passada. Esta vitória final veio provar que o jogo anterior foi apenas um acidente de percurso, pois a equipa valia muito mais que isso, como havia demonstrado nos últimos dois anos. E isso foi bem visível ontem. Os jogadores sofreram muito, tiveram de fazer face a várias contrariedades por lesão dos melhores jogadores (Sérgio Ramos, Elvis Évora, Will Frisby), mas superaram-se, deram tudo e conseguiram revalidar o título. A todos eles (António Tavares, Miguel Barroca, Diogo Carreira, Miguel Minhava, Ben Reed, Sérgio Ramos, Cristovão Cordeiro, Heshimu Evans, João Santos, Eky Viana, Elvis Évora e Will Frisby - e acima de tudo ao treinador Henrique Vieira) os meus parabéns. Somos a melhor equipa nacional de basquetebol!

terça-feira, 8 de junho de 2010

O nosso plantel XXIV - Weldon

Estamos quase no fim desta análise ao plantel do Sport Lisboa e Benfica nesta época, mas ainda faltam alguns jogadores. O de hoje, e depois dos já analisados Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão, Urreta, Aimar, Felipe Menezes, Saviola e Cardozo, é o avançado brasileiro Weldon.


Weldon chegou ao Benfica já com a pré-época em andamento, a pedido expresso do treinador Jorge Jesus, que já tinha sido muito feliz com os seus golos em 2007/08, então no Belenenses. Custou apenas 180 mil euros ao clube, num dos negócios mais vantajosos dos últimos anos na Luz. Era visto como um avançado útil, muito veloz e razoavelmente tecnicista. Uma espécie de irmão gémeo de Suazo, mas com menos nome e, acima de tudo, muito mais barato. À partida, não parecia ter muitas hipóteses de singrar, dada a forte concorrência (Saviola, Cardozo, Nuno Gomes, Keirrison e ainda Mantorras). A seu favor tinha o facto de ter sido contratado pela vontade do técnico. A verdade é que cedo deu razão ao pedido de Jesus. Começou logo a marcar na pré-época e prolongou essa fome de golos para os primeiros jogos oficiais da temporada. Na primeira jornada, na recepção ao Marítimo, o Benfica massacrou mas esteve a perder até aos 86 minutos. Aí, surgiu Weldon a empatar, impedindo a derrota e reduzindo a frustração dos adeptos ao mínimo. Dias depois, o mesmo cenário. O brasileiro marcou apenas dois minutos depois de entrar em campo e já se perfilava como um dos melhores marcadores dos encarnados na época. No entanto, o azar bateu-lhe à porta e após esse jogo, só voltou à equipa quase um mês depois. Devido à falta de ritmo decorrente do facto de jogar poucos minutos (dada a fantástica época que Saviola e Cardozo vinham a fazer), Weldon acabou por perder destaque e influência na equipa, passando a fazer apenas aparições residuais na maior parte da época.


Mas tudo mudou na jornada 25. Sem que nada o fizesse prever, Jesus deu a titularidade ao brasileiro na visita à Figueira da Foz, relegando Éder Luís e Nuno Gomes para o banco (e com Saviola lesionado). Aos 12 minutos, o Benfica já perdia por 2-0 e parece que esta aparição de Weldon ia redundar em mais um fracasso. Puro engano. O brasileiro marcou dois golos em 3 minutos, empatando o jogo com apenas 19 minutos jogados, o que deu ainda muita margem de manobra à equipa para conseguir virar o resultado por completo (acabou por vencer por 4-2). Nova lesão tirou o jogador da malfadada visita a Liverpool, mas acabaria por ser aposta novamente na visita à Académica. Em boa hora, pois voltou a fazer 2 golos na primeira parte, contribuindo decisivamente para a vitória do Benfica por 3-2. Com a recuperação de Saviola, Weldon acabou por voltar a perder o lugar nos últimos jogos da época, mas o seu contributo para o triunfo encsrnado no campeonato já estava dado. Terminou a época com 19 jogos efectuados (12 no campeonato, 4 na Liga Europa, 2 na Taça de Portugal e 1 na Taça da Liga) e 6 golos marcados (5 no campeonato e 1 na Liga Europa), cotando-se como um dos melhores marcadores do Benfica na temporada.


Foi, portanto, uma aposta bem ganha de Jorge Jesus. Weldon não teve um rendimento minimamente constante, houve vários jogos da época em que fez exibições absolutamente desastradas (caso da recepção ao Belenenses, em que entrou ao intervalo e fez uma 2ª parte rídicula - na altura vaticinei-lhe o fim da sua estadia no Benfica, admito), mas acabou por ser absolutamente fulcral na conquista deste título. À conta dos seus golos, o Benfica conseguiu directamente... cinco pontos, precisamente a vantagem final dos encarnados sobre o Braga. Portanto, os 180 mil euros gastos na compra de Weldon acabaram por ser o negócio mais rentável da temporada para o Benfica. Ainda assim, e agradecendo tudo o que deu ao Benfica (que foi muito, como já vimos), continuo a considerar que Weldon não tem valor para jogar no Benfica. É um elemento útil, mas pouco mais. No entanto, se o objectivo de ganhar a Liga dos Campeões se tornar mesmo real, e tendo em conta que ainda haverá o campeonato, a Taça de Portugal e a Taça da Liga para ganhar, porventura até seria bom mantê-lo no plantel, pois poderá ser útil para, por exemplo, os jogos da Taça de Portugal e da Liga, além das visitas a campos como o da Figueira da Foz e de Coimbra para o campeonato, onde poderia ser fulcral, tal como foi este ano. Talvez ainda possa ser muito útil por isso. De qualquer forma, a minha opinião inicial mantém-se: acho que Weldon não tem o valor suficiente para actuar nesta equipa (e já não vai para novo). Se aparecesse uma oferta de, por exemplo, 2 ou 2,5 milhões de euros, eu vendia-o na hora. Fazíamos um lucro brutal com este jogador, tanto em termos desportivos como financeiros. Mas se ficar, desejo-lhe tudo de bom, se possível que seja ainda mais decisivo do que o foi este ano.

E os leitores, que pensam do avançado brasileiro?

domingo, 6 de junho de 2010

Mais uma prova...

... do enorme prestígio que o grande Eusébio e consequentemente o Benfica (e também Portugal) continuam a ter por essa Europa (e Mundo) fora, neste grande artigo com o nosso Pantera Negra.


PS: Perdemos o quarto jogo da final do campeonato nacional de basquetebol, e por números esclarecedores (32 pontos de diferença). Quero acreditar que foi apenas um dia mau da equipa e que irá resolver a questão no próximo jogo, em casa, na quarta-feira. Será o revalidar do título.

RAP


Síndrome José Mourinho: mais um caso de contágio

Quem esteve atento à imprensa do Porto, esta semana, sabe que Pinto da Costa acaba de contratar o melhor treinador de todos os tempos. Dia após dia, Villas Boas foi sendo descrito nos jornais de modo a que ninguém tivesse dúvidas: Villas Boas não é o novo Mourinho; Mourinho é que, com esforço e sorte, poderá vir a ser o novo Villas Boas. Aqueles adeptos que, levianamente, tinham preferência por treinadores com mais de seis meses de experiencia, foram confrontados com páginas e páginas de informações detalhadas sobre o extraordinário perfil de Villas Boas e puderam confirmar que estavam a ser ridículos.
Porque Villas Boas é jovem. Vilas Boas é ambicioso. Villas Boas é extremamente moderno. Villas Boas ainda não parou de evoluir. Villas Boas é extraordinariamente jovem. Villas Boas é arruivado e chama-lhe cenourinha. Villas Boas é mesmo muito ambicioso. Villas Boas tem o número de telefone de José Mourinho na sua agenda. Villas Boas adora os jogadores. Os jogadores adoram Villas Boas. Villas Boas é mais jovem do que quase toda a gente. Villas Boas fez relatórios magníficos para Mourinho. Villas Boas é tão ambicioso que até faz dor de cabeça. Villas Boas quase nunca diz palavrões. Villas Boas dá conferências de imprensa de antologia porque antecipa as perguntas dos jornalistas e ensaia as respostas geniais que vai dar. Villas Boas uma vez falou com um jornalista num aeroporto e deixou-o muito bem impressionado. Até porque é jovem. E ambicioso. Villas Boas tem dupla ascendência nobre: é o 4.º visconde de Guilhomil e o 17.º novo Mourinho. Villas Boas sabe estar. Villas Boas lê os jornais todos logo pela manhã, o que é notável. Villas Boas sabe o que é o esternocleidomastoideu (esta informação não vinha na imprensa, mas julgo que apenas por esquecimento). Villas Boas não treina, orienta processos de treino. Villas Boas não dá instruções, incute conceitos. Sempre de forma jovem e ambiciosa. E foi certamente por tudo isto que, dos 50 nomes de treinadores que Pinto da Costa disse ter na cabeça, houve 49 que não tiveram currículo nem categoria para levar a melhor ao rapaz que nunca treinou numa competição europeia e deixou a Académica num glorioso 11.º lugar, dois pontos abaixo do Paços de Ferreira de Ulisses Morais.

Foi uma semana histórica. Certa capa de jornal colocava frente a frente os dois mais prováveis candidatos ao lugar de treinador do Porto e o respectivo resumo de carreira. De um lado, Muricy Ramalho. E, por baixo da fotografia, a legenda: «três campeonatos brasileiros e uma taça CONMEBOL». Do outro lado, Villas Boas. E, no lugar do currículo, vinha escrito: «7epocas de Mourinho». Era, portanto, o confronto entre um tricampeão do Brasil e um heptacampeão dos relatórios. Sem surpresa, ganhou o último. Como benfiquista, não posso deixar de estar preocupado e julgo que se devem tomar medidas drásticas: avançar para o despedimento imediato de Jorge Jesus e contratar a Sr.ª D. Matilde, a mulher do special one. Tem cerca de 20 épocas de Mourinho no seu palmarés. Parece-me jovem. Caso seja ambiciosa, leia os jornais todas as manhãs e prometa pintar o cabelo de ruivo, é oferecer-lhe um contrato de dois anos com mais um de opção.
Quem julga que exagero acerca das capacidades de Villas Boas não precisa de ler as reportagens da imprensa nortenha. Para se ter uma noção da importância que o novo treinador do Porto tinha na equipa de Mourinho, bastará recordar que, esta época, já sem a preciosa colaboração de Villas Boas, Mourinho ganhou apenas o campeonato italiano, a taça de Itália e a Liga dos Campeões. O leitor lembra-se certamente das célebres imagens de Mourinho agarrado a Materazzi, na despedida de Milão. Pois bem, neste momento tenho a certeza de que ambos a chorar com saudades dos relatórios de Villas Boas. «I rapporti! I rapporti!», chorava Materazzi. «Ma che saudadini!», soluçava Mourinho. «Era cosi giovani e ambizioso!», suspiravam ambos.
A culpa é do próprio Mourinho, que tem esta qualidade única. Os outros grandes treinadores do mundo não transmitem, por osmose, os seus conhecimentos ao resto da equipa técnica. Quem faz relatórios para Fabio Capello não passa a saber treinar como ele. Os adjuntos de Alex Ferguson não se transformam em treinadores geniais (como nós bem sabemos). Mas os que rodeiam Mourinho passam a perceber de futebol por contágio. São contaminados pela especialidade de special one. Pode ser o melhor treinador do mundo, mas é um perigo para a saúde pública.

Por Ricardo Araújo Pereira, 5 de Junho de 2010 in Jornal A Bola