terça-feira, 18 de maio de 2010

O nosso plantel XX - Aimar

Analisados Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão e Urreta, chega a vez do actual maestro d' "O Nosso Plantel", El Mago Pablo Aimar.


A entrada de Aimar no Benfica foi carregada de simbolismo. O Maestro, Rui Costa, tinha acabado de se retirar do campo e começado a trabalhar de fato e a sua primeira incursão no mercado de transferências foi no sentido de encontrar um substituto para si mesmo, um nº 10. Assegurado Carlos Martins, a direcção achou que ainda não era suficiente e foi então que se começou a pensar num nome que à partida parecia impossível: Pablo Aimar. O argentino era um dos nomes mais categorizados do futebol mundial e também muito bem pago, pelo que se afigurava muito difícil a sua contratação. No entanto, a sua vontade em continuar a jogar ao mais alto nível e, de certo modo, de dar um novo fôlego à carreira, depois de uma época negra em que desceu à II Divisão espanhola com o Saragoça, acabaram por fazê-lo aceitar o convite do Benfica. A sua primeira época, contudo, não foi famosa. Os problemas físicos que atormentavam o argentino desde os tempos do Valência teimavam em persistir o que, juntamente com a teimosia táctica de Quique Flores (insistiu em colocá-lo a segundo avançado e até a extremo durante toda a temporada, onde raramente jogou a 10), fez com que a temporada tivesse ficado aquém das expectativas. Aimar realizou 22 jogos no campeonato e marcou um golo, tendo conquistado a Taça da Liga, com 4 jogos e também um golo efectuado.


No início desta época, percebeu-se claramente que Jorge Jesus iria cortar com o passado e colocar Aimar na sua posição natural. E as melhorias apareceram logo desde o início. O quarteto sul-americano do ataque encarnado (destacando-se a produtiva amizade entre El Mago e Saviola) deu espectáculo, marcou muitos golos e convenceu tudo e todos. Contudo, apenas um senão persistiu: a frágil condição física de Aimar, que raramente lhe permitiu jogar 3 jogos no espaço de uma semana e lhe fez perder fulgor durante o segundo terço da época. Acabou por reaparecer em força na parte final, destacando-se a soberba exibição que fez frente ao Sporting e que permitiu aos encarnados vencerem um jogo que se afigurava extremamente difícil. Terminou a época com 41 jogos efectuados (25 no campeonato, 11 na Liga Europa, 1 na Taça de Portugal e 4 na Taça da Liga) e 5 golos marcados (4 no campeonato e 1 na Liga Europa) e com 2 títulos no bolso: campeonato e Taça da Liga.


Aimar é um génio. Vê-lo jogar futebol é como ouvir Mozart ao piano. Se a sua condição física não fosse tão frágil, poderíamos assistir aos seus recitais no campo com muito mais constância, não só porque actuaria mais, como também os seus níveis de confiança subiriam e obviamente o nível do seu jogo (e da equipa) também melhoraria ainda mais. De resto, uma das grandes pechas de Aimar (talvez a maior) também me parece que tem a ver com o seu medo em relação à sua condição física: o remate de longe. Aimar praticamente nunca escolhe a opção rematar de longe, ao contrário de Carlos Martins, por exemplo. O argentino prefere sempre lateralizar ou passar em frente, mas nunca rematar. No restante, só mesmo a sua condição física o atrapalha, pois o seu talento é imenso. Todo ele é classe. Esperemos que se mantenha ainda por alguns anos por cá, pois é um encanto poder assistir às suas exibições. Só há uma coisa que não gosto em Aimar, além do já referido anteriormente: tem uma grande tendência para se fazer às faltas. E eu não gosto de jogadores que insistem e insistem nas simulações. Algo a modificar urgentemente (se bem que eu ache que ele acaba por cair logo mal sente algum contacto precisamente pela frágil condição física que tem e porque não quer arriscar um milímetro; então, acaba por se atirar logo para o chão mal sente um encosto. Ainda assim, tem de deixar de o fazer, pois acaba por ficar com uma imagem de simulador, o que é pena num talento destas proporções). E uma curiosidade: Aimar já ganhou 3 campeonatos na Argentina, 2 em Espanha e agora 1 em Portugal. Pode ser que o seu destino se volte a cumprir e que não deixe o Benfica antes de ganhar mais um campeonato. Será já para o ano? Veremos.

Que pensam os leitores de El Mago Aimar?

6 comentários:

Anónimo disse...

Simplesmente GENIAL. É realmente um prazer enorme em vê-lo jogar juntamente com Saviola. Complementam-se muito bem. Pois apesar do Benfica apresentar outras soluções para a sua posição o Benfica é, com Aimar em forma, simplesmente brutal. Com jogadores desta qualidade e caracteristicas a pautar o jogo, todos os outros parecem "funcionar" ainda melhor.

Manuel Oliveira disse...

Palavras para quê! Jogador sensacional, com apenas essa pecha da condição física, o que é uma pena.
Abraço.

Jotas disse...

Tem sido excelente este teu imenso trabalho. Quanto ao Aimar, julgo que o seu cognome diz tudo - El Mago

Nuno B. disse...

mais um pibe imortal. quando está bem transmite ao futebol ofensivo colectivo uma só consciência. é belo ver isso.a forma colo ele usa os passes, deslocando-se no espaço, fazendo o colectivo funcionar como um harmónio... não tenho palavras, recordo aqui o 1º golo contra o nacional. não me canso de ver: http://www.youtube.com/watch?v=Of1lUeKIqgA

Éter disse...

Aimar é simplesmente futebol em forma de gente. Que pena não ter 24 ou 25 anos...

Aproveito para responder aqui à tua pergunta. Julgo que o livro que sai n'A Bola ainda se encontra à venda. É uma questão de ires experimentando em várias papelarias...

Mantorras disse...

Mágico!