terça-feira, 15 de junho de 2010

O nosso plantel XXV - Keirrison

Dando os passos finais na análise ao plantel encarnado da gloriosa época que agora termina, e já depois de vistos Quim, Moreira, Júlio César, Maxi Pereira, Luís Filipe, Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor, Roderick Miranda, César Peixoto, Shaffer, Javi García, Ruben Amorim, Ramires, Carlos Martins, Di María, Fábio Coentrão, Urreta, Aimar, Felipe Menezes, Saviola, Cardozo e Weldon, temos hoje o único jogador que iniciou a temporada sem fazer parte dos nossos quadros... e que a terminou também bem longe da Luz: o brasileiro Keirrison.


Keirrison foi talvez a contratação mais surpreendente do Benfica. Pela conjuntura em que chegou (por empréstimo do Barcelona, que havia pago 15 milhões de euros ao Palmeiras para o contratar, depois de se ter sagrado melhor marcador do campeonato brasileiro) e também pelas notícias dos dias anteriores de que o Porto estaria a tentar o seu empréstimo junto do Barça. De repente, os catalães acertam com o Benfica o empréstimo do avançado, convencidos de que Lisboa seria o sítio ideal para Keirrison crescer e se ambientar ao futebol europeu, com o intuito de regressar ao plantel blaugrana dois anos depois (ficaria duas épocas emprestado no Benfica). Isto, apesar da concorrência que já se previa apertada (a um plantel que já tinha Nuno Gomes, Cardozo e Mantorras, o Benfica havia já juntado Saviola e Weldon). Keirrison chegou, assim, com um peso enorme nas suas costas, peso esse de que nunca se conseguiu livrar.


O brasileiro estreou-se oficialmente com a camisola encarnada em Guimarães, numa altura em que o Benfica procurava desesperadamente o golo da vitória (já tinha empatado em casa na primeira jornada; voltar a desperdiçar pontos na semana seguinte começava a ser problemático). Não mostrou nada de especial, o que era compreensível dado o pouquíssimo tempo que levava na Luz. No jogo seguinte, na visita ao Vorskla Poltava, já com a eliminatória decidida (tínhamos vencido por 4-0 em casa), Jorge Jesus concedeu-lhe a titularidade. Não se pode dizer que a tenha aproveitado. A exibição foi novamente fraca e o Benfica até perdeu (2-1). Keirrison continuou a ter oportunidades, nomeadamente em momentos em que a equipa mais precisava que ele aparecesse: em Leiria, Jesus resolveu descansar Cardozo e dar a titularidade no campeonato a Keirrison pela primeira vez; em Braga, precisava de empatar quando o colocou em campo; em casa com a Naval, procurava o golo da vitória; também em casa, com o Vitória de Guimarães, para a Taça de Portugal, Cardozo estava castigado pela injusta expulsão em Braga e o treinador resolveu dar a última oportunidade ao brasileiro. Resultado? O Benfica perdeu o jogo, foi eliminado da Taça e a exibição de Keirrison foi, mais uma vez, fraquíssima. Ficou aí traçado o seu destino no Benfica - esse foi, de resto, o seu último jogo com a nossa camisola. Acabaria por sair em Janeiro, tendo sido colocado na Fiorentina (onde, apesar de ter marcado 2 golos, também não rendeu o que os viola e o Barça gostariam). Acabou por marcar apenas dois golos pelo Benfica e em amigáveis: frente ao Celtic, no particular no Canadá, e contra o Santa Clara, no Troféu Pedro Pauleta. Muito pouco para a reputação que trazia. Terminou a sua estadia de águia ao peito com 5 jogos no campeonato, 1 na Taça de Portugal e 1 na Liga Europa.


Keirrison foi, para mim, o flop da época do Benfica. Um jogador que vinha muito bem referenciado, com um passado de apenas 2 anos como profissional mas recheados de golos. Um jogador que tinha custado 15 milhões de euros ao Barcelona, visto, portanto, como uma grande esperança pelos blaugrana, que confiaram em nós para dar rodagem ao avançado e fazê-lo crescer. No Benfica, porém, Keirrison nunca mostrou esse instinto matador que o havia notabilizado no Brasil, nunca mostrou sequer saber movimentar-se como um avançado normal, como um homem de área que é. Todos os jogos oficiais que efectuou ao serviço do Benfica foram fraquíssimos, todas as exibições foram miseráveis e nunca esteve sequer perto de marcar um golo. Acabou por deixar um perfume do que havia mostrado no Brasil apenas no golo que apontou ao Santa Clara, no amigável nos Açores referente ao Troféu Pedro Pauleta. Aí sim marcou um golo à ponta-de-lança. O problema é que esse apontamento não teve continuidade em mais nenhum momento. E talvez o problema não tenha estado apenas no Benfica ou no treinador, visto que Keirrison também não brilhou na Fiorentina, onde esteve por empréstimo na segunda metade da época - os viola, aliás, não quiseram continuar a contar com os seus serviços para a próxima temporada e o Barcelona, contra a sua vontade, já terá mesmo de emprestá-lo a um clube brasileiro para a segunda metade de 2010. Keirrison ainda é novo e certamente virá a mostrar mais do que conseguiu esta época, acredito sinceramente nisso, mas a verdade é que apoiei a 100% a decisão de Jesus em prescindir dos seus serviços: porque não era nosso, porque ganhava mais de 100 mil euros por mês (dos mais bem pagos do plantel), e porque tínhamos de ser campeões, pelo que não nos podíamos dar ao luxo de colocar em causa o campeonato para dar tempo de utilização a um jogador que não era nosso. No entanto, reconheço - pelos seus números no Brasil - que pode ser um bom avançado. No Benfica não o demonstrou, seguramente.

Qual a opinião dos leitores em relação ao brasileiro?

3 comentários:

Anónimo disse...

O K9 é muito RUIM !!!!

Éter disse...

sloml, em duas palavras: fe lop

Laurilei Ramos da Silva disse...

O k9, é um grande jogador, precisa de sequência, ainda é jovem e vai brilhar muito...Fica fácil criticar um jogador que teve muitos problemas de lesão...Eu creio o K9, vai ressurgir...